Murcho N, Pacheco E, Maio T. Caraterização da Violência Laboral em Trabalhadores da Saúde: um Estudo de Revisão. Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional online. 2026; 22: esub0577. DOI: 10.RPSO.12.09.2026
CHARACTERIZATION OF WORKPLACE VIOLENCE IN HEALTHCARE WORKERS: A REVIEW STUDY
TIPO DE ARTIGO: Artigo de Revisão
Autores: Murcho N(1), Pacheco E(2), Maio T(3).
RESUMO
Introdução, Enquadramento e Objetivos
A violência laboral, que inclui também o assédio no local de trabalho, é um dos principais fatores de risco em trabalhadores, nomeadamente da área da saúde, que têm um risco acrescido.
Assim, realizou-se este estudo com o objetivo de contribuir para uma caraterização dos trabalhadores da saúde vítimas de violência laboral, dos agressores e dos tipos de violência, numa perspetiva internacional.
Metodologia
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de acordo com a metodologia PRISMA. Foram incluídos estudos realizados entre 2019 e 2024, de tipo quantitativo, descritivo e transversal, tendo sido selecionados nove artigos.
Conteúdos e Resultados
Foi possível encontrar caraterísticas que são mais prevalentes nos trabalhadores da saúde vítimas de violência laboral, relativamente ao género, idade, profissão, bem como nos tipos de agressores e de violência, havendo aparentemente diferenças de género entre vítimas e agressores.
Discussão e Conclusão
Os resultados obtidos, concordam, em grande parte, com a literatura consultada, evidenciando a importância da prevenção da violência laboral em trabalhadores da saúde, principalmente devido às suas consequências para esses profissionais. Sugere-se, ainda, a realização de outros estudos neste âmbito com recurso a metodologias mais robustas, designadamente através de metanálises.
PALAVRAS-CHAVE: violência no trabalho, trabalhadores da saúde, agressão, saúde ocupacional, medicina do trabalho, enfermagem do trabalho.
ABSTRACT
Introduction, framework and objectives
Workplace violence, which also includes harassment in the workplace, is one of the main risk factors for workers, particularly in the health sector, who have an increased risk.
Thus, this study was conducted with the aim of contributing to a characterization of healthcare workers who are victims of workplace violence, aggressors, and types of violence, from an international perspective.
Methodology
This is an integrative literature review, according to the PRISMA methodology. Quantitative, descriptive, and cross-sectional studies conducted between 2019 and 2024 were included, having been selected nine scientific articles.
Content and Results
It was possible to find characteristics that are more prevalent in healthcare workers victims of workplace violence in relation to gender, age and profession, as well as in the type of aggressors and in the type of violence, with there apparently being gender differences between victims and aggressors.
Discussion and Conclusion
The results obtained largely agree with the consulted literature, highlighting the importance of preventing workplace violence among healthcare workers, mainly due to its consequences for these professionals. It is also suggested, that further studies be conducted in this area using more robust methodologies, namely through meta-analyses.
KEYWORDS: workplace violence, health personnel, aggression, occupational health, occupational medicine, occupational health nursing.
INTRODUÇÃO, ENQUADRAMENTO E OBJETIVOS
A violência laboral (VL) pode ser considerada como qualquer ato ou ameaça de violência física, assédio, intimidação, ou outro comportamento disruptivo ameaçador que ocorra no local de trabalho (1), sendo classificada de acordo com o tipo de agressão, em VL física, psicológica ou sexual, e de acordo com o tipo de agressor, em VL interna (se o agressor é membro da organização) ou externa (quando é utente ou acompanhante) (2).
Esta forma de violência é um dos principais fatores de risco em trabalhadores, afetando não só a dignidade, saúde e bem-estar destes; como também das famílias, empresas e sociedades (1) (3) (4) (5), apresentando os trabalhadores da saúde (TS) um risco acrescido (1).
Nos TS, a VL é modulada por um conjunto de determinantes, como sejam as condições de vida e de saúde da população, acessibilidade, atendimento e encaminhamento nos cuidados de saúde, fadiga e exaustão, sentimentos de frustração e sofrimento emocional, vividos por quem está doente e por quem cuida (3). Dos outros fatores associados, destacam-se as deficiências na comunicação destes profissionais com os utentes/famílias e a má formação profissional na gestão de conflitos e avaliação de situações de risco (6).
Os estudos realizados sobre esta problemática, têm abordado a mesma em diferentes perspetivas, nomeadamente sobre as causas e as consequências da VL em TS, sendo mais escassa a literatura que incida sobre a caraterização de vítimas, agressores e tipo de violência, da qual mencionamos as pesquisas de Vento et al (7) e Banga et al (8).
O primeiro (7) analisou duas metanálises sobre a VL em médicos e enfermeiros, efetuadas com estudos de várias regiões do Mundo, concluindo que os tipos de violência mais comuns são a não-física, nomeadamente o abuso verbal, seguidos das ameaças e do assédio sexual, e a seguir a violência física, sendo a maioria dos agressores os doentes de género masculino e os colegas.
O segundo estudo (8), inquiriu TS de 79 países, concluindo que a maioria dos agressores são os doentes ou os seus familiares. Verificou-se que os profissionais com maior risco de serem vítimas são médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar, com idades entre os 26 e os 65 anos, que trabalham em unidades públicas, em horários noturnos e com menos de um ano de experiência. Foram ainda identificadas associações significativas entre o género e o tipo de violência no ambiente de trabalho: há uma maior tendência para que profissionais do sexo feminino sejam vítimas de violência emocional e sexual, enquanto os do sexo masculino são mais frequentemente alvo de violência física.
Considerando então a relevância desta problemática, pelas suas implicações e consequências individuais, organizacionais e sociais, e pela importância das intervenções que possibilitem a sua prevenção, realizou-se este estudo, com o objetivo de contribuir para uma caraterização dos TS vítimas de VL, dos agressores e dos tipos de violência.
METODOLOGIA
Em função da aplicação da metodologia PICo (População, Interesse e Contexto) (9), foram considerados os seguintes aspetos: P (População) – TS; I (interesse) – reunir conhecimentos relevantes sobre as caraterísticas dos TS vítimas de VL, dos agressores e dos tipos de violência; C (contexto) –VL em TS.
Assim, formulou-se a seguinte pergunta: quais as caraterísticas dos TS vítimas de VL, dos agressores e dos tipos de violência?
Os estudos foram selecionados tendo em conta os seguintes critérios de inclusão e exclusão:
– Critérios de inclusão – estudos quantitativos, descritivos e transversais, em que recolha de dados e a sua publicação tenha ocorrido nos últimos cinco anos, ou seja, entre janeiro de 2019 a dezembro de 2024 (considerando que a recolha de informação foi iniciada em 2025). Os estudos deveriam estar redigidos em português, inglês ou castelhano, abordar a temática da VL em TS, permitir a caracterização descritiva das vítimas (TS), dos agressores e dos tipos de casos de VL identificados, e apresentar os resultados em percentagem, de forma a possibilitar a comparação entre os diferentes estudos analisados.
– Critérios de exclusão – resumos, estudos de natureza qualitativa, investigações limitadas a apenas um tipo de TS ou de agressor, e estudos cuja apresentação dos resultados não permita a comparação entre os diferentes trabalhos analisados.
As bases de dados de acesso livre pesquisadas foram: BMC – BioMed Central; DOAJ – Directory of Open Access Journals; Google Académico; Latindex – Sistema Regional de Información en línea para Revistas Científicas de América Latina, el Caribe, España y Portugal; RCAAP – Portal do Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal e SciELO – Scientific Electronic Library Online.
Para a pesquisa utilizaram-se as seguintes palavras-chave: em português – Agressores, Vítimas, “Profissionais de Saúde”, “Serviços de Saúde”, “Trabalhadores de Saúde” e “Violência no Trabalho”; em inglês – Aggressors, Bullies, “Health Services”, “Health Workers”, “healthcare services”, Victims e “workplace violence”; e em castelhano – Agresores, Víctimas, “Servicios de salud”, “Trabajadores de la salud”, “Trabajadores sanitarios”, “Violencia en el trabajo” e “Violencia laboral”.
Como metodologia para a decisão e inclusão dos estudos selecionados, utilizou-se a metodologia PRISMA (itens preferenciais de relatórios para revisões sistemáticas e meta-análises), versão de 2020 (10), com as seguintes fases: 1) Identificação, 2) Seleção e 3) Inclusão (11).
No processo de seleção dos artigos a incluir, utilizamos o método de triangulação com análise dos artigos recolhidos por cada um dos três autores em separado (como revisores), com discussão das discrepâncias encontradas em cada uma das fases desta metodologia.
Da pesquisa nas bases de dados mencionadas, pela aplicação dos termos de pesquisa anteriormente mencionados, foram recolhidos 97 artigos, dos quais incluímos nove artigos para análise final, de acordo com os critérios de inclusão definidos, conforme se descrimina no fluxograma de decisão de identificação e inclusão dos estudos, elaborado de acordo com a metodologia PRISMA (ver Figura 1).
CONTEÚDO E RESULTADOS
Relativamente à caracterização dos nove estudos incluídos nesta revisão, foram analisados a língua de publicação, o país ou região onde foram realizados e o período a que reportam os dados recolhidos, conforme apresentado no quadro 1.
Apenas um dos estudos foi publicado em português, estando os restantes redigidos em inglês. Dois estudos foram realizados na Europa (Turquia e Sérvia), um na América do Sul (Brasil), cinco em África (Congo, Sudão, Gana, Egipto e Nigéria) e um na Ásia (China).
Os períodos de recolha de dados variaram entre 2019 e maio de 2023, abrangendo aproximadamente quatro anos.
Para se caraterizar o tipo de VL em TS, verificaram-se quais os tipos de incidentes, de vítimas e de agressores, que eram estatisticamente mais relevantes (os dois ou três com o valor percentual mais elevado), de acordo com as distribuições apresentadas nos resultados dos estudos incluídos para análise, conforme quadros 2, 3, e 4.
Assim, em relação aos tipos de incidentes mencionados (ver quadro 2), observou-se que aqueles que são estatisticamente mais relevantes, são a agressão/violência verbal, que regista os valores mais elevados em seis dos nove estudos analisados (12) (13) (14) (15) (16) (17) seguida da violência física, que regista os segundos valores mais elevados em cinco destes estudos (13) (15) (16) (17) (18).
Os outros tipos de incidentes relatados são: o assédio /violência sexual em quatro estudos (12) (13) (17) (19); as ameaças (15) (19) e a violência psicológica, em dois estudos (14) (18) e o assédio laboral, referido só num estudo (19).
Quanto à definição destes incidentes, pode-se dizer que a violência psicológica é o uso intencional de poder, real ou por ameaça, contra outro(s), que resulte ou possa resultar, em morte, dano físico ou psicológico, compromisso do desenvolvimento ou privação, englobando agressão verbal, ameaça, assédio, assédio sexual, coação, difamação, discriminação, injúria e perseguição (1) (3) (4) (16). Violência física é qualquer conduta que, direta ou indiretamente, resulte ou tenha a possibilidade de causar danos físicos ou psicológicos, compromisso do desenvolvimento ou privação ao trabalhador (2) (3) (4) (16) (19).
Incluídos na violência psicológica está o assédio laboral, definido como o conjunto de comportamentos indesejados, repetitivos e prolongados no tempo, que têm como objetivo ou efeito afetar a dignidade de um trabalhador, criando um ambiente hostil, humilhante, intimidatório ou ofensivo (2) (3) (19), as ameaças de violência que consistem em promessas de usar força física ou poder e resultar em medo, danos sexuais ou outras consequências negativas para a vítima de forma adequada a provocar-lhe medo ou inquietação ou a prejudicar a sua liberdade de determinação (3) (19), e o assédio sexual que é o conjunto de comportamentos verbais e não verbais caracterizados como ofensivos, indesejados, não recíprocos e de caráter sexual, com o objetivo ou o efeito de perturbar ou constranger a pessoa, afetar a sua dignidade, ou de lhe criar um ambiente intimidativo, hostil, degradante, humilhante ou desestabilizador (3) (4) (19).
Relativamente à caraterização das vítimas (ver quadro 3), no que concerne ao género, somente um dos estudos não refere este aspeto (19). Dos restantes, na maior parte (seis estudos), as vítimas são de género feminino (12) (13) (14) (15) (17) (20), sendo que somente em dois dos estudos as vítimas são de género masculino (16) (18).
Dos estudos que estabelecem uma relação entre o género e o tipo de violência, verificamos que os tipos de violência associados a ambos os géneros incluem: violência psicológica (18); física (12) (18) e sexual (12). Apenas num estudo é referida a ocorrência de violência verbal dirigida a homens (12).
Em relação à idade das vítimas, dos quatro estudos que caraterizam esta variável (13) (15) (16) (17), os escalões etários com os valores estatisticamente mais relevantes, são o escalão entre os 35 a 50 anos (16), que é o valor mais elevado, seguido do escalão entre os 30 a 39 anos (17).
No que diz respeito à profissão, dos oito estudos que caraterizavam esta variável (13) (14) (15) (16) (17) (18) (19) (20), não se verificou homogeneidade entre os mesmos. Contudo, os tipos de TS vítimas de VL que apresentam os valores estatísticos mais elevados, na maior parte destes estudos, são os médicos (13) (15) (16) (17 (18) (19) e os enfermeiros (13) (14) (16) (17) (em seis estudos cada). De referir que no estudo de Makali et al. (16), os enfermeiros estão agrupados com os técnicos de laboratório.
Dos dois estudos que relacionam a profissão com o tipo de violência (18) (19), verificou-se que a violência física é o tipo comum a ambos. Os outros tipos de violência referidos, são a violência psicológica (18) e as ameaças de violência, atenção sexual indesejada e assédio laboral (19).
A violência física é referida para médicos, enfermeiros, pessoal de suporte técnico e administrativo (18) e técnicos ou auxiliares de enfermagem (19). As ameaças de violência são mencionadas em médicos, enfermeiros e técnicos ou auxiliares de enfermagem (19). O assédio laboral é referido entre técnicos ou auxiliares de enfermagem e dentistas (outros TS) (19). A violência psicológica surge associada a médicos, enfermeiros e pessoal de suporte técnico e administrativo (também enquadrados como outros TS) (18).
Relativamente aos tipos de agressores (ver quadro 4), há um estudo que não apresenta a caraterização dos mesmos (20). Dos restantes oito, seis referem os familiares ou acompanhantes/amigos como o tipo de agressores mais frequentes (12) (13) (14) (16) (17) (18), e dois referem ser os doentes (15) (19), embora estes sejam referidos nos oito documentos.
Os outros tipos de agressores referenciados, embora menos frequentemente, são colegas (17) (18) (19), membros da comunidade (16), supervisores, subordinados (19), outros colegas de trabalho (12), familiares dos doentes, doentes (14) e pessoas desconhecidas (12).
Para os dois estudos que fazem a relação entre os agressores e o tipo de violência (12) (19), verificou-se que embora os resultados não sejam uniformes, a vertente física e a sexual/atenção sexual indesejada, são comuns em ambos, quando os agressores são os doentes.
Para os três estudos que fazem relação entre os agressores e o género (12) (14) (17), o homem é o tipo de agressor mais frequente em todos.
DISCUSSÃO
Os resultados desta revisão concordam com a literatura consultada a este respeito, designadamente no que respeita ao tipo de VL em TS, em que o mais prevalente é a psicológica, principalmente a agressão verbal, seguida da física, em relação a algumas caraterísticas das vítimas, como a profissão, em que a maioria são médicos e enfermeiros (7), e em relação ao tipo de agressores, em que a maior parte são doentes, familiares ou acompanhantes (7) (8) e de género masculino (7).
Quanto à idade das vítimas, os escalões etários estatisticamente mais relevantes estão situados entre os 30 e os 50 anos (16) (17), e vêm ao encontro dos resultados de outras pesquisas neste âmbito, uma vez que se inserem no intervalo de idades apresentado que é dos 26 aos 65 anos (8).
Refere-se ainda, que a maioria das vítimas é de género feminino, o que pode estar associado a aspetos socioculturais eventualmente relacionados com violência de género, considerando que a maioria dos agressores é de género masculino, não obstante não se ter encontrado estudos no âmbito da VL em TS, que abordassem este aspeto, sugerindo-se a realização de futuras investigações visando explorar o papel do género nesta problemática.
Pode-se dizer então, que a análise da literatura revelou uma realidade preocupante, onde os TS, enfrentam uma prevalência significativa de situações de VL, que vão desde agressões verbais até formas mais extremas de violência física, o que obriga a uma atenção urgente e implementação de estratégias preventivas eficazes, que tenha em consideração não só os aspetos relacionados com as determinantes que modulam este tipo de violência (3), como outros fatores associados, nomeadamente aspetos de comunicação e de formação (6).
Contudo, o tipo de dados trabalhados surge como uma limitação, havendo necessidade de se realizarem outros estudos neste âmbito, com maior aprofundamento e robustez científica, designadamente por metanálise.
CONCLUSÃO
Com esta revisão integrativa procurou-se contribuir para um melhor conhecimento das caraterísticas das vítimas de VL em TS, dos seus agressores e dos tipos de violência.
Encontraram-se algumas caraterísticas que são comuns relativamente às vítimas, agressores e tipo de violência, havendo aparentemente diferenças de género entre vítimas e agressores, sendo as vítimas maioritariamente de género feminino e os agressores de género masculino.
Os resultados obtidos concordam, em grande parte, com a literatura consultada, especialmente no que respeita ao tipo de violência, género e idade das vítimas, bem como ao género e tipo de agressores. No entanto, a literatura sobre esta temática contínua escassa, tendo sido identificados apenas dois estudos que abordam a problemática VL em TS numa perspetiva internacional (7) (8).
Espera-se então, que estes resultados possam dar um aporte para as políticas públicas, práticas educativas e intervenções institucionais que promovam ambientes clínicos mais seguros, respeitadores e humanizados. A prevenção da violência laboral é, em última instância, um compromisso com a saúde pública e com a valorização do trabalho em saúde, sendo essencial para garantir a dignidade, segurança e bem-estar dos profissionais que cuidam.
Assim, tentou-se que este trabalho tenha contribuído para um melhor conhecimento sobre a problemática da VL em TS, e dessa forma também para a sua prevenção, nomeadamente pelas suas consequências nestes profissionais (1) (3) (4).
CONFLITOS DE INTERESSE
Os autores declaram não existir conflitos de interesse.
OUTRAS QUESTÕES ÉTICAS E/OU LEGAIS
Não existem outras questões éticas e/ou legais dignas de relevo.
BIBLIOGRAFIA
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18) Liu Y, Zhang M, Li R, Chen N, Huang Y, Lv Y, et al. Risk assessment of workplace violence towards health workers in a Chinese hospital: a cross-sectional study. British Medical Journal Open. 2020; 10: e042800. DOI: 10.1136/bmjopen-2020-042800
19) Rohwedder L, Silva F, Albuquerque B, Sousa R, Sato T, Mininel V. Associação entre comportamentos ofensivos e risco de burnout e de depressão em trabalhadores de saúde. Revista Latino-Americana de Enfermagem. 2023; 31: e3987. DOI: 10.1590/1518-8345.6683.3987
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Figura 1 – Fluxograma do Processo de Identificação, Seleção e Inclusão dos Estudos
Nota: (a) RCAAP – 30 estudos, Google Académico – 19 estudos, SciELO – 2 estudos, DOAJ – 39 estudos, BMC – 6 estudos e Latindex – 1 estudo; (b) RCAAP – 29 estudos, Google Académico – 18 estudos, SciELO – 2 estudos, DOAJ – 38 estudos, BMC – 5 estudos e Latindex – 1 estudo; (c) Google Académico – 3 estudos, SciELO – 1 estudo, DOAJ – 11 estudos e BMC – 3 estudos; (d) Google Académico – 1 estudos, SciELO – 1 estudo, DOAJ – 6 estudos e BMC – 1 estudo.
Quadro1 – Caraterização dos estudos incluídos
| Estudos | Língua de Publicação | País ou Região (Continente) de Realização | Período de Recolha de Dados |
| Liu et al., 2020 (18) | Inglês | República Popular da China (Ásia) | 2019 |
| Elhadi et al., 2021 (13) | Inglês | República do Sudão (África) | Agosto a dezembro de 2021 |
| Assil et al., 2022 (12) | Inglês | República Árabe do Egito (África) | Janeiro a março de 2021 |
| Usman et al., 2022 (17) | Inglês | República Federal da Nigéria (África) | Abril de 2021 |
| Makali et al., 2023 (16) | Inglês | República Democrática do Congo (África) | Fevereiro de 2021 |
| Rohwedder et al., 2023 (19) | Português | República Federativa do Brasil (América do Sul) | Junho de 2021 a abril de 2022 |
| Gurdap et al., 2024 (14) | Inglês | República da Turquia (Europa e Ásia) | Junho de 2021 a abril de 2022 |
| Jovanovic et al., 2024 (15) | Inglês | República da Sérvia (Europa) | Março a maio de 2023 |
| Tawiah et al., 2024 (20) | Inglês | República do Gana (África) | Janeiro a maio de 2023 |
Quadro 2 – Tipos de Incidentes mais relevantes
| Estudos | Caraterização dos Tipos de Incidentes |
| Liu et al., 2020 (18) | – Violência psicológica (41,63%); Violência física (5,45%). |
| Elhadi et al., 2021 (13) | – Violência verbal (praguejar ou gritar) (91,6%); Violência física (50%); Assédio sexual (11%). |
| Assil et al., 2022 (12) | – Violência verbal (86,1%); Violência sexual (48,1%); Violência física (34,3%). |
| Usman et al., 2022 (17) | – Violência verbal (87,7%); Violência física (13,2%); Violência sexual (1,8%). |
| Makali et al., 2023 (16) | – Agressão verbal (93,47%); Agressão física sem armas (11,23%); Esfaqueamento (4,71%). |
| Rohwedder et al., 2023 (19) | – Ameaças de violência (26%); Assédio laboral (17%); Atenção sexual indesejada (15%). |
| Gurdap et al., 2024 (14) | – Violência verbal (92,8%); Violência psicológica (43,4%); Violência física (36,2%). |
| Jovanovic et al., 2024 (15) | – Violência verbal (57,5%); Violência física (33,6%); Ameaças (33,6%), |
| Tawiah et al., 2024 (20) | Não apresenta |
Quadro 3 – Tipos de vítimas mais relevantes
| Estudos | Caraterização das Vítimas |
| Liu et al., 2020 (18) | – Género/tipo de violência: Homens – violência psicológica (43,65%) e violência física (12,5%); Mulheres – violência psicológica (41,20%) e violência física (4,01%).
– Profissão/tipo de violência: Médicos – violência psicológica (44,93%) e violência física (6,52%); Enfermeiros – violência psicológica (43,37%) e violência física (5,07%); Pessoal de suporte técnico e administrativo – violência psicológica (27,66%) e violência física (4,96%). |
| Elhadi et al., 2021 (13) | – Género: Mulheres (55,5%); Homens (44,5%).
– Idade (escalão etário): 30 anos < (41,5%); 30 a 40 anos (32,7%). Profissão: Médicos (45,3%); Enfermeiros (22,7%); Farmacêuticos (15,2%). |
| Assil et al., 2022 (12) | – Género/tipo de violência: Mulheres – violência sexual (59,6%), violência física (56,8%), e violência verbal (52,7%); Homens – violência verbal (47,3%), violência física (43,2%) e violência sexual (40,4%). |
| Usman et al., 2022 (17) | – Género: Mulher (77,2%); Homem (22,8%).
– Idade (escalão etário): 30 a 39 anos (50,87%); 20 a 29 anos (21,05%); 40 a 49 anos (17,54%). – Profissão: Enfermeiro (76,3%); Médico (14,0%); Técnico de laboratório (6,1%). |
| Makali et al., 2023 (16) | – Género: Homens (62,22%); Mulheres (37,78%);
– Idade (escalão etário): 35-50 anos (54,92%); 35 anos< (34,2%); >50 anos (10,88%). – Profissão: Enfermeiros/Técnicos de laboratório (47,09%); Médicos (25,45%); Dentistas, Fisioterapeutas e farmacêuticos (15,82%). |
| Rohwedder et al., 2023 (19) | – Profissão/tipo de violência: Médicos – ameaças de violência (38%); Enfermeiros – ameaças de violência (33%) e atenção sexual indesejada (24%); Técnicos/Auxiliares de enfermagem – ameaças de violência (36%), violência física (21%) e assédio laboral (21%); Dentistas – atenção sexual indesejada (25%) e assédio laboral (25%). |
| Gurdap et al., 2024 (14) | – Género: Mulheres (92,8%); Homens (90%).
– Profissão: Outras profissões que não médicos (95%); Enfermeiros (92,4%). |
| Jovanovic et al., 2024 (15) | – Género: Mulheres (55,2%); Homens (43,7%).
– Idade (escalão etário): 26-35 anos (42,5%); > 55 anos (24,2%); 36-54 (21,8%). – Profissão: Outros profissionais de saúde (71,3%); Médicos especialistas – psiquiatras (17,2%); Médicos não especialistas (4,6%). |
| Tawiah et al., 2024 (20) | – Género: Mulheres (60,32%); Homens (57,41%).
– Profissão: Auxiliares (78,46%); Profissionais de saúde (57,56%). |
Quadro 4 – Tipos de Agressores mais Relevantes
| Estudos | Caraterização dos Agressores |
| Liu et al., 2020 (18) | – Tipo de agressores (só para a violência física): Familiares dos doentes (71,43%); Doentes (58,93%); Colegas (7,14%). |
| Elhadi et al., 2021 (13) | – Tipo de agressores: Familiares (87,9%); Doentes (50,5%); Amigos (35,6%). |
| Assil et al., 2022 (12) | – Tipo de agressor/tipo de violência: Acompanhantes – violência física (86,5%), violência verbal (80%) e violência sexual (73,1%); Doentes – violência verbal (32%), violência sexual (17,3%) e violência física (10,8%); Outros colegas de trabalho – violência física (2,7%) e violência verbal (2%); Pessoas desconhecidas – violência sexual (9,6%)
– Género/tipo de violência: Homens – violência verbal (59,1%), violência física (51,4%) e violência sexual (48,8%); Mulheres – violência verbal (15,1%), violência física (13,5%) e violência sexual (13,5%); Ambos os géneros – violência física (35,1%), violência sexual (38,5%), e violência verbal (25,8%). |
| Usman et al., 2022 (17) | – Tipo de agressores: Familiar (59,6%); Doente (36,8%); Colega (1,8%) e membro da equipa (1,8%).
– Género do agressor: Homem (80,7%); Mulher (19,3%). |
| Makali et al., 2023 (16) | – Tipo de agressores: Familiares (58,39%); Doente (32,97%); Membros da comunidade (23,16%). |
| Rohwedder et al., 2023 (19) | – Agressores/tipo de violência: Doentes – violência física (100%), ameaça de violência (75,7%), atenção sexual indesejada (59,1%) e assédio (18,5%); Colegas – assédio (48,2%), atenção sexual indesejada (27,3%) e ameaça de violência (13,5%); Supervisores – assédio (25,9%), atenção sexual indesejada (13,6%) e ameaça de violência (5,4%); Subordinados – assédio (7,4%) e ameaça de violência (5,4%). |
| Gurdap et al., 2024 (14) | – Tipo de agressores: Familiar do doente (50%); Familiar do doente e o doente (32,6%);
– Género do agressor: Homem (59%); Homem e mulher (24,6%). |
| Jovanovic et al., 2024 (15) | – Tipo de agressores: Doente (87,4%); Acompanhantes (1,1%). |
| Tawiah et al., 2024 (20) | Não apresenta |
(1)Nuno Murcho
Enfermeiro Gestor na Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde, IP; Doutor e Mestre em Psicologia da Saúde pela UAlg; Pós-Graduado em Gestão de Recursos Humanos pelo INUAF, Experto Universitário em Drogodependencias pela Universidade de Huelva e Diplomado em Abordagem Sistémica e Familiar pela Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar; DESE em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica (ESMP) pela Escola Superior de Enfermagem de Maria Fernanda Resende e Especialista na área da ESMP com a Competência Acrescida Avançada em Gestão pela Ordem dos Enfermeiros. Morada Completa para Correspondência dos Leitores: Rua Honorato Santos, n.º 6 – 8005-546 Faro. Email: nunalvaro@netcabo.pt. N.º ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5646-3467.
-Contribuição para o Artigo: Definição do desenho do estudo, seleção e leitura integral dos artigos, elaboração de todo o manuscrito.
(2)Eusébio Pacheco.
Professor na Escola Superior de Saúde da Universidade do Algarve: Doutor em Psicologia, no ramo de Psicologia da Saúde; Mestre em Psicologia da Educação; Investigador colaborador da Health Sciences Research Unit: Nursing (UICISA: E) Nursing School of Coimbra (ESEnfC). 8005-232 Faro. Email: joseeusebiopacheco@sapo.pt. N.º ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5424-2441.
-Contribuição para o Artigo: Definição do desenho do estudo, seleção e leitura integral dos artigos, elaboração de todo o manuscrito.
(3)Telma Maio
Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica na Unidade Local de Saúde do Algarve: Mestre em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica pela Escola Superior de Enfermagem de Lisboa; Pós-Graduada em Gestão de Unidades de Saúde, pela Faculdade de Economia da Universidade do Algarve; Licenciada em Enfermagem pela Escola Superior de Saúde de Beja. 8000-542 Faro. Email: Telmamaio2021@gmail.com. N.º ORCID: https://orcid.org/0009-0009-5714-2425
-Contribuição para o Artigo: Definição do desenho do estudo, seleção e leitura integral dos artigos, elaboração de todo o manuscrito.








