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Estatuto editorial

Zoonoses Urbanas: quando o trabalho traz a doença

27 Novembro, 2025Casos Clínicos

Pinto S, Rocha A, Marcelo S, Sousa R, Silva B, Melo A, Silva J, Pereira I, Pinto A. Zoonoses Urbanas: quando o trabalho traz a doença. Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional online. 2025; 20: esub0538. DOI: 10.31252/RPSO.27.11.2025

URBAN ZOONOSES: WHEN WORK BECOMES A SOURCE OF DISEASE

 

Artigo: Caso Clínico

Autores: Pinto S(1), Rocha A(2), Marcelo S(3), Sousa R(4), Silva B(5), Melo A(6), Silva J(7), Pereira I(8), Pinto A(9).

 

RESUMO

Introdução

A leptospirose é uma zoonose bacteriana causada por espiroquetas do género Leptospira, com distribuição mundial, mais frequente em áreas tropicais e em populações expostas a ambientes contaminados. Em Portugal, a doença é de declaração obrigatória desde 1987 e apresenta maior incidência nos Açores. A transmissão ocorre sobretudo por contacto com água ou solo contaminado por urina de animais infetados, frequentemente ocorrendo em contexto ocupacional. O relatório epidemiológico de 2016 do European Centre for Disease Prevention and Control revelou que Portugal foi o país europeu com o maior número de casos confirmados, estimando-se uma taxa de notificação de 0,98 por 100 mil habitantes. O Norte é a segunda área do país com maior número de infeções, depois da Região Autónoma dos Açores.

Descrição do Caso

Homem de 47 anos, assistente operacional de limpeza urbana, recorreu à unidade de saúde familiar com febre, mialgias intensas, cefaleia, náuseas e mal-estar com três dias de evolução. Referia mordedura recente por rato durante limpeza de esgoto. Ao exame objetivo, apresentava febre, taquicardia e feridas crostosas no antebraço direito. Os exames laboratoriais no serviço de urgência revelaram leucocitose com neutrofilia, trombocitopenia ligeira, lesão renal aguda, elevação das transaminases e da bilirrubina, assim como aumento dos parâmetros inflamatórios. Iniciou tratamento empírico com benzilpenicilina e doxiciclina. O diagnóstico foi confirmado laboratorialmente por polimerase chain reaction positiva para Leptospira. Após dez dias de internamento, teve alta clínica com normalização progressiva dos parâmetros analíticos.

Discussão/Conclusão

Este caso evidencia a leptospirose como uma doença ocupacional relevante em profissões com exposição a esgotos e ambientes insalubres. A entrada da bactéria poderá ter ocorrido pela ferida cutânea, agravada pela falta de proteção adequada nos membros superiores. Destaca-se a importância do uso rigoroso de equipamentos de proteção individual, da educação para a saúde no local de trabalho e da vigilância médica regular. A Medicina do Trabalho e a Medicina Geral e Familiar desempenham papéis complementares na prevenção, identificação precoce e gestão destas infeções. A falta de conhecimento do utente sobre os riscos da sua atividade laboral contribuiu para o atraso no diagnóstico. Este caso reforça a necessidade da capacitação contínua dos trabalhadores quanto a medidas de proteção e reconhecimento de sinais de alerta de doenças profissionais.

PALAVRAS-CHAVE: Leptospirose, Zoonose Bacteriana, Medicina do Trabalho, Doença Profissional, Exposição Ocupacional.

 

ABSTRACT

Introduction

Leptospirosis is a bacterial zoonosis caused by Leptospira spp., with global distribution and higher incidence in tropical areas and populations exposed to contaminated environments. In Portugal, it has been a notifiable disease since 1987, with the highest incidence reported in the Azores. Transmission typically occurs through contact with water or soil contaminated by the urine of infected animals, often in occupational settings. According to the 2016 report from the European Centre for Disease Prevention and Control, Portugal had the highest number of confirmed cases in Europe, with a notification rate of 0.98 cases per 100 000 inhabitants. The North is the second most affected region after the Azores.

Case Presentation

A 47-year-old male urban sanitation worker presented to primary care with a three-day history of fever, severe myalgia, headache, nausea, and malaise. He reported a recent rat bite sustained while cleaning a sewer. On physical examination, he had fever, tachycardia, and crusted wounds on the right forearm. Initial laboratory results revealed leukocytosis with neutrophilia, mild thrombocytopenia, acute kidney injury, elevated transaminases and bilirubin, as well as increased inflammatory markers. Empiric treatment with benzylpenicillin and doxycycline was initiated. Diagnosis was confirmed by positive polimerase chain reaction for Leptospira. He was discharged after 10 days with progressive normalization of laboratory values.

Discussion/Conclusion

This case highlights leptospirosis as a relevant occupational disease, particularly in workers exposed to sewage and unsanitary environments. Bacterial entry is presumed to have occurred via a skin lesion, facilitated by inadequate protective measures for the upper limbs. Emphasis is placed on the importance of proper personal protective equipment usage, workplace health education, and routine medical surveillance. Occupational Medicine and General Practice play complementary roles in the prevention, early identification, and management of such infections. The patient’s lack of awareness regarding occupational risks contributed to a delayed diagnosis. This case underscores the need for continuous worker training on protective measures and recognition of early signs of occupational diseases.

KEYWORDS: Leptospirosis, Bacterial Zoonosis, Occupational Medicine, Occupational Disease, Occupational Exposure.

 

INTRODUÇÃO

A leptospirose é uma zoonose causada por espiroquetas patogénicas do género Leptospira. Existem várias denominações para a patologia, como por exemplo, doença de Weil, de Weil-Vasiliev, do pastor de porcos, assim como febre do arrozal ou do cortador de cana (1).

Relativamente à microbiologia, Leptospiras são espiroquetas aeróbias, altamente móveis e em formato de espiral, com 18 ou mais espiras por célula. Visualizam-se melhor em microscopia de campo escuro, coloração com prata ou microscopia de fluorescência. Podem ser distinguidas morfologicamente das outras espiroquetas pelo gancho único em forma de “ponto de interrogação” na extremidade da bactéria. A filogenia da Leptospira passou por uma grande reformulação desde 2018 devido ao sequenciamento do genoma completo em larga escala. Existem atualmente 74 espécies reconhecidas (1) (2).

Acredita-se que a leptospirose seja a zoonose mais disseminada no mundo. É uma infeção subnotificada e não há números confiáveis de incidência global, no entanto, uma revisão sistemática estimou que ocorrem anualmente mais de um milhão de casos em todo o mundo, incluindo quase 60 mil óbitos. É mais prevalente nas regiões tropicais, mas também ocorre em regiões temperadas. A doença nos humanos geralmente é esporádica, embora possam ocorrer surtos a partir de exposições a fontes contaminadas comuns (3) (4).

O primeiro caso humano de leptospirose detetado em Portugal ocorreu em 1931. A partir de 1987 tornou-se uma doença de declaração obrigatória, sendo classificada como provável ou confirmada de acordo com os critérios clínicos, laboratoriais e/ou epidemiológicos. O relatório epidemiológico de 2016 do European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) revelou que Portugal foi o país europeu com o maior número de casos confirmados, estimando-se uma taxa de 0,98 por 100 mil habitantes. O Norte é a segunda área do país com maior número de notificações, depois da Região Autónoma dos Açores (5).

Uma análise descritiva dos casos notificados pelos países da União Europeia/Espaço Económico Europeu ao ECDC entre 2010 e 2021 revelou que os 23 países detetaram no total mais de 12 mil infeções, correspondendo a uma taxa média anual de 0,24 por 100 mil habitantes. Cinco países (França, Alemanha, Holanda, Portugal e Roménia) foram responsáveis por 79% do total, embora as populações combinadas representassem apenas 46,7% da população do estudo. No geral, as notificações de leptospirose aumentaram na Europa entre 2010 e 2021 a uma taxa média de 5% ao ano. De notar que, das 713 confirmadas por Portugal, 328 (46,0%) eram residentes dos Açores, sendo a maioria do sexo masculino e da faixa etária entre os 45-64 anos, com 64% a ocorrerem entre os meses de junho e outubro. O contacto com animais foi o modo de transmissão mais frequente (77%) (6). Em Portugal foram detetados 65 casos em 2022 e 119 em 2023 (7). Esta doença tem tido uma importância crescente nas últimas décadas, com a ocorrência de infeções fatais, em particular no Arquipélago dos Açores, onde é endémica, levando à implementação, nos últimos anos, de campanhas integradas ao nível da prevenção, controlo e vigilância, sobretudo nas duas ilhas com mais população (São Miguel e Terceira). (5)

As Leptospiras podem encontrar-se em reservatório animal ou ambiental. Os mamíferos atuam como reservatórios primários e o ambiente pode servir como reservatório secundário se for contaminado pela urina de animais infetados. Aproximadamente 160 espécies foram identificadas como portadores naturais de Leptospiras (8). O organismo vive nos túbulos renais e é eliminado na urina. Os roedores são os reservatórios mais importantes para a manutenção da transmissão na maioria dos casos, cuja infeção geralmente ocorre no útero, durante o nascimento ou na infância, devido à contaminação ambiental do ninho (9). Uma vez infetados, tornam-se portadores assintomáticos e eliminam o organismo na urina de forma intermitente ou contínua ao longo da vida, resultando na contaminação do ambiente, particularmente da água. Além de roedores, o organismo infeta uma variedade de mamíferos selvagens e domésticos, principalmente gado bovino ou caprino, assim como porcos, cães, cavalos e ovelhas (10). Quanto aos reservatórios ambientais, ressalvar que as bactérias podem sobreviver vários meses em solo contaminado ou em água doce. A contaminação da água com urina animal pode ocorrer por três principais mecanismos: excreção de urina em solo ou lagoas/lagos/rios; após chuvas fortes ou inundações, que permitem a mistura de solo ou esgotos contaminados com a água da chuva, especialmente em áreas com condições de higiene precárias ou saneamento/esgoto que propiciam o desenvolvimento de elevado número de roedores e, finalmente, a drenagem de solo ou água contaminados para reservatórios de água doce (11).

Os humanos são hospedeiros acidentais, infetados após exposição animal ou ambiental. A transmissão do organismo para os humanos ocorre por meio de portas de entrada, incluindo cortes, mordeduras ou arranhões na pele, membranas mucosas ou conjuntivas. A exposição que leva à infeção inclui contacto com solo ou água contaminados com urina (por exemplo, águas de enchentes, lagoas, rios, esgotos), ingestão de alimentos ou água contaminados ou contacto direto com urina ou fluidos reprodutores de animais infetados. Há controvérsia se a Leptospira consegue penetrar a pele intacta. A transmissão de pessoa para pessoa é muito rara, mas foi documentada por meio de relações sexuais desprotegidas e amamentação (11).

Os fatores de risco para a infeção incluem, principalmente, a exposição direta a animais ou atividades que podem levar a feridas na pele, com consequente exposição à água ou ao solo contaminados. Os mais frequentes são a exposição ocupacional (agricultores, mineiros, criadores de gado, trabalho em matadouros, caçadores, veterinários, madeireiros, trabalho em esgotos, paisagistas, produtores de arroz, comerciantes de animais de estimação, militares), as atividades recreativas (natação em água doce, canoagem, caiaque, ciclismo de montanha, jardinagem) e viagens para zonas endémicas (especialmente se a viagem ocorrer durante ou após chuvas fortes ou inundações) (12) (13) (14).

A leptospirose endémica é uma doença que ocorre, principalmente, em zonas menos desenvolvidas (que incluem iliteracia para a saúde, habitação precária, ausência de saneamento e baixos rendimentos) (15). É geralmente adquirida através da exposição ocupacional (agricultura de subsistência) ou em áreas urbanas infestadas por roedores, propensas a inundações ou superlotadas (16).

Com este caso clínico pretende-se alertar para a relevância da análise detalhada dos riscos laborais a que os trabalhadores poderão estar expostos, destacando-se a importância da suspeição clínica precoce neste contexto. Visa-se ainda promover a reflexão acerca dos desafios clínicos e epidemiológicos associados às zoonoses, contribuindo assim para a literacia científica e médica. Salienta-se também a pertinência da notificação e vigilância epidemiológica para o controlo da leptospirose.

DESCRIÇÃO DO CASO CLÍNICO

Doente do sexo masculino, 47 anos, casado, trabalha como assistente operacional dos serviços de higiene urbana e espaços verdes da Câmara Municipal (responsável pela limpeza urbana, manutenção de espaços verdes, limpeza e desobstrução de esgotos e operacionalização de viaturas de limpeza de fossas e de saneamento). Apresenta antecedentes de hipertensão arterial essencial de grau 1, com seis anos de evolução, sem lesão de órgão-alvo, controlada com perindopril 5 mg + indapamida 1,25 mg 1x/dia. Sem antecedentes de hábitos tabágicos ou consumo de álcool ou drogas. Sem outros antecedentes médicos de relevo ou medicação crónica além da descrita anteriormente. Sem alergias conhecidas. Plano Nacional de Vacinação atualizado para a idade.

Recorreu à consulta aberta da unidade de saúde familiar da sua área de residência, preocupado por manter sintomas desde há três dias. Referia febre com picos máximos de 39.1ºC na axila, mialgias intensas em ambos os membros inferiores e na região lombar, predominantemente na região gemelar, cefaleia frontoparietal, náuseas, anorexia e sensação de mal-estar. Automedicou-se com ibuprofeno 600 mg 12/12h e paracetamol 1000 mg 12/12h, referindo melhoria dos sintomas. Adicionalmente, referiu ainda ter sido mordido por um rato no antebraço direito há dez dias, enquanto efetuava limpeza de um esgoto. O doente negava vómitos, diarreia, dor abdominal, sintomatologia do sistema respiratório ou urinário, assim como défices neurológicos. Ao exame objetivo, apresentava-se com mucosas coradas e hidratadas e escleróticas anictéricas, temperatura axilar de 38.4ºC, taquicardia com 114 batimentos por minuto, rítmico, eupneico e normotensivo. Não apresentava alterações à auscultação cardiopulmonar, o abdómen não se revelava doloroso à palpação, nem apresentava organomegalias ou edemas. Identificavam-se duas pequenas feridas no terço médio do antebraço direito, com crosta acastanhada, distantes cerca de dois centímetros entre si, sem sinais inflamatórios de relevo, compatíveis com mordida de rato, como descrito pelo doente. O exame neurológico sumário não apresentava alterações, nem se encontraram outros achados de relevo.

Perante esta situação, optou-se por referenciar o utente ao serviço de urgência, dada aparente febre sem foco e suspeita de zoonose.

No serviço de urgência efetuou estudo analítico (Quadro 1) que evidenciava lesão renal aguda AKIN 1 (creatinina basal 1,1), leucocitose com neutrofilia, trombocitopenia ligeira, anemia normocítica/normocrómica, elevação da proteína C reativa, elevação de transaminases associada a hiperbilirrubinémia direta e aumento da lactato desidrogenase (LDH). O doente ficou internado no Serviço de Medicina Interna para estudo etiológico (Quadro 2), tratamento e controlo dos problemas identificados. Pela suspeita clínica de leptospirose foi instituída antibioterapia com benzilpenicilina intravenosa (dose de 1,5M a cada 6h) e, após discussão do caso clínico com o serviço de infeciologia, adicionou-se doxiciclina na dose de 100 mg 2x/dia.

Ao longo do internamento constatou-se que, a partir do quarto dia, se iniciou um aproximar da normalidade dos parâmetros analíticos anteriormente alterados, a par de melhoria da sintomatologia. Foram ainda efetuados vários exames complementares de diagnóstico, entre os quais ecografia renal e tomografia axial computorizada abdominal, todos eles sem alterações de relevo. Ao final do nono dia de internamento, o resultado da pesquisa de DNA por polimerase chain reaction (PCR) de Leptospira na urina deu positivo, procedendo-se à notificação obrigatória da doença. Foi assumido que, o facto de não ter sido detetado DNA da Leptospira por PCR no sangue, mas ter sido detetado na urina, se deveu presumivelmente ao atraso no diagnóstico, uma vez que a inoculação teria ocorrido há dez dias e o teste sérico é mais sensível nos primeiros sete dias de doença.

O utente permaneceu internado durante dez dias, após os quais teve alta com normalização da função renal e melhoria significativa das transaminases, assim como normalização dos parâmetros inflamatórios e da LDH (Quadro 1). À data da alta, encontrava-se assintomático e foi recomendado, após duas semanas, estudo da anemia no médico assistente, tal como reavaliação dos parâmetros analíticos ainda alterados. A pesquisa de anticorpos por teste de aglutinação foi positiva para Leptospira, cujo resultado surgiu já após a alta do utente da unidade hospitalar.

À avaliação no médico assistente, o utente apresentava estudo analítico com anemia normocítica/normocrómica, sem outras alterações. Prosseguiu-se com o estudo da anemia e foram dados conselhos acerca de cuidados de proteção no local de trabalho, nomeadamente o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados, assim como de sintomas/sinais de alerta que deverão motivar avaliação médica urgente.

DISCUSSÃO/CONCLUSÃO

De forma a desenvolver estratégias de prevenção e controlo da leptospirose humana, é fulcral conhecer a epidemiologia e a dinâmica de transmissão da doença. Neste sentido, conhecer a evolução desta patologia no espaço e no tempo é o primeiro contributo de apoio à tomada de decisão (5).

A leptospirose é uma zoonose com distribuição mundial, especialmente relevante em contextos laborais com exposição a ambientes insalubres, como esgotos, águas contaminadas e resíduos urbanos (17). No presente caso clínico, o utente, cuja atividade profissional consiste na limpeza e manutenção de saneamento, desenvolveu um quadro compatível com leptospirose após mordedura de rato, podendo este ter sido devido à inoculação direta, que se configura mais raro, ou à exposição a água/lama contaminada, tendo a ferida servido como porta de entrada, durante a sua atividade profissional.

Do ponto de vista da saúde ocupacional, este caso destaca a necessidade de implementação rigorosa de medidas de proteção individual (uso de luvas, camisola/casaco com mangas, calças e botas impermeáveis), vigilância médica periódica e educação para a saúde sobre os riscos específicos da função laboral. Além disso, sublinha a importância da notificação e investigação dos acidentes de trabalho com exposição biológica, especialmente em contextos de vulnerabilidade sanitária, de forma a otimizar as estratégias de prevenção referidas (18).

Embora existam vacinas para animais, ainda não há nenhuma vacina eficaz para humanos, o que dificulta a prevenção nas populações expostas. Assim, políticas voltadas para a melhoria das condições de trabalho, educação para a saúde, uso de EPIs e controlo de pragas continuam a ser fundamentais para a prevenção da leptospirose ocupacional (18).

À Saúde Ocupacional cabe a responsabilidade principal de identificar, avaliar e controlar os riscos existentes no ambiente laboral, promovendo a prevenção de doenças profissionais e garantindo a segurança e bem-estar dos trabalhadores. Esta missão é concretizada através de uma vigilância ativa e sistemática, que inclui a análise das condições de trabalho, dos agentes de risco, da utilização adequada de EPIs e da compatibilidade entre as funções exercidas e as capacidades individuais. No entanto, a deteção precoce de sinais de alarme pode também beneficiar da articulação com outros níveis de cuidados de saúde, nomeadamente com a Medicina Geral e Familiar, que, pela proximidade com os utentes, pode contribuir para a identificação de sintomas sugestivos de patologia ocupacional.

Neste caso, foi verificado que o utente desconhecia a existência da doença, assim como sintomas sugestivos e inclusive a potencial exposição durante a atividade laboral, o que condicionou atraso no diagnóstico, reforçando-se uma vez mais a importância da capacitação e educação para a saúde por parte dos trabalhadores. Posteriormente, apurou-se que o utente usava luvas, mas não tinha qualquer proteção ao nível dos antebraços e braços, uma vez que usava habitualmente camisola de manga curta. Foi então informado da necessidade de proteger a área corporal potencialmente exposta a fluidos ou outros riscos ocupacionais (mordeduras/picadas de animais, cortes/lesões acidentais ou queimaduras por ácidos usados no desentupimento de canalização/esgotos/fossas), contribuindo-se desta forma para reforçar as medidas de segurança durante a atividade laboral.

Em suma, este caso clínico demonstra que é fundamental reconhecer as populações de risco, sobretudo em profissões ligadas à limpeza urbana e saneamento, dado o elevado risco de exposição. Demonstra ainda a necessidade de capacitar os trabalhadores de forma a minimizar e reconhecer exposições ocupacionais, reforçar medidas de proteção e reconhecer sinais de alarme que poderão indiciar uma doença ocupacional (permitindo um diagnóstico precoce). Destaque também para a importância da cooperação entre a Medicina do Trabalho e a Medicina Geral e Familiar na prevenção, deteção, notificação e tratamento atempado destas patologias.

QUESTÕES ÉTICAS E LEGAIS

Nada a declarar.

CONFLITOS DE INTERESSE

Os autores declaram que não existe conflito de interesses.

AGRADECIMENTOS

Nada a declarar.

 

BIBLIOGRAFIA

  1. Vincent A, Schiettekatte O, Goarant C, Neela V, Bernet E, Thibeaux R, et al. Revisiting the taxonomy and evolution of pathogenicity of the genus Leptospira through the prism of genomics. PLoS neglected tropical diseases. 13(5): e0007270. doi: 10.1371/journal.pntd.0007270.
  2. Hamond C, Tibbs-Cortes B, Fernandes L, LeCount K, Putz E, Anderson T, et al. Leptospira gorisiae nov, L. cinconiaesp. nov, L. mgodei sp. nov, L. milleri sp. nov and L. iowaensis sp. nov: five new species isolated from water sources in the Midwestern United States. International journal of systematic and evolutionary microbiology. 2025. 75(1): e006595. doi: 10.1099/ijsem.0.006595.
  3. Costa F, Hagan J, Calcagno J, Kane M, Torgerson P, Martinez-Silveira MS, et al. Global Morbidity and Mortality of Leptospirosis: A Systematic Review. PLoS neglected tropical diseases. 2015. 9(9): e0003898. doi: 10.1371/journal.pntd.0003898.
  4. Torgerson P, Hagan J, Costa F, Calcagno J, Kane M, Martinez-Silveira M, et al. Global Burden of Leptospirosis: Estimated in Terms of Disability Adjusted Life Years. PLoS neglected tropical diseases. 2015. 9(10):e0004122. doi: 10.1371/journal.pntd.0004122.
  5. Boletim Epidemiológico Observações. 2023.12(33):42-47
  6. Beauté J, Innocenti F, Aristodimou A, Špačková M, Eves C, Kerbo N, et al. Epidemiology of reported cases of leptospirosis in the EU/EEA, 2010 to 2021. Euro surveillance: bulletin Europeen sur les maladies transmissibles = European communicable disease bulletin. 2024. (7):e2300266. doi: 10.2807/1560-7917.ES.2024.29.7.2300266.
  7. Surveillance Atlas of Infectious Diseases [Internet]. European Centre for Disease Prevention and Control. 2019. Disponível em: https://www.ecdc.europa.eu/en/surveillance-atlas-infectious-diseases
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  9. Minter A, Costa F, Khalil A, Childs J, Diggle P, Ko A, et al. Optimal Control of Rat-Borne Leptospirosis in an Urban Environment. Frontiers in Ecology and Evolution. 2019. (7): e00209 doi: 10.3389/fevo.2019.00209.
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  11. Centers for Disease Control and Prevention. LEPTOSPIROSIS Fact Sheet for Clinicians Background [Internet]. 2018. Disponível em: https://www.cdc.gov/leptospirosis/pdf/fs-leptospirosis-clinicians-eng-508.pdf
  12. Sugunan A, Natarajaseenivasan K, Vijayachari P, Sehgal S. Percutaneous exposure resulting in laboratory-acquired leptospiroses- a case report. Journal of medical microbiology. 2004. 53(Pt12), 1259–1262. https://doi.org/10.1099/jmm.0.45735-0.
  13. Wasiński B, Dutkiewicz J. Leptospirosis–current risk factors connected with human activity and the environment. Annals of agricultural and environmental medicine. 2013. 20(2): 239-44.
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  17. Haake D, Levett P. Leptospirosis in humans. Current topics in microbiology and immunology. 2015. 387: 65-97. doi: 10.1007/978-3-662-45059-8_5.
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Quadro 1: Resultado do estudo analítico à admissão e à data da alta

Parâmetro Laboratorial Valor à admissão Valor à alta Valor de Referência
Eritrócitos 3,79 3,89 4,5 – 5,5 x10⁶/μL
Hemoglobina 12,9 12,7 13,0 – 17,0 g/dL
Hematócrito 38,4 37,2 40 – 50 %
VGM (MCV) 89,1 88.8 83 – 101 fL
HGM (MCH) 29,3 29 27 – 32 pg
MCHC 33,4 33,5 31,5 – 34,5 g/dL
RDW 12,6 12,9 11,6 – 14%
Leucócitos 11,57 9,02 4,0 – 10,0 x10³/μL
Linfócitos 0,64 0.72 1,0 – 3,0 x10³/μL
Neutrófilos 10,14 7,59 2,0 – 7,0 x10³/μL
Monócitos 0,60 0.58 0,2 – 1,0 x10³/μL
Eosinófilos 0,04 0.03 0,02 – 0,5 x10³/μL
Basófilos 0,03 0.03 0,02 – 0,1 x10³/μL
Plaquetas 129 137 150 – 410 x10³/μL
Creatinina 1,42 1,16 0,70 – 1,30 mg/dL
Ureia 95,1 49 19,3 – 49,3 mg/dL
Sódio 138 137 136 – 145 mmol/L
Potássio 4,3 4.1 3,6 – 5,11 mmol/L
Cloro 98 102 98 – 107 mmol/L
AST (TGO) 103 59 <34 U/L
ALT (TGP) 119 64 10 – 49 U/L
Fosfatase alcalina 102 112 46 – 116 U/L
GGT 125 97 <73,0 U/L
LDH 332 197 120 – 246 U/L
Bilirrubina total 1,85 1,18 0,30 – 1,20 mg/dL
Bilirrubina indireta 0,65 0,71 0,00 – 1,10 mg/dL
Bilirrubina direta 1,20 0,47 0,00 – 0,30 mg/dL
PCR 54,6 8,7 <5,0 mg/L

Quadro 2: Resultado do estudo analítico etiológico

Parâmetro Laboratorial Valor
Ag. HBs Não reativo
Anti-HBs Não reativo
Anti-HBc Não reativo
Ac. VHC Não reativo
Ac. VHA Não reativo
VHA, IgM Não reativo
Ac. VIH-1/2 Não reativo
Hemoculturas Negativas
Urocultura Negativa
Coxiella burnetti IgM, IgG Negativo
DNA Coxiella burnetti por PCR (sangue) Negativo
Brucella IgM, IgG Negativo
DNA Brucella por PCR (sangue) Negativo
DNA Leptospira por PCR (sangue) Negativo
DNA Leptospira por PCR (urina) Positivo
Ac. por teste aglutinação para leptospira Positivo

 

 

 

 

(1)Samuel Pinto

Médico Interno do 4º ano de Formação Específica em Medicina Geral e Familiar, USF Terras de Souza, ULS Tâmega e Sousa (2022 – presente); Internato de Formação Geral no Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, 2021; Mestrado Integrado em Medicina, Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar (2014 – 2020); Especialização Avançada em Saúde da Mulher: Gravidez e Pós-Parto (2024). MORADA COMPLETA PARA CORRESPONDÊNCIA DOS LEITORES: Avenida Amália Rodrigues Nº53 4580-014 Paredes. E-MAIL: samuelnplbpinto@gmail.com. Nº ORCID: 0009-0008-1820-8754

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: Autor principal do artigo, Escolha do tema, Conceção e redação do manuscrito, Revisão bibliográfica

(2)Ana Rocha

Médica Interna do 3º ano de Formação Específica em Medicina Geral e Familiar, USF Baltar, ULS Tâmega e Sousa, (2023 ao presente); Internato de Formação Geral no Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, 2022; Mestrado Integrado em Medicina, Escola de Medicina da Universidade do Minho (2015 – 2021); Especialização Avançada em Saúde da Mulher: Gravidez e Pós-Parto (2024). 4585-653 Sobreira. E-MAIL: anarrrocha.97@gmail.com. Nº ORCID: 0000-0003-3020-1519

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: Conceção e redação do manuscrito, Revisão bibliográfica, Revisão crítica do manuscrito

(3)Sónia Marcelo

Médica Assistente Graduada de Medicina Geral e Familiar e Coordenadora da USF Terras de Souza, ULS Tâmega e Sousa (2009 ao presente); Médica Interna de Medicina Geral e Familiar, Centro de Saúde de Brás-Oleiro, ARS Norte (2001-2005); Internato Geral no Centro Hospitalar de Gaia, 99/2000; Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (1991-1998); Pós-Graduação em Medicina do Trabalho, da responsabilidade do Departamento de Clínica Geral da Faculdade de Medicina do Porto em 2007. 4435-503 Rio Tinto. E-MAIL: salsilva@ulsts.min-saude pt

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: Revisão crítica do manuscrito

(4)Ricardo Sousa

-RESUMO CURRICULAR: Médico Assistente de Medicina Geral e Familiar, USF Terras de Souza, ULS Tâmega e Sousa (2023 ao presente); Médico Interno de Medicina Geral e Familiar, USF Terras de Souza, ACeS Vale de Sousa Sul, ARS Norte (2019-2023); Internato de Ano Comum no Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, 2018; Mestrado Integrado em Medicina, Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto (2011-2017); Membro do Colégio da Competência em Nutrição Clínica pela Ordem dos Médicos; Coordenador da UCSP Oliveira do Arda (15/06/2023 a 31/01/2024). 4450-165 Matosinhos. E-MAIL: ricardofrsousa@gmail.com. Nº ORCID: 0000-0003-0691-1262

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: Revisão crítica do manuscrito

(5)Bebiana Silva

Médica Interna do 2º ano de Formação Específica em Medicina Geral e Familiar, USF Terras de Souza, ULS Tâmega e Sousa (2024 – presente); Internato de Ano Comum no Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, 2023; Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (2016-2022); Pós graduação em Intervenção Clínica em Cuidados Paliativos pela INSPSIC (2024). 4560-765 Penafiel. E-MAIL: 75702@ulsts.min-saude.pt. Nº ORCID: 0009-0009-5936-9711

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: Revisão crítica do manuscrito

(6)Ana Melo

Médica Interna do 1º ano de Formação Específica em Medicina Geral e Familiar, USF Terras de Souza, ULS Tâmega e Sousa (2025-presente); Internato de Formação Geral na ULS Tâmega e Sousa, 2024; Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior (2017-2023). 4560-309 Penafiel. E-MAIL: 76023@ulsts.min-saude.p. Nº ORCID: 0009-0005-4265-0698

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: Revisão crítica do manuscrito

(7)José Silva

Médico Assistente de Medicina Geral e Familiar na USF Terras de Souza desde março/2023 até à atualidade; Médico Assistente de Medicina Geral e Familiar na USF Paredes de fevereiro  de 2022 até fevereiro de 2023; Médico Assistente de Medicina Geral e Familiar na UCSP de Vila Meã de agosto/2021 até jan/2022; Médico Interno de Medicina Geral e Familiar na USF Terras de Souza de 2017 a 2020; Médico Interno de Ano Comum no CHTS no ano de 2016; Mestrado Integrado em Medicina pelo Instituto De Ciências Biomédicas Abel Salazar (2009-2015). 4560-887 Penafiel. E-MAIL: jose.diogo.silva777@hotmail.com

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: Revisão crítica do manuscrito

(8)Inês Pereira

Médica Assistente de Medicina Geral e Familiar, USF Terras de Souza, ULS Tâmega e Sousa (2022 ao presente); Médica Interna de Medicina Geral e Familiar, USF Terras de Souza, ACeS Tâmega II – vale Sousa sul, ARS Norte (2015-2019); Internato de Ano Comum no Centro Hospitalar São João, 2014, Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina da Universidade da Beira Interior (2007-2013). 4465-241 Porto. E-MAIL: isspereira@ulsts.min-saude.pt

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: Revisão crítica do manuscrito

(9)Ana Pinto

Médica Assistente Graduada de Medicina Geral e Familiar, USF Terras de Souza, ULS Tâmega e Sousa (2012 ao presente); Médica Assistente Medicina Geral e Familiar (2007 a 2012); Médica Interna de Medicina Geral e Familiar, Centro Saúde Foz do Douro, Unidade Lordelo do Ouro, ARS Norte (2004-2007), Internato Geral no Hospital Geral de Santo António (2002-2003); Licenciatura em Medicina, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (1995-2001). 4450-156 Matosinhos. E-MAIL: 12050@ulsts.min-saude.pt

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: Revisão crítica do manuscrito

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