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Estatuto editorial

Um Olhar para o Futuro a nível da Saúde e Segurança do Trabalhador Brasileiro nas próximas duas décadas: Desafios e Perspectivas

9 Novembro, 2016Artigos de Opinião

A LOOK AT THE FUTURE OF OCCUPATIONAL HEALTH AND SAFETY OF THE BRAZILIAN WORKERS IN THE NEXT TWO DECADES: CHALLENGES AND PERSPECTIVES

TIPO DE ARTIGO: Artigo de Opinião
Autores: Schmidt M(1)

RESUMO

Introdução

O campo da Saúde e Segurança do Trabalhador, no Brasil, situa-se na área da Saúde Pública e tem como propósito conhecer e intervir nas relações de trabalho com o objetivo de fazer promoção e proteção da saúde do Trabalhador.

Objetivo

Identificar opiniões de profissionais de diferentes especialidades que atuam no campo da Saúde e Segurança do Trabalhador acerca da perspectiva de futuro no Brasil para as próximas duas décadas.

Metodologia

Para o atingimento deste objetivo, realizamos uma sondagem de opinião mediante o envio de uma pergunta a um pequeno número de pessoas. Para isto, estabelecemos o contato com profissionais via e-mail mediante uma carta convite para preenchimento da resposta à pergunta: “Em sua opinião, qual é o futuro do campo da Saúde e Segurança do Trabalhador no Brasil nas duas próximas décadas?”. No mês de maio de 2016, foram enviados convites a oito profissionais e sete responderam: quatro psicólogos docentes no curso de Graduação em Psicologia; um médico do trabalho docente no curso de Graduação e Pós-Graduação na área de Medicina Ocupacional; um médico do trabalho coordenador do Programa de Saúde do Trabalhador e um terapeuta ocupacional docente no curso de Graduação de Fisioterapia.

Resultado

Com base nas respostas estruturamos os resultados em quatro tópicos: Avanços no Campo para as Próximas Duas Décadas; Estratégias das Áreas para Contribuir com os Avanços; Possíveis Fatores que Podem Atuar como Impeditivos aos Avanços e Consequências Decorrentes da Falta de Avanço no Campo.

Considerações Finais

Os respondentes trouxeram contribuições suficientes e relevantes para alicerçar este olhar e serviram de estímulo para que pudéssemos também registrar as nossas perspectivas acerca do destino que estará reservado aos frutos do nosso próprio trabalho enquanto investigadores na área.

Palavras-Chave: Saúde do Trabalhador; Saúde Pública; Pessoal Técnico de Saúde

 

ABSTRACT

Introduction

The field of Occupational Health and Safety of workers, in Brazil, is inserted in the Public Health area and aims to understand and to intervene in working relations with the objective of promoting and protecting the occupational health of the workers.

Objective

Identifying opinions of professionals with different expertise that work in the field of Occupational Health and Safety on the future perspective of this field in Brazil for the next two decades.

Methodology
For the achievement of this objective, we conducted an opinion poll by sending a question to a small number of people. For that, we contacted professionals by e-mail through a letter of invitation to answer the question: “In your opinion, what is the future of the field of Occupational Health and Safety in Brazil for the next two decades?” In May 2016, invitations were sent to eight professionals and seven answered. The respondents feature the following profile: four psychologists working as teachers in the Psychology Degree program; an occupational physician, teacher in the Occupational Medicine Degree and Graduate Degree program; an occupational physician, coordinator of the Occupational Health Program and an occupational therapist, teacher in the Physiotherapy Degree program.
Result
Based on the answers, we structured the results in four topics: Advances in the Field for the Next Two Decades; Strategies of the Areas to Contribute to the Advances; Possible Impeditive Factors to Advances and; Consequences Due to the Lack of Advance in the Field.
Final Considerations
The respondents provided sufficient and relevant contributions to support this look and stimulated us in order that we could also point out our perspectives about the fate that will be reserved for the results of our own work as researchers in this field.

Keywords: Occupational Health of the Workers; Public Health; Health Technical Personnel


INTRODUÇÃO

De acordo com Silva1, a saúde do trabalhador pode ser afetada por uma variedade de fatores responsáveis pelos acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais.

Pertencente à área da Saúde Pública, o campo da Saúde do Trabalhador, tem como objeto de estudo e intervenção as relações entre o trabalho e a saúde2,3,4,5.

Conforme descrito em alguns documentos elaborados pelo Ministério da Saúde6, este campo compreende os procedimentos de diagnóstico, tratamento e reabilitação do trabalhador de forma integrada, junto ao Sistema Único de Saúde (SUS) e visa também “a promoção e a proteção da saúde do trabalhador, por meio do desenvolvimento de ações de vigilância dos riscos presentes nos ambientes e condições de trabalho, dos agravos à saúde do trabalhador e a organização e prestação da assistência aos trabalhadores” (p.17).

De acordo com Minayo-Gomez e Thedim-Costa7, enquanto campo de conhecimento, a “saúde do Trabalhador é uma construção que combina um alinhamento de interesses, em determinado momento histórico, onde as questões, politicamente colocadas, adquirem relevância e há condições intelectuais para discuti-las e enfrentá-las sob os pontos de vista científico e epistemológico” (p. 25).

Historicamente a atenção à saúde dos trabalhadores tem sido desenvolvida em diferentes espaços institucionais, com objetivos e práticas distintas, conforme descritas nos ditos documentos elaborados pelo Ministério da Saúde6: “pelas empresas, por meio dos Serviços Especializados em Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) e outras formas de organização de serviços de saúde; pelas organizações de trabalhadores; pelo Estado, ao implementar as políticas sociais públicas, em particular a de saúde, na rede pública de serviços de saúde; pelos planos de saúde, seguros suplementares e outras formas de prestação de serviços, custeados pelos próprios trabalhadores e pelos serviços especializados organizados no âmbito dos hospitais universitários” (p. 22).

Há aproximadamente duas décadas, Minayo-Gomez e Thedim-Costa7 no texto “a construção do campo da saúde do trabalhador: percurso e dilemas”, publicado em 1997, já apontavam como avanços concretizados neste campo, a maior visibilidade social dos problemas que afetam a qualidade de vida da classe trabalhadora. “Avança-se na compreensão dos agravos à saúde em diferentes processos de trabalho industrial, bem como nas atividades rurais, sobretudo quanto à utilização indiscriminada de agrotóxicos; iniciam-se estudos relativos ao setor serviço, incluídas as pesquisas sobre os profissionais de saúde; percebe-se com mais clareza a especificidade do trabalho feminino, valendo-se de várias investigações” (p. 31).

No entanto, na opinião destes autores havia ainda desafios a serem enfrentados, “desde velhas situações praticamente intocadas, como o trabalho escravo e o trabalho infantil, às decorrentes de um modelo de produção seletivo e excludente que vem ampliando a dimensão da rua como espaço de trabalho, com todas as incertezas, vulnerabilidades e riscos que esse espaço significa, em relação tanto a acidentes e violências, como à produção da própria sobrevivência” (p. 31).

Trabalhando neste campo há aproximadamente vinte anos, tivemos oportunidade de vivenciar este cenário e, na nossa opinião, não se avançou o suficiente no que diz respeito à redução do trabalho escravo e infantil. No entanto, observamos que o campo progrediu na reformulação de referências e métodos investigativos, na medida que caminhou da multidisciplinaridade para a interdisciplinaridade, integrando assim modos de pensar de várias disciplinas e construindo uma perspectiva mais integradora do trabalhador. Embora, a interdisciplinaridade seja essencial à prática profissional neste campo, concordamos com Consolino, Salgado e Leão8 que “delineiam-se desafios e possibilidades para a construção de propostas formativas que empreendam práticas interdisciplinares frente à complexidade das dinâmicas de ensinar e aprender, que podem favorecer a formação e a atuação junto aos fenômenos relacionados à saúde e trabalho” (p. 207).

Quanto aos métodos investigativos, o campo prosperou em termos de metodologias de investigação, ao passo que juntou abordagens de natureza quantitativas e qualitativas na compreensão dos fenómenos e enfatizou a qualitativa como enfase necessária para apreender a subjetividade dos trabalhadores e, partir da percepção destes, “entender suas relações de prazer e sofrimento em relação ao trabalho”.

A produção qualitativa do conhecimento neste campo, que atribui significação às expressões singulares e coletivas dos sujeitos (trabalhadores) contribuiu para facilitar a compreensão da relação trabalhador-trabalho, inspirando um modelo dinâmico do conhecimento muito mais humanizado.

Dessa forma, não podemos negar que as últimas duas décadas foram marcadas pela produção científica abundante que deixaram um legado de novas ideias e categorias de análises que conduziram intervenções muito mais avançadas do que os postulados iniciais, desafiando as construções teóricas impostas pelo positivismo.

Outro avanço diz respeito à esfera das normatizações, em especial as Normas Regulamentadoras (NRs), relativas à segurança e saúde no trabalho, que compõem um conjunto de disposições legais e regulamentares obrigatórias para as empresas privadas e públicas e pelos órgãos públicos da administração direta e indireta.

No Brasil, essas décadas foram marcadas também pela criação da RENAST (Rede Nacional de Atenção Integral a Saúde do Trabalhador) com seus eixos estruturantes os CERESTs (Centros de Referência em Saúde do Trabalhador) com o objetivo de atender a necessidade de articulação da saúde do trabalhador no âmbito do SUS, mediante as ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde dos trabalhadores urbanos e rurais, independentemente do vínculo laboral e tipo de inserção no mercado de trabalho9.

Para Jaquez, Milanez e Mattos10, “na estruturação da RENAST, os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) ocupam lugar de destaque. Cabe a estes o papel de pólos irradiadores da cultura da produção social das doenças e da centralidade do trabalho nesse processo, provendo suporte técnico e informações, viabilizando ações de vigilância, facilitando processos de capacitação para técnicos, para o controle social e para toda a rede do SUS, além de executar, organizar e estruturar a assistência de Média e Alta Complexidade relacionada com os problemas e os agravos à saúde relacionados com o trabalho” (p.370).

São várias as Legislações que direcionam a RENAST, a estabelecer as diretrizes para o funcionamento dos CERESTs. Quanto ao quadro funcional das equipes, é importante realçar que é necessário que os profissionais tenham experiência comprovada em serviços de Saúde do Trabalhador ou especialização em Saúde Pública ou especialização em Saúde do Trabalhador, isso é um pré requisito da RENAST. A composição mínima da equipa técnica e a qualificação dos profissionais segue a especificação da Portaria nº 2.437, de 7 de dezembro de 200511.

Outra progressão importante neste campo que merece ser citada diz respeito a elaboração do Plano Nacional do Trabalho Decente de 2010, cujas propostas buscam, especialmente: (1) Garantir que o emprego seja tratado como elemento central das Políticas Públicas e (2) Implantação da Política de Segurança e Saúde do Trabalhador.

 

OBJETIVO

Identificar opiniões de profissionais de diferentes especialidades que atuam no campo da Saúde e Segurança do Trabalhador acerca da perspectiva de futuro deste campo no Brasil para as próximas duas décadas.

 

METODOLOGIA

Para o atingimento deste objetivo realizamos uma sondagem de opinião fazendo-se uma pergunta a um pequeno número de pessoas. Dessa forma, estabelecemos o contato com profissionais via e-mail mediante uma carta convite para preenchimento da resposta à pergunta: “Em sua opinião qual o futuro do campo da Saúde e Segurança do Trabalhador no Brasil nas duas próximas décadas? ”.

No mês de maio de 2016, foram enviados convites a oito profissionais e destes, sete responderam: quatro psicólogos docentes no curso de Graduação em Psicologia; um médico do trabalho docente no curso de Graduação e Pós-Graduação na área de Medicina Ocupacional; um médico do trabalho coordenador do Programa de Saúde do Trabalhador e um terapeuta ocupacional, docente no curso de Graduação de Fisioterapia.

 

RESULTADOS

Com base nas respostas estruturamos os resultados em quatro categorias- esta categorização seguiu as etapas de análise de dados de pesquisa qualitativa, conforme descrito por Gomes12. As categorias foram estabelecidas depois da colheita de dados e os itens de respostas foram agrupados mediante as características comuns de ideias e expressões.

  1. Avanços no Campo para as Próximas duas Décadas
  2. Estratégias para contribuir com o Avanço
  3. Possíveis Fatores que podem Atuar como Impeditivos aos Avanços
  4. Consequências decorrentes da Falta de Avanço no Campo

 a) Avanços no Campo para as Próximas duas Décadas

  • Emancipação os trabalhadores no controlo de suas próprias tarefas e destinos com aumento da liberdade de expressão e ação
  • Despertar das instituições em prol da qualidade de vida, segurança e saúde dos trabalhadores
  • Aumento do investimento em pesquisas visando o desenvolvimento de novos saberes neste campo
  • Maior investimento das organizações de trabalho na humanização das relações interpessoais
  • Promoção de ambientes de trabalho mais acolhedores
  • Modos de gestão organizacional que prezem pela prevenção em saúde e segurança no trabalho
  • Ampliação das “ Clínicas do Trabalho” como proposta de intervenção em SST.
  • Efetivação da saúde do trabalhador na Atenção Básica

 b) Estratégias para Contribuir com os Avanços

  • Valorização da enfase dos profissionais atuante neste campo pautado na abordagem da subjetividade individual e coletiva
  • Partilha de instrumentos relativos a diagnóstico em saúde mental e trabalho, especialmente os que possam desencadear estresse laboral
  • Expansão da psicologia organizacional
  • Mais conhecimento dos profissionais que atuam em Unidades Básicas de Saúde e Estratégias de Saúde da Família relativos à Saúde Ocupacional
  • Consolidação de uma nova ética e cultura sobre o trabalho, na qual as modalidades participativas serão equitativas e os interesses emergentes do mercado estarão voltados para um projeto político de justiça social.

 c) Possíveis Fatores que podem Atuar como Impeditivos aos Avanços

  • Competitividade internacional devido ao mercado globalizado
  • Desemprego estrutural agravado pela crise económica no Brasil
  • Aumento da precarização do trabalho devido sobretudo ao aumento da subcontratação
  • Objetivos de produção abusivos instituídas pelas empresas
  • Métodos de gestão coercivos
  • Assédio moral

Dentre o exposto vale destacar que, conforme apontado pelo Ministério da Saúde5, “a precarização do trabalho caracteriza-se pela desregulamentação e perda de direitos trabalhistas e sociais, a legalização dos trabalhos temporários e da informalização do trabalho. Como consequência, podem ser observados o aumento do número de trabalhadores independentes e subempregados bem como a fragilização das organizações sindicais e das ações de resistência coletiva e/ou individual dos sujeitos sociais. A terceirização no contexto da precarização, tem sido acompanhada de práticas de intensificação do trabalho e/ou aumento da jornada de trabalho, com acúmulo de funções, maior exposição a fatores de riscos para a saúde, descumprimento de regulamentos de proteção à saúde e segurança, rebaixamento dos níveis salariais e aumento da instabilidade no emprego. Tal contexto está associado à exclusão social e à deterioração das condições de saúde” (p. 19).
d) Consequências Decorrentes da Falta de Avanço no Campo

Entre as principais consequências registrada por um dos participantes está o eventual aumento dos transtornos mentais relacionados ao trabalho- estes têm sido revelados como um dos principais problemas de saúde pública 13,14,15

Os dados de Silva-Junior e Fischer e do Anuário Estatístico da Previdência Social17, registram que os três principais motivos de concessão de benefícios nos anos de 2008 a 2011 e 2011 a 2013 foram, em primeiro lugar, os agravos do Capítulo XIX da CID-10 (lesões, envenenamento e algumas outras consequências de causas externas); em segundo, os adoecimentos incapacitantes decorrentes do Capítulo XIII da CID-10 (doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo)16 e em terceiro os distúrbios referentes ao Capítulo V da CID-10 (transtornos mentais e comportamentais)16, 18. Neste último patamar os autores verificaram que quadros mais frequentes foram os transtornos depressivos (40,4%). Entre todos os requerimentos, 23,7% foram considerados relacionados ao trabalho18.

Os dados expressam a gravidade do problema e alertam que não havendo intervenções promissoras no campo da saúde e segurança do trabalhador a tendência é de fato o aumento dessas ocorrências.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os respondentes trouxeram contribuições suficientes e relevantes para alicerçar este olhar e nos serviram de estímulo para pudéssemos também sugerir as nossas perspectivas.

Ao nosso ver, o avanço deste campo para as próximas duas décadas se dará sobretudo pela aproximação entre o que está prescrito na legislação sobre atendimento das condições de trabalho e a aplicabilidade nos contextos laborais. Esta aproximação poderá ser fortalecida mediante a atuação da fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego e parcerias com a intervenção também do Ministério da Saúde.

O canal de denúncia já implantado pelo Ministério Público visa ampliar o trabalho deste órgão na apuração de irregularidades laborais, mediante o aplicativo para celular “MPT Pardal”, permite que qualquer pessoa possa realizar denúncias e fazer a colheita imediata de informações sobre precarização do trabalho, através do envio de imagens imagem, vídeo ou áudio em conjunto com a descrição da denúncia e de endereço e nome da empresa18.

Essa tecnologia contribuirá certamente para a garantia do cumprimento das normas regulamentadoras de segurança que ainda ficam apenas prescritas nos contextos de trabalho, de modo a contribuir sobretudo para denúncias de trabalho escravo e infantil.

Outra perspectiva que almejamos é de que o farto manancial legislativo e de normas internacionais para a proteção da saúde do trabalhador, como um dos bens mais relevantes de todo o sistema jurídico, que consubstancie a vertente primordial dos direitos humanos sejam aplicados na prática.

Como vários profissionais e pesquisadores engajados na luta cotidiana em prol da saúde no trabalho, aspiramos que as principais conquistas deste campo para as próximas duas décadas, sejam o fortalecimento do espaço de voz ao trabalhador para participação nas discussões dos processos e da organização do trabalho, assumindo assim um papel mais interventivo nas tomadas de decisões protetoras para a saúde física e mental nos contextos laborais.

Por fim, esperamos que o campo da Saúde do Trabalhador no Brasil reduza os riscos laborais, a incidência e prevalência das doenças profissionais (não esquecendo as do foro psiquiátrico/ emocional), bem como o número e a gravidade dos acidentes de trabalho.

 

REFERÊNCIAS

1 Silva J A R O. A flexibilização da jornada de trabalho e seus reflexos na saúde do trabalhador. In: Lourenço, E.A.S; Navarro, V.L (org) O avesso do trabalho III – saúde do trabalhador e questões contemporâneas. São Paulo. Outras expressões; 2013. Cap 3. p. 61- 90.

2 Lacaz F A C. O campo da saúde do trabalhador: resgatando conhecimentos e práticas sobre as relações trabalho-saúde. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 23, n. 4, p. 757-766, Apr. 2007. [Acesso em 18 apr. 2016]. Disponível em <http://www.scielosp.org/scielo.

3 Lacaz F A C. O campo da saúde do trabalhador: epistemologia, desafios e lacunas. In: Lourenço, E.A.S; Navarro, V.L (org) O avesso do trabalho III- saúde do trabalhador e questões contemporâneas. São Paulo: Outras Expressões; 2013.p 219-238.

4 Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP). Saúde do Trabalhador no âmbito da Saúde Pública: referências para a atuação do(a) psicólogo(a) / Conselho Federal de Psicologia (CFP). — Brasília, CFP, 2008. [Acesso em 28 de out, 2016]. Disponível em: http://crepop.pol.org.br.

5 Dias E C, Hoefel M G. O desafio de implementar as ações de saúde do trabalhador no SUS: a estratégia da RENAST. Ciênc. saúde coletiva [Internet]. 2005 ; 10( 4 ): 817-827. [Acesso em 29 de out .2016]. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.

6 Ministério da Saúde. Doenças Relacionadas ao Trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde. Brasília: Ministério da Saúde (MS); 2001.

7 Minayo-Gomez C, Thedim-Costa S M F. A construção do campo da saúde do trabalhador: percurso e dilemas. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 13, supl. 2, p. S21-S32, Jan. 1997. [Acesso em 18 abr 2016] Disponível em : http://www.scielosp.org/scielo.

8 Consolino A M G A, Salgado E C V C, Leão M A B G. Interdisciplinaridade, saúde e trabalho: uma análise de publicações em bases científicas. Rev. Ciênc. humanas – UNITAU • v. 5, n. 1-2 – Especial, p. 190-210, jan.dez./2012 • Taubaté-SP – Brasil. [Acesso em 29 out 2016]. Disponível em: www.rchunitau.com.br/index.

9 Ministério da Saúde (MS). Portaria GM/MS nº 1.679, de 19 de setembro de 2002 – Dispõe sobre a estruturação da Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador no SUS. Diário Oficial da União 2002; 20 set.

10 Jacques C C, Milanez B, Mattos R C O C. Indicadores para Centros de Referência em Saúde do Trabalhador: proposição de um sistema de acompanhamento de serviços de saúde. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 17, n. 2, p. 369-378, fev. 2012. [Acesso em 22 abr. 2016]. Disponível em: http://www.scielosp.org/scielo.

11 Ministério da Saúde. Portaria Nº 2.437, de 7 de Dezembro de 2005. Dispõe sobre a ampliação e o fortalecimento da Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador – RENAST no Sistema Único de Saúde – SUS e dá outras providências. [Acesso em 22 de out 2016]. Disponível: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm.

12 Gomes R. A análise de dados em pesquisa qualitativa. In: Minayo MC de S (org) Pesquisa social. teoria, método e criatividade . 21. ed. Petrópolis. Rio de Janeiro: Editora Vozes; 1994. p.67-80.

13 Collins PY, Patel V, Joestl, S.S, et al. Grand challenges in global mental health. Nature 475 (7354), 27.30, 2011.

14 Murray C J L.; Lopez, A D., ORGS. Global health statistics. Cambridge, MA, Harvard School of Public Health para a Organização Mundial da Saúde e o Banco Mundial (Global Burden of Disease and Injury Series, v. II). 1996.

15 Patten S. Performance of the composite international diagnostic interview short form for major depression in community and clinical samples. Chronic Disease in Canada, 18(3), 1997.

16 Silva Junior J S da, Fischer F M. Afastamento do trabalho por transtornos mentais e estressores psicossociais ocupacionais. Rev. bras. epidemiol. São Paulo, v. 18, n. 4, p. 735-744, dez. 2015. [Acesso em 29 mar. 2016]. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.

17 Anuário Estatístico da Previdência Social/Ministério da Previdência. Social, Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social. (2011/2013). Brasília: MPS/DATAPREV, Brasília. p.1-899. [Acesso em 21 de out. 2016]. Disponível em: www.previdencia.gov.br/wp-content/uploads/2015/03/AEPS-2013-v.-26.02.pdf.

18 Silva-Junior, J S da; Fischer F M. Adoecimento mental incapacitante: benefícios previdenciários no Brasil entre 2008-2011. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 48, n. 1, p. 186-190, fev. 2014 [Acesso em 21 out. 2016] Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.

19 Ministério Público do Trabalho [Acess em 5 de out. de 2016] Disponível em: http://www.ebc.com.br/cidadania/2015/06/aplicativo-do-ministerio-publico-ajuda-flagrar-irregularidades-trabalhistas.

 

Este artigo faz parte do conteúdo do trabalho final apresentado na Disciplina “ Futuro”, do curso MBA – INOVA /BUSINESS SCHOOL – Unidade de Campinas/SP, sob orientação do Prof Luis Rasquilha.

[1] Maria Schimdt
Possui graduação em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1993), mestrado em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2000) e doutorado em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual de Campinas (2003). Pós-Doutorado em Saúde Pública pela FSP/USP. Possui formação em Psicodrama pelo Instituto Bauruense de Psicodrama ( 2003). Formação como Psicodramatista Didata pela ACTO ( 2007). Formação em Psicodramatista Didata Supervisora pela SOPSP – Sociedade de Psicodrama de São Paulo ( 2009).Atualmente é membro de grupo de pesquisa da Faculdade de Saúde Pública / USP e professor assistente da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Fatores Humanos no Trabalho, atuando principalmente nos seguintes temas: Saúde no trabalho, psicodrama e sociodrama, educação para jovens aprendizes e estagiários, saúde mental e trabalho, promoção da saúde no trabalho, nexo causal, diagnóstico e intervenção em saúde do trabalhador.Membro da Coordenadoria de Saúde e Segurança do Trabalhador e Sustentabilidade Ambiental, órgão da Pró-Reitoria de Administração – PRAd / Reitoria / Unesp .Membro titular do Conselho Estadual de Educação para o Trânsito do Estado de São Paulo( 2012 -2013). Editora Chefe da Revista Laborativa. Atua como docente responsável junto ao Laboratório de Psicologia Ambiental do Departamento de Psicologia Experimental e do Trabalho – LAPA- PET – Unesp. Assessora Técnica de Gabinete – Reitoria/Unesp.Membro do Grupo de Pes quisa em Psicossociologia do Trabalho – ANPEPP ( Associação Nacional de Pesquisa e Pós – Graduação em Psicologia). Endereço para correspondência: Alameda Jaú, 600, apartamento 91, Jardim Paulista, CEP: 014 20 000. E-mail: mlschmidt@uol.com.br

Schimdt M. Um Olhar para o Futuro a nível da Saúde e Segurança do Trabalhador Brasileiro nas próximas duas décadas: Desafios e Perspectivas. Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional on line. 2016, volume 2, 80-87. DOI:10.31252/RPSO.09.11.2016

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