Synergistic effect of noise exposure and chemical agents in the auditory system of workers of a fuel filling statio
TIPO DE ARTIGO: Trabalho epidemiológico (observacional analítico transversal)
AUTORES: Bozza A.(1) Lopes A.(2)
RESUMO
Ao se estudar as causas da perda auditiva relacionada ao trabalho, geralmente a perda auditiva induzida por ruído é a mais referida, embora a literatura especializada indique a existência de outros agentes presentes no ambiente de trabalho que podem ser nocivos à saúde do trabalhador. Os solventes são considerados alguns desses agentes e seus efeitos sobre o sistema auditivo vêm sendo investigado por alguns pesquisadores. O uso industrial destes solventes é vasto e normalmente as condições de trabalho presentes num grande número de indústria brasileiras expõem o trabalhador a elevadas concentrações de solventes. A convivência com as substâncias químicas nos dias atuais é, portanto, obrigatória e permanente, sendo particularmente importante para os trabalhadores envolvidos em processos produtivos que direta ou indiretamente utilizem estas substâncias, em razão dos danos à saúde e ao ambiente que podem resultar de sua utilização. O risco e o perigo que estão relacionados com as substâncias químicas devem ser trabalhados nas suas várias dimensões, entre as quais destacamos: o potencial de dano do produto, as condições ambientais e do trabalho em que as atividades se desenvolvem e o histórico conhecido daquela realidade e de outras semelhantes a partir dos dados epidemiológicos produzidos e do conhecimento científico existente. Este estudo avaliou o perfil audiológico e caracterizou o ambiente de trabalho de gasolineiros de postos de combustíveis. Foram utilizados audiometria convencional e de altas frequências, logoaudiometria, imitanciometria, pesquisa das emissões otoacústicas do Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE), exames clínicos laboratoriais, assim como avaliação do ruído ambiental. Nos resultados foram encontrados limiares dentro da normalidade em todos os casos, porém, todos eles apresentaram o traçado característico da perda auditiva ocupacional em evolução, ou seja com entalhes nas frequências de 3 a 6 KHz. Houve ainda alteração nos resultados do PEATE, com aumento de latência em 20 dos 32 ouvidos testados. A pressão sonora variou entre os postos, sendo que o Posto 1 não ultrapassou 80dB, enquanto o Posto 2 apresentou picos que superaram 100dB. O Hemograma mostrou-se alterado, com redução de leucócitos, em 9 dos 16 participantes. Não houveram alterações nos demais exames. Concluiu-se que esta população apresentou desencadeamento de perda auditiva induzida pelo ruído (PAIR). Os Níveis de Pressão Sonora se apresentaram acima do previsto em lei e a maioria dos gasolineiros apresentaram leucopenia, o que pode estar relacionado à exposição aos solventes em questão. Tais conclusões mostram a importância de novos estudos voltados a este ambiente e a esta população.
Palavra-chave: Audição, Perda Auditiva, Ruído, Ototoxicidade, Neurotoxicidade, Exposição Ocupacional.
ABSTRACT
By studying the causes of work-related hearing loss, usually noise-induced hearing loss is the most reported, although the literature points to other agents present in the workplace that can be harmful to worker’s health. The solvents are considered some of these agents and their effects on the auditory system are being investigated by some researchers. The industrial use of these solvents is vast and usually working conditions present in a large number of Brazilian industry expose workers to high concentrations of solvents. Living with chemicals nowadays is therefore mandatory and permanent is particularly important for workers involved in production processes that directly or indirectly use these substances because of damage to health and the environment that may result from its use. The risk and the danger that are related to chemicals must be worked in its various dimensions among which: the product of damage potential, environmental conditions and the work in which the activities are developed and the known history of that reality and other similar produced from epidemiological data and current scientific knowledge. This study assessed the audiological profile and characterized the attendants of desktop gas stations. Were used Conventional audiometry and high frequency, speech audiometry, tympanometry, otoacoustic emissions, the brainstem auditory evoked potential brainstem, clinical laboratory tests, and assessment of environmental noise. The recognition and analysis of the risks related to chemical agents are priority activities to qualify intervention in defense of workers’ health. The results were found thresholds within normal limits in all cases, however, they all showed the typical route of occupational hearing loss in evolution. The sound pressure levels varied between the posts, and the station 1 has not exceeded 80 dB, while the station 2 showed peaks which exceed 100dB. The blood count was abnormal, with leukocyte reduction in 9 of the 16 participants. There were no changes in other tests. It was concluded that this population presented onset of NIHL, normal. The sound pressure levels presented above provided by law, and most attendants showed leukopenia, which may be related to exposure to solvents in question. These findings show the importance of new studies related to this environment and this population.
Keyword: Hearing, Hearing Loss, Noise, Ototoxicity, Neurotoxicity, Occupational Exposure.
INTRODUÇÃO
Cada vez mais é evidente que a nossa saúde depende não somente de como nós vivemos, mas de onde nós vivemos1.
A ênfase dado à saúde auditiva dos trabalhadores tem sido quase que exclusivamente atribuída ao ruído. Contudo, existindo investigações que mencionam a eventual ocorrência de sinergismo ototóxico entre o ruído e alguns agentes quimicos3.
De acordo com Camara2, são encontradas mais de 750.000 substâncias químicas e cerca de 85.000 são utilizados rotineira e comercialmente, embora os seus riscos e efeitos para o homem e ambiente sejam somente conhecidos, ainda que parcialmente, para cerca de 7.000 destas. Para além disso, o grande desenvolvimento tecnológico alcançado pela indústria química nos últimos anos, permite que cerca de 1000 e 2000 novos agentes químicos sejam disponibilizados anualmente para os mercados.
No entanto, são escassos, ao que parece, a existência de programas de conservação auditiva empresarial que considerem produtos químicos como passíveis de causar transtornos auditivos e muito menos suas possíveis interações com o ruído na geração dos danos.3,4,5
AZEVEDO3 relata que a perda auditiva ocupacional se caracteriza por ser coclear, bilateral, simétrica, progressiva e irreversível, com início nas frequências altas do audiograma. Talvez essa configuração, que muito se assemelha à PAIR (Perda Auditiva Induzida por Ruído) possa justificar o porquê deste assunto tão importante ter sido negligenciado por tantos anos, pois a partir do momento em que há perda auditiva com estas características, em um ambiente ruidoso, tem-se atribuído como causa exclusivamente o ruído, não se valorizando a possível exposição química. Isto também faz refletir sobre a possibilidade de um ambiente com elevado nível de pressão sonora nem sempre ser aquele que apresenta o maior número de perdas auditivas, podendo ser superado por ambiente que expõe o trabalhador ao produto químico ototóxico.
Dentro da lista de locais de trabalho que estão expostos aos solventes encontram-se os postos de combustíveis, uma vez que a gasolina e outros combustíveis contém agentes químicos tóxicos como o benzeno que podem trazer uma ampla variedade de danos para a saúde, incluindo patologias oncológicas7.A literatura indica que solventes como tolueno e estireno afetam as células ciliadas externas (CCE). O uso das emissões otoacústicas evocadas (EOE) são recomendadas para detectar lesão nessas células. De acordo com Pouyatos, 2002 um grande número das CCE podem ser perdidas antes que uma deficiência auditiva com mudança permanente de limiar seja detectada. Até 70% de CCE na terceira linha do giro apical da cóclea de ratos pode ser destruída sem qualquer efeito significativo sobre a audição8
Pensando assim, seriam mais sensíveis aqueles exames que avaliassem não só o sistema periférico, mas também o central. Lopes, Bozza e Munhoz relatam que a Audiometria de Alta Frequência tem se destacado no meio científico, pois estas frequências são as primeiras a serem acometidas na maioria das doenças que afetam o ouvido interno. Estes exames deveriam incluir além das pesquisas de limiares convencionais e de altas frequências, as emissões Otoacústicas evocadas e ainda a pesquisa de Potenciais Evocados Auditivos de Tronco Encefálico. Para que se comprovasse a influência dos agentes otoagressores, exames sanguíneos e de urinas e ainda avaliação ambiental são necessárias para detecção da ação de ototóxicos e do ruído, respetivamente.9
OBJETIVO
Este estudo teve por objetivo caracterizar o perfil audiológico de funcionários de postos de combustíveis expostos a agentes nocivos ao sistema auditivo, como os agentes físicos como ruído e vibração e ainda aos agentes químicos que abrangem um variado leque de possibilidades salientando o benzeno.
Após aprovação no Comitê de Ética e Pesquisa que pode ser acionado pelo código do parecer: CAAE 42.439413.0.0000.5417, os participantes- 16 trabalhadores do postos de abastecimentos -foram divididos em dois grupos, sendo G1 composto por 8 trabalhadores de posto de combustível com menos movimento, ou seja, de um posto que apresentou um menor fluxo de carros por dia e com nível de pressão sonora inferior a 85 dBNPS (dB’s Nível de Pressão Sonora) em todas as medições e G2, constituído por 8 trabalhadores de postos com maior movimento, ou seja, com o Nível de Pressão Sonora superior ao primeiro posto. Este foi um estudo comparativo entre dois grupos de profissionais da mesma categoria em diferentes condições de trabalho.
Estes participantes foram submetidos aos seguintes procedimentos: anamnese, questionário específico- o qual abordou questões de rotina diária de trabalhado, autopercepção de ruído ambiental, jornada de trabalho e hábitos de saúde. Este questionário foi aplicado pela própria pesquisadora, em uma sala separada previamente aos demais procedimentos- audiometria tonal liminar convencional e de altas frequências, logoaudiometria, emissões otoacústica evocadas transientes, pesquisa de potenciais evocados auditivos de tronco encefálico, exame de urina tipo I e por fim coleta de sangue para hemograma simples. A avaliação de cada posto contou com a medição de pressão sonora nos dias de maior e menor movimento de cada posto, utilizando o dosímetro alocado à cintura do próprio trabalhador e com o medidor de pressão sonora devidamente posicionado.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Diversos estudos demonstram que o questionário é um tipo de instrumento que pode ser utilizado para obtenção de informações sobre o conhecimento, opiniões e atitudes dos trabalhadores, uma vez que apresenta parâmetros para avaliar o nível de conhecimento acerca do ruído e da proteção auditiva. O uso de questionários oferece informações qualitativas sobre os aspectos que influenciam decisões referentes ao risco da perda auditiva. Essas informações podem ser usadas para suprir as lacunas no conhecimento de parte dos trabalhadores, assim como para esclarecer informações mal compreendidas, contribuindo para a elaboração de programas com ênfase na saúde auditiva9.
Assim como Quevedo et al 2012, em que obteve o grupo estudo representado por 12,5% do gênero feminino e 87,5% do gênero masculino, este estudo também apresentou maior número de homens, existindo apenas uma mulher neste grupo de gasolineiros.
A maior diferença entre os grupos G1 e G2 se deu na quantidade de carros abastecidos por dia e na percepção de ruído no ambiente de trabalho. Enquanto G1 abastece 20 a 40 carros por dia, G2 abastece mais de 50; enquanto G1 classificou seu ambiente de trabalho como pouco ruidoso, G2 fez sua classificação como ruidoso.
Os resultados mostram uma diferença significativa na medição de pressão sonora entre os postos já que P1 variou de 60 a 77 dBNPS tendo seu mínimo em uma terça-feira, às 6h e máxima ao sábado às 13h. Já P2 teve sua mínima em um domingo, 6h com 60 dBNPS e seu pico máximo chegou a atingir 108 dBNPS na segunda feira às 18h. Além do abastecimento os gasolineiros exerceram outras atividades que também foram avaliadas, conforme mostra a Tabela 1.
Os dados deste estudo se remetem a uma categoria de trabalhadores que estão expostos não só ao ruído urbano, mas também ao ruído produzido pelo próprio trabalho executado. Os postos de combustíveis estão, em sua grande maioria, localizados em grandes centros, ruas movimentadas e rodovias, o que acarreta na grande exposição do gasolineiros aos altos níveis de pressão sonora.
Herzer10, et al (2009) mencionou em seus estudos que este ambiente de trabalho que está longe do ideal, ou seja, a constante exposição pode ocasionar diversos problemas, afetando a qualidade de vida dos trabalhadores como um todo. Este grupo de pesquisadores mediu o nível de pressão sonora de postos de combustíveis durante 3 noites e os níveis de pressão sonora variaram de 69,7 a 102,5 dBNPS. No atual estudo observou-se que esses valores variaram de 60 a 108 dBNPS, o que está superior ao previsto pela Norma Brasileira Regulamentadora nº 1517. Tal norma prevê que para 8 horas de trabalho, sem que haja equipamento de proteção, o máximo permitido é de 85 dBNPS. Herzer10 observou também que as maiores fontes de ruídos são externas, ou seja, automóveis e som automotivo. Os equipamentos utilizados no posto, como bombas de combustível, não oferecem grandes problemas quanto ao ruído emitido. Em contrapartida, são responsáveis por grande parte das vibrações do ambiente. Já neste estudo, foi observado que existem outras fontes importantes de alto nível de pressão sonora, como o lava carros a jato e a troca de óleo. Essa segunda atividade embora não gere grandes índices de ruído, no Posto 2 ela é exercida no mesmo local em que se faz reparos mecânicos o que acaba por aumentar o nível de pressão sonora, registando 92 dBNPS.
Dentre os achados da entrevista específica sobressaltou o item que questionava a percepção do ruído local; os dados podem ser consultados na Figura 1.
Quanto aos achados audiológicos, não foram detectadas presença de perdas auditivas, porém todos os participantes apresentam entalhe característico da configuração da patologia em questão- por favor analisar Quadro 1.
No que se refere aos achados do PEATE, o G1 apresentou 6 gasolineiros com dados alterados, sendo que destes 6, 4 apresentaram apenas um lado fora dos padrões da normalidade, totalizando 8 ouvidos alterados. No G2, apenas um gasolineiro não apresenta alterações e dois apresentam alteração em apenas um lado, esta soma totaliza 12 ouvidos alterados. Desta forma, dos 32 ouvidos testados, 20 encontram-se com valores alterados.
O Hemograma de 9 participantes apresentava leucopenia.
Os demais achados audiológicos e de urina estão dentro dos padrões de normalidade.
Embora os limiares auditivos estivessem dentro da normalidade em 100% dos participantes, foi observado que a média das frequências de 3.000 Hz, 4.000 Hz e 6.000 Hz demonstraram-se mais rebaixadas que a média das frequências de 500, 1.000Hz e 2.000 Hz, caracterizando a exposição ao ruído ambiental e/ou solventes.
As frequências médias mais rebaixadas do G1 pertencem ao trabalhador mais jovem, o que pode corroborar com ARANA12, que diz que apesar de a sensibilidade auditiva piorar progressivamente com a idade, a magnitude do efeito pode variar consideravelmente entre os indivíduos, sendo mais precoce em homens entre 20 e 30 anos.
No G2 as frequências médias mais rebaixadas pertencem ao participante com mais idade e com maior tempo de atuação como gasolineiro. Gates13 afirma que na literatura a distinção entre perda auditiva decorrente da idade e exposição ao ruído pode ser impossível quando combinadas, pois ambas afetam as altas frequências. E no sentido lógico, quanto mais tempo de vida, maior o tempo de exposição a altos níveis de pressão sonora e, neste caso particularmente, a solventes ototóxicos.
No estudo desenvolvido por Tocheto, Quevedo e Siqueira14 Os limiares da audiometria tonal liminar estavam dentro dos padrões da normalidade em todos os sujeitos avaliados nesta pesquisa, tanto do grupo estudo como do grupo controle, e foi encontrado limiares da ATL melhores que 20 dB em sujeitos expostos a solventes, porém com alteração no processamento auditivo. Embora os sujeitos de ambos os grupos da presente pesquisa tenham apresentado limiares normais, observou-se uma média de limiar do grupo de estudo superior à média de limiar do grupo controle, em todas as frequências
Outro exame que chamou atenção foi o PEATE que no G1 o lado mais afetado foi o esquerdo que se apresentou 7 vezes alterados sendo 4 na onda I e 3 na onda V. O lado direito deste grupo apontou apenas 3 alterações sendo uma para cada onda (I, III e V). Já o G2 apresentou 20 resultados alterados, sendo 12 atribuídos ao lado direito e 8 ao lado esquerdo. No ouvido direito houveram 4 alterações na onda I, 5 na onda III e 3 na onda V. No ouvido esquerdo a onda I apareceu 4 vezes alteradas, a onda III apenas uma vez e por fim a onda V apareceu 3 vezes com valores aumentados. Com isso tem-se que o maior ponto de alteração foi o nervo auditivo, seguido pelo corpo geniculado medial e núcleo coclear. Vale ressaltar que neste estudo se comparou os resultados das lateralidades afim de qualificar a presença ou ausência de perda e ainda a relaciona-la com a configuração característica de perda auditiva ocupacional.
Noorhassim15, avaliaram o PEATE de 22 trabalhadores do gênero masculino entre 50 e 69 anos, com ocupações profissionais diversas e exposição há pelo menos 10 anos a um ambiente de trabalho com intensidade sonora superior a 90 dB (A). Dos PEATEs analisados, 72,7% (32/44) estavam alterados, e a prevalência de alterações foi maior entre os pacientes com maior grau de perda auditiva. Tais dados corroboram com os achados do presente estudo, e isso pode apontar que o tempo de exposição não precisa, necessariamente ser tão prolongado, assim como a idade não se relaciona diretamente aos achados alterados do PEATE.
Além da exposição ao alto nível de pressão sonora, os gasolineiros estão expostos a poluição ambiental e química, uma vez que os combustíveis, o etanol e a gasolina, constituídos basicamente por hidrocarbonetos e, em menor quantidade, por produtos oxigenados. O benzeno em altas concentrações é uma substância bastante irritante para as mucosas (olhos, nariz, boca ) e, quando aspirado, pode provocar edema (inflamação aguda) pulmonar e hemorragia nas áreas de contato. Também provoca efeitos tóxicos para o sistema nervoso central, causando, de acordo com a quantidade absorvida: períodos de sonolência e excitação, tontura, dor de cabeça, enjoo, náusea, taquicardia, dificuldade respiratória, tremores, convulsão, perda da consciência e morte16. Quanto aos efeitos da exposição em longo prazo ao benzeno, são mencionados: alteração na medula óssea, no sangue, nos cromossomas, no sistema imunológico e vários tipos de cancro. O benzeno pode provocar alterações como a eosinofilia e a leucopenia de forma mais precoce. Em pessoas potencialmente expostas ao benzeno, todas as alterações hematológicas devem ser valorizadas, investigadas e justificadas.17 O hemograma é um dos principais instrumentos laboratoriais para detecção de alterações sanguíneas causadas por efeitos na medula óssea em casos de exposição ao benzeno, já que é facilmente detectado o número de leucócitos presente no sangue.
É importante que se note a relação entre os dados laboratoriais e os da audiometria tonal liminar. Os participantes que apresentaram baixo número de leucócitos, apresentaram também os maiores limiares das frequências médias e altas de seus grupos.
CONCLUSÃO
Os resultados deste estudo permitiram evidenciar que o nível de pressão sonora nestes ambientes de trabalho pode provocar alterações dos limiares auditivos; a bateria de testes audiológicos usada identificou que na audiometria tonal liminar com a presença do entalhe audiológico ou deflexão no audiograma, o que indica o desencadeamento dentro da normalidade, de acordo com a classificação da NR 7 e alterações nos registros do Potencial Evocado de Tronco Encefálico. Os exames laboratoriais mais comumente usados na prática clínica, como hemograma, identificaram a presença de leucopenia. Três dos cinco trabalhadores que exercem a sua função por mais horas nos dias apresentam leucopenia. Dessa forma este estudou indicou que os exames capazes de detectar alterações precocemente são o PEATE e o hemograma simples e ainda que esta exposição merece maior atenção com ações preventivas à saúde geral e auditiva.
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Tabelas, Figuras e Quadros
Tabela I: Nível de pressão sonora durante atividades exercidas pelos trabalhadores
| ATIVIDADES | POSTO 1 (dBNPS) | POSTO 2 (dBNPS) |
| LAVA JATO | 84 | 98 |
| CALIBRAR | 72 | 86 |
| ABASTECER | 70 | 88 |
| TROCA DE ÓLEO | 76 | 91 |
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Figura I. Escala de 0 a 10 de percepção de ruído. Marcadores azuis indicam a resposta do G1, e os marcadores vermelhos indicam a resposta do G2.
| OD | OE | ||||||||||||||
| X1 (500,1k,2k) |
X2 (3,4 e 6Khz) |
X3 (8,16 e 20KHz) |
X1 (500,1k,2KHz) |
X2 (3,4 e 6Khz) |
X3 (8,16 e 20KHz) |
||||||||||
|
G1 |
00 | 5 | 15 | 8,3 | 6,6 | 15 | 10 | ||||||||
| 01 | 5 | 11,6 | 8,3 | 0 | 6,6 | 3,3 | |||||||||
| 02 | 5 | 15 | 8,3 | 6,6 | 15 | 10 | |||||||||
| 03 | 6,6 | 5 | 6,6 | 8,3 | 8,3 | 3,3 | |||||||||
| 04 | 10 | 15 | 10 | 10 | 10 | 8,3 | |||||||||
| 05 | 8,3 | 20 | 15 | 6,6 | 15 | 15 | |||||||||
| 06 | 11,6 | 13,3 | 15 | 15 | 13,3 | 11,6 | |||||||||
| 07 | 5 | 8,3 | 8,3 | 5 | 8,3 | 8,3 | |||||||||
|
G2 |
08 | 13,3 | 23,3 | 18,3 | 13,3 | 25 | 18,3 | ||||||||
| 09 | 15 | 25 | 16,6 | 11,6 | 25 | 16,6 | |||||||||
| 10 | 10 | 10 | 6,6 | 10 | 10 | 8,3 | |||||||||
| 11 | 28,3 | 25 | 16,6 | 20 | 25 | 16,6 | |||||||||
| 12 | 18,3 | 20 | 15 | 11,6 | 20 | 21,6 | |||||||||
| 13 | 16,6 | 23,6 | 25 | 16,6 | 25 | 25 | |||||||||
| 14 | 8,3 | 21,6 | 13,3 | 11,6 | 25 | 15 | |||||||||
| 15 | 16,6 | 23,6 | 25 | 16,6 | 25 | 25 | |||||||||
Quadro I. Média dos limiares, sendo:
X1= média dos limiares de 500, 1 e 2 KHz
X2 = média dos limiares 3, 4 e 6KHz
X3 = média dos limiares 6, 8 e 20 KHz
Data de receção: 2016/04/10
Data de aceitação:2016/05/03
Data de publicação: 2016/05/05
(1) Amanda Bozza
Residente na Rua Japão, nº385 – Cidade de Irati -Paraná
CEP 84500-000
email: amandabozza@yahoo.com.br
Professora Colaboradora da Universidade Estadual do Centro-Oeste, Campus Irati -PR, leciona na área de anatomia, fisiologia e audiologia para o curso de Fonoaudiologia. Graduada em fonoaudiologia na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP). Mestre em Processos e Distúrbios da Comunicação, na FOB, cuja pesquisa foi desenvolvida em parceria com a University of Michigan, onde fez seu mestrado sanduíche, e com o NIOSH (National Institute Occupational Safety Health). Desenvolveu pesquisa na área de saúde auditiva, adaptação e audiologia ocupacional. Tem experiência prática em audiologia clínica, diagnóstico audiológico convencional e diferencial, seleção e adaptação de aparelho, estruturação e implantação de Programas de Conservação Auditiva assim como lecionar sobre estes temas para graduandos do curso de fonoaudiologia. Faz parte do grupo de pesquisa em saúde auditiva ocupacional, sob orientação da Profª Drª Andréa Cintra Lopes, na Universidade de São Paulo, e desenvolve paralelamente projetos e pesquisas de extensão dentro da linha de pesquisa "Audiologia aplicada à saúde do Trabalhador" na Universidade Estadual do Centro-Oeste.
(2) Andrea Cintra Lopes
email: aclopes@usp.br
Bauru – São Paulo
Possui graduação em Fonoaudiologia pela Universidade do Sagrado Coração (1990), Mestrado em Distúrbios da Comunicação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1996), Doutorado em Distúrbios da Comunicação Humana pela Universidade de São Paulo (2000) e Pós-doutorado em Acústica pela UNESP (2009). Atualmente é Professora Associada da Universidade de São Paulo campus Bauru e Presidente da Comissão de Saúde do Conselho Regional de Fonoaudiologia, gestão 2013-2016. Tem experiência na área de Fonoaudiologia, com ênfase em Audiologia, atuando principalmente nos seguintes temas: audição, audiologia, saúde auditiva, saúde do trabalhador e telessaúde.
Bozza A, Lopes A. Efeito sinérgico da exposição do ruído e agentes químicos no sistema auditivo de trabalhadores de um posto de abastecimento de combustíveis. Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional on line. 2016, volume 1. 52-60. DOI:10.31252/RPSO.05.05.2016








