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Estatuto editorial

Qualidade de vida dos Profissionais de Saúde numa Unidade Local de Saúde

18 Setembro, 2026Artigos Originais

Sousa A, Avelar A, dias M, Rodrigues M, Tolentino D, Ramos M. Qualidade de vida dos Profissionais de Saúde numa Unidade Local de Saúde. Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional online. 2026; 22: esub0578. DOI: 10. 31252/RPSO.19.09.2026

 

QUALITY OF LIFE OF HEALTH PERSONNEL IN A LOCAL HEALTH UNIT

 

TIPO DE ARTIGO: Artigo Original

Autores: Sousa A(1), Avelar A(2), Dias M(3), Rodrigues M(4), Tolentino D(5), Ramos M(6).

RESUMO

Introdução

A qualidade de vida é um conceito amplo cuja avaliação permite conhecer os trabalhadores e otimizar a intervenção da Saúde Ocupacional. O objetivo foi avaliar a qualidade de vida dos profissionais de saúde de uma Unidade Local de Saúde.

Materiais e Métodos

Este estudo caso-controlo obteve aprovação da Comissão de Ética da instituição. Foi desenvolvido um caderno de recolha de dados, anónimo, com consentimento informado, incluindo dados gerais (idade, género, patologias), estilos de vida (horas de sono, atividade física, consumo álcool, tabaco), função atual (categoria profissional, antiguidade, trabalho por turnos e noturno, acidente de trabalho, doença profissional e ficha de aptidão) e o questionário Short Form Health Survey 36 Item. Ele esteve disponível na intranet e newsletter da instituição entre 5 de fevereiro e 5 de abril de 2024. A análise descritiva geral e comparação entre grupos, considerando a aptidão para o trabalho, foram realizadas no SPSS. Assumiu-se um valor p <0,05 como significativo.

Resultados

Participaram 249 profissionais, maioritariamente mulheres (n=215;86,3%), com média das idades de 45,06±10,79 anos. Muitos não praticavam atividade física (n=143; 57,4%) e a média de horas/dia dormidas foi de 6,2±0,99. No último ano, 70,3% (n=175) consumiu álcool ocasionalmente e 61,4% (n=153) não fumou. Dos participantes, 26,5% (n=66) desempenhavam funções há “21-30 anos” e 37,5% (n=89) eram enfermeiros. A maioria não trabalhava por turnos (n=151; 60,6%), nem teve acidentes de trabalho (n=142; 57%) ou doença profissional (n=224; 90%). A pontuação média geral no Short Form Health Survey 36 Item foi de 67,56±20,74 (Saúde Física) e 55,37±22,23 (Saúde Mental). Os não aptos eram mais velhos (p=0,019), dormiam menos (p=0,037), eram fumadores passivos (p=0,036) e tiveram mais acidentes de trabalho (p=0,041). Também apresentaram menor pontuação na Função Física (p <0,001), Desempenho Físico (p <0,001) e Emocional (p=0,019), Vitalidade (p=0,042), Bem-Estar Emocional (p=0,017), Dor (p <0,001), Saúde Geral (p=0,005), Saúde Física (p <0,001) e Mental (p=0,013).

Discussão/Conclusão

Apesar da escassa literatura, sugere-se a integração da qualidade de vida na prática clínica, com enfoque na dimensão ocupacional, tendo em consideração, que fatores como os estilos de vida e dor podem influenciá-la. Não obstante a amostra reduzida, os não aptos apresentaram pior qualidade de vida relacionada com a saúde, com menos horas de sono, pior desempenho físico e emocional e dor de maior intensidade. Assim, uma redução da qualidade de vida relaciona-se com a saúde e capacidade de trabalho, com maior risco de presentismo e absentismo.

PALAVRAS-CHAVE: Qualidade de vida, Profissionais de Saúde, Saúde Ocupacional, Medicina do Trabalho, Enfermagem do Trabalho.

 

ABSTRACT

Introduction

Quality of life is a broad concept whose assessment allows us to understand workers and optimize Occupational Health intervention. The objective was to evaluate the quality of life of health personnel at a Local Health Unit.

Materials and Methods

This case-control study was approved by the institution’s Ethics Committee. An anonymous data collection form was developed with informed consent, including general data (age, gender, pathologies), lifestyle data (hours of sleep, physical activity, alcohol consumption, tobacco use), current job (professional category, seniority, shift and night work, work accidents, occupational diseases, and fitness-for-work evaluation), and the Short Form Health Survey 36 Item questionnaire. It was available on the institution’s intranet and newsletter between February 5 and April 5, 2024. General descriptive analysis and comparison between groups, considering fitness for work, were performed using SPSS. A p-value <0.05 was considered significant.

Results

A total of 249 professionals participated, mostly women (n=215; 86.3%), with a mean age of 45.06±10.79 years. Many did not practice physical activity (n=143; 57.4%) and the average number of hours/day slept was 6.2±0.99. In the last year, 70.3% (n=175) consumed alcohol occasionally and 61.4% (n=153) did not smoke. Of the participants, 26.5% (n=66) had been working for “21-30 years” and 37.5% (n=89) were nurses. Most did not work shifts (n=151; 60.6%), nor did they have work accidents (n=142; 57%) or occupational diseases (n=224; 90%). The overall mean score on the Short Form Health Survey 36 Item was 67.56±20.74 (Physical Health) and 55.37±22.23 (Mental Health). The unfit were older (p=0.019), slept less (p=0.037), were passive smokers (p=0.036), and had more work-related accidents (p=0.041). They also had lower scores in Physical Function (p <0.001), Physical Performance (p <0.001) and Emotional Well-being (p=0.019), Vitality (p=0.042), Emotional Well-being (p=0.017), Pain (p <0.001), General Health (p=0.005), Physical Health (p <0.001), and Mental Health (p=0.013).

Discussion/Conclusion

Despite the limited literature, the integration of quality of life into clinical practice is suggested, focusing on the occupational dimension, considering that factors such as lifestyle and pain can influence it. Notwithstanding the small sample size, those deemed unfit presented poorer health-related quality of life, with fewer hours of sleep, poorer physical and emotional performance, and more intense pain. Thus, a reduction in quality of life is related to health and work capacity, with a higher risk of presenteeism and absenteeism.

KEYWORDS: Quality of life, Health Personnel, Occupational Health, Occupational Medicine, Occupational Nursing.

 

INTRODUÇÃO

Um profissional de saúde saudável será mais produtivo e eficiente no desempenho laboral.

De acordo, com a OMS (Organização Mundial de Saúde), a qualidade de vida (QV) é definida como uma perceção individual, considerando múltiplas variáveis, como estatuto social, cultura, valores, ambiente envolvente e expectativas. Como tal, trata-se de um conceito amplo e subjetivo, principalmente, porque inclui de forma complexa a saúde do indivíduo, grau de independência, estado social, convicções e relação com o ambiente envolvente, onde se inclui o trabalho (1) (2) (3) (4).

Apesar da importância do tema, existem poucos trabalhos que avaliem a QV dos profissionais de saúde (5). Torna-se fundamental a utilização de ferramentas cujos resultados pretendem representar a QV na sua plenitude e complexidade na perspetiva do indivíduo. Estas permitiriam o desenvolvimento de planos de ações e intervenções estruturadas pela Saúde Ocupacional, com aquisição de conhecimento geral e específico sobre a saúde geral e QV dos trabalhadores.

Uma destas medidas é o “Patients-Reported Outcome Measure” (PROM) (6), onde se inclui o SF-36 (Short Form Health Survey 36 Item), instrumento genérico, que se destina a medir a QV relacionada com a saúde geral em diversos grupos. Dada a sua natureza genérica, permite comparar grupos com diferentes condições de saúde (2) (3), como é o caso dos profissionais de saúde.

Assim, o objetivo principal deste trabalho foi avaliar a QV dos profissionais de saúde de uma Unidade Local de Saúde. Secundariamente, procurou-se perceber se havia diferença entre o grupo de profissionais aptos e não aptos, com identificação de fatores que possam influenciar a QV. Consideram-se como “aptos” todos aqueles profissionais de saúde que desempenham a sua atividade laboral atual sem quaisquer restrições e cujo parecer do último exame de saúde, e respetiva emissão de ficha de aptidão, realizado pelo Médico (a) do Trabalho seja de “apto”. Consideram-se como “não aptos” os que tiverem algumas restrições/condicionamentos e cujo parecer do último exame de saúde, e respetiva emissão de ficha de aptidão, realizado pelo Médico (a) do Trabalho de “apto condicional”, “Inapto temporário” ou “Inapto permanentemente”.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Este trabalho obteve aprovação pela Comissão de Ética da instituição e o apoio do Centro de Investigação.

Trata-se de um estudo caso-controlo, dirigido a todos os profissionais de uma Unidade Local de Saúde, tendo sido este o único critério de inclusão. Desenvolveu-se um caderno de recolha de dados a ser preenchido de forma anónima e online em formato Google Forms, após consentimento do participante. Neste caderno constavam questões sobre dados gerais (idade, género, doenças conhecidas), estilos de vida (horas de sono, consumo álcool e tabaco e prática de atividade física), função atual (categoria profissional, antiguidade, trabalho por turnos e noturno, acidente de trabalho (AT), doença profissional, ficha de aptidão) e pelo questionário SF-36 (Short Form Health Survey 36 Item). A informação sobre o trabalho e respetivo caderno esteve disponível na intranet da instituição entre o dia 5 de fevereiro e 5 de abril de 2024 (dois meses) e foi semanalmente divulgado na Newsletter durante o mesmo período.

Utilizou-se o SPSS (IBM SPSS Statistics) para a análise estatística. Entre grupos, para variáveis ​​categóricas consideraram-se proporções e teste de homogeneidade Qui-Quadrado e para variáveis quantitativas consideraram-se média, mediana, desvios padrão e teste não paramétrico Mann Whtiney. Considerou-se o valor p <0,05 como significativo.

O questionário SF-36, é instrumento genérico, aplicável a indivíduos com qualquer condição de saúde, com o objetivo de medir e avaliar o estado de saúde e a QV relacionada com este (7) (8). Inclui questões sobre a saúde geral, atividades diárias e respetivas limitações, impacto das limitações físicas e emocionais, queixas álgicas, impacto do estado de saúde na atividade social. É composto por 36 itens, agrupados em 8 dimensões: Função Física (itens 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12), Desempenho Físico (itens 13, 14, 15, 16), Dor (itens 21, 22), Estado Geral de Saúde (itens 1, 33, 34, 35, 36), Vitalidade (Energia/Fadiga) (itens 23, 27, 29, 31), Função Social (itens 20, 32), Desempenho Emocional (itens 17, 18, 19) e Bem-Estar emocional (itens 24, 25, 26, 28, 30). A Mudança de Saúde (iten 2) não é considerado um conceito de saúde, mas permite avaliar, com base na experiência previamente vivida do indivíduo, a “quantidade” de mudança que ocorreu na saúde geral do mesmo.

As pontuações por dimensões são apresentadas numa escala de orientação positiva de 0 (pior QV relacionada com a saúde) a 100 (melhor QV relacionada com a saúde) (7) (8). As dimensões podem ser agrupadas em dois componentes: Saúde Física e Mental. O primeiro engloba a Função física, Desempenho Físico, Dor física e Saúde em Geral e o segundo engloba o Desempenho Emocional, Vitalidade, Função Social e Bem-Estar Emocional. No trabalho do grupo Português para criação, adaptação e validação do questionário SF-36 para a população portuguesa, não há menção de pontos de corte. Existem trabalhos que consideram a definição de pontos de corte para determinadas patologias e correlação destes com a pontuação de outros questionários. Segundo o trabalho “Short Form 36 – an overview” (9), uma pontuação média de 50 foi definida como um valor normativo, tendo sido esse o valor assumido para este trabalho, sendo que uma pontuação inferior a este significa “pior estado de saúde” e superior a este significa “melhor estado de saúde”.

 

RESULTADOS

Participaram 249 profissionais de saúde, de uma população de 11.714, sem distribuição normal, dos quais a maioria era do sexo feminino (86,3%; n=215). A média das idades foi de 45,06 ± 10,79 anos (mínima 20 e máxima 68 anos). Cerca de 75% da amostra tinha menos de 53 anos.

Nos últimos seis meses, a média de horas de sono foi 6,2 ± 0,99 horas por dia (mínimo 3 e máximo 9 horas). Cerca de 75% da amostra dormiu menos de sete horas por dia. A maioria (73,1%; n=182) reportou que as horas dormidas não foram suficientes para alcançar o descanso.

No último ano, 70,3% (n=175) consumiu álcool ocasionalmente, 26,9% (n=67) não consumiu e 2,4% (n=6) consumiu diariamente. No último ano, 61,4% (n=153) não fumou e nunca foi fumador, 18,5% (n=46) era fumador ativo, 16,5% (n=41) não fumou, mas era ex-fumador e 3,6% (n=9) era fumador passivo. A maioria (n=143; 57,4%) não praticava atividade física e dos que praticavam a média era de 2,5 ± 1,5 vezes por semana (mínimo uma e máximo sete vezes por semana).

A questão sobre a existência de patologia conhecida era opcional, ainda assim, todos os participantes responderam, sendo que 52,2% (n=130) reportaram a existência de patologia, sendo as mais frequentes a Hipertensão Arterial (n=18; 14%), Asma (n=17; 13%) e Hipotiroidismo (n=7; 5%).

Dos participantes, 62 (24,9%) desempenhavam funções há “0–5 anos”, 26 (10,4%) há “6 a 10 anos”, 49 (19,7%) há “11 a 20 anos”, 66 (26,5%) há “21 a 30 anos”, 37 (14,9%) há “31 a 40 anos” e 9 (3,6%) há “41 a 50 anos”. Relativamente à categoria profissional, 13 (5,2%) eram Assistentes Operacionais, 25 (10%) Assistentes Técnicos (as), 7 (2,8%) Dirigentes, 89 (35,7%) Enfermeiros (a), 7 (2,8%) Farmacêuticos (as), 53 (21,3%) Médicos (as), 2 (0,8%) Técnicos de Sistemas e Tecnologias de Informação, 7 (2,8%) Técnicos Superiores, 37 (14,9%) Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica e 9 (3,6%) Técnicos Superiores de Saúde. A maioria não realizava trabalho por turnos (n=151; 60,6%) ou noturno (n=173; 69,5%). A maioria não tinha tido nenhum acidente de trabalho (n=142; 57%) ou doença profissional (n=224; 90%).

Relativamente à amostra geral e questionário, a média de pontuação foi 82,41 ± 19,37 (mínimo 20 e máximo 100) na Função Física, 66,16 ± 38,19 (mínimo 0 e máximo 100) no Desempenho Físico, 57,70 ± 42,81 (mínimo 0 e máximo 100) na Desempenho Emocional, 42,55 ± 20,50 (mínimo 0 e máximo 100) na Vitalidade, 59,47 ± 19,79 (mínimo 12 e máximo 100) no Bem-Estar Emocional, 61,75 ± 23,06 (mínimo 12,5 e máximo 100) na Função Social, 66,41 ± 24,34 (mínimo 0 e máximo 100) na Dor, 55,26 ± 19,39 (mínimo 5 e máximo 100) na Saúde Geral e 43,67 ± 21,48 (mínimo 0 e máximo 100) na Mudança Saúde. A média de pontuação foi 67,56 ± 20,74 (mínimo 11,15 e máximo 100) no componente Saúde Física e 55,37 ± 22,23 (mínimo 8,6 e máximo 100) no componente Saúde Mental.

O parecer do último exame de saúde e respetiva emissão de ficha de aptidão, realizado pelo Médico do Trabalho da Saúde Ocupacional da instituição, foi utilizado para a definição dos dois grupos, nomeadamente o grupo dos “Aptos” (n=138) e o dos “Não Aptos” (n=31), sendo que neste último grupo todos eram Aptos Condicionais.

A Tabela 1 apresenta os dados gerais, com diferença estatisticamente significativa para a variável idade.

A Tabela 2 regista informação sobre os estilos de vida, com diferença estatística para a variável horas diárias de sono e o consumo de tabaco. A maioria (n=121; 71,6%) considerou que o número de horas de sono não foi suficiente para alcançar o descanso. Relativamente à atividade, dos que a realizavam, 13 praticam 1 vez/semana (8 aptos e 5 não aptos), 22 praticam 2 vezes/semana (21 aptos e 1 não aptos), 16 praticam 3 vezes/semana (15 aptos e 1 não aptos), 3 praticam 4 vezes/semana (2 aptos e 1 não aptos), 1 apto pratica 5 vezes/semana e 6 praticam diariamente (5 aptos e 1 não aptos).

A Tabela 3 apresenta os dados relativos à função atual, com diferença estatística para a variável AT, com maior reporte pelo grupo dos não aptos, particularmente AT sem risco biológico. Após análise dos AT, 17 foram AT com risco biológico (Picada com agulha, outro corto perfurante e mordedura) e 49 sem risco biológico (Queda, Mobilização cargas, AT in Itinere, Agressão). Apesar de não haver diferença entre os grupos para a variável categoria profissional e doença profissional, tendencialmente os não aptos eram assistentes operacionais e tinham maior reporte de doença profissional participada e/ou certificada. As doenças em questão foram a COVID-19, Dermatite de Contacto, Tuberculose Pulmonar, Alergia ao Látex, Tendinopatia do Ombro e Conjuntivite por adenovírus.

As Tabelas 4 e 5 apresentam os dados relativos às pontuações nas 8 dimensões e 2 componentes do questionário SF-36. De seguida, descreve-se mais detalhadamente as dimensões onde se observou diferença entre os grupos. A Tabela 6 apresenta as pontuações assumindo o ponto de corte.

Função Física

Observou-se que a diferença entre os grupos foi visível pelos dados obtidos no Item 3 “Actividade violentas, tais como, correr, levantar pesos, participar em desportos violentos” (valor p <0,001); Item 4 “Atividades moderadas, tais como, deslocar uma mesa ou aspirar a casa” (valor p <0,001); Item 5 “Levantar e carregar as compras da mercearia” (valor p <0,001); Item 7 “Subir um lanço de escadas” (valor p=0,019); Item 8 “Inclinar-se, ajoelhar-se ou baixar-se” (valor p <0,001); Item 9 “Andar mais de 1 Km” (valor p <0,001); Item 10 “Andar vários quarteirões” (valor p=0,034) e Item 12 “Tomar banho ou vestir-se sozinho/a” (valor p=0,002), e neste último 10 reportaram esta dificuldade, sendo 8 destes não aptos.

Desempenho Físico

Observou-se que a diferença entre os grupos foi visível pelos dados obtidos no item 14 “Fez menos do que queria” (valor p=0,024); Item 15 “Sentiu-se limitada no tipo de trabalho ou actividade” (valor p=0,008) e Item 16 “Teve dificuldade em executar o seu trabalho ou outras atividades (por exemplo, foi preciso mais esforço)” (valor p <0,001).

Desempenho Emocional

Observou-se que a diferença entre os grupos foi visível pelos dados obtidos no item 19 “Não executou o trabalho ou outras atividades tão cuidadosamente como de costume” (valor p=0,003).

Vitalidade

Analisando individualmente os itens que fazem parte do questionário e desta dimensão, não se observou essa diferença entre os grupos. Contudo, salienta-se que em ambos os grupos os valores médios e medianos foram inferiores a 50.

Bem-Estar Emocional

Observou-se que a diferença entre os grupos foi visível pelos dados obtidos no Item 25 “Se sentiu tão deprimido/a que nada o/a animava” (valor p=0,04); Item 28 “Se sentiu triste” (valor p=0,038) e Item 30 “Se sentiu feliz” (valor p=0,011).

Dor

Observou-se que a diferença entre os grupos foi visível pelos dados obtidos no Item 21 “Durante as últimas 4 semanas teve dores” (valor p=0,03) e Item 22 “Durante as últimas 4 semanas, de que forma é que a dor interferiu com o seu trabalho normal (tanto trabalho fora de casa como o trabalho doméstico)” (valor p <0,001). Apenas 16,7% (n=23) dos aptos e 3,2% (n=1) dos não aptos reportaram não ter nenhuma dor nas últimas 4 semanas.

Saúde Geral

Os não aptos reportaram ter saúde geral mais fraca/razoável e ser tendencialmente falso que a sua saúde é excelente, enquanto os aptos reportaram saúde geral tendencialmente muito boa/ótima. Observou-se que a diferença entre os grupos foi visível pelos dados obtidos no Item 1 “Em geral, a sua saúde é” (valor p=0,006); Item 34 “Sou tão saudável como qualquer outra pessoa” (valor p=0,011) e Item 36 “A minha saúde é excelente” (valor p=0,033).

Relativamente ao parâmetro “Mudança Saúde” não houve diferença entre os grupos (valor p= 0,834; valor médio aptos 44,02 ± 20,16 versus valor médio aptos condicionais 45,97 ± 23,36).

 

DISCUSSÃO

As principais organizações de saúde, como a OMS, sugerem que a QV deve ser incorporada como uma medida de resultados na prática clínica (10), dado que para além de elementos relacionados com a saúde, abrange aspetos não médicos de um indivíduo, como a função social, educacional e ocupacional. Assim, dada a relação direta entre a exposição aos fatores de riscos ocupacionais e a saúde, bem como, o trabalho ainda ser considerado uma peça central na vida dos indivíduos, pode-se aferir que a dimensão ocupacional na QV tem uma grande importância. Isto permite uma relação bidirecional entre a avaliação da QV e o contexto laboral, na medida em que medir a QV permite conhecer a realidade dos trabalhadores e a dimensão laboral pode ser um indicador de saúde (4).

Na área da saúde, o rápido crescimento económico e o envelhecimento da população, impôs uma elevada exigência no trabalho, contrapondo com os escassos recursos humanos (11). Esta área é caracterizada por regras específicas, rotinas e protocolos, sendo a atividade prescrita pela organização e muitas vezes sem envolvimento dos trabalhadores, mesmo que especializados (4). O ambiente, condições, conteúdo de trabalho e a exposição aos fatores de risco ocupacionais, em especial os psicossociais, são determinantes-chave dos problemas de saúde e desempenho dos profissionais deste setor (6) (11) (12).

Lira C et al, procurou realizar uma revisão sistemática com estudos que avaliassem os riscos ocupacionais e a QV. Apesar da limitação da qualidade metodológica dos trabalhos existentes, foi sugerido que os fatores ocupacionais são variáveis essenciais para os profissionais de saúde, podendo levá-los a considerar a sua qualidade de vida como diminuída. Nomeiam também possíveis intervenções a serem desenvolvidas, mediante cada realidade, nomeadamente, otimizar as condições de trabalho, promover o desenvolvimento de competências, adoção de programas de qualidade de vida no trabalho e disponibilizar apoio psicológico e social (4).

Relativamente à QV da amostra geral, e de forma decrescente, as dimensões com melhor pontuação foram a Função Física, Dor, Desempenho Físico, Função Social, Bem-Estar Emocional, Desempenho Emocional, Saúde Geral e Vitalidade. Esta tendência reflete-se nos componentes, com a melhor pontuação a nível da Saúde Física do que na Saúde Mental. Desempenhar funções na área da saúde implica intenso envolvimento psicológico e emocional diariamente. Sabe-se que uma diminuta QV afeta a saúde, bem-estar e capacidade de trabalho dos trabalhadores (11) e níveis elevados de stress associado ao trabalho contribui para uma menor QV (5). Por sua vez, o stress associa-se à exposição de fatores psicossociais, tais como, a elevada rotatividade, carga horária e ritmo de trabalho, trabalho por turnos e noturno, ambiente de trabalho, confronto diário com a fragilidade, vulnerabilidade e doença, conflitos com colegas ou doentes (4) (5) (12). Torna-se essencial gerir riscos para saúde, de modo a contribuir para níveis de QV adequados (4). Salienta-se que alguns estudos referem que sentir satisfação e empatia durante o cuidado prestado a terceiros, não implica necessariamente que a QV não seja afetada (12).

Segundo a American Academy of Sleep Medicine and Sleep Research Society, os adultos devem dormir pelo menos sete horas por noite. Dormir menos que este número de horas está associado a efeitos adversos para saúde, tais como, obesidade, diabetes, hipertensão, depressão, aumento das queixas álgicas, limitação no desempenho e capacidade de agir. Neste trabalho observou-se que os participantes, em particular os não aptos, dormiram, em média, menos que este valor e percecionaram descanso insuficiente. Vale a pena notar que a maioria dos participantes não realizava trabalhos por turnos e/ou noturno.

Geralmente, o consumo de álcool e tabaco relaciona-se com uma menor QV (13), e no caso do tabaco, a magnitude da associação parece ser dose-dependente do número de cigarros e mantém-se até três anos após o indivíduo deixar de fumar (10). Os fumadores tendem a relatar pontuações mais baixas na saúde física, função social, bem-estar emocional e vitalidade quando comparado a não fumadores, assim como, o ato de fumar pode ser um preditor independente de sintomas de depressão e ansiedade (10). Não foi possível pelos dados obtidos definir uma relação direta entre a menor pontuação nas várias dimensões e componentes e o consumo de tabaco, todavia, os fumadores passivos pertenciam tendencialmente ao grupo dos não aptos.

A atividade física tem múltiplos efeitos benéficos na saúde e no bem-estar físico e mental (14). Se por um lado, o facto dos profissionais de saúde serem um grupo sobrecarregado física e psicologicamente, em que o horário de trabalho, tarefas exigentes e questões sociais e familiares, dificultam o planeamento e a realização desta atividade, por outro, são estes fatores que tornam esta atividade um bem necessário (14).

O trabalho por turnos e noturno funciona como um método de organização do trabalho, que ao longo dos anos e com o desenvolvimento da sociedade, tornou-se uma escolha estratégica com vista a uma maior produtividade e competitividade (15). A maioria não cumpria este tipo de trabalho, mas é uma variável a considerar na avaliação da QV, dado que apresenta impacto relevante em todos os aspetos da vida de um trabalhador, incluindo hábitos alimentares, atividade física, sono e ritmos circadianos (15).

O maior reporte de acidentes de trabalho no grupo dos não aptos, pode revelar o impacto das consequências destes eventos na capacidade de trabalho e condições de trabalho.

Relativamente à Função Física, os não aptos apresentaram valores médios inferiores e maior grau de limitação para este tipo de atividades. Os dados levam a refletir se os não aptos apresentam alguma condição de saúde que os impede de iniciar/realizar distâncias (“Andar mais de um Km”, “Andar vários quarteirões), enquanto que andar um quarteirão (distância menor) já não há diferença entre os grupos. Provavelmente, os aptos realizam essas distâncias, contudo pela baixa condição física expressam dificuldades, enquanto os outros não iniciam/realizam de todo a atividade. Também merece atenção as atividades básicas, como “Tomar banho ou vestir-se sozinho/a”, visto que se observou reporte de limitação para estas atividades de vida diária de indivíduos em idade ativa.

Relativamente ao Desempenho Físico, os não aptos, como consequência da sua saúde física, fizeram menos do que queriam, sentiram mais limitação e mais dificuldade em executar o seu trabalho ou outras atividades. Se por um lado, o profissional com restrições pode sentir que está limitado, tendo em conta, que pelas suas limitações/estado de saúde pode haver tipologias de trabalho/atividades que não são adequadas, por outro, deve-se avaliar até que ponto a adaptação ao posto de trabalho foi realizada e/ou mantém-se adequada à situação do trabalhador.

Relativamente ao Desempenho Emocional, os não aptos não executaram o trabalho ou outras atividades tão cuidadosamente como de costume, havendo necessidade de identificar os fatores que podem ter contribuído para este cenário, por exemplo, fadiga ou motivação.

O domínio Vitalidade, em ambos os grupos, obteve valores médios inferiores a 50 e menor bem-estar relacionado com sintomas de tristeza. Isto pode dever-se às condições e organização do trabalho, assim como, sentimento de fracasso relativamente às suas esperanças e expectativas no trabalho (5).

Relativamente ao domínio Dor, os não aptos apresentaram queixas álgicas de maior intensidade e com maior interferência das mesmas com o seu trabalho habitual e apenas uma minoria dos participantes reportou não ter nenhuma dor nas últimas quatro semanas. Queixas álgicas e patologia músculo-esquelética podem estar associadas a uma diminuição da QV (16). Importaria também compreender a relação entre este domínio e o trabalho prestado por estes profissionais, nomeadamente a realização de trabalhos repetitivos, posturas inadequadas, trabalho informatizado e mobilização de cargas (4).

A menor pontuação nestas dimensões e componentes, pode posicionar estes profissionais de saúde em maior risco de presentismo e absentismo, dado que os fatores ocupacionais podem influenciar de forma negativa o bem-estar físico e mental do trabalhador, com potencial redução da produtividade e alteração do seu estado de saúde geral (17).

CONCLUSÕES

O tamanho da amostra e a adesão dos participantes foram limitados pela não divulgação do caderno de colheita de dados através do email institucional e envio de lembretes semanais. Não obstante a reduzida amostra, verificou-se que, tendencialmente, o grupo dos não aptos apresentou piores níveis de QV relacionada com a saúde. Estes eram mais velhos, dormiam menos, tiveram mais acidentes de trabalho e menor pontuação na Função Física, Desempenho Físico e Emocional, Vitalidade, Bem-Estar Emocional, Dor, Saúde Geral, Saúde Física e Mental.

Apesar da escassa literatura sobre QV dos profissionais de saúde com diferencial baseado na aptidão para o trabalho, e do fator condicionador não ser conhecido, os dados obtidos sugerem que a alteração na aptidão implica per si uma mudança na dimensão laboral incluída no conceito de QV.

As intervenções concebidas para alterar os comportamentos do indivíduo podem ser uma estratégia reativa ao stress ocupacional, enquanto a mudança organizacional pode produzir efeitos a longo prazo na promoção do bem-estar do trabalhador (17). Níveis elevados de QV e medidas disponíveis nas organizações de saúde que contribuam para esse paradigma são uma das formas de atração e motivação dos profissionais de saúde no desempenho das suas funções (11) (17).

Em suma, este estudo inicial pretende incentivar à reflexão, avaliação da QV como medida de saúde aplicada na área da Saúde Ocupacional e desenvolvimento de intervenções no local de trabalho, a ser aplicadas ao nível do trabalhador, condições de trabalho e organização (4) (17).

 

QUESTÕES ÉTICAS E LEGAIS

Foi garantido consentimento informado dos participantes e o anonimato dos dados do mesmo (sem chave de codificação, dados identificativos ou identificáveis). Acrescenta-se que no âmbito deste estudo, o protocolo assumido com o Centro de Investigação da instituição obriga à conservação dos dados obtidos até um prazo máximo de cinco anos, após o qual os autores deverão proceder à sua eliminação. Sem outros conflitos de interesse a declarar.

 

CONFLITOS DE INTERESSE

Os autores declaram não haver conflitos de interesse. O trabalho não obteve qualquer financiamento.

 

 

BIBLIOGRAFIA

1 – Occupational health: health workers [Internet]. 2025. [citado 2025 julho]. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/occupational-health–health-workers#:~:text=Health%20workers%20are%20all%20people%20engaged%20in%20work.

2 – Mogos M, August E, Salinas-Miranda A, Sultan D, Salihu H. Systematic review of quality of life measures in pregnant and postpartum mothers. Applied Research in Quality of Life. 2013; 8(2): 219-250. doi: 10.1007/s11482-012-9188-4

3 – Lagadec N, Steinecker M, Kapassi A, Magnier A, Chastang J, Robert S et al. Factors influencing the quality of life of pregnant women: a systematic review. BMC Pregnancy Childbirth.  2018; 18(1): 455. doi: 10.1186/s12884-018-2087-4.18, 1–14 (2018)

4 – Lira C, Akutsu R, Costa P, Leite L, Silva K, Botelho R et al. Occupational Risks in Hospitals, Quality of Life, and Quality of Work Life: A Systematic Review. International Journal of Environmental Research and Public Health. 2021; 18(21): 11434. doi: 10.3390/ijerph182111434.

5 – Mahmud A, Morris E, Johnson S, Ismail K. Developing core patient-reported outcomes in maternity: PRO-Maternity. BJOG: An International Journal of Obstetrics & Gynaecology. 2014; 121 (4): 15-9. doi: 10.1111/1471-0528.12901.

6 – Kheiraoui F, Gualano M, Mannocci A, Boccia A, La Torre G. Quality of life among healthcare workers: a multicentre cross-sectional study in Italy. Public Health. 2012; 126(7): 624-629. doi: 10.1016/j.puhe.2012.03.006.

7 – Crude B, Puglia M, Mediotti K, Tonet M. Qualidade de Vida em Gestantes com Alterações do Sono. Revista Neurociências. 2023; 21 (2): 216–221. doi:10.34024/rnc.2013.v21.8182

8 – Ferreira P. Creation of Portuguese version of the MOS SF-36 Part I, Cultural and Linguistic Adaptation. Acta Médica Portuguesa. 2000; 13: 55–66.

9 – Heyde R. Assessment of Functional Outcomes. Fundamentals of Hand Therapy. 2007; 6: 98-113. doi: 10.1016/B0-32-303386-5/50009-6

10 – Goldenberg M, Danovitch I, IsHak W. Quality of life and smoking. The American Journal on Addictions. 2014; 23(6): 540-562. doi: 10.1111/j.1521-0391.2014.12148.x.

11 – Tang C, Guan C, Liu C. Quality of working life of medical doctors and associated risk factors: a cross- sectional survey in public hospitals in China. BMJ Open 2022; 12(11): e063320. doi: 10.1136/bmjopen-2022-063320.

12 – Ruiz-Fernández M, Ortega-Galán A, Fernández-Sola C, Hernández-Padilla J, Granero-Molina J, Ramos-Pichardo J. Occupational Factors Associated with Health-Related Quality of Life in Nursing Professionals: A Multi-Centre Study. International Journal of Environmental Research and Public Health. 2020; 17(3): 982. doi: 10.3390/ijerph17030982.

13 – Wittenberg E, Barbosa C, Hein R, Hudson E, Thornburg B, Bray J. Health-related quality of life of alcohol use disorder with co-occurring conditions in the US population. Drug and Alcohol Dependence. 2021; 221: 108558. doi: 10.1016/j.drugalcdep.2021.108558.

14 – Saridi M, Filippopoulou T, Tzitzikos G, Sarafis P, Souliotis K, Karakatsani D. Correlating physical activity and quality of life of healthcare workers. BMC Research Notes. 2019; 12(1): 208. doi: 10.1186/s13104-019-4240-1.

15 – Saulle R, Bernardi M, Chiarini M, Backhaus I, La Torre G. Shift work, overweight and obesity in health professionals: a systematic review and meta-analysis. La Clinica Terapeutica. 2018; 169(4): e189-e197. doi: 10.7417/T.2018.2077.

16 – Mroczek B, Łubkowska W, Jarno W, Jaraczewska E, Mierzecki A. Occurrence and impact of back pain on the quality of life of healthcare workers. Annals of Agricultural and Environmental Medicine. 2020; 27(1): 36-42. doi: 10.26444/aaem/115180.

17 – Cohen C, Pignata S, Bezak E, Tie M, Childs J. Workplace interventions to improve well- being and reduce burnout for nurses, physicians and allied healthcare professionals: a systematic review. British Medical Journal Open. 2023; 13(6): e071203. doi: 10.1136/bmjopen-2022-071203.

 

 

Tabela 1 – Análise comparativa entre Aptos e Não aptos nas variáveis relativas aos dados gerais (valor p<0,05)

Variáveis Aptos Não Aptos Valor p
Idade (anos) N=138 N=31 0,019
Média 45,5 ± 11,1 50,5  ± 9,4
Mediana 46 51
Mínimo 20 31
Máximo 68 64
75% amostra <55 anos < 59 anos
Sexo N=138 N=31 0,576
Masculino 20 (87%) 3 (13%)
Feminino 118 (80,8%) 28 (19,2%)

 

 

Tabela 2 – Análise comparativa entre Aptos e Não aptos nas variáveis relativas aos estilos de vida (valor p<0,05)

Variáveis Aptos Não Aptos Valor p
Horas de Sono (diário) N=137 N=30 0,037
Média 6,3 ± 1,0 5,9 ± 0,9
Mediana 6 6
Mínimo 3 4
Máximo 9 8
75% amostra <7 <6
Consumo Álcool N=137 N=31 0,390
Não 38 (27,7%) 9 (29%)
Sim, diariamente 3 (2,2%) 2 (6,5%)
Sim, ocasionalmente 96 (70,1%) 20 (64,5%)
Consumo Tabaco N=138 N=31 0,036
Não, e nunca fumei 89 (64,5%) 16 (51,6%)
Não, sou ex-fumador (a) 23 (16,7%) 6 (19,4%)
Sim, sou fumador ativo 24 (17,4%) 5 (16,1%)
Sim, sou fumador (a) passivo 2 (1,4%) 4 (12,9%)
Atividade Física N=138 N=31 0,791
Não 81 (58,7%) 19 (61,3%)
Sim 57 (41,3%) 12 (38,7%)

 

 

Tabela 3 – Análise comparativa entre Aptos e Não aptos nas variáveis relativas à função atual (valor p<0,05)

Variáveis Aptos Não Aptos Valor p
Categoria Profissional N=138 N=31 0,241
Assistente Operacional 5  (3,6%) 4  (12,9%)
Assistente Técnico (a) 17  (12,3%) 2  (6,5%)
Dirigente 3  (2,2%) 1  (3,2%)
Enfermeiro (a) 54  (39,1%) 16  (51,6%)
Farmacêutico (a) 4  (2,9%) 1  (3,2%)
Médico (a) 24  (17,4%) 1  (3,2%)
Técnico de Sistemas e Tecnologias de Informação 2  (1,4%) 0  (0%)
Técnico Superior 3  (2,2%) 0  (0%)
Técnico Superior de Diagnóstico e Terapêutica 22  (15,9%) 5  (16,1%)
Técnico Superior de Saúde 4  (2,9%) 1  (3,2%)
Antiguidade N=138 N=31 0,332
0 – 5 anos 35 (25,4%) 4 (12,9%)
6 a 10 anos 9 (6,5%) 3 (9,7%)
11 a 20 anos 24 (17,4%) 3 (9,7%)
21 a 30 anos 38 (27,5%) 13 (41,9%)
31 a 40 anos 27 (19,6%) 6 (19,4%)
41 a 50 anos 5 (3,6%) 2 (6,5%)
Trabalho por Turnos N=138 N=31 0,906
Não 83 (60,1%) 19 (61,3%)
Sim 55 (39,9%) 12 (38,7%)
Trabalho Noturno N=138 N=31 0,051
Não 91 (65,9%) 26 (83,9%)
Sim 47 (34,1%) 5 (16,1%)
Acidente de Trabalho N=138 N=31 0,041
Não 77 (55,8%) 11 (35,5%)
Sim 61 (44,2%) 20 (64,5%)
Doença Profissional N=138 N=31 0,052
Não 126 (91,3%) 44 (77,4%)
Sim 12 (8,7%) 7 (22,6%)

 

 

Tabela 4 – Análise comparativa entre Aptos e Não aptos nas variáveis relativas às 8 dimensões do questionário SF-36 (valor p<0,05)

Variáveis Aptos Não Aptos Valor p
Função Física N=138 N=31 <0,001
Média 83,59 ± 19,2 67,90 ± 20,4
Mediana 92,5 70
Mínimo 20 25
Máximo 100 100
Desempenho Físico N=138 N=31 <0,001
Média 69,20  ± 36,9 44,35  ± 34,6
Mediana 100 50
Mínimo 0 0
Máximo 100 100
Desempenho Emocional N=138 N=31 0,019
Média 59,18 ± 41,7 39,78 ± 42,5
Mediana 66,66 33,33
Mínimo 0 0
Máximo 100 100
Vitalidade N=138 N=31 0,042
Média 44,67 ± 22,6 36,13 ± 15,8
Mediana 45 35
Mínimo 0 0
Máximo 100 75
Bem-Estar Emocional N=138 N=31 0,017
Média 60,93 ± 19,9 51,87 ± 17,6
Mediana 64 52
Mínimo 16 20
Máximo 100 88
Função Social N=138 N=31 0,081
Média 63,04 ± 23,5 55,64 ± 17,6
Mediana 62,5 50
Mínimo 12,5 25
Máximo 100 87,5
Dor N=138 N=31 <0,001
Média 69,46 ± 23,2 49,43 ± 22,5
Mediana 67,5 55
Mínimo 0 0
Máximo 100 100
Saúde Geral N=138 N=31 0,005
Média 57,68 ± 20,2 47,74 ± 16,0
Mediana 55 45
Mínimo 5 20
Máximo 100 80

 

 

Tabela 5 – Análise comparativa entre Aptos e Não aptos nas variáveis relativas às 2 componentes do questionário SF-36 (valor p<0,05)

Variáveis Aptos Não Aptos Valor p
Saúde Física N=138 N=31 <0,001
Média 69,98 ± 20,4 52,36 ± 17,7
Mediana 75,31 50,62
Mínimo 11,25 20
Máximo 100 85,62
Saúde Mental N=138 N=31 0,013
Média 56,95 ± 22,9 45,86 ± 19,7
Mediana 60,10 39,88
Mínimo 9,12 15,38
Máximo 100 83,38

 

 

Tabela 6 – Análise comparativa entre Aptos e Não aptos nas variáveis relativas às 8 dimensões e 2 componentes do questionário SF-36 (valor p<0,05), assumindo o ponto de corte (valor=50)

Variáveis Ponto corte “pontuação 50” Aptos Não aptos Valor p
Função Física Melhor Saúde 126 (91,3%) 24 (77,4%) 0,052
Pior Saúde 12 (8,7%) 7 (22,6%)
Desempenho Físico Melhor Saúde 105 (76,1%) 16 (51,6%) 0,006
Pior Saúde 12 (23,9%) 12 (48,4%)
Desempenho Emocional Melhor Saúde 78 (56,5%) 12 (38,7%) 0,072
Pior Saúde 60 (43,5%) 19 (61,3%)
Vitalidade Melhor Saúde 61 (44,2%) 6 (19,4%) 0,011
Pior Saúde 77 (55,8%) 25 (80,6%)
Bem-Estar Emocional Melhor Saúde 97 (70,3%) 17 (54,8%) 0,097
Pior Saúde 41 (29,7%) 14 (45,2%)
Função Social Melhor Saúde 109 (79,0%) 23 (74,2%) 0,560
Pior Saúde 29 (21,0%) 8 (25,8%)
Dor Melhor Saúde 107 (77,5%) 16 (51,6%) 0,003
Pior Saúde 31 (22,5%) 15 (48,4%)
Saúde Geral Melhor Saúde 95 (68,8%) 13 (41,9%) 0,005
Pior Saúde 43 (31,2%) 18 (58,1%)
Mudança Saúde Melhor Saúde 90 (65,2%) 19 (61,3%) 0,680
Pior Saúde 48 (34,8%) 12 (38,7%)
Saúde Física Melhor Saúde 114 (82,6%) 16 (51,6%) <0,001
Pior Saúde 24 (17,4%) 15 (48,4%)
Saúde Mental Melhor Saúde 84 (60,9%) 12 (38,7%) 0,024
Pior Saúde 54 (39,1%) 19 (61,3%)

 

 

 

(1)Alexandra Sousa

Médico Interno de Formação Específica de Medicina do Trabalho no Serviço de Saúde Ocupacional da Unidade Local de Saúde do São José. MORADA: Serviço de Saúde Ocupacional; Alameda Santo António dos Capuchos, 1169-050 Lisboa. E-MAIL: 77373@ulssjose.min-saude.pt. Nº ORCID: https://orcid.org/0009-0007-0805-204X

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: aquisição de dados, revisão bibliográfica, conceção e redação do manuscrito

(2)Alina Avelar

Médico Interno de Formação Específica de Medicina do Trabalho no Serviço de Saúde Ocupacional da Unidade Local de Saúde do São José. 1169-050 Lisboa. E-MAIL: alina.avelar@ulssjose.min-saude.pt. Nº ORCID: https://orcid.org/0009-0002-9390-342X

– CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: revisão do manuscrito

(3)Marta Dias

Médico Interno de Formação Específica de Medicina do Trabalho no Serviço de Saúde Ocupacional da Unidade Local de Saúde de Coimbra. 3000-075 Coimbra. E-MAIL: marta.coimbra.dias@gmail.com. Nº ORCID: https://orcid.org/0009-0009-7276-5049

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO:  revisão do manuscrito

(4)Miguel Rodrigues

Assistente Hospitalar de Medicina do Trabalho, Serviço de Saúde Ocupacional da Unidade Local de Saúde do São José. 1169-050 Lisboa. E-MAIL: jose.rodrigues9@ulssjose.min-saude.pt

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO:  revisão do manuscrito

(5)Daniela Tolentino

Assistente Hospitalar de Medicina do Trabalho, Serviço de Saúde Ocupacional da Unidade Local de Saúde do São José. 1169-050 Lisboa. E-MAIL: daniela.tolentino@ulssjose.min-saude.pt

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO:  revisão do manuscrito

(6)Maria Isabel Ramos

Assistente Hospitalar Graduada de Medicina do Trabalho e Medicina Interna; Peritagem Médica da Segurança Social; Responsável do Serviço de Saúde Ocupacional da Unidade Local de Saúde de São José. 1169-050 Lisboa. E-MAIL: isabel.ramos@ulssjose.min-saude.pt

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: revisão do manuscrito

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