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Estatuto editorial

Implementação de um Programa de Qualidade para a Melhoria das Condições de Trabalho

11 Janeiro, 2017Artigos de Opinião

IMPLEMENTATION OF A QUALITY PROGRAM FOR THE IMPROVEMENT OF WORKING CONDITIONS

 

TIPO DE ARTIGO: Artigo de Opinião
AUTORES: Tavares A(1).

 

Atualmente existem inúmeras razões para que uma organização (pública ou privada) implemente um Programa de Qualidade para a Melhoria das Condições de Trabalho (PQMCT) na sua matriz de Segurança e Saúde no Trabalho (SST):

  1. O terceiro milénio traz um novo tipo de cliente que, para além de “verde”, ou seja, com uma visão mais sustentável, manifesta mais conhecimento, é mais literato e mais conhecedor dos seus direitos, mais atento ao mercado e consequentemente mais exigente face ao tradicional conceito de cliente pouco interventivo e mais reativo que perpetuou durante o século XX;
  2. As organizações que querem ser competitivas, seja na sua vertente macroeconómica, seja também, e privilegia-se, na sua vertente recursos humanos e dimensão social, têm que encarar a qualidade do seu processo, de forma diferente, evitando entropias (figura 1);

Figura 1 – Entropias (custos diretos e indiretos)

screenshot_1

  1. Em termos de recursos humanos, se estes tiverem razoáveis condições sócio laborais, tendem a majorar as suas potencialidades e a criatividade, contribuindo para a criação do efeito sinergético que qualquer administração ou executivo gosta de contar. Um dossier motivacional bem gerido, em que, as condições de SST estão sempre presentes, pode duplicar ou triplicar um bom desempenho, cuja entrega e envolvimento emocional do trabalhador para com a sua organização tenderá a sair reforçado por estratégias de “engagement” que a todos beneficiará.

Por conseguinte, um PQMCT surge como um imperativo para a maioria das nossas organizações, sejam elas afetas ao setor privado, sejam afetas ao estado. Existem várias fases (todas interligadas) que nos ajudam a refletir a forma como o devemos implementar, nomeadamente:

ETAPAS DO PROGRAMA

Figura 2 – Etapas do PQMCT

screenshot_2

(elaboração própria – modelo teórico)

 

1º à Envolvimento da gestão de topo (administradores, executivos)

O apoio do “CEO” e/ou da administração é essencial para o sucesso do programa. Ele deve colaborar não só para o ajustamento do PQMCT à estratégia da organização, mas principalmente dando o exemplo à cadeia hierárquica abaixo. É imprescindível que estabeleça uma cultura primada pela qualidade e segurança e saúde de forma transdisciplinar.

2º à Definição do padrão de QMCT

Um “brainstorming” entre todos os responsáveis (administração, dirigentes, chefias diretas e representantes dos trabalhadores) para definir que padrão se pretende atingir. Exemplo “ano de 2017 menos 5% de sinistralidade”, “mês de Maio -> zero acidentes”, “formação em qualidade e SST que atinja uma amostragem de 30% dos trabalhadores em 2017”, etc. O critério deve ter sempre em linha de conta a prevenção e a satisfação dos trabalhadores e consequentemente dos clientes/utentes/munícipes;

3º à Auditoria interna para diagnóstico dos pontos fortes e fracos

É o levantamento – “check-up” que tem necessariamente que ser feito, dentro dos meios disponíveis da organização. Deve ser nomeada uma equipa pluridisciplinar que represente as várias áreas da organização (financeira, recursos humanos, exploração, produção, distribuição, entre outras) para observar detalhadamente o funcionamento da organização e fazer um levantamento por processos do que está a correr bem (manter e se possível melhorar) e do que está a correr menos bem (eliminar, substituir, alterar, formar, inovar, etc.);

Figura 3 – Check list – para aferição de pontos fortes/fracos – ameaças/oportunidade

screenshot_3

(modelo teórico de autoria do autor)

4º à Resolução das não conformidades

Uma vez elencados os problemas, detetados pelas equipas pluridisciplinares, outras equipas, estas direcionadas para o “know-how” de um problema específico (exemplo: foi detetada uma escada que contribuiu para inúmeros acidentes; cabe à equipa de técnicos de SST, estudar essa inconformidade e melhorar a situação em conjunto com operacionais da manutenção e/ou infraestruturação da organização), devem reunir-se e auscultarem os trabalhadores de base, ou seja, que diariamente lidam com os aspetos mais práticos da produção, exploração ou prestação do serviço junto do cliente. Apela-se nesta quarta dimensão à criatividade como indicador privilegiado do envolvimento de todos e…sem custos para a organização;

A auscultação aos trabalhadores poderá ser efetuada por “briefings” diários, aquando do contato entre os membros das equipas pluridisciplinares e aqueles, tomando notas e reforçando simultaneamente a motivação para o espírito de diálogo e entreajuda.

5º à Formação sobre qualidade e SST a TODOS!

Todos os trabalhadores (dos níveis superiores à base) devem ser submetidos neste programa formativo. Este programa deverá abranger temáticas como a filosofia em fazer bem, em partilhar conhecimentos, em estimular a comunicação ascendente e colateral, na resolução de conflitos e em ferramentas da qualidade como as atrás referidas como o brainstorming e a check list para diagnosticar pontos fortes/fracos, ameaças e oportunidades aos mais variados níveis organizacionais. Todos têm que “pensar igual” e “interpretar igual”, ou seja, todos têm que percecionar a qualidade e a SST como vetores intrínsecos da sua filosofia de ser e estar bom como, saber os conceitos, conhecer os processos e os procedimentos em vigor na organização. Todos a remar para o mesmo lado! A prevenção deverá ser a preocupação fundamental de todos. A comunicação deverá ser assertiva para um melhor envolvimento de todos os atores organizacionais;

6º à Filosofia de melhoria contínua

Figura 4 – Ciclo de melhoria contínua de Deming

screenshot_4

(esquema concetual do autor baseado na norma ISO 9001:2015 – http://www.qualitividade.pt/)

Um PQMCT  requer que todos os intervenientes estejam sensibilizados e motivados para a melhoria contínua (ciclo de Deming), gradualmente mais exigente. O envolvimento de todas as áreas, requer a quebra de “murais” e “quintas” tão presentes em grandes organizações, nomeadamente da Administração Pública.

Uma das ferramentas já abordadas neste artigo, é a formação e desenvolvimento pessoal e profissional. Por exemplo, em organizações já comprometidas com o PQMCT, celebram o dia da prevenção “zero” acidentes, em que, se realizam “briefings” formativos sobre prevenção da sinistralidade (rodoviária, escolar, doméstica) e o mais importante, porque se tratam de TRABALHADORES, a forma como obter melhores condições de trabalho, tanto do ponto de vista psíquico como do ponto de vista psicológico e psicossocial. Nesta ocasião, pode-se distribuir diplomas às áreas/equipas que por exemplo, tiveram no ano transato menos sinistralidade. É um indicador de reforço positivo e de comprometimento.

Devem ser empregues ferramentas como o Manual de QMCT, identificação dos processos estratégicos/nucleares que consubstanciam a missão da nossa organização e os restantes processos de suporte, bem como, os procedimentos por atividades, registos aplicáveis e as instruções de trabalho no sentido de prevenir riscos associados ao trabalho. Tudo deve estar regulamentado e estandardizado, tornando mais fácil a qualquer trabalhador saber o que fazer, quando fazer, com quem fazer e como fazer.

Como base para um PQMCT temos por exemplo as normas ISO 9001 e as OSHAS 18001.

7º à Sistema de avaliação e monitorização

Deverá igualmente haver uma avaliação do programa, pelo menos anual, que alimentará a nossa matriz de execução do PQMCT, nomeadamente dos perigos, riscos, gravidade, frequência, probabilidade e recomendações corretivas e preventivas assim como sugestões de melhoria contínua. Devemos nesta última fase (não fechada) incluir os registos dos resultados da monitorização e da medição que permitam então, alimentar as medidas corretivas e preventivas atrás referidas.

Não nos esqueçamos que um PQMCT reforça a eficiência interna, a eficácia e o impacto no trabalhador e no cliente, este último claramente, o suporte da sobrevivência e da razão de existência de qualquer organização.

“A primeira qualidade de um comandante é cabeça fria para receber uma impressão correta das coisas. Não deve deixar-se confundir quer por boas quer por más notícias” – N. Bonaparte

 

BIBLIOGRAFIA

http://www.bulsuk.com/2009/02/taking-first-step-with-pdca.html#axzz1GBg5Y7Fn

Blogue – Karn G. Bulsuk – 2009 – internet

http://www.dnpst.eu/uploads/relatorios/relatorio_oit_2011_miolo.pdf

Site do Dia Nacional de Prevenção e Saúde no Trabalho- OIT – 2011 – internet

http://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/7319/2/Anexo%20I%20OHSAS180012007_pt.pdf

Site do Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal- Cópia de Trabalho – internet

http://www2.apcer.pt/arq/fich/OHSAS_18001.pdf

Guia Interpertativo para aplicação das normas Ocupational Health and Safety Acessement Series 18001 e Norma Portuguesa 4397 – APCER – 2010 – internet

http://www.qualitividade.pt/wp-content/uploads/2016/04/NPENISO009001_2015.pdf

Site da Qualitividade – Instituto Português da Qualidade – 2015 – internet

 

(1)António Costa Tavares: Quadro superior da Câmara Municipal de Cascais – formador e docente do ensino superior


Tavares A. Implementação de um Programa de Qualidade para a Melhoria das Condições de Trabalho. Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional. 2017, volume 3, 39-43. DOI: 10.31252/RPSO.11.01.2017

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