TIPO DE ARTIGO: Artigos da Equipa Técnica
Autores: Santos M(1), Almeida A(2), Lopes C(3), Oliveira T(4).
Introdução
A Gestão do Risco envolve várias etapas, tendo por objetivo a análise, valoração e controlo dos riscos. A Análise de Risco inclui a identificação dos Perigos, bem como a estimativa dos Riscos. A Avaliação de Riscos permite a valoração do risco, ou seja, aferir se o risco é aceitável e, por fim, a Gestão do risco adiciona a dimensão do controlo sobre o mesmo (medidas a adotar para a eliminação ou minimização do mesmo).
Para identificar os Fatores de Risco profissionais poderão ser consideradas quer a consulta aos trabalhadores e/ou seus representantes, análise sistemática das tarefas laborais (habituais e excecionais), informações sobre as instalações- “lay-out” e atividades da empresa, opções tecnológicas, dados técnicos (manuais dos equipamentos), inventário, dados toxicológicos e medidas de autoproteção (coletivas e individuais).
A Avaliação de Riscos é o cerne da Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho, pois sem uma avaliação de riscos eficaz não serão tomadas medidas preventivas adequadas- se um perigo não for identificado não terá oportunidade de ser controlado. As técnicas mais habituais para atingir esse objetivo são as Auditorias, com recurso a listas de verificação (Check-lists) e a visita aos postos.
A maior ou menor valoração do risco dependerá do número e tipo de trabalhadores expostos (nível de formação, sensibilização, experiência e suscetibilidade individual) e da frequência da exposição. Não devem ser esquecidos os clientes, visitantes e trabalhadores subcontratados ou temporários; nem indivíduos com vulnerabilidades especiais, como funcionários inexperientes, grávidas, pessoas com mobilidade condicionada ou outras situações equivalentes. A valoração é a finalização da Avaliação do Risco e pretende comparar a magnitude do risco com padrões de referência, atribuindo o grau de aceitabilidade. Aqui também se avaliam as medidas de controlo já instituídas e quais deverão ter destaque, bem como ações de prevenção/ correção que serão desejáveis desenvolver.
Existem diversos métodos de Avaliação de Risco, desenvolvidos ao longo dos anos para aplicação de acordo com as necessidades das organizações e adequados às mais diversas atividades.
Seja qual for o método escolhido, deve existir oportunidade para observar o local de trabalho e meio circundante, fazer a identificação das atividades realizadas no local de trabalho, constatar padrões, bem como ter em atenção fatores externos que possam ser relevantes.
A equipa de Saúde Ocupacional deverá identificar todos os Fatores de Risco, Avaliar os Riscos consequentes, propor e implementar medidas de prevenção e proteção e, por fim, avaliar a eficácia das medidas propostas. Contudo, por vezes, é necessário adaptar a metodologia global à organização e atividade, pelo que, por vezes, os métodos são aplicados com algumas adaptações.
Tipos de Métodos
Os métodos podem ser qualitativos, quantitativos ou semiquantitativos (nestes destacam-se as técnicas matriciais, como sendo as mais frequentemente usadas).
Os métodos qualitativos baseiam-se em dados estatísticos prévios associados aos riscos profissionais (por exemplo, informação da sinistralidade da instituição, dados de sinistralidade desse setor de atividade ou pareceres de experts, trabalhadores e/ou seus representantes). São adequados para avaliações simples ou podem ser completados posteriormente com outros métodos diferentes. Descrevem ou esquematizam os fatores de risco e medidas preventivas ou corretivas, mas não se procede à quantificação.
Os métodos quantitativos têm como objetivo obter uma exposição numérica da magnitude do risco, usando técnicas elaboradas de cálculo, que assimilam dados sobre as variáveis consideradas. Por exemplo, a quantificação da gravidade usa modelos matemáticos de consequências. Contudo, estas técnicas podem ser complexas, trabalhosas e dispendiosas (além de exigirem dados prévios fiáveis e representativos). Elas quantificam o risco através da probabilidade de ocorrência e respetiva valoração, por vezes também estimando os danos esperados. Neste grupo podem ser citados as “árvores lógicas”, método de Gretener e método simplificado de avaliação de Risco de Incêndio.
Por sua vez, nos métodos semiquantitativos, são criados índices para situações de risco salientadas e são elaborados planos de atuação para hierarquizar o risco- por exemplo, o método de William Fine e o Sistema Simplificado de Avaliação de Risco de Acidente (desenvolvidos em detalhe noutros artigos, de forma individual). Devem ser escolhidos quando os métodos qualitativos são insuficientes e quando os quantitativos não são adequados (pela complexidade e/ou custo, por exemplo). Aqui estima-se a magnitude do risco (R) pela multiplicação da frequência (F) pela gravidade (G) esperada das lesões. Este poderá ainda ser multiplicado pelo número de trabalhadores expostos, se pertinente. A acrescentar que o nível de probabilidade é obtido pelo produto dos níveis de exposição e deficiência.
Nos quadros 1 e 2 pode ser consultada uma síntese comparativa entre os diversos tipos de métodos para avaliar riscos laborais (os autores acrescentam que a maioria dos métodos mencionados no quadro será destacada individualmente em artigos sucintos e práticos, a publicar posteriormente).
Nota: a RPSO sugere a colocação dos quadros no final, após a bibliografia. Os autores deste artigo solicitaram a inserção dos mesmos ao longo do texto por considerarem que a informação seria assim mais percetível.
Quadro1: Vantagens e Desvantagens das Metodologias Qualitativas, Quantitativas e Semiquantitativas
| Métodos | Vantagens | Desvantagens |
| Qualitativos | Simples, não requerem quantificações; permitem o envolvimento de diferentes elementos da organização | São subjetivos; dependem da experiência dos avaliadores; não permitem efetuar análise custo-benefício |
| Quantitativos | Proporcionam resultados objetivos/ mensuráveis; permitem a análise de medidas de controlo de risco; são objetivos e facilitam a sensibilização do empregador | Os cálculos são complexos, dispendiosos e morosos; necessitam de metodologias estruturadas e bases de dados fiáveis |
| Semiquantitativos | Relativamente simples; identificam as prioridades de intervenção através da identificação dos riscos; também facilitam a sensibilização do empregador | Dependem dos descritores inseridos e da experiência dos avaliadores |
Quadro 2: Comparação entre os principais Métodos usados para Avaliação de Riscos Laborais
| Tipo | Aplicação | Vantagens | Desvantagens | |||
| Métodos | QL | SQT | QT | |||
| Análise de modo de falhas e efeitos | X | Analisa de que forma um equipamento ou sistema pode falhar e as consequências que daí podem resultar | Muito eficiente em sistemas simples | Mais adequada a indústrias de processo; pode falhar se o sistema não for conhecido ao pormenor; se o sistema for complexo são necessárias outras técnicas | ||
| Análise preliminar de riscos | X | X | Aplicável na fase de projeto; possibilita determinar os riscos e medidas preventivas antes da fase operacional; permite a análise de sistemas | Fácil de executar e razoavelmente rápido | Como se desenvolve numa fase inicial pode faltar alguma informação sobre alguns detalhes; necessita de ser complementada por técnicas mais exigentes; em sistemas bastante conhecidos deve utilizar-se outra técnica mais específica | |
| Análise por árvore de eventos | X | X | Identifica quais os eventos que podem suceder a um evento iniciador; estuda sistemas de controlo de emergência; inicia-se com a falha de um componente do sistema | Identifica uma sequência de dados possível; é possível introduzir valores numéricos e proceder a uma avaliação quantitativa | Se o processo não for bem conhecido, poderá se perder informação relevante | |
| Análise por árvore de falhas | X | Inicia-se com o dano e prossegue-se com as causas que lhe possam ter originado, calcula a probabilidade de ocorrência de acontecimentos básicos ou intermédios; permite a análise de sistemas | Permite revelar falhas críticas e um conhecimento mais completo do sistema; determina a sequência mais crítica; encontra a(s) combinação(ões) que precisam de ser prevenidas; pode ser usado para avaliar muitas falhas; não necessita de chegar a uma análise quantitativa | Exige conhecimentos de álgebra de Boole e uma equipa experiente; pode ser necessário realizar um estudo preliminar | ||
| Observação direta dos atos inseguros | X | Permite a identificação dos atos inseguros cometidos pelos trabalhadores; usa listas de verificação e faz análise aos postos | Carateriza os riscos associados ao comportamento dos trabalhadores; identifica necessidades | É facilmente influenciado pelas convicções prévias do avaliador | ||
| Análise da segurança das tarefas | X | X | Tem como alvo principal o ato inseguro; identifica os perigos através da análise das tarefas | Analisa as condições de segurança de todos os postos de trabalho; estabelece hierarquia na intervenção; engloba segurança, qualidade, ambiente e eficiência das tarefas | Podem escapar tarefas menos frequentes | |
| Hazop | X | Estudo das falhas, erros ou desvios possíveis | Identifica as causas possíveis, desvios, consequências e ações necessárias para garantir a segurança do sistema | Demorado; em projetos novos deve ser completado com outras técnicas; necessita que o processo esteja já bem descrito; mais adequado a processos industriais | ||
| Método simplificado | X | Quantifica a amplitude dos riscos e dá hierarquia na intervenção | Fácil e rápido | O ponto de partida é a deteção de não conformidades | ||
| Método William T. Fine | X | Identifica os perigos e hierarquiza e controla os riscos | Estima probabilidade, exposição e consequências; justifica economicamente as ações | Há subjetividade no cálculo da perigosidade e depende da experiência de quem executa | ||
| Método Integrado | X | Estima probabilidade, exposição e consequências; justifica economicamente e calcula o risco residual | Há subjetividade das variáveis inseridas no cálculo do Risco Intrínseco e depende da experiência do investigador | |||
Alguns exemplos genéricos
Poder-se-á considerar que o risco resulta do produto entre a probabilidade e a gravidade das lesões ou danos, ou seja: R = P x G.
Existem quatro itens a considerar na construção de um método matricial, nomeadamente os níveis (recomendam-se quatro a seis- menos tornará o método eventualmente pouco preciso e mais níveis criarão tabelas de cálculo muito grandes) e as ponderações, descrições e escalas (as primeiras são os valores definidos para cada nível, ou seja, os valores alvo da multiplicação entre fatores.
Surge aqui o problema de que valores devem ser escolhidos para a ponderação mas, na realidade, há que definir o primeiro nível e os restantes ficam acordados por comparação a partir daí; assim, o primeiro nível ficará com o valor “0” ou “1”- contudo, não esquecer que o “0” é o elemento absorvente na multiplicação e por isso a anulará e que o “1” é o elemento neutro que não terá impacto na multiplicação, pelo que alguns autores contestam o seu uso.
Devem ser definidos todos os fatores que se pretendem incluir no método, quer para a probabilidade, quer gravidade; ainda que estes devam ser no menor número possível, ou seja, escolher os que são fundamentais.
As descrições de cada nível devem ser definidas posteriormente, em função do tipo de trabalho e patamares desejados.
As escalas são obtidas para cada tabela e fazem a correspondência entre os diversos níveis.
Em relação ao tempo de exposição, deve-se elaborar uma tabela de probabilidade adequada à instituição, ou seja, se nenhuma tarefa se faz de forma mais espaçada que trinta dias, não fará sentido incluir a hipótese de tarefas que só se realizem trimestral, semestral ou anualmente.
No quadro 3 está representado um exemplo de uma tabela de Probabilidade.
Quadro 3: Exemplo de uma tabela de Probabilidade
| Nível | Ponderação | Tabela de Exposição |
| 1º | 2 | Atividade com periodicidade ≤2x/ ano |
| 2º | 12 | Entre 1x/mês e de 6x/6 meses |
| 3º | 48 | 1 a 4x/ mês |
| 4º | 144 | 1 a 3x/ semana |
| 5º | 240 | ≥3x/ semana |
Neste exemplo como o primeiro nível obteve uma ponderação de “2”, o limite superior do segundo nível é 6x/ 6 meses, logo, seis vezes superior, surge a ponderação de “12” e assim sucessivamente.
A Gravidade ou Dano refere-se à lesão ou doença secundária ao acidente ou exposição prolongada a um fator de risco/ perigo. No quadro 4 encontra-se um exemplo de uma Tabela de Gravidade.
Quadro 4: Exemplo de uma Tabela de Gravidade
| Nível | Ponderação | Descrições |
| 1º | 2 | Dano ou lesão sem dias com CIT |
| 2º | 4 | Dano ou lesão com CIT ≤ 3 dias (não grave) |
| 3º | 16 | Dano ou lesão com CIT ≥ 4 dias |
| 4º | 128 | Dano ou lesão com incapacidade permanente |
| 5º | 2048 | Morte, coma ou perda de autonomia |
Neste exemplo, o primeiro nível obteve a ponderação “2” e os restantes seguiram a lógica de potenciação exponencial (n x 2k), ou seja, segundo nível 2 x 21 = 4; 3º nível 4 x 22 = 16; 4º nível 16 x 23 = 128 e assim sucessivamente.
A partir das tabelas de probabilidade e gravidade, será possível construir os níveis de risco, através da multiplicação das anteriores, ou seja, NR = NP X NG. No quadro 5 está registado a conjugação dos níveis de probabilidade e de gravidade, em função do exemplo anteriormente iniciado.
Quadro 5: Conjugação dos níveis de probabilidade e de gravidade
| Níveis de Gravidade | |||||||
| 1º | 2º | 3º | 4º | 5º | |||
| 2 | 4 | 16 | 128 | 2048 | |||
| Níveis de Probabilidade | 5º | 240 | 480 | 960 | 3.840 | 30.720 | 491.520 |
| 4º | 144 | 288 | 576 | 2.304 | 18.432 | 294.912 | |
| 3º | 48 | 96 | 192 | 768 | 6.144 | 98.304 | |
| 2º | 12 | 24 | 48 | 192 | 1.536 | 24.576 | |
| 1º | 2 | 4 | 8 | 32 | 256 | 4.096 | |
Contudo, se não se quiser ficar com 25 níveis de risco, poder-se-á agrupar, por exemplo, em cinco patamares, através do uso de quantis, ou seja, os valores são divididos em 100 partes iguais, em que Qk = K X n +1/ 5, em que K é o número total da amostra (neste exemplo, 25) e K representa a localização dentro da amostra, ou seja, o primeiro quintil (ver quadro 6).
Quadro 6: Exemplo de agrupamento de níveis de risco
| Níveis de Risco | |
| Nível | Valor |
| 1º | 2-24 |
| 2º | 32-144 |
| 3º | 192-256 |
| 4º | 480-1536 |
| 5º | 2304-491520 |
Outros profissionais, ainda que defendendo a utilização desta metodologia genérica, fazem-no de uma forma um pouco diferente, atribuindo os significados aos diversos Níveis de Deficiência inseridos no quadro 7.
Quadro 7: Significados dos Nível de Deficiência
| Nível de Deficiência | ND | Significado |
| Aceitável (A) | 1 | Não foram detetadas anomalias; o perigo está controlado |
| Insuficiente (I) | 2 | Foram detetados fatores de risco de menor importância; é de admitir que o dano possa ocorrer algumas vezes |
| Deficiente (D) | 6 | Foram detetados alguns fatores de risco significativos; o conjunto de medidas preventivas existentes tem a sua eficácia reduzida de forma significativa |
| Muito deficiente (MD) | 10 | Foram detetados fatores de risco significativos; as medidas preventivas existentes são ineficazes; o dano ocorrerá na maior parte das circunstâncias |
| Deficiência total (DT) | 14 | Medidas preventivas inexistentes ou desadequadas; são esperados danos na maior parte das situações |
O Nível de Exposição traduz a frequência com que se está exposto ao risco (ver quadro 8).
Quadro 8: Significados dos Níveis de Exposição
| Nível de Exposição | NE | Significado |
| Esporádica | 1 | 1x/ ano ou menos e por pouco tempo (minutos) |
| Pouco frequente | 2 | Algumas vezes por ano e por tempo determinado |
| Ocasional | 3 | Algumas vezes por mês |
| Frequente | 4 | Várias vezes durante o período laboral, ainda que com tempos curtos- várias vezes por semana ou diário |
| Continuada/ rotina | 5 | Várias vezes por dia, com tempo prolongado ou continuamente |
No quadro 9 pode visualizar-se a conjugação entre os Níveis de Exposição e de Deficiência.
Quadro 9: Conjugação entre os Níveis de Exposição e de Deficiência
| Nível de Exposição | ||||||||
| Esporádica | Pouco frequente | Ocasional | Frequente | Contínua | ||||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||||
| Nível de Deficiência | Aceitável | 1 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | |
| Insuficiente | 2 | 2 | 4 | 6 | 8 | 10 | ||
| Deficiente | 6 | 6 | 12 | 18 | 24 | 30 | ||
| Muito deficiente | 10 | 10 | 20 | 30 | 40 | 50 | ||
| Deficiência total | 14 | 14 | 28 | 42 | 56 | 70 | ||
No quadro 10 podem ser assimilados os significados dos Níveis de Probabilidade.
Quadro 10: Significados dos Níveis de Probabilidade
| Nível de Probabilidade | NP | Significado |
| Muito baixa | 1 a 3 | Não é de esperar que a situação perigosa se materialize, ainda que possa ser concebida |
| Baixa | 4 a 6 | A materialização da situação perigosa pode ocorrer |
| Média | 8 a 20 | A materialização da situação perigosa poderá ocorrer pelo menos uma vez com danos |
| Alta | 24 a 30 | A materialização da situação perigosa pode ocorrer várias vezes durante o período de estudo |
| Muito alta | 40 a 70 | Normalmente a materialização da situação perigosa ocorre com frequência |
O nível de Severidade refere-se ao dano mais grave que é razoável esperar (por favor consultar quadro 11).
Quadro 11: Significado dos níveis de Severidade
| Níveis de Severidade | NS | Significado | |
| Danos pessoais | Danos materiais | ||
| Insignificante | 10 | Sem | Pequenas perdas |
| Leve | 25 | Pequenas lesões que não requerem hospitalização; apenas primeiros socorros | Reparação dos danos, sem paragem da atividade |
| Moderado | 60 | Lesões com incapacidade transitória; exigem tratamento médico | A reparação exige a interrupção da atividade |
| Grave | 90 | Lesões graves que podem ser irreparáveis | Destruição parcial do sistema; reparação dispendiosa e complexa |
| Mortal ou catastrófico | 155 | Um morto ou mais; incapacidade total ou permanente | Destruição de um ou mais sistemas, renovação/ reparação difíceis |
O nível de risco resultará da multiplicação entre o nível de Probabilidade e Severidade (analisar quadro 12).
Quadro 12: Conjugação entre os níveis de Probabilidade e Severidade
| Não é de esperar que o risco se materialize | A materialização do risco pode ocorrer | A materialização do risco é passível de ocorrer | A materialização do risco pode ocorrer várias vezes | A materialização do risco ocorre com frequência | ||||||||
| Pessoas | Material | NP
NS |
1 a 3 | 4 a 6 | 8 a 18 | 24 a 30 | 40 a 70 | |||||
| Não há danos pessoais | Pequenas perdas materiais | 10 | 10 | 30 | 40 | 60 | 80 | 180 | 240 | 300 | 400 | 700 |
| Pequenas lesões que não requerem hospitalização | Reparação sem interrupção da atividade | 25 | 25 | 75 | 100 | 150 | 200 | 450 | 600 | 700 | 1000 | 1750 |
| Lesões com incapacidade temporária | Reparação que exige interrupção | 60 | 60 | 180 | 240 | 360 | 480 | 1080 | 1440 | 1800 | 2400 | 4200 |
| Lesões graves que podem ser irreparáveis | Destruição parcial do sistema; reparação complexa e dispendiosa | 90 | 90 | 270 | 360 | 540 | 720 | 1620 | 2160 | 2700 | 3600 | 6300 |
| Uma morte ou mais; incapacidade total ou permanente | Destruição de um ou mais sistemas; reparação/ renovação difíceis | 155 | 155 | 465 | 620 | 930 | 1240 | 2790 | 3720 | 4650 | 6200 | 10850 |
O nível de controlo (NC) tem como função orientar as ações, baseado na noção de custo- eficácia (por favor analisar o quadro 13).
Quadro 13: Significado dos Níveis de Controlo
| Nível de controlo | NC | Significado |
| I | 3600 a 10.850 | Situação crítica; intervenção imediata; eventual paragem imediata; isolar o perigo até serem adotadas medidas de controlo permanentes |
| II | 1240 a 3100 | Situação a corrigir; adotar medidas de controlo enquanto a situação perigosa não for atenuada ou eliminada |
| III | 360 a 1080 | Situação a melhorar; deverão ser elaborados planos de intervenção |
| IV | 90 a 300 | Melhorar se possível, justificando a intervenção |
| V | 10 a 80 | Intervir apenas se uma análise mais detalhada o justificar |
A salientar que valores de controlo iguais ou inferiores a 300 são classificados como aceitáveis.
Importa ainda referir que a Gestão de Risco é um processo dinâmico, que consiste na análise sistemática de identificação e avaliação dos fatores que podem contribuir para a ocorrência de acidentes e/ou patologias médicas.
Nos artigos seguintes serão dados mais detalhes de alguns métodos individualizados.
AGRADECIMENTOS
A Célia Pereira, Consultora de Ambiente e Higiene e Segurança no Trabalho, pela análise e comentários pertinentes à primeira versão do artigo.
BIBLIOGRAFIA GERAL
(usada na elaboração de todos os artigos relativos a métodos para avaliação dos riscos)
1-Pedro R. Métodos de Avaliação e Identificação de Riscos nos locais de Trabalho. Tecnometal. 2006, 167, 1-8.
2- Mendonça A. Métodos de Avaliação de Riscos- contributo para a sua aplicabilidade no setor da Construção Civil. Relatório de Atividade Profissional para a obtenção do Grau de Mestre em Engenharia do Ambiente. Faculdade de Ciência e Tecnologia, Universidade do Algarve. 2013, 1-225.
3-Batista J. Adaptação de Métodos Matriciais para a Avaliação de Riscos Profissionais. Safemed. 2016, 1-22.
(1)Mónica Santos
Licenciada em Medicina; Especialista em Medicina Geral e Familiar; Mestre em Ciências do Desporto; Especialista em Medicina do Trabalho e Doutoranda em Segurança e Saúde Ocupacionais, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Presentemente a exercer nas empresas Medicisforma, Servinecra, Securilabor e SBE; Diretora Clínica das empresas Quercia e Gliese; Diretora da Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional on line. Endereços para correspondência: Rua Agostinho Fernando Oliveira Guedes, 42, 4420-009 Gondomar. E-mail: s_monica_santos@hotmail.com.
(2)Armando Almeida
Doutorado em Enfermagem; Mestre em Enfermagem Avançada; Especialista em Enfermagem Comunitária; Pós-graduado em Supervisão Clínica e em Sistemas de Informação em Enfermagem; Docente na Escola de Enfermagem (Porto), Instituto da Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa; Diretor Adjunto da Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional on line. 4420-009 Gondomar. E-mail: aalmeida@porto.ucp.pt.
(3)Catarina Lopes
Licenciada em Enfermagem, desde 2010, pela Escola Superior de Saúde Vale do Ave. A exercer funções na área da Saúde Ocupacional desde 2011 como Enfermeira do trabalho autorizada pela Direção Geral de Saúde, tendo sido a responsável pela gestão do departamento de Saúde Ocupacional de uma empresa prestadora de serviços externos durante 7 anos. Atualmente acumula funções como Enfermeira de Saúde Ocupacional e exerce como Enfermeira Generalista na SNS24. Encontra-se a frequentar o curso Técnico Superior de Segurança do Trabalho.
4715-028. Braga. E-mail: catarinafflopes@gmail.com
(4)Tiago Oliveira
Licenciado em Enfermagem pela Universidade Católica Portuguesa. Frequenta o curso de Técnico Superior de Segurança no Trabalho. Atualmente exerce a tempo inteiro como Enfermeiro do Trabalho. No âmbito desportivo desenvolveu competências no exercício de funções de Coordenador Comercial na empresa Academia Fitness Center, assim como de Enfermeiro pelo clube de futebol União Desportiva Valonguense. 4435-718 Baguim do Monte. E-mail: tiago_sc16@hotmail.com.
Santos M, Almeida A, Lopes C, Oliveira T. Métodos para a Avaliação de Riscos Laborais- Introdução Genérica. Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional on line. 2018, volume 6, 1-9. DOI: 10.31252/RPSO.03.11.2018








