RPSO - Revista Portuguesa de Saúde OcupacionalRPSO - Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional
RPSO – Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional
trabalhos originais associados à Saúde Ocupacional
  • Home
  • Objetivos
  • Áreas de interesse
  • Trabalhos aceites para submissão
  • Normas para os autores
  • Documentos necessários à submissão
  • Processo de submissão
  • Submeta aqui
  • Formação Profissional
  • Bolsa de emprego (oferta/ procura)
  • Sugestões para os Leitores Investigarem
  • Congressos
  • Candidatura a revisor
  • Artigos recentes
    • Artigos Originais
    • Artigos de Revisão
    • Artigos de Opinião
    • Jornal Club
    • Resumos de trabalhos publicados ou divulgados noutros contextos
    • Artigos da Equipa Técnica
    • Casos Clínicos
  • Revistas previamente publicadas
  • Como publicitar na nossa revista
  • Contatos
  • Informações adicionais
  • Estatísticas da Revista
  • Ficha técnica
Menu back  

Estatuto editorial

Silicoturberculose, uma complicação prevenível que persiste

19 Setembro, 2026Casos Clínicos

Almeida P, Couto J, Teixeira I, Dias M, Nunes A, Martins M. Silicoturberculose, uma complicação prevenível que persiste. Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional online. 2026; 22: esub0612. DOI: 10.31252/RPSO.20.09.2026

 

SILICOTUBERCULOSIS, A PREVENTABLE COMPLICATION THAT PERSISTS

 

Tipo de Artigo: Caso Clínico

Autores: Almeida P(1), Couto J(2), Teixeira I(3), Dias M(4), Nunes A(5), Martins M(6).

RESUMO

Introdução

A silicose é uma pneumoconiose ocupacional resultante da exposição cumulativa a partículas de sílica cristalina inaladas. Ainda que prevenível, a doença caracteriza-se pela progressão fibrótica irreversível, mesmo após cessação da exposição, causando uma morbilidade considerável e podendo ser fatal. Entre as possíveis complicações destaca-se a silicotuberculose, cujo risco é cerca de quatro vezes superior nestes doentes, mesmo na presença de alterações radiológicas de baixa gravidade.

Descrição do caso clínico

Descreve-se o caso de um homem de 58 anos, referenciado à consulta de Pneumologia por dispneia de agravamento progressivo e tosse crónica com suspeita de doença pulmonar intersticial. Apresentava antecedentes de exposição profissional desprotegida a poeiras de sílica durante cerca de dez anos na indústria da cerâmica, exercendo posteriormente atividade como pintor automóvel. Imagiologicamente, destacavam-se alterações intersticiais e nodulares de predomínio nos lobos superiores, tendo a investigação diagnóstica incluído discussão em reunião multidisciplinar de patologia intersticial, videobroncofibroscopia e biópsias pulmonares transbrônquicas. Foi estabelecido o diagnóstico histopatológico de silicose e realizada participação de doença profissional em 2022. Verificou-se agravamento clínico, funcional e imagiológico progressivo, nomeadamente com uma intercorrência infeciosa respiratória cerca de um ano depois, que motivou internamento hospitalar e realização de exames complementares invasivos, culminando no diagnóstico de silicotuberculose. O doente cumpriu nove meses de terapêutica antibacilar. Apesar da persistência da sintomatologia respiratória, retomou a atividade laboral quatro meses após iniciar o tratamento por motivos económicos, já com resultados culturais negativos. Atualmente, destacam-se múltiplos episódios de hemoptises e extensa consolidação pulmonar cavitada, pelo que aguarda nova discussão em reunião multidisciplinar para eventual lobectomia superior esquerda. Até à data, o doente não foi avaliado pelo Departamento de Proteção contra Riscos Profissionais, tendo recorrido a junta médica para atribuição de certificado multiusos, com atribuição de incapacidade de 80% em 2024. No verão de 2025 foi reformado por invalidez.

Discussão/Conclusão

Este caso evidencia a complexidade diagnóstica da silicose e da silicotuberculose, reforçando igualmente a importância do rastreio sistemático da tuberculose infeção nos doentes com silicose, bem como da implementação precoce de medidas preventivas. Paralelamente, salienta o papel central da Medicina do Trabalho na prevenção primária da exposição à sílica e na vigilância da saúde dos trabalhadores expostos. Apesar de ser uma complicação potencialmente prevenível, a silicotuberculose permanece uma realidade clínica atual, com importante impacto funcional, ocupacional e socioeconómico.

PALAVRAS-CHAVE: silicotuberculose, silicose, doença profissional, medicina do trabalho, prevenção.

 

ABSTRACT

Introduction

Silicosis is an occupational pneumoconiosis resulting from cumulative exposure to inhaled crystalline silica particles. Although preventable, the disease is characterized by irreversible fibrotic progression, even after cessation of exposure, causing considerable morbidity, and potentially being fatal. Among possible complications, silicotuberculosis stands out, with a risk approximately four times higher in these patients, even in the presence of low-severity radiological changes.

Description of the clinical case

We describe the case of a 58-year-old man referred to a Pulmonology consultation due to progressively worsening dyspnea and chronic cough, with suspicion of interstitial lung disease. He had a history of unprotected occupational exposure to silica dust for approximately ten years in the ceramics industry, later working as an auto painter. Imaging highlighted interstitial and nodular changes predominantly in the upper lobes; diagnostic investigation included discussion in a multidisciplinary interstitial lung disease meeting, flexible bronchoscopy, and transbronchial lung biopsies. A histopathological diagnosis of silicosis was established, and an occupational disease report was filed in 2022. Progressive clinical, functional, and radiological worsening was observed, notably with an intercurrent respiratory infection about one year later, which led to hospital admission and invasive diagnostic testing, culminating in the diagnosis of silicotuberculosis. The patient completed nine months of antitubercular therapy. Despite persistent respiratory symptoms, he returned to work four months after starting treatment for financial reasons, already with negative culture results. Currently, he presents multiple episodes of hemoptysis and extensive cavitated pulmonary consolidation, awaiting re-evaluation in a multidisciplinary meeting for potential left upper lobectomy. To date, the patient has not been evaluated by the Occupational Risk Protection Department and instead attended a medical board for a multi-use disability certificate, which granted an 80% disability rating in 2024. In the summer of 2025, he retired due to disability.

Discussion/Conclusion

This case illustrates the diagnostic complexity of silicosis and silicotuberculosis, reinforcing the importance of systematic screening for latent tuberculosis infection in patients with silicosis, as well as the early implementation of preventive measures. Concurrently, it highlights the central role of Occupational Medicine in primary prevention of silica exposure and health surveillance of exposed workers. Despite being a potentially preventable complication, silicotuberculosis remains a current clinical reality with a significant functional, occupational, and socioeconomic impact.

KEYWORDS: silicotuberculosis, silicosis, occupational disease, occupational medicine, prevention.

 

 

INTRODUÇÃO

A silicose é uma doença pulmonar ocupacional de relevo, resultante da exposição cumulativa a partículas de sílica cristalina inaladas, consideradas cancerígenas para humanos pela International Agency for Research on Cancer (1) (2). É uma das doenças profissionais mais prevalentes a nível mundial e corresponde à doença respiratória mais notificada em Portugal, integrando a Lista de Doenças Profissionais com um prazo de caracterização de dez anos (3). De entre as atividades com exposição a sílica destacam-se as indústrias extrativas minerais, o tratamento de minerais (corte e polimento de algumas pedras como granito, mármore ou arenito, moagem, lapidação, jatos de areia) e a construção civil (2).

A nível fisiopatológico, as partículas de sílica depositam-se nos alvéolos e desencadeiam uma resposta inflamatória persistente nos macrófagos, com libertação de radicais livres e citocinas, consequente deposição de colagénio e formação de nódulos fibróticos – fibrose pulmonar progressiva. Assim, ainda que prevenível, esta pneumoconiose caracteriza-se pela sua progressão, mesmo após cessação da exposição e irreversibilidade, causando uma morbilidade considerável e podendo ser fatal (2).

Clinicamente, a apresentação mais comum corresponde à forma crónica, inicialmente assintomática, salientando-se as queixas respiratórias de tosse crónica e dispneia de esforço, habitualmente tardias (1) (2).

O diagnóstico da silicose baseia-se na história clínica e nos achados radiológicos. Na radiografia de tórax podem observar-se opacidades micronodulares, bem delimitadas, predominando nas regiões superiores e médias do pulmão, bem como adenopatias hilares, por vezes calcificadas, designadas por padrão “casca de ovo”. A tomografia computorizada do tórax, mais sensível, permite detetar precocemente os micronódulos centrolobulares e subpleurais, mais apicalmente, nódulos silicóticos e eventual enfisema, para além das adenopatias mediastínicas e/ou hilares, frequentemente calcificadas (1) (2). As provas de função respiratória (PFR) são úteis somente para avaliação funcional e controlo evolutivo, pois os doentes podem apresentar alterações obstrutivas, restritivas ou padrões mistos. Em casos selecionados poderão ser utilizados métodos invasivos como a biópsia pulmonar, visando obter um diagnóstico histopatológico (2).

Esta doença prima pela inexistência de tratamento específico, baseando-se a abordagem ao doente em terapêuticas de suporte que incluem broncodilatadores, oxigenoterapia, cessação tabágica (se aplicável) e vacinação antipneumocócica e antigripal (4).

A diminuição da esperança média de vida nos doentes está também associada ao desenvolvimento de complicações diversas. Entre estas, destaca-se a silicotuberculose, definida pela coexistência da silicose com tuberculose (TB) e/ou doença pulmonar pós-tuberculosa. A associação epidemiológica entre estas duas patologias encontra-se bem estabelecida, tendo estudos recentes demonstrado que os doentes com silicose apresentam um risco significativamente aumentado de desenvolver TB, cerca de quatro vezes superior, mesmo na presença de alterações radiológicas de baixa gravidade, verificando-se ainda um gradiente de risco que se acentua com a gravidade da silicose. A nível fisiopatológico, este aumento do risco está associado à disfunção dos macrófagos alveolares, que condiciona a redução da fagocitose e da eliminação intracelular do Mycobacterium tuberculosis; à imunomodulação local com libertação de citocinas pró-inflamatórias e fibrogénicas (que criam um microambiente favorável à proliferação infeciosa); e à alteração da arquitetura pulmonar pela fibrose (1) (2) (5) (6).

DESCRIÇÃO DO CASO CLÍNICO

Doente do sexo masculino, 58 anos, encaminhado para consulta de Pneumologia Geral pelo médico assistente de Medicina Geral e Familiar em 2021 (53 anos) por suspeita de doença pulmonar intersticial (DPI). À data, desempenhava funções numa oficina automóvel como pintor de motas e bicicletas há cerca de 23 anos, com exposição diária a diluentes e tintas, utilizando proteção respiratória com máscara dotada de filtro que não sabia especificar.

Na história da doença atual verificou-se dispneia de agravamento progressivo para esforços ligeiros a moderados – escala Medical Research Council modificada (mMRC) grau 3, com início após infeção ligeira por SARS-CoV-2 em dezembro de 2020, associada a tosse crónica não produtiva com agravamento no período de exposição a tintas. Em termos funcionais respiratórios destaca-se a presença de síndrome restritivo ligeiro com difusão alveolocapilar preservada [Capacidade Vital Forçada (FCV) 73% do previsto, Volume Expiratório Forçado no 1º segundo (FEV 1) 75% do previsto, Índice de Tiffeneau (IT) 0,83, capacidade pulmonar total (TLC) 79% e Capacidade de Difusão do Monóxido de Carbono (DLCO) de 82%]. Na avaliação imagiológica por tomografia computorizada do tórax (TC-Tórax), destacava-se a presença de padrão reticulo-micronodular com distribuição preferencialmente subpleural e predominância nos lobos superiores, com alguns nódulos a formar conglomerados nas regiões peri-hilares, espessamento de septos interlobulares, áreas em vidro despolido de predomínio nos lobos inferiores e adenopatias nos compartimentos mediastínicos (Figura 1). O doente não apresentava alterações ao exame objetivo, designadamente à auscultação pulmonar.

Os antecedentes pessoais incluíam dislipidemia, hiperuricemia e hiperplasia benigna da próstata, medicado com sinvastatina 20 mg id, alopurinol 300 mg id, tansulosina 0,4 mg id e inalador de brometo de umeclidínio + vilanterol 55 + 22 mg id, este último iniciado no contexto das queixas atuais. Salientam-se hábitos tabágicos pregressos entre os 9 e 40 anos, com carga tabágica estimada de cerca de 50 unidades maço-ano. Nos antecedentes ocupacionais relevava-se, também, um período de cerca de dez anos, iniciado aos 13 anos, a exercer funções de forneiro numa indústria de cerâmica (tijolos de barro), com exposição diária desprotegida a poeiras de sílica. Mencionava deposição de poeiras na roupa de trabalho e áreas expostas de pele. O contexto exposicional incluía ainda a presença de lareira com recuperador em casa e a criação de galinhas ao longo da vida, das quais não era o principal cuidador. Negava presença de humidade ou bolor valorizáveis no domicílio.

Foi realizada videobroncofibroscopia (VBF) com biópsias pulmonares transbrônquicas (BPTB), cujo resultado histopatológico foi inconclusivo – discreto espessamento fibroso dos septos interalveolares, acompanhado de processo inflamatório crónico ligeiro sem critérios de especificidade, bem como ausência de representação de doença granulomatosa. Atendendo à suspeita diagnóstica de silicose versus sarcoidose, optou-se por novo estudo por VBF com lavado broncoalveolar (LBA); LBA com baixa celularidade com linfocitose relativa (44%) e relação CD4/CD8 de 1.9, pouco favorável à hipótese diagnóstica de sarcoidose. Ressalva-se que analiticamente o doente não apresentava alterações de relevo.

O caso foi discutido em reunião multidisciplinar de patologia do interstício, tendo sido proposta reavaliação imagiológica, desta vez por TC de alta resolução (TCAR). O estudo comparativo (setembro de 2021, Figura 2) assinalou o crescimento de uma formação nodular de limites irregulares justa-hilar, a nível do segmento ápico-posterior do lobo superior esquerdo (LSE), (25 à 31 mm), de aspeto suspeito. Assim, optou-se por avançar para biópsia transtorácia (BTT) da lesão, que revelou (novembro de 2021) um espessamento de septos interalveolares com retenção de pigmento de antracose e perda dos espaços aéreos pela presença de matriz fibroelástica com retenção de macrófagos, também com pigmento de antracose, bem como partículas birrefringentes, apoiando o diagnóstico de silicose.

O doente realizou gasometria em ar ambiente que mostrou insuficiência respiratória tipo 1 (pH 7.42, pCO2 41.7, pO2 59.7, HCO3– 26.6 e SpO2 91.8%) e prova de marcha de 6 minutos (PM6M) – distância percorrida de 525 metros, com dessaturação significativa ao longo do exame, com SpO2 mínima de 82% no primeiro minuto e pontuando no final da prova, na escala de Borg modificada, dispneia de 8 (muito intensa) e fadiga de 7 (muito intensa).

Na consulta subsequente, o doente mantinha dispneia para esforços mMRC grau 2–3 e, perante os achados nos exames complementares de diagnóstico (ECD), foi prescrita oxigenoterapia de deambulação e realizado encaminhamento para consulta de Patologia Respiratória Profissional, com alta da consulta de Pneumologia Geral.

Em fevereiro de 2022 iniciou-se o seguimento em consulta de subespecialidade, tendo sido realizada participação obrigatória de Doença Profissional (DP) ao Departamento de Proteção contra Riscos Profissionais (DPRP). Concomitantemente, o doente foi mudado do posto de trabalho atual, encontrando-se a exercer funções de operador de logística. Clinicamente referia sentir-se melhor das queixas de dispneia com o oxigénio de deambulação setting 2. Dos ECD solicitados, destacavam-se:

  1. Tomografia por Emissão de Positrões (PET, março de 2022) com múltiplas áreas de densificações parenquimatosas dispersas por ambos os pulmões, associadas a extenso padrão de micronodulação bilateral, em relação com silicose conhecida, atualmente com significativo grau de atividade e área nodular justa-hilar no LSE, de etiologia não especificada;
  2. TCAR (novembro de 2022) com padrão micronodular difuso, zonas de desorganização arquitetural e áreas nodulares com crescimento progressivo, nomeadamente no LSE, enquadrável em silicose com fibrose progressiva.

O doente mencionou uma primeira intercorrência infeciosa em fevereiro de 2023, com quadro de febre e agravamento da dispneia, tendo recorrido ao serviço de urgência da área de residência e sido diagnosticado com uma pneumonia, tratada com amoxicilina + ácido clavulânico e azitromicina. Cerca de dois meses depois, por aumento de opacidade perihilar esquerda detetado em radiografia de tórax (Figura 3), foi internado para realização de nova BTT guiada por TC, cujo resultado anatomopatológico era compatível com silicose (partículas birrefringentes de muito pequenas dimensões) e áreas de necrose, sugerindo repetição da biópsia. Assim, realizou nova VBF com LBA e BPTB, a destacar LBA com exame direto positivo para bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR) e PCR positiva para Micobacterium tuberculosis complex. Tinham sido, igualmente, colhidas três amostras de expetoração, que apresentaram, a posteriori, os mesmos resultados. Perante o diagnóstico de tuberculose pulmonar, iniciou terapêutica antibacilar quádrupla com isoniazida (H), rifampicina (R), Pirazinamida (Z) e Etambutol (E), em dosagem 300 + 600 + 1500 + 1200 mg id e profilaxia com piridoxina, com boa tolerância. Teve alta para o domicílio, com indicação para repouso, orientado para o Centro de Diagnóstico Pneumológico (CDP) da área de residência, para seguimento e rastreio de familiares.

À reavaliação semestral, o doente apresentava-se clinicamente melhorado, tendo já cumprido seis dos nove meses de terapêutica antibacilar prevista – dois meses HRZE e sete meses HR. Importa referir que, apesar da manutenção das queixas dispneicas, o doente retomou a atividade laboral quatro meses após iniciar os antibacilares, já com resultados culturais negativos, por motivos económicos.

Houve lugar à repetição da PM6M, tendo o doente percorrido uma distância de 500 metros sob oxigénio de deambulação setting 2, com aumento progressivo do débito até ao setting 5 aos cinco minutos, por dessaturação significativa ao longo da prova, com SpO2 mínimo de 75% e média de 85%, pontuando no final da prova, na escala de Borg modificada, fadiga de 7 (muito intensa).

Ao longo desse ano, o doente manteve-se clinicamente estável, sem agravamento das queixas de cansaço e dispneia, embora estas se mantivessem para médios esforços, bem como a tosse, agora produtiva. Foi prescrita vacinação polissacárida pneumocócica de 23 serotipos (Pn23) e adicionado inalador de brometo de ipratrópio em SOS à medicação habitual. Nas PFR verificou-se um agravamento do padrão ventilatório, com síndrome ventilatório restritivo moderado, associado a diminuição da DLCO e a aumento da relação do volume residual (VR)/TLV, compatível com com “air trapping”, segundo os critérios American Thoracic Society (ATS)/ European Respiratory Society (ERS) de 2021 – FVC 57% do previsto (Z-Score -3.06), FEV 1 50% do previsto (Z-Score -3.35), IT 0,69 (Z-Score -1.41), TLC 68% (Z-Score -2.70), VR 105% do previsto (Z-Score 0.2), VR/TLC 158% (Z-Score 2.74), e DLCO de 63% (Z-Score -2.62). Imagiologicamente, repetiu TCAR em outubro de 2024 (Figura 4), a salientar agravamento com aparecimento de extensa consolidação no LSE, com cavitação, sugestiva de intercorrência infeciosa e progressão de áreas de densificação no lobo superior direito, mantendo o padrão intersticial difuso (micronodulação, vidro despolido e espessamento septal), compatível com silicose com evolução fibrótica. Perante os achados, repetiu VBF com LBA, sem alterações de relevo.

Já em 2025, destaca-se episódio de hemoptises em abril, tendo o doente sido medicado com ácido épsilon-aminocapróico no serviço de urgência, com resolução do quadro. Não se objetivaram alterações de novo a nível imagiológico (Figura 5). Não obstante, verificaram-se novos episódios hemoptóicos ao longo do ano. O caso aguarda discussão em reunião multidisciplinar com a cirurgia torácica, para eventual lobectomia superior esquerda.

Até ao momento, o doente ainda não foi avaliado no âmbito da certificação de DP pelo DPRP. Contudo, paralelamente, recorreu, em 2024, a junta médica de Saúde Pública para atribuição de certificado multiusos, com incapacidade de 80%. No verão de 2025 foi reformado por invalidez.

DISCUSSÃO

Este caso ilustra a complexidade diagnóstica frequentemente associada às DPI com evolução fibrótica progressiva, num contexto exposicional heterogéneo, incluindo exposição profissional prolongada a poeiras de sílica e tintas/diluentes, hábitos tabágicos marcados, exposição doméstica a biomassa e contacto com aves. Este enquadramento condicionou um amplo diagnóstico diferencial e a realização de múltiplos ECD, nem sempre conclusivos, alguns dos quais invasivos, culminando, por fim, no diagnóstico definitivo histopatológico.

No que toca à silicotuberculose, o diagnóstico apresenta desafios consideráveis, uma vez que as lesões de silicose, como a fibrose progressiva, podem mimetizar ou ocultar as manifestações radiológicas da TB doença, dificultando a distinção entre doença ativa, cicatrizes antigas ou a própria fibrose (5). Neste doente, o diagnóstico revelou-se particularmente desafiante. Foi marcado ab initio por febre e um quadro clínico sugestivo de infeção respiratória, sem alterações radiológicas que levantassem suspeitas adicionais. Embora a TB doença se possa apresentar sem sintomas constitucionais clássicos como a anorexia, astenia, perda ponderal e sudorese noturna, estas manifestações sistémicas podem surgir de forma insidiosa, contribuindo para atrasos diagnósticos (7). Assim, em doentes com DPI, nomeadamente silicose, a suspeita precoce de TB doença assume particular relevância.

A evolução deste caso alerta para o risco acrescido de reativação de TB infeção em doentes com silicose, mesmo em fases precoces, evidenciando a associação entre estas duas patologias. Ademais, o desenvolvimento da infeção num contexto de silicose estabelecida e com progressão estrutural significativa reforça a vulnerabilidade destes doentes a complicações infeciosas e sublinha a importância do rastreio da TB infeção aquando do diagnóstico inaugural de silicose. O teste Interferon-Gamma Release Assay (IGRA) constitui o ECD de eleição nestes casos, cuja realização atempada, associada ao tratamento preventivo da TB infeção, reduz significativamente o risco de progressão para TB doença (4) (6) (7).

A subsequente evolução do doente após terminar a terapêutica antibacilar foi marcada por agravamento funcional progressivo com necessidade de oxigenoterapia de deambulação. Adicionalmente, as hemoptises e a necessidade de eventual abordagem cirúrgica ilustram a gravidade das complicações associadas à silicose avançada e silicotuberculose. De facto, o prognóstico da silicotuberculose é consideravelmente pior do que o da silicose isolada, com taxas de mortalidade superiores (5). Em última instância, o transplante pulmonar pode ser a única forma de prolongar a sobrevida destes doentes e melhorar a sua qualidade de vida (4).

Assim, a vigilância da saúde e as medidas preventivas adotadas nos locais de trabalho constituem indubitavelmente a pedra basilar na prevenção da silicose e suas eventuais complicações, desempenhando o Médico do Trabalho um papel absolutamente fundamental. Enquanto medidas de prevenção primária, o controlo eficaz da exposição à sílica é a única estratégia verdadeiramente determinante na prevenção (4) (5). Para a silicotuberculose em específico, destacam-se ainda outros pontos críticos: condições de habitações coletivas, coinfecção pelo vírus da imunodeficiência humana não tratada e atraso no início da terapêutica antibacilar. Dada a irreversibilidade da fibrose pulmonar, a prevenção secundária assenta, principalmente, no tratamento preventivo da TB infeção, para além da limitação da exposição à sílica e cessação tabágica (5).

Adicionalmente, nos doentes com alterações imagiológicas compatíveis com silicose, deverão ser restringidas as atividades laborais associadas à exposição a partículas de sílica. Tal implica a otimização das condições de trabalho e o uso de equipamentos de proteção individual (EPI) respiratórios adequados. Nas situações em que estas medidas se revelam insuficientes, poderá justificar-se uma adaptação laboral ainda mais específica, uma mudança do posto de trabalho ou, em última instância, uma inaptidão definitiva (4) (5).

No que toca à vigilância ativa da saúde dos trabalhadores, esta começa na colheita de uma história clínica detalhada incluindo hábitos tabágicos, antecedentes pessoais e ocupacionais, visando determinar exposições pregressas e, eventualmente, concomitantes. Dependendo do protocolo de vigilância de saúde instaurado, os exames de saúde periódicos anuais poderão incluir não só ECD como PFR e radiografia de tórax, como também questionários internos padronizados – contemplando, por exemplo, pontos como a duração da exposição, o uso de EPI, a presença de sintomatologia respiratória e antecedentes de TB (4) (5). Esta tipologia de questionário seria mais vantajosa, na medida em que as opções existentes validadas incidem sobretudo em questões dirigidas aos sintomas e hábitos/exposições passadas, não contemplando a especificidade da exposição atual em cada indústria/empresa, como é exemplo o American Thoracic Society Respiratory Questionnaire (8).

Já nas medidas de proteção coletiva/organizacionais, não sendo possível eliminar o fator de risco, deve ser limitada a sua exposição através de alterações nos processos de transformação. Idealmente, deve optar-se pela automação sempre que possível, levar a cabo os processos em circuitos fechados, garantir uma adequada ventilação exaustora dos espaços, bem como separação das áreas limpas e contaminadas, cuja delimitação é imperativa. Por vezes, medidas simples têm um impacto muito significativo, como a instalação de sistemas de spray de água que podem diminuir a suspensão de partículas de sílica respiráveis até 80% (4). A monitorização ambiental periódica das áreas contaminadas deve respeitar a legislação em vigor, que estipula um valor-limite de exposição profissional a poeiras de sílica cristalina respirável de 0,025 mg/m3 para 8 horas de trabalho (9). A limpeza de superfícies e pavimentos exige regularidade e uso de equipamentos de aspiração ou a húmido, sem recorrer a vassouras ou ar comprimido. Por fim, deve existir uma tentativa constante de redução das atividades com exposição a poeiras de sílica cristalina, diminuição do tempo de exposição e permanência dos trabalhadores nestes locais e minimização do número de trabalhadores expostos (4).

Nas medidas de proteção individual salientam-se os equipamentos de proteção respiratória, estando recomendado o uso de respiradores com filtros N95, R95 ou P95, ainda que se recomendem respiradores monitorizados com purificação de ar para exposição a sílica em concentrações superiores aos limites estabelecidos por lei. De notar que os respiradores devem ser limpos e armazenados de forma adequada e cumprir as normas estabelecidas pelo National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH) e pela Occupational Safety and Health Administration (OSHA). Ademais, o exercício da atividade laboral onde se verifique esta exposição deve contemplar o uso de roupa descartável ou de lavagem fácil, assegurada pela entidade empregadora e disponibilizar locais distintos para guardar separadamente o vestuário de trabalho/proteção e o vestuário de uso pessoal – artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 301/2000. Deverão, ainda, ser garantidas condições de higiene que permitam aos trabalhadores tomar banho após a jornada laboral, prevenindo a deposição de sílica das próprias roupas, carros e casas (4) (10).

Adicionalmente, deverá ser assegurada formação específica aos trabalhadores, visando aumentar a perceção dos riscos laborais. Embora o Médico do Trabalho desempenhe um papel crucial na educação para a saúde durante os exames de saúde, esta intervenção deverá ser complementada pela entidade empregadora, em termos formativos. Neste contexto, recomenda-se a implementação de ações dirigidas aos efeitos adversos da exposição profissional à sílica e das boas práticas de utilização, manutenção e substituição dos EPI.

Paralelamente, este caso destaca-se não só pelos desafios clínicos supracitados, como evidencia também o notório atraso no processo de certificação da DP pelo DPRP. Ainda que este doente já não estivesse exposto a sílica aquando do diagnóstico, trabalhou a posteriori como pintor automóvel, uma atividade profissional fisicamente exigente, não isenta de exposição a outros agentes inaláveis e potencialmente agravante das suas queixas. Ademais, a ausência da avaliação pelo DPRP implica o não reconhecimento da DP nem da eventual atribuição de incapacidade permanente parcial e respetivas prestações em espécie e/ou pecuniárias, aspetos de extrema relevância para o contexto socioeconómico do doente. A título de exemplo, esta situação culminou numa retoma precoce da atividade laboral, apenas quatro meses após o doente iniciar terapêutica antibacilar para a silicotuberculose, numa fase em que persistia sintomatologia respiratória com limitação funcional e necessidade de oxigenoterapia de deambulação.

Por fim, ressalva-se o desfecho questionável deste caso, com a atribuição de uma pensão de invalidez pelo Serviço de Verificação de Incapacidades (SVI), entidade destinada a avaliar situações de incapacidade de causa não profissional. A aparente ausência de cruzamento de dados no seio do Instituto de Segurança Social, do qual fazem parte o DPRP e o SVI, evidencia, assim, uma debilidade do sistema.

CONCLUSÃO

Este caso destaca a complexidade diagnóstica e evolutiva da silicose, bem como a sua associação clínica à TB, sublinhando a importância de uma abordagem multidisciplinar e de elevada suspeição clínica na avaliação destes doentes. É ainda reforçada a importância da prevenção primária e da vigilância ocupacional, uma vez que a silicose permanece uma doença evitável, bem como as suas consequentes complicações. A identificação precoce de exposições de risco, a implementação de medidas de proteção adequadas e o seguimento regular dos trabalhadores expostos são fundamentais para reduzir a incidência, morbilidade e mortalidade da doença. O caso demonstra, também, as claras repercussões clínicas, ocupacionais e socioeconómicas associadas aos tempos de espera para avaliação pelo DPRP, visando certificação da DP.

QUESTÕES ÉTICAS E LEGAIS

Nada a declarar.

CONFLITOS DE INTERESSE

Os autores declaram não ter conflitos de interesse relacionados com o presente artigo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  1. Yang B, Liu X, Peng C, Meng X, Jia Q. Silicosis: from pathogenesis to therapeutics. Frontiers in Pharmacology, 2025; 16: 1516200. DOI: 10.3389/fphar.2025.1516200
  2. Santos M, Almeida A, Lopes C. Silicose. Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional online. 2022, 13: 1-14. DOI: 10.31252/RPSO.25.06.2022
  3. Decreto Regulamentar n.º 76/2007. Diário da República [Internet]. 2007 Jul 17 [citado 2026 Jul 9];1(136). Disponível em: https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-regulamentar/76-2007-636180
  4. Talambas S, Pita D, Menezes C, Claudino M, Manzano M. Do Trabalho ao Transplante – Caso Clínico. Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional online. 2022, 13, 1-8. DOI: 10.31252/RPSO.22.01.2022
  5. Ehrlich R, Murray J, Said-Hartley Q, Rees D. Silicotuberculosis: a critical narrative review. European Respiratory Review. 2024; 18, 33(174):240168. DOI: 10.1183/16000617.0168-2024
  6. Ehrlich R, Akugizibwe P, Siegfried N, Rees D. The association between silica exposure, silicosis and tuberculosis: a systematic review and meta-analysis. BMC Public Health. 2021: 20, 21(1):953. DOI: 10.1186/s12889-021-10711-1
  7. Direção-Geral da Saúde. Manual de tuberculose: recomendações. 2. ed. Lisboa: Direção-Geral da Saúde; 2025 [citado 2026 Jul 9]. Disponível em: https://www.dgs.pt/em-destaque/manual-de-tuberculose-2025-recomendacoes-pdf.aspx
  8. Jones P, Quirk F, Baveystock C. The St George’s Respiratory Questionnaire. Respiratory Medicine. 1991, 85. DOI: 10.1016/s0954-6111(06)80166-6
  9. Decreto-Lei n.º 35/2020. Diário da República [Internet]. 2020 Jul 13 [citado 2026 Jul 9]; Série I. Disponível em: https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/35-2020-137703603
  10. Decreto-Lei n.º 301/2000. Diário da República [Internet]. 2020 Nov 18 [citado 2026 Jul 9]; Série I-A. Disponível em: https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/301-2000-616576

Figura 1: TC do tórax de abril de 2021.

Figura 2: TCAR do tórax de setembro de 2021.

Figura 3: Radiografia de tórax de abril de 2023.

Figura 4: TCAR do tórax de outubro de 2024.

 

Figura 5: Radiografia de tórax de fevereiro de 2025.

 

 

(1)Patrícia Almeida

Médica Interna de Formação Especializada em Medicina do Trabalho na Unidade Local de Saúde do Médio Tejo, Competência em Avaliação de Dano na Pessoa. Pós-Graduação em Medicina do Trabalho pela Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa. Pós-Graduação em Avaliação do Dano Corporal Pós-Traumático na Pessoa pelo Centro de Estudos de Pós-Graduação em Medicina Legal da Universidade de Coimbra. Curso de Medicina de Viagens e Populações Móveis pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Curso de Atualização em Tuberculose para Profissionais de Saúde Ocupacional pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto. MORADA COMPLETA PARA CORRESPONDÊNCIA DOS LEITORES: Serviço de Saúde e Segurança do Trabalho, Hospital Rainha Santa Isabel, Avenida Xanana Gusmão 45, 2350-754, Torres Novas. E-MAIL: patricia.paiva.almeida@gmail.com. Nº ORCID: 0000-0002-2876-2862

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: Autor principal do artigo – Conceptualização, Investigação, Redação do manuscrito.

(2)João Couto

Médico Interno de Formação Especializada em Pneumologia na Unidade Local de Saúde de Coimbra. 3000.075 Coimbra. E-MAIL: joaocouto090396@gmail.com. Nº ORCID (CASO EXISTA): 0000-0002-6415-5904

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: Autor principal do artigo – Conceptualização, Investigação, Redação do manuscrito.

(3)Inês Teixeira

Médica Interna de Formação Especializada em Medicina do Trabalho na Unidade Local de Saúde do Médio Tejo. Curso de Medicina de Viagens e Populações Móveis pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Frequenta o Curso de Especialização em Medicina do Trabalho pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.  2350-754 Torres Novas. E-MAIL: inesteixeira1999@gmail.com. Nº ORCID (CASO EXISTA): 0009-0008-0220-5751

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: Co-autor – Investigação, revisão e edição do manuscrito.

(4)Marta Dias

Mestrado Integrado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Médica Interna de Formação Especializada em Medicina do Trabalho, em 2026 no 4° ano na Unidade Local de Saúde de Coimbra. 3000.075 Coimbra. E-MAIL: marta.coimbra.h.dias@outlook.com. Nº ORCID (CASO EXISTA): 0009-0009-7276-5049

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: Co-autor – Revisão e edição do manuscrito.

(5)Andreia Nunes

Médica Interna de Formação Especializada em Pneumologia na Unidade Local de Saúde da Guarda. 6301-857 Viseu. E-MAIL: andreiafn@outlook.pt. Nº ORCID (CASO EXISTA): 0000-0002-4633-2866

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: Co-autor – Revisão e edição do manuscrito.

(6)Mary Martins

Médica Assistente Graduada em Pneumologia na Unidade Local de Saúde de Coimbra. Médica Especialista em Medicina do Trabalho. Competência em Codificação Clínica. Pós-graduação em Medicina do Trabalho pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. 3000-075 Coimbra. E-MAIL: yvemartins@gmail.com. Nº ORCID (CASO EXISTA): 0000-0003-4708-6094

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: Co-autor – Revisão e edição do manuscrito.

Print Friendly, PDF & Email
Partilhar
FacebookLinkedInTwitter
Artigos Relacionados
Síndroma do Desfiladeiro Torácico-a propósito de um caso clínico
17 Julho, 2026
Do Desempenho Desportivo à Produtividade Laboral: Suplementação com Creatina em Trabalhadores Fabris
21 Maio, 2026
Reafetação Laboral na Indústria Automóvel: um caso de sucesso
27 Abril, 2026
Epilepsia Autoimune em Manobrador de Máquinas: Aptidão Laboral e implicações Médico-Legais
27 Abril, 2026
Tuberculose Cutânea por inoculação primária: a propósito de um Caso Clínico
23 Abril, 2026
Fotossensibilidade ou Dermatite de Contato Alérgica à Resina Epoxi: a importância da História Ocupacional
17 Abril, 2026
DGERT
Indexação da Revista

 Digital Object Identifier (DOI) Directory of Research Journal Indexing (DRJI) Scielo
ISSN 2183-8453
Moodle Rpso
Pesquisa de Artigos

INVESTIGAÇÃO

Facebook
Atribuição de 9 bolsas de 50%
  • Revista Segurança Comportamental
  • Safemed
  • patrocinio 2
  • Risco Zero Magazine
  • Networking Angola
  • Atrix
Nota

As atualizações obrigatórias da nossa plataforma de suporte informático por vezes causam muitas desformatações nos artigos (tamanho de letra, negrito, sublinhado e sobretudo a nível dos espaçamentos). Se consultar um artigo que apresente estes problemas por favor envie-nos e-mail para o republicarmos on line com a sua formatação original.

RPSO - Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional
  • Desenvolvimento Web – Noáxima Webdesign
MENU 3