Amorim D, Mota L, Pinto M, Horta J, Amaral A, Pereira M, Cabral R, Rato M. Fotossensibilidade ou Dermatite de Contato Alérgica à Resina Epoxi: a importância da História Ocupacional. Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional online. 2026; 21: esub0556. DOI: 10.31252/RPSO.18.04.2026
PHOTOSENSITIVITY OR EPOXY RESIN–INDUCED ALLERGIC CONTACT DERMATITIS: THE CRITICAL ROLE OF OCCUPATIONAL HISTORY
TIPO DE ARTIGO: Caso Clínico
Autores: Amorim D(1), Mota L(2), Pinto M(3), Horta J(4), Amaral A(5), Pereira M(6), Cabral R(7), Rato M(8).
RESUMO
Introdução
A dermatite de contacto representa a maioria das doenças dermatológicas ocupacionais. O diagnóstico baseia-se numa história clínica e ocupacional detalhada, na correlação entre os sintomas e a atividade profissional, na identificação das substâncias envolvidas e na realização de testes epicutâneos. A resina epóxida, pelas suas propriedades termoestáveis é amplamente utilizada na produção de plásticos, colas, tintas e vernizes, sendo aplicada em múltiplos setores, nomeadamente na construção civil, na pintura e/ou revestimento de superfícies, bem como nas indústrias automóvel, aeronáutica e eletrónica.
Descrição do Caso
Relata-se o caso de um homem de 60 anos, pintor da construção civil há 14 anos, com lesões eritematosas, pruriginosas e descamativas nas mãos, antebraços, pescoço e face, com evolução de cerca de quatro anos e agravamento nos meses de verão. Inicialmente atribuídas a reações fototóxicas ou fotoalérgicas, as lesões foram posteriormente associadas à exposição ocupacional a produtos químicos sem uso adequado de equipamentos de proteção individual.
Perante a suspeita de dermatite de contacto alérgica aerotransportada e fotoagravada, o trabalhador foi encaminhado para a consulta de Alergologia Cutânea. Os testes epicutâneos revelaram positividade à resina epóxida de bisfenol A e a outros componentes epoxídicos, como endurecedores amínicos e diluentes reativos, confirmando o diagnóstico clínico inicialmente suspeitado.
A análise das fichas de segurança confirmou a exposição a um selante epóxi utilizado em pavimentos de betão, permitindo estabelecer o nexo causal profissional e proceder à participação obrigatória da presunção de doença profissional. Paralelamente, foi redigido um parecer clínico dirigido ao Médico do Trabalho, recomendando a evicção da exposição e o rastreio de outros trabalhadores em risco.
Discussão
Pintores da construção civil estão expostos a múltiplos alergénios cutâneos, sendo a resina epóxida um dos principais agentes sensibilizantes responsáveis pela dermatite de contacto alérgica ocupacional. Adicionalmente, a coexistência de reações fototóxicas e fotoalérgicas, associada à exposição solar profissional, reforça a importância de uma história clínica e ocupacional detalhada para estabelecer o diagnóstico correto e oferecer o tratamento mais adequado.
Conclusão
A prevenção primária assume um papel crucial na dermatite de contacto alérgica ocupacional, dado o aumento da sensibilização à resina epóxida nas últimas décadas, especialmente na construção civil. É essencial que as equipas de Saúde Ocupacional reforcem a (in)formação dos trabalhadores e garantam a adoção de medidas de proteção coletiva e individual adequadas para reduzir a exposição a alergénios no local de trabalho.
PALAVRAS-CHAVE: Dermatite de Contacto Alérgica, Resina Epóxida, Exposição ocupacional, Dermatoses Ocupacionais, Saúde Ocupacional.
ABSTRACT
Introduction
Contact dermatitis represents most of the occupational dermatological diseases. Diagnosis is based on a detailed clinical and occupational history, correlation between symptoms and professional activity, identification of the substances involved, and patch testing. Epoxy resin, due to its thermosetting properties, is widely used in the manufacture of plastics, adhesives, paints, and varnishes, and is applied across multiple sectors, including civil construction, surface coating and painting, as well as in the automotive, aerospace, and electronics industries.
Case report
We report the case of a 60-year-old man who had worked as a construction painter for 14 years and presented with erythematous, pruritic, and scaly lesions on the hands, forearms, neck, and face, with a four-year history and worsening during the summer months. Initially attributed to phototoxic or photoallergic reactions, the lesions were later associated with occupational exposure to chemical agents without proper use of personal protective equipment.
Given the suspicion of airborne and photoaggravated allergic contact dermatitis, the worker was referred to a Cutaneous Allergy Consultation. Patch testing revealed positive reactions to bisphenol A epoxy resin and other epoxy components, including amine hardeners and reactive diluents, confirming the clinically suspected diagnosis.
Analysis of the safety data sheets confirmed exposure to an epoxy sealant used on concrete floors, establishing the causal relationship with occupational exposure and leading to the mandatory reporting of a suspected occupational disease. A clinical report was also prepared for the Occupational Health Physician, recommending avoidance of further exposure and screening of other workers at risk.
Discussion
Construction painters are exposed to multiple cutaneous allergens, with epoxy resin being one of the main sensitizing agents responsible for occupational allergic contact dermatitis. In addition, the coexistence of phototoxic and photoallergic reactions associated with occupational solar exposure highlights the importance of a detailed clinical and occupational history to achieve an accurate diagnosis and provide the most appropriate treatment.
Conclusion
Primary prevention plays a crucial role in occupational allergic contact dermatitis, given the increasing sensitization to epoxy resin in recent decades, particularly in the construction sector. It is essential that Occupational Health teams strengthen worker education and ensure the implementation of appropriate collective and individual protective measures to minimize exposure to allergens in the workplace.
KEYWORDS: Allergic Contact Dermatitis, Epoxy Resin, Occupational Exposure, Occupational Dermatoses, Occupational Health.
INTRODUÇÃO
A dermatite de contacto é uma entidade clínica heterogénea que compreende duas formas principais: a dermatite de contacto irritativa (DCI) e a dermatite de contacto alérgica (DCA). A DCI constitui a forma mais frequente, responsável por aproximadamente 80% dos casos, resultando da agressão direta da pele por agentes químicos ou físicos, sem envolvimento imunológico. Pode ocorrer em qualquer indivíduo, desde que a exposição seja suficientemente intensa ou prolongada, sendo o quadro clínico caracterizado por eritema, secura, fissuras e sensação de ardor ou dor, geralmente de início rápido após o contacto (1).
Em contraste, a DCA corresponde a uma reação imunológica de hipersensibilidade retardada (tipo IV), mediada por linfócitos T, que se manifesta apenas em indivíduos previamente sensibilizados ao alergénio. Clinicamente, apresenta-se com prurido intenso, eritema, vesiculação e eczema, podendo ultrapassar a área de contacto direto e surgindo tipicamente 24 a 72 horas após a exposição. Apesar de menos prevalente, a DCA associa-se a maior impacto clínico e ocupacional, pela cronicidade e dificuldade em evitar a reexposição (1).
Enquanto a DCI depende sobretudo da intensidade e duração da exposição a agentes irritativos, a DCA resulta de um mecanismo imunológico específico desencadeado pela exposição a alergénios. O diagnóstico diferencial entre ambas é essencial para uma abordagem terapêutica e preventiva eficaz (1).
As doenças cutâneas de origem ocupacional são das mais frequentes na Europa, representando até 35% das doenças profissionais. Entre estas, a dermatite de contacto alérgica ocupacional (DCAO) destaca-se pela baixa taxa de resolução e elevado impacto económico e social (2).
Os testes epicutâneos com séries padronizadas e estudo dos materiais do próprio local de trabalho continuam a ser o método de referência para distinguir entre DCA e DCI. A nível europeu, os setores de atividade com maior prevalência de dermatite ocupacional são a agricultura e pesca, metalúrgica, indústria química, construção civil, saúde, alimentação e/ou serviços (2) (3). Entre os alergénios mais relevantes destacam-se os químicos da borracha (tiurans, carbamatos, benzotiazóis), a resina epóxida [DGEBA – diglicidiléter do bisfenol A] e os conservantes, como a mistura metilcloroisotiazolinona/metilisotiazolinona (MCI/MI), metilisotiazolinona (MI), formaldeído e metil-dibromo-glutaronitrilo (MDBGN) (2).
Os compostos de resina epóxida, particularmente o DGEBA, têm-se destacado nas últimas duas décadas como alergénios emergentes, devido ao seu uso crescente em tintas, vernizes, revestimentos protetores, materiais de construção e compósitos da indústria dos plásticos (2) (4) (5). Estes compostos apresentam elevada resistência mecânica, química e térmica, sendo constituídos por resinas, endurecedores, diluentes reativos e aditivos, designados genericamente por componentes epóxidos, todos com potencial sensibilizante, embora as resinas sejam os alergénios mais frequentemente implicados (4).
As taxas de sensibilização à resina epóxida na Europa aumentaram de 3,1% (2001–2010) para 3,5% (2011–2020), e o North American Contact Dermatitis Group (NACDG) reportou prevalências até 5,6% em doentes com DCAO (2).
Um estudo europeu multicêntrico, que analisou dados de 16 022 doentes com DCAO entre 2011 e 2020 no âmbito da rede European Surveillance System on Contact Allergies (ESSCA), concluiu que as taxas de sensibilização à resina epóxida são particularmente elevadas em trabalhadores da construção civil (34,1%), aplicadores de pavimentos e ladrilhos (27,2%), canalizadores (26,2%), operadores da indústria dos plásticos (24,3%) e pintores (22,6%) (2).
A DCA por resinas epóxidas manifesta-se predominantemente nas mãos, sendo o pescoço e a face principalmente atingidos por exposição aerotransportada (6). A exposição cutânea pode ocorrer por contacto direto com a pele, superfícies contaminadas, equipamentos de proteção individual inadequados e pela manipulação de materiais com resina epóxida não curada ou não totalmente curada (2).
A maioria das resinas epóxidas industriais resulta da condensação da epicloridrina com o bisfenol A, também conhecido como diglicidiléter do bisfenol A (DGEBA), embora também possam estar presentes outros componentes epóxidos, como os endurecedores amínicos (por exemplo m-xilenodiamina – MXDA e diamina de isoforona – IPDA) e diluentes reativos (éteres glicidílicos), igualmente potentes alergénios (4) (5) (7). As resinas epóxidas derivadas do bisfenol A e da epicloridrina são as principais sensibilizadoras cutâneas, podendo ocorrer reações concomitantes com o diglicidiléter do bisfenol F (DGEBF), devido a reatividade cruzada (4). O teor de DGEBA nas resinas epóxidas é variável e os respetivos polímeros estão descritos sob diferentes números do Chemical Abstracts Service (CAS), por exemplo 25068-38-6 e 25085-99-8 (4).
DESCRIÇÃO DO CASO CLÍNICO
Trata-se de um trabalhador do sexo masculino, 60 anos, pintor da construção civil há 14 anos, com quadro clínico de várias crises semelhantes e sazonais, caracterizadas por lesões eritematosas, pruriginosas e descamativas nas mãos, antebraços, pescoço e face (figura 1). Estas lesões iniciaram-se há cerca de quatro anos e com um agravamento nos meses de verão, pelo que, foram inicialmente atribuídas a reações cutâneas fototóxicas e fotoalérgicas, como a urticária solar. Nessas fases, foi instituído tratamento com corticoterapia tópica e recomendada fotoproteção adequada, contudo, sem resolução total das lesões. O trabalhador não apresentava antecedentes pessoais de atopia, alergias conhecidas ou outras doenças crónicas, e negava medicação habitual.
Por persistência dos sintomas e ausência de resolução clínica, procedeu-se a uma anamnese ocupacional detalhada, na qual o trabalhador referiu exposição frequente a diversos agentes químicos, sem utilização de luvas ou de outro equipamento de proteção individual.
Perante a suspeita de DCA aerotransportada e fotoagravada, foi encaminhado para a consulta de Alergologia Cutânea. Posteriormente, realizaram-se testes epicutâneos da série básica, que revelaram positividade à resina epóxida de bisfenol A (1% em vaselina), confirmando o diagnóstico clínico de DCA. Subsequentemente, efetuou-se a série específica de resinas epóxidas, que demonstrou reações positivas ao bisfenol F, à diamina de isoforona, à m-xilenodiamina e ao éter 2-fenilglicidílico, corroborando a sensibilização múltipla a componentes epóxidos (tabela 1).
Para estabelecer o nexo causal com a atividade profissional, solicitou-se à equipa de Segurança do Trabalho as fichas de segurança dos produtos químicos utilizados. A análise confirmou a exposição a um selante epóxi para pavimentos de betão, o “C-FLOOR PRIMER E150 DP”, identificado como um composto de resina epóxida contendo 2,2-bis-[4-(2,3-epoxipropoxi)fenil]propano (DGEBA; CAS 1675-54-3) e resina de bisfenol F com epicloridrina (DGEBF; CAS 9003-36-5). O facto de este produto ser aplicado exclusivamente durante períodos de clima seco e ensolarado torna compreensível a sazonalidade das lesões cutâneas e a dificuldade inicial no diagnóstico diferencial com reações de fotossensibilidade, reforçando a importância da correlação entre história ocupacional e características clínicas.
Com base nestes elementos, foi feita a presunção de doença profissional e realizada a respetiva participação obrigatória ao Departamento de Proteção contra os Riscos Profissionais (DPRP). Além disso, foi elaborado um parecer clínico para o Médico do Trabalho com o diagnóstico clínico e a recomendação para o trabalhador não estar exposto a produtos químicos que contenham resina epóxida, tendo sido também alertado para realizar rastreio noutros trabalhadores expostos. Foi elaborado um parecer também para a equipa de Segurança do Trabalho, recomendando a implementação de medidas de proteção coletiva e individual, com vista à prevenção de novos casos de sensibilização.
DISCUSSÃO
Pintores e envernizadores estão expostos a múltiplos alergénios e irritantes cutâneos presentes em tintas, vernizes, conservantes da madeira, solventes, massas de enchimento e até mesmo nas luvas de proteção. Esta exposição torna-os particularmente suscetíveis ao desenvolvimento de DCAO, muitas vezes com envolvimento da face devido à exposição aerotransportada (5).
Os alergénios ocupacionais mais relevantes nesta profissão incluem a resina epóxida (marcador de sensibilização aos compostos DGEBA e DGEBF), a MI e a mistura MCI/MI. A frequência de DCA aerotransportada à resina epóxida é superior em trabalhadores sensibilizados a outros componentes epóxidos, como o endurecedor MXDA, o que se relaciona com as suas propriedades voláteis destes compostos (5) (6).
Na série básica de testes epicutâneos europeia e portuguesa do GPEDC (Grupo Português de Estudo das Dermites de Contacto), a resina epóxida corresponde ao DGEBA, que serve como marcador da sensibilização ao bisfenol A e F (5) (8). Em cerca de metade dos doentes sensibilizados à resina epóxida, observam-se reações concomitantes a um diluente glicidílico, tal como se observou no presente caso clínico (5). Além disso, até 20% dos doentes sensibilizados a um diluente reativo e até 60% dos pacientes sensibilizados a um endurecedor de resina epóxida não apresentam positividade para a resina epóxida na série básica, o que reforça a necessidade de incluir séries específicas para resinas epóxidas além da série básica (2). Em vários casos, os testes epicutâneos comerciais foram insuficientes, sendo necessária a avaliação dos produtos provenientes do local de trabalho para confirmar a etiologia (9).
Estas profissões, além da exposição a múltiplos agentes químicos alergénios, implicam também trabalho ao ar livre, com exposição significativa à radiação ultravioleta (UV). Por esse motivo, reações cutâneas de fotossensibilidade são igualmente frequentes. A fotossensibilidade traduz-se numa resposta cutânea anormal à radiação solar, que pode resultar de um mecanismo fotoalérgico ou fototóxico, originando clinicamente uma fotodermatose. As reações fototóxicas distinguem-se das fotoalérgicas pela ausência de mecanismo imunológico: a fototoxicidade pode ocorrer em qualquer indivíduo exposto ao agente agressor e à radiação UV em quantidade suficiente, enquanto as reações fotoalérgicas surgem apenas em indivíduos previamente sensibilizados, sendo independentes da dose de alergénio (10).
A fotoalergia pode ser dependente ou independente de agentes fotossensibilizantes conhecidos, sejam estes locais ou sistémicos. Embora a maioria dos agentes fotossensibilizantes exerçam efeitos fototóxicos, podem também induzir reações fotoalérgicas após aplicação tópica ou administração sistémica. Entre os fotossensibilizantes de contacto mais relevantes destacam-se os protetores solares e os anti-inflamatórios não esteróides (AINE) (10).
Em alguns casos, é difícil estabelecer o diagnóstico diferencial entre DCA e dermatite de contacto fotoalérgica (DCFA), uma vez que muitos fotoalergénios podem igualmente induzir DCA. As reações fotoalérgicas subdividem-se em formas imediatas (como urticária solar) e retardadas (por exemplo erupção polimórfica à luz solar) (10).
Estes aspetos reforçam a importância de uma história clínica ocupacional detalhada, especialmente em trabalhadores que executam tarefas ao ar livre com reação fotoalérgica persistente ou resistente ao tratamento. A exclusão sistemática de fotossensibilizantes tópicos e de outros alergénios ocupacionais é essencial para um diagnóstico preciso e precoce, prevenindo erros diagnósticos e terapêuticos e permitindo uma intervenção adequada, tal como ilustrado no caso clínico apresentado.
Entre esses alergénios ocupacionais destaca-se a resina epóxida, que se mantém um dos principais agentes sensibilizantes emergentes em várias profissões de risco, nomeadamente na construção civil, canalização, pavimentação, indústria dos plásticos e pintura. Em muitas destas atividades, não existem alternativas viáveis aos compostos de resinas epóxida e a perspetiva de encontrar um substituto adequado num futuro próximo não é muito realista (2).
Os testes epicutâneos, realizados com a série básica e séries complementares ajustadas à exposição profissional, bem como com produtos recolhidos no ambiente laboral, são fundamentais para o diagnóstico correto, permitindo orientar a evicção alergénica e possibilitar a melhoria significativa ou cura das lesões.
Contudo, após o diagnóstico de DCA à resina epóxida, a cessação completa da exposição é frequentemente difícil, e a prevenção de novos casos entre colegas de trabalho continua a representar um desafio. A persistência dos sintomas e a ocorrência de casos semelhantes podem ser explicadas, em parte, pelo facto de os componentes das resinas epóxidas serem translúcidos, o que faz com que a contaminação cutânea passe despercebida. Alguns autores propõem a adição de marcadores fluorescentes, que poderia melhorar a perceção das práticas de segurança e facilitar a identificação de comportamentos inadequados. Outra estratégia promissora seria a substituição dos compostos atuais de resina epóxida por novos compostos com propriedades técnicas comparáveis, mas com menor capacidade de sensibilização cutânea, contribuindo para a redução do risco de exposição e de sensibilização (4).
CONCLUSÃO
Apesar das várias medidas preventivas que podem ser implementadas – formação dos trabalhadores, exames médicos periódicos, modificação de tarefas e utilização adequada de equipamentos de proteção individual e coletiva – a sensibilização cutânea à resina epóxida pode ocorrer e, uma vez estabelecida, é permanente, exigindo geralmente a mudança de funções ou de posto de trabalho para evitar reexposição. Assim, a prevenção primária, através da eliminação ou redução da exposição aos alergénios no local de trabalho, constitui a estratégia mais eficaz. Tanto a Entidade Empregadora como os trabalhadores devem ser sensibilizados para a importância da evicção alergénica e do uso correto dos equipamentos de proteção individual, os quais, se utilizados e/ou descartados de forma inadequada, podem também atuar como fontes de exposição. A DCA à resina epóxida constitui, portanto, uma doença de elevado impacto clínico e socioeconómico, afetando a qualidade de vida dos trabalhadores e a produtividade laboral, e representando uma das causas mais comuns de dermatite ocupacional nos países industrializados.
CONFLITOS DE INTERESSE, QUESTÕES ÉTICAS E/OU LEGAIS
Nada a declarar
BIBLIOGRAFIA
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Figura 1 – Lesões de Dermatite de Contato Alérgica à Resina Epóxida na face (A) e mãos (B e C)

Tabela 1 – Alergénios positivos detetados nos testes epicutâneos às 72 horas
| Série Básica | |
| Resina epóxida, Bisfenol A (1% em vaselina) | +++ |
| Série específica de Resina Epóxida | |
| Resina epóxida, Bisfenol F | +++ |
| Isoforona Diamina (IPDA) | ++ |
| M-xilenodiamina (MXDA) | +++ |
| Éter 2-fenilglicidílico | ++ |
(1)Daniel Amorim
Médico Interno de Medicina do Trabalho na Unidade Local de Saúde Viseu Dão-Lafões. Mestrado Integrado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade da Beira Interior. Morada completa para correspondência dos leitores: Serviço de Saúde Ocupacional, Unidade Local de Saúde de Viseu Dão-Lafões, E.P.E, Av. Rei D. Duarte, 3504-509 Viseu. E-mail: daniel.amorim.9078@ulsvdl.min-saude.pt. Nº ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2645-2454
-Contribuição para o artigo: Autor principal do artigo, realização da pesquisa bibliográfica e da redação do artigo.
(2)Luís Mota
Médico Interno de Medicina do Trabalho na Unidade Local de Saúde Viseu Dão-Lafões. Mestrado Integrado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. 4430-117 Vila Nova de Gaia. E-mail: luistxmota@hotmail.com. Nº ORCID: 0000-0003-1162-6271
– Contribuição para o artigo: Co-autoria. Revisão do manuscrito.
(3)Manuel Pinto
Médico Interno de Medicina do Trabalho na Unidade Local de Saúde Viseu Dão-Lafões. Mestrado Integrado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. 4710-413 Braga. E-mail: cpinto.manuel@gmail.com. Nº ORCID: 0000-0003-0931-1449
– Contribuição para o artigo: Co-autoria. Revisão do manuscrito.
(4)João Horta
Médico Interno de Medicina do Trabalho na Unidade Local de Saúde Viseu Dão-Lafões. Mestrado Integrado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Especialização em Medicina Desportiva pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. 3500-736 Viseu. E-mail: joaohortafmuc@gmail.com. Nº ORCID: 0000-0001-6074-8123
– Contribuição para o artigo: Co-autoria. Revisão do manuscrito.
(5)Ana Amaral
Diretora do Serviço de Saúde Ocupacional da ULS Viseu Dão-Lafões. Médica especialista em Medicina do Trabalho e Imunohemoterapia. Competência em Avaliação do Dano na pessoa. Competência em Gestão dos Serviços de Saúde. Mestrado Integrado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. 3504-509 Viseu. E-mail: anapalmiraamaral@gmail.com. Nº ORCID: 0000-0002-2661-3601
– Contribuição para o artigo: Co-autoria. Revisão do manuscrito.
(6)Miguel Pereira
Assistente Hospitalar no Serviço de Saúde Ocupacional da Unidade Local de Saúde Viseu Dão-Lafões. Mestrado Integrado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. 3504-509 Viseu. E-mail: miguel.pereira.9666@ulsvdl.min-saude.pt. Nº ORCID: 0000-0002-3994-0468
– Contribuição para o artigo: Co-autoria. Revisão do manuscrito.
(7)Rita Cabral
Assistente Hospitalar de Dermatovenereologia na ULS Viseu Dão-Lafões. Coordenadora da consulta de Alergologia Cutânea da ULS Viseu Dão-Lafões. 3504-509 Viseu. E-mail: 5736@ulsvdl.min-saude.pt. Nº ORCID: 0000-0002-4662-851X
– Contribuição para o artigo: Co-autoria. Revisão do manuscrito.
(8)Margarida Rato
Assistente Hospitalar de Dermatovenereologia na ULS Viseu Dão-Lafões. 3504-509 Viseu. E-mail: 6493@ulsvdl.min-saude.pt. Nº ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6329-2213
– Contribuição para o artigo: Co-autoria. Revisão do manuscrito.








