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Estatuto editorial

Síndroma do Desfiladeiro Torácico-a propósito de um caso clínico

17 Julho, 2026Casos Clínicos

Pinelas S, Teófilo V, Moreira S, Ribeiro R, Miller M, Azevedo C, Silva A, Pinho P, Norton P. Síndroma do Desfiladeiro Torácico-a propósito de um caso clínico. Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional online. 2026; 22: sub0569. DOI: 10.31252/RPSO.18.07.2026

 

THORACIC OUTLET SYNDROME – A CLINICAL CASE REPORT WITH OCCUPATIONAL RELEVANCE

 

Tipo de artigo: Caso Clínico

Autores: Pinelas S(1), Teófilo V(2), Moreira S(3), Ribeiro R(4), Miller M(5), Azevedo C(6), Silva A(7), Pinho P(8), Norton P(9).

RESUMO

Introdução

A Síndrome do Desfiladeiro Torácico compreende um conjunto de sinais e sintomas resultantes da compressão do feixe neurovascular dentro do espaço do desfiladeiro torácico, região anatómica entre o pescoço e o tórax, por onde passam nervos (plexo braquial), artérias e veias que vão para o braço e mão. Tem etiologia multifatorial. A forma venosa, embora menos prevalente, possui relevância clínica e ocupacional significativa, podendo causar trombose, edema e dor incapacitante.

Descrição do caso clínico

Homem de 39 anos, operário fabril, que desenvolveu edema súbito do membro superior direito após quinze anos de atividade com elevação repetida dos membros superiores acima do nível dos ombros. A angio-tomografia computorizada e a ressonância magnética nuclear confirmaram compressão da veia subclávia no espaço costoclavicular. Optou-se pelo tratamento conservador com fisioterapia e reeducação postural, com benefício.

Discussão / Conclusão

O caso ilustra o papel de fatores de risco ocupacionais na génese da Síndrome do Desfiladeiro Torácico de origem venosa. São revistos os aspetos anatómicos, diagnósticos, terapêuticos e preventivos, com ênfase na abordagem multidisciplinar e na necessidade de reconhecimento desta síndrome também como eventual doença profissional. Esta exige diagnóstico precoce, intervenção ergonómica e políticas de saúde ocupacional que promovam prevenção e reintegração laboral adequada.

PALAVRAS-CHAVE: Desfiladeiro Torácico, veia subclávia, compressão, ergonomia, exposição ocupacional, reabilitação, Medicina do Trabalho, Enfermagem do Trabalho, Segurança do Trabalho.

 

ABSTRACT

Introduction

Thoracic Outlet Syndrome comprises a set of signs and symptoms resulting from compression of the neurovascular bundle within the thoracic outlet space, an anatomical region between the neck and chest, through which nerves (brachial plexus), arteries, and veins that go to the arm and hand pass. It has a multifactorial etiology. The venous form, although less prevalent, has significant clinical and occupational relevance, and can cause thrombosis, edema, and disabling pain.

Case report

A 39-year-old male factory worker developed sudden edema of the right upper limb after fifteen years of activity involving repeated elevation of the upper limbs above shoulder level. Computed tomography angiography and magnetic resonance imaging confirmed compression of the subclavian vein in the costoclavicular space. Conservative treatment with physiotherapy and postural re-education was chosen, with benefit.

Discussion/Conclusion

This case illustrates the role of occupational risk factors in the genesis of venous thoracic outlet syndrome. Anatomical, diagnostic, therapeutic, and preventive aspects are reviewed, with emphasis on a multidisciplinary approach and the need to recognize this syndrome as a potential occupational disease. This requires early diagnosis, ergonomic intervention, and occupational health policies that promote prevention and appropriate workplace reintegration.

KEYWORDS: Thoracic outlet, subclavian vein, compression, ergonomics, occupational exposure, rehabilitation, Occupational Medicine, Occupational Nursing, Occupational Safety.

 

 

INTRODUÇÃO

A Síndrome do Desfiladeiro Torácico (SDT) resulta da compressão do plexo braquial, da artéria ou da veia subclávia ao atravessarem o desfiladeiro torácico. A incidência anual estimada varia entre 0,5 e 3 casos por 100 000 habitantes, e as formas neurogénica, venosa e arterial representam aproximadamente 95%, 3% e 1% dos casos, respetivamente (1).

A SDT apresenta etiologia multifatorial, podendo resultar de anomalias congénitas (como presença de costela cervical, bandas fibrocartilaginosas cervicais congénitas, alterações musculares como variações anatómicas que podem diminuir o espaço entre os músculos escaleno anterior e médio ou até mesmo a fusão completa destes músculos) ou de alterações adquiridas, nomeadamente inflamação crónica por trauma repetitivo com acometimento do pescoço e membros superiores e consequente hipertrofia muscular (2) (3) (4) (5) (6).

Considerando a SDT venosa (SDTv), a trombose aguda da veia subclávia — frequentemente relacionada com esforço — é conhecida como síndrome de Paget-Schroetter, enquanto que a compressão venosa dinâmica sem trombose corresponde à síndrome de McCleery, e surge frequentemente em indivíduos jovens e fisicamente ativos, podendo estar associada a esforços repetitivos com os membros superiores (por exemplo, empilhamento de material pesado) e posturas prolongadas acima do nível dos ombros (7). Em contexto ocupacional, atividades que impliquem movimentos repetitivos, transporte frequente de cargas ou elevação repetida dos membros superiores durante períodos prolongados têm sido identificadas como fatores de risco relevantes, pelos microtraumatismos crónicos que causam nos músculos escalenos e subclávios (6) (8).

Apesar de não constar formalmente na Lista Nacional de Doenças Profissionais, a SDT pode preencher critérios etiológicos e fisiopatológicos compatíveis com uma doença de origem laboral – a ter por base o ponto 3 do art.º 283º do Código do Trabalho, de onde se entende poder ser considerada doença profissional a lesão corporal, perturbação funcional ou doença que seja consequência necessária e direta da atividade exercida pelo trabalhador e não represente normal desgaste do organismo (9) (10).

O diagnóstico da SDT baseia-se numa combinação de critérios clínicos e imagiológicos. Testes provocativos, como os de Adson e Roos, apresentam sensibilidade e especificidade muito variáveis (11). Os exames complementares de diagnóstico podem incluir eletromiografia, ecodoppler, angio-tomografia computorizada, ressonância magnética nuclear, sendo estes últimos essenciais para identificar o local de compressão e excluir trombose (12).

O tratamento deve ser individualizado. Em casos venosos sem trombose, a fisioterapia focada no alongamento dos músculos escalenos, fortalecimento da cintura escapular e correção postural constitui a primeira linha (13). Nos casos refratários ou com trombose associada, a cirurgia de descompressão pode ser considerada, embora as taxas de complicações não sejam negligenciáveis (14) (15).

Este artigo visa descrever um caso clínico de SDT venosa com provável etiologia ocupacional, analisando o enquadramento clínico, diagnóstico e terapêutico, bem como discutir a sua relevância em Medicina do Trabalho.

DESCRIÇÃO DO CASO CLÍNICO

Homem de 39 anos, trabalhador fabril, com quinze anos de atividade em linha de montagem de molas de roupa, envolvendo elevação repetida dos membros superiores acima dos ombros e transporte de cargas de cerca de dez quilogramas. Sem antecedentes médicos de relevo, nem prática desportiva regular; a mão dominante é a direita.

Em março de 2019, iniciou edema súbito do membro superior direito (MSD), acompanhado de dor tipo picada e agravamento com esforço laboral, melhorando aos fins de semana. Por agravamento clínico progressivo recorreu ao serviço de urgência, tendo feito angio-tomografia computorizada que revelou compressão da veia subclávia direita durante a elevação dos braços, com atraso do retorno venoso, sugestivo de SDT venosa. A ressonância magnética nuclear confirmou compressão acentuada da veia subclávia no espaço costoclavicular, causada por hipertrofia muscular, já associada a circulação colateral; sem trombo identificado.

Este diagnóstico motivou ausência prolongada da atividade laboral, dado episódios recorrentes de parestesias no MSD com movimentos de elevação e queixas álgicas limitantes para a função.

Foi acompanhado por Cirurgia Vascular, tendo-se optado por tratamento conservador com fisioterapia orientada para reeducação postural e fortalecimento dos músculos estabilizadores escapulares. Durante o acompanhamento em Medicina Física e Reabilitação foram recomendadas restrições laborais, nomeadamente a evicção de movimentos repetitivos de elevação e transporte de cargas com o MSD. Apesar de melhoria parcial, manteve parestesias e edema recorrente com esforços. O caso foi notificado como suspeita de doença profissional e aguarda decisão final.

DISCUSSÃO

O desenvolvimento da SDTv está associado a fatores anatómicos e funcionais, sendo o esforço repetitivo do membro superior com consequente microtraumatismo muscular crónico um dos principais fatores de risco (2) (6). Portanto, atividades profissionais que implicam elevação frequente dos braços, movimentos repetitivos acima do plano do ombro, cargas sustentadas ou posturas forçadas da cintura escapular aumentam o risco de compressão venosa dinâmica. A síndrome é descrita com maior frequência em trabalhadores manuais, atletas de modalidades com execução de movimentos repetitivos dos membros superiores e profissões que exigem abdução prolongada do ombro, como pintores, eletricistas, trabalhadores da construção civil, cabeleireiros e profissionais de saúde (16).

O diagnóstico da SDTv permanece particularmente desafiante devido à limitada sensibilidade e especificidade dos meios diagnósticos disponíveis, sobretudo nas formas não trombóticas e dinâmicas. Os testes clínicos provocativos apresentam baixa especificidade e elevada variabilidade interobservador, podendo ser positivos em indivíduos assintomáticos ou noutras patologias do ombro e da coluna cervical. Os exames imagiológicos, como a ecografia doppler, a angiotomografia computorizada ou a angiorressonância magnética, são úteis para excluir trombose ou compressões anatómicas fixas, mas têm sensibilidade limitada para identificar compressão venosa dinâmica, dependente da posição do membro superior e da técnica utilizada. Mesmo quando realizados em posições provocativas, resultados imagiológicos normais não excluem o diagnóstico se este for clinicamente pertinente. Os estudos neurofisiológicos são frequentemente normais na ausência de lesão nervosa estabelecida, contribuindo para atrasos diagnósticos. Assim, o diagnóstico baseia-se na integração da história clínica e ocupacional, exame físico e exclusão de diagnósticos diferenciais, o que contribui amplamente para o subdiagnóstico e heterogeneidade dos dados epidemiológicos reportados (7) (12) (17).

Na SDTv não trombótica, a fisioterapia é recomendada como tratamento inicial, embora a evidência seja limitada. Séries observacionais sugerem melhoria sintomática em cerca de 30–60% dos doentes selecionados, sobretudo em fases precoces e na ausência de compressão anatómica fixa; no entanto, uma proporção significativa acaba por necessitar de tratamento invasivo. A ausência de ensaios clínicos randomizados limita a estimativa precisa da sua eficácia (7) (16) (17).

Do ponto de vista da Saúde Ocupacional, a SDT de origem ocupacional destaca a importância da avaliação ergonómica detalhada e da vigilância médica periódica. A comissão europeia publicou em 2009 um guia que fornece os principais critérios para o diagnóstico de doenças ocupacionais, onde define como movimentos altamente repetitivos aqueles que impliquem elevação dos membros superiores acima dos 50–60° por mais de 50% do tempo laboral ou com movimentação frequente de cargas (cerca de mais de 10 objetos manuseados por minuto com mais de um quilograma de peso ou mais de vinte repetições por minuto), configurando estes um risco significativo para o desenvolvimento desta síndrome, pela hipertrofia muscular potencial (8). Apesar de não constar formalmente na Lista Nacional de Doenças Profissionais, a SDT pode preencher critérios etiológicos e fisiopatológicos compatíveis com uma doença de origem laboral, pelo que deve ser notificada (8) (9) (10).

Medidas ergonómicas abrangentes — tais como adaptação do posto de trabalho, pausas regulares para recuperação, redistribuição de tarefas (rotatividade) e, sempre que possível, automação de tarefas repetitivas ou fisicamente exigentes — têm sido associadas a redução significativa de sintomas musculoesqueléticos em ensaios clínicos e revisões sistemáticas, e são medidas preventivas fundamentais. Intervenções ergonómicas combinadas conseguem uma redução estatisticamente significativa da dor musculoesquelética e melhoram indicadores de saúde e funcionalidade dos trabalhadores (18) (19) (20).

CONCLUSÃO

A Síndrome do Desfiladeiro Torácico Venoso representa uma patologia rara, mas potencialmente incapacitante, cujo reconhecimento em contexto ocupacional é fundamental. A abordagem deve ser multidisciplinar, envolvendo Cirurgia Vascular, Medicina Física e Reabilitação e Saúde Ocupacional. O diagnóstico precoce, aliado a medidas ergonómicas e fisiátricas adequadas, pode prevenir a progressão e facilitar a reintegração laboral. Urge discutir a inclusão da SDT nas listas de doenças profissionais e reforçar estratégias preventivas centradas na ergonomia e vigilância médica.

CONFLITOS DE INTERESSE, QUESTÕES ÉTICAS E/OU LEGAIS

Nada a declarar.

AGRADECIMENTOS

Agradece-se a todo o corpo clínico do Serviço de Saúde Ocupacional.

 

BIBLIOGRAFIA

  1. Illig K, Rodriguez-Zoppi E, Bland T, Muftah M, Jospitre E. The incidence of thoracic outlet syndrome. Annals of Vascular Surgery. 2021; 70: 263-272. doi:10.1016/j.avsg.2020.07.029.
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  4. Katirji B, Hardy R. Classic neurogenic thoracic outlet syndrome in a competitive swimmer: a true scalenus anticus syndrome. Muscle & Nerve. 1995; 18(2): 229-233. doi:10.1002/mus.880180213.
  5. Almeida D, Meyer R, Oh S. True neurogenic thoracic outlet syndrome in a competitive swimmer: a case report of this rare association. Arquivos de Neuro-Psiquiatria. 2007; 65(4B): 1245-1248. doi:10.1590/S0004-282X2007000700031.
  6. Casbas L, Chauffour X, Cau J, Bossavy J, Midy D, Baste J et al. Post-traumatic thoracic outlet syndromes. Annals of Vascular Surgery. 2005; 19(1): 25-28. doi:10.1007/s10016-004-0151-1.
  7. Sanders R, Hammond S, Rao N. Diagnosis of thoracic outlet syndrome. Journal of Vascular Surgery. 2007; 46(3): 601-604. doi:10.1016/j.jvs.2007.04.050.
  8. European Commission. Information notice on occupational diseases: a guide to diagnosis. Luxembourg: Office for Official Publications of the European Communities; 2009.
  9. Decreto-Regulamentar n.º 76/2007, de 17 de julho. Diário da República. 1.ª série; n.º 136 (17 Jul 2007):4499-4543.
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[1] Sofia Pinelas

Mestre em Medicina pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Interna de formação específica em Medicina do Trabalho no Serviço de Saúde Ocupacional, Centro Hospitalar Universitário de São João, Porto, Portugal. Morada para correspondência dos leitores: Rua dos Amigos do Porto nº32 3º direito frente 4250-526, Porto. E-mail: anasofiampinelas@gmail.com. Nº ORCID: 0009-0003-2959-5044.

-Contribuição para o artigo: autor principal.

[2] Vanessa Teófilo

Mestre em Medicina pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Interna de formação específica em Medicina do Trabalho no Serviço de Saúde Ocupacional, Centro Hospitalar Universitário de São João, Porto, Portugal. 4200-319, Porto. E-mail: vanessagteofilo@gmail.com.

-Contribuição para o artigo: co-autor e revisão.

[3] Salomé Moreira

Mestre em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Interna de formação específica em Medicina do Trabalho no Serviço de Saúde Ocupacional, Centro Hospitalar Universitário de São João, Porto, Portugal. 4200-319, Porto. Email: salomemarquesmoreira@gmail.com.

-Contribuição para o artigo: co-autor e revisão.

[4] Rui Ribeiro

Mestre em Medicina pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Interno de formação específica em Medicina do Trabalho no Serviço de Saúde Ocupacional, Centro Hospitalar Universitário de São João, Porto, Portugal. 4200-319, Porto. E-mail: ruiamribeiro28@gmail.com.

-Contribuição para o artigo: co-autor e revisão.

[5] Mariana Miller

Mestre em Medicina pela NOVA Medical School – Faculdade de Ciências Médicas. Interna de formação específica em Medicina do Trabalho no Serviço de Saúde Ocupacional, Centro Hospitalar Universitário de São João, Porto, Portugal. 4200-319, Porto. E-mail: marianasofia.miller@gmail.com.

-Contribuição para o artigo: co-autor e revisão.

[6] Catarina Azevedo

Mestre em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Interna de formação específica em Medicina do Trabalho no Serviço de Saúde Ocupacional, Centro Hospitalar Universitário de São João, Porto, Portugal. 4200-319, Porto. E-mail: catarina_isabel98@hotmail.com.

-Contribuição para o artigo: co-autor e revisão.

[7] Ana Silva

Mestre em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Interna de formação específica em Medicina do Trabalho no Serviço de Saúde Ocupacional, Centro Hospitalar Universitário de São João, Porto, Portugal. 4200-319, Porto. E-mail: anafilipafs14@gmail.com.

-Contribuição para o artigo: co-autor e revisão.

[8] Paulo Pinho

Mestre em Medicina pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Especialista em Medicina do Trabalho no Serviço de Saúde Ocupacional, Centro Hospitalar Universitário de São João, Porto, Portugal. 4200-319, Porto. E-mail: paulo_r_pinho@hotmail.com. Nº ORCID: 0000-0002-2187-0916.

-Contribuição para o artigo: revisão.

[9] Pedro Norton

Licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto; Especialista em Medicina do Trabalho e Medicina Geral e Familiar; Diretor de Serviço do Serviço de Saúde Ocupacional do Centro Hospitalar Universitário de São João, Porto, Portugal. 4200-319, Porto. E-mail: pedro.norton@chsj.min-saude.pt. Nº ORCID: 0000-001-5878-116X.

-Contribuição para o artigo: revisão.

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