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Estatuto editorial

Síndrome de Burnout em Profissionais de Saúde Angolanos durante a Pandemia da Covid-19

8 Setembro, 2021Artigos Originais

Oliveira P, Martín-Garcia D, Lueto O, Gómez-Martinez F, Lucama C, Bernardo J et al. Síndrome de Burnout em Profissionais de Saúde Angolanos durante a Pandemia da Covid-19. Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional online. 2021, volume 12, 1-20. DOI: 10.31252.RPSO/11.09.2021

BURNOUT SYNDROME IN ANGOLAN HEALTH PROFESSIONALS DURING THE COVID-19 PANDEMIC

 

TIPO DE ESTUDO: Artigo Original

 

Autores: Oliveira P(1), Martín-Garcia D(2), Lueto O(3), Gómez-Martinez F(4), Lucama C(5), Bernardo J(6), Silva P(7), Mirandela M(8), Gamboa (9), Amaro T(10)

 

RESUMO

Introdução

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a síndrome de Burnout ocorre devido ao stresse crónico no local de trabalho e inclui sintomas físicos e psíquicos. A atual pandemia da COVID-19 gerou uma sobrecarga de trabalho aos profissionais de saúde em todo o mundo, por vezes excedendo as suas capacidades podendo conduzir ao suicídio. Angola é um país em desenvolvimento e o seu sistema de saúde ainda é frágil- por esta razão a pandemia poderá ter um sério impacto. Em Março de 2020 registaram-se os primeiros casos da COVID-19 que aumentaram progressivamente.

Objetivo

Determinar a prevalência da Síndrome de Burnout nos Profissionais de Saúde que assistem os casos suspeitos e confirmados de COVID-19 em Angola, de Maio a Setembro de 2020.

Metodologia

Realizou-se um estudo observacional, descritivo e transversal a 250 profissionais (196 de Luanda e 54 de Benguela) que trabalham em instituições de saúde que atendem pacientes com COVID-19. Aplicou-se o Inventário de Burnout de Maslach, que inclui três subescalas: esgotamento ou cansaço emocional, despersonalização e realização pessoal. Níveis elevados nas duas primeiras e baixos na terceira são indicativos de Burnout. Obteve-se também a informação sociodemográfica dos profissionais.

Resultados

Verificou-se que 60% dos participantes eram do sexo feminino, com a idade média 35 anos e com predomínio de enfermeiros (50%). Os profissionais de Luanda atenderam em média 61 pacientes por semana enquanto os de Benguela atenderam 12. A pontuação média das três subescalas do comportamento é elevada em ambos sexos e províncias, com valores superiores de cansaço emocional em mulheres e maior realização pessoal entre os profissionais de Luanda. Diagnosticou-se Síndrome de Burnout em 9,3% dos profissionais de Luanda e 4,6% de Benguela, sem diferenças significativas entre mulheres e homens (6,2 versus 4,5).

Conclusões

Apesar da baixa frequência de síndrome de Burnout e pelo facto de existirem elevados níveis de cansaço emocional e despersonalização no início da pandemia, é de supor que possa existir um aumento do número de casos perante uma demanda de trabalho superior, causada pela mesma. Este achado deve ser tomado em conta pelos gestores do sistema de saúde para salvaguardar o bem- estar dos seus profissionais e dos pacientes nomeadamente promovendo turnos de trabalho com períodos mais reduzidos; integração de mais profissionais em equipas de serviço desfalcadas; incentivo às pausas ao longo do dia; alimentação adequada conforme o horário do dia e rica em nutrientes; criação de programas de apoio social; incentivo à prática de exercícios fisicos e de relaxamento, pagamento mensal dos subsídios de risco epidemiológico da COVID-19; Equipamento de Protecção Individual (EPis); maior disponibilidade de medicamentos e materiais de monitorização clínica dos doentes graves; presença de médico especialista em cuidados intensivos em cada turno de trabalho; bem como apoio e acompanhamento psicológico.

PALAVRAS-CHAVE: síndrome de Burnout, profissionais de saúde, COVID-19, saúde ocupacional, Angola.

 

ABSTRACT

Introduction

According to the World Health Organization, “Burnout syndrome occurs due to chronic stress in the workplace” and includes physical and psychological symptoms. The current COVID-19 pandemic has created an overload of work for health professionals worldwide, sometimes exceeding their capacities and even leading to suicide. Angola is a developing country and its health system is still fragile, for this reason the pandemic could have a serious impact. In March the first cases of COVID-19 were registered and their incidence progressively increased.

Objective

To determine the prevalence of Burnout Syndrome in Health Professionals who assisted suspected and confirmed cases with COVID-19 in Angola, between May and September 2020.

Methodology

An observational, descriptive and transversal study was carried out with 250 professionals (196 from Luanda and 54 from Benguela ) who work in health institutions that care suspected and confirmed cases  with COVID-19. The Maslach Burnout Inventory (MBI-HSS) was applied, which includes three subscales: emotional exhaustion or fatigue, depersonalization and personal fulfillment. High levels of the first two and low levels of the third are indicative of the situation. The professionals’ sociodemographic information was also obtained.

Results

It was found that 60% of participants were female, mean age 35 years, with a predominance of nurses (50%). Professionals from Luanda assisted an average of 61 patients per week while those from Benguela assisted 12. The average score on the three behavior subscales was high in both genders and provinces, with significantly higher values ​​of emotional fatigue in women and greater personal fulfillment among professionals in Luanda. Burnout Syndrome was diagnosed in 9.3% of professionals in Luanda and 4.6% in Benguela, with no statistical differences found between women and men (6.2 vs 4.5)

Conclusions

Despite the low frequency of Burnout syndrome and the fact that there are high levels of exhaustion and depersonalization at the beginning of the pandemic, it leads to believe that there will be an increase in the number of cases of Burnout due to a greater demand for work, triggered by the worsening of the pandemic. This finding should be taken into account by health system managers to safeguard the well-being of their professionals and patients, namely Work shifts with shorter periods; Integration of more professionals in understaffed service teams; encouraging breaks throughout the day; Adequate food/ nutrients according to the time of day; creation of social support programs; encouragement to practice physical exercises and relaxation; monthly payment of COVID-19 epidemiological risk subsidies; Personal Protective Equipment; greater availability of drugs and materials for clinical monitoring of critically ill patients; presence of a physician specialized in intensive care in each work shift; as psychological support.

KEYWORDS: Burnout syndrome, health professionals, COVID-19, occupational health, Angola

 

INTRODUÇÃO

A pandemia da doença coronavírus 2019 (COVID -19) tornou-se uma crise de saúde mundial sem precedentes, opressora e desafiadora, tanto para as instituições de saúde, como para os indivíduos. Aos profissionais de saúde de primeira linha gerou ansiedade e medo não só por eles mesmos, como também pelas suas famílias (1). Alguns estudos indicam que os profissionais de saúde já se encontram sob maior risco de efeitos negativos do stress crónico e que os médicos exibem taxas mais elevadas de depressão e ansiedade em relação a outros grupos profissionais. Apesar de uma diminuição na taxa de suicídio em médicos nos últimos trinta anos, as licenciadas em medicina humana  continuam a ter maior risco de suicídio do que outras profissionais como professoras, veterinárias, farmacêuticas e/ou dentistas (2).

A Síndrome de Burnout (SB) foi descrita pela primeira vez em 1974 (3) e definida como a resposta a um longo período de stress devido a condições laborais desfavoráveis. A Organização Mundial da Saúde (OMS) na última versão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11) definiu-a como “uma síndrome que deriva do stress crónico no local de trabalho” que se caracteriza por três dimensões: 1) sentimentos de falta de energia ou esgotamento; 2) maior distanciamento mental do próprio trabalho ou sentimentos de negativismo/cinismo relacionados com o trabalho e 3) eficácia profissional reduzida (4).

As dimensões referidas aos fenómenos relacionados com o contexto profissional apresentam-se em trabalhadores de todos os ramos, sendo os do sector de saúde afetados entre 25 e 75%, em função da área de trabalho, especialidade e país (5), que por sua vez se pode repercutir na qualidade da prestação do atendimento ou do serviço aos pacientes (5,6).

A pandemia por COVID-19 potenciou as tarefas e o número de indivíduos atendidos nos serviços de saúde, um aumento que mesmo em alguns países desenvolvidos levou ao colapso dos mesmos, devido à falta de recursos humanos e materiais. Esta emergência fez com que o excesso de trabalho do profissional de saúde se tornasse desgastante, por vezes com os dias de trabalho contínuo sem descanso, levando à exaustão física e mental. O regime de trabalho imposto com o surgimento desta pandemia aumentou a carga de serviço nas unidades de saúde, as contínuas demandas físicas e emocionais que os profissionais de saúde são expostos predispõem ao desenvolvimento desta síndrome (7-13).

Todos os profissionais de saúde, principalmente os da primeira linha de combate contra a pandemia da COVID-19 estão expostos a condições que potencialmente podem afetar a sua saúde mental devido não só, à pressão assistencial e a elevada carga horária devido à demanda, como também a contínua preocupação por adoecer e propagar a infeção para com os seus familiares. A exposição a um ambiente com muitos fatores stressantes, somado ao aumento da carga laboral, mortes/ casos críticos e/ ou escassez de meios de proteção, podem aumentar o risco de SB (12,13).

 Esta síndrome está presente em muitos países com elevada morbilidade e mortalidade por COVID-19; em Angola, tem-se verificado um crescente aumento do número de casos e de óbitos desde Maio de 2020 (14), apesar de possuir uma infraestrutura de saúde e condições humanas e materiais mais desfavoráveis para enfrentar o evento em caso de aumento descontrolado de casos, quando comparada com outros países.

Deste modo, a relevância de um estudo que permite identificar a vulnerabilidade de profissionais de saúde angolanos que assistem os casos suspeitos e confirmados de COVID-19, estabelecendo a frequência da mesmo e das suas três dimensões, considerando alguns fatores sociodemográficos e de condições de trabalho, permitirá auxiliar na previsão das consequências e contribuir para aumentar a qualidade do trabalho, sem diminuir a qualidade de vida do trabalhador perante um cenário catastrófico da pandemia.

 

OBJETIVOS

Geral: Determinar a prevalência da SB nos Profissionais de Saúde que assistem os casos suspeitos e confirmados de COVID-19 em Angola, de Maio a Setembro de 2020.

Específicos:

  1. Caracterizar a amostra, segundo as variáveis sociodemográficas.
  2. Determinar os valores das subescalas de diagnóstico de SB nos profissionais de saúde afectos às instituições em estudo.


MATERIAL E MÉTODO

 

Desenho do estudo e participantes:

Realizou- se uma pesquisa observacional, descritiva e transversal entre os meses de Maio a Setembro de 2020, sendo população do estudo todos os profissionais da saúde que trabalham em instituições dedicadas ao atendimento de casos suspeitos e confirmados de COVID-19 nas províncias de Luanda e Benguela.

Os dados foram colhidos através de um questionário subdividido em duas partes: a primeira inclui dados sociodemográficos tais como idade sexo, estado civil,  número de filhos, nível de escolaridade,  categoria profissional e tempo de serviço como profissional de saúde,  instituição e o  serviço em que desempenha funções,  horas de trabalho por semana dedicados à assistência no período da COVID- 19 e número de pacientes que atende em média numa semana. A segunda parte reporta à versão original do Inventário de Burnout de Maslach: Maslach Burnout Inventory Human Services Survey (MBI–HSS) (14). O MBI-HSS está desenhado e validado para medir sentimentos de Burnout entre  pessoas que trabalham oferecendo serviços,  incluindo-se nestes os médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde. O questionário estava constituído por tem 22 itens, cada um respondido de acordo com uma escala de Likert pontuado entre 0 e 6 (0=nunca a 6=diariamente), dividido em três subescalas:

-Esgotamento ou cansaço emocional (CE), que valoriza a vivência de estar exausto emocionalmente pela demanda do trabalho; é constituída por nove itens  e uma pontuação máxima de 54.

-Despersonalização (DP), que valoriza o grau em que cada um reconhece atitudes (frieza) e distanciamento; é composta por cinco itens e tem uma pontuação máxima de 30.

-Realização pessoal (RP) avalia sentimentos de autoeficiência e realização pessoal no trabalho; nela estão inseridos 8 itens e uma pontuação máxima de 48.

Asespostas em cada item foram somadas, bem como a pontuação total de cada subescala e classificadas em nível alto, médio e baixo, conforme a descrição da tabela 1.

O diagnóstico de SB era realizado quando a pontuação era alta nas duas primeiras subescalas e baixa na terceira.

A análise dos dados foi realizada com a ferramenta Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 21. Para a análise univariada no caso de variáveis qualitativas, utilizaram-se frequências absolutas (número de casos) e frequências relativas (proporção) e, para as variáveis quantitativas, empregou-se uma medida de tendência central (média).

A participação da investigação foi voluntária com prévio consentimento informado. O projeto da pesquisa foi aprovado pelo comité de ética do  Ministério da Saúde de Angola (MINSA). As instituições envolvidas autorizaram a execução do estudo e a respetiva publicação de dados.

 

RESULTADOS

Participaram na investigação 250 profissionais; destes, 196 trabalham em quatro nstituições de atendimento a casos suspeitos e confirmados de COVID-19 da província de Luanda e os restantes em duas instituições de Benguela,.

Nas tabelas 1 e 2 demonstra- se a distribuição das variáveis demográficas por províncias e sexo. Entre os participantes predominou o sexo feminino, com mais de 60℅.

A média de idade foi de 34-35 anos, a faixa etária com mais profissionais foi a de 19 a 29 anos e com menos profissionais representados foi a de 50 a 59 anos. O nível de escolaridade mais frequente foi a licenciatura, seguido de segundo ciclo concluído, que em conjunto superam os 80%. Relativamente ao estado civil predominam os casados  (superior a 65%). Mais de 50% dos profissionais entrevistados são Enfermeiros, seguido de Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica (20%) e Médicos Especialistas (17,1%) com as especialidades de cuidados intensivos, pediatra, pneumologia, anestesiologia, dermatologia, hematologia, medicina interna, medicina geral integral e nefrologia. Não existem diferenças estatisticamente significativas para a especialidade em relação ao sexo, mas sim em relação às províncias (p₌0,012), correspondendo a Benguela uma maior percentagem de Enfermeiros e mais baixo de Médicos Especialistas e Técnicos de Diagnóstico, em conformidade com as tabelas 2 e 3.

Em   Benguela o número médio de filhos é superior a Luanda (4,04 versus 2,59) (p₌ 0,001). O tempo médio de serviço em Luanda é de 10,95 anos e em Benguela 10,35 anos (p₌0645). Os profissionais de Luanda atendem semanalmente uma média 61 pacientes e em Benguela 12 e trabalham em média nas duas províncias 90 h por semana.

Os valores médios de  cada uma das subescalas do MBI – HSS mostra-se na tabela 4. Uma análise mais detalhada pelo sexo e residência revela valores médios significativamente superiores de cansaço emocional e despersonalização no sexo feminino e maior realização pessoal entre os profissionais de Luanda (p₌0,000). Nas tabelas 5 e 6 apresenta-se distribuição por classes das três subscalas de MBI-HSS.

Nas três subescalas predominan os valores altos em ambos sexos e províncias.

Por exemplo, na subescala cansaço emocional predominam valores altos, superior em homens com 30,9 pontos, em relação às mulheres com 25,7 pontos. Na subescala despersonalização, na pontuação geral predominam valores altos, com pontuação superior nos homens em relação às mulheres, isto é 11,7 e 9,8 respetivamente.  A realização pessoal teve uma pontuação de forma geral alta com valores superiores em mulheres com 41,7 em relação a 41,3 nos homens.

Em relação à comparação entre províncias as pontuações foram altas em todas as subescalas. O cansaço emocional predomina a média de valores altos em Luanda (29,9 pontos sobre Benguela com 26,4 pontos. De igual modo sucedeu com a despersonalização com resultados superiores em Luanda em relação a Benguela com 11,09 e 11,04 pontos, respetivamente. Em relação à realização pessoal foi igualmente superior em Luanda (42,5 pontos) enquanto que em Benguela apresentou-se com 37,8 pontos.

A prevalência de SB foi de 9,3% entre os profissionais de Luanda e 4,6% de Benguela, sem diferenças significativas entre mulheres e homens (6,2 vs 4,5).

Encontraram-se diferenças significativas no cansaço emocional, que é maior entre as mulheres (p=0,000)  e na realização pessoal que tem uma pontuação superior em Luanda (p=0,000) (tabelas 5 e 6).

 

DISCUSSÃO

Embora não tenham sido encontradas investigações sobre o tema em profissionais de saúde angolanos, nem antes, nem depois do início da pandemia da COVID-19 e as  revisões sistemáticas em países da África Subsaariana e a nível global, apresentarem prevalências díspares entre 40 a 80% e de 0 a 81 %, respetivamente, antes da pandemia (15,16); entre os profissionais de saúde existem amplas variações de SB e seus componentes (5,17-27). Porém, torna-se difícil a comparação por uma série de fatores, entre elas as características da população do estudo, a heterogeneidade de instrumentos de medição e de critérios diagnósticos utilizados, pois  não existe consenso em como medir o SB (15,26,27). O método utilizado nesta pesquisa (MBI-HSS), na sua versão original de 22 itens e empregue com critérios diagnósticos CE ≥ 27, DP ≥ 10 e RP ≤ 33) é o mais amplamente utilizado e com ele obtém-se as mais baixas estimativas de prevalência, que oscilam entre 2,6% e 11,8% (15), encontrando-se os resultados desta pesquisa dentro desse intervalo.  Os resultados mostram uma prevalência de SB de 9,3% entre os profissionais que assistem os casos suspeitos e confirmados de COVID-19  em Luanda e 4,6% nos de Benguela, durante a etapa inicial da pandemia.

Apesar da baixa prevalência de SB no nosso estudo, viram-se afetadas as dimensões correspondentes ao CE e a DP, em ambos sexos e nas províncias estudadas, sendo a primeira mais marcada. Estes resultados são importantes porque o SB tem uma instauração insidiosa sendo o cansaço emocional a manifestação mais evidente reportada. A manifestação da despersonalização e a redução da realização pessoal constituem a qualidade central do SB. Provavelmente uma situação laboral com exigências crónicas e exageradas que conduzem ao CE e à DP deterioram o sentido de eficácia, porque é difícil obter uma sensação de alcance, quando se sente esgotado e indiferente não atendendo corretamente e com a dedicação necessária os seus pacientes (28). A partir deste preceito justifica-se que nos profissionais angolanos, apesar da existência de CE e DP elevadas, se manifeste um sentido de realização pessoal elevado, resultado similar reportado por investigadores de outros países (22,25). Tal achado poderá se justificar (na opinião dos autores) pelo facto de que os profissionais realizavam com satisfação as tarefas que lhes eram incumbidas e ainda não se fazia sentir a sobrecarga da pandemia.

Entre os profissionais estudados predominam as mulheres, com valores mais acentuados de CE e SB. Existem múltiplos fatores que conduzem ao CE, sendo a sobrecarga laboral a mais importante (29) e habitualmente superior nas mulheres, porque sobre elas recai mais o peso e responsabilidades familiares, o que as torna mais suscetíveis a desenvolver SB ou outros transtornos psíquicos (26,29,30).

Durante o período de combate da pandemia, estudos em diferentes países desenvolvidos mostram outros elementos contribuintes para o CE, como a carência de recursos materiais (desde camas hospitalares e ventiladores, até equipamentos de proteção pessoal de qualidade e a inexperiência na atenção a pacientes graves e com doenças infeciosas (6,12,13). Nos países em desenvolvimento como Angola, estas situações são ainda mais desfavoráveis.

Em virtude dos profissionais de saúde serem mais vulneráveis a problemas de saúde mental que, por sua vez, se repercute na qualidade dos cuidados prestados aos pacientes (31,32) e no contexto da emergência internacional que representa  a pandemia da COVID-19, a OMS e investigadores de diferentes países propõem a instauração de medidas organizativas e programas encaminhados à sua prevenção, deteção e tratamento precoce (33-35), que já se realizam em muitos países (36,37) e obviamente seriam mais necessários nos países mais desfavorecidos, onde as condições de trabalho têm maior complexidade.

 

CONCLUSÃO

Apesar  da frequência do SB ser baixa entre os profissionais de saúde que assistem casos suspeitos e confirmados COVID-19 em Angola, o facto de existirem elevados níveis de cansaço emocional e despersonalização no início da pandemia é preditor da possibilidade de se vir a desenvolver a SB ante uma demanda de trabalho maior desencadeada pelo agravamento da situação epidemiológica. Este elemento deve ser tomado em conta pelos gestores do sistema de saúde para salvaguardar o bem-estar dos profissionais e de quem recebe os seus cuidados. As medidas sugeridas vão de encontro a algumas inquietações que os profissionais apresentaram enquanto respondiam ao questionário, nomeadamente: turnos de trabalho com períodos  mais reduzidos; integração de mais profissionais em equipes de serviço desfalcadas; incentivo às pausas ao longo do dia, alimentação adequada conforme o horário do dia e rica em nutrientes; criação de programas de apoio social, incentivo à prática de exercícios fisicos e de relaxamento, pagamento mensal dos subsídios de risco epidemiológico da COVID-19; Equipamento de Protecção Individual ( EPis ) disponíveis em quantidade e qualidade segundo o risco de contágio; maior disponibilidade de medicamentos e materiais de monitorização clínica dos doentes graves; integração de médico especialista em cuidados intensivos em cada turno de trabalho; bem como apoio e acompanhamento psicológico.

 

CONFLITOS DE INTERESSE

Nenhum potencial conflito de interesse foi referido pelos autores.

 

OUTRAS QUESTÕES ÉTICAS/LEGAIS

 Previamente ao início da investigação foi solicitado parecer ao Comité de Ética do Ministério da Saúde de Angola que teve o parecer nº28/2020 favorável à realização da pesquisa.


AGRADECIMENTOS

Pelo acesso aos dados:

Coordenação dos Centros de Tratamento e de Quarentena da COVID-19 MINSA, Luanda

Clínica Girassol

Hospital de Campanha de Viana FAA, Luanda

Instituto Nacional de Investigação em Saúde do MINSA, Luanda (INIS)

Centro de Saúde do Kawango-Benguela

Hospital Municipal da Catumbela- Benguela

 

REFERÊNCIAS

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26- Tavella G, Hadzi-Pavlovic D, Parker G. Burnout: Re-examining its key constructs. Psychiatry Research. 2020; 287:112917. DOI: 10.1016/j.psychres.2020.112917

27- Alvares M, Thomaz E, Carvalho T, Lamy Z, Nina R, Pereira M, Garcia J. Síndrome de burnout entre profissionais de saúde nas unidades de terapia intensiva: um estudo transversal com base populacional. Revista Brasileira de Terapia Intensiva; 2020; 32 DOI:10.5935/0103-507X.20200036

28- Maslach C, Schaufeli W, Leiter M. Job Burnout. Annual Review of Psychology. 2001; 52:397-422.  DOI:10.1146/annurev.psych.52.1.397

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30- Maglalang D, Sorensen G, Hopcia K, Hashimoto D, Katigbak K, Pandey S, et al. Job and family demands and burnout among healthcare workers: The moderating role of workplace flexibility. SSM – Population Health. 2021;14: 100802. DOI:10.1016/j.ssmph.2021.100802

31- Yates S. Physician stress and burnout. American Journal of Medicine. 2020:133:160-164.5. DOI: 1016/j.amjmed.2019.08.034

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33- Pfefferbaum B, North C. Mental Health and the Covid-19 Pandemic. New England Journal of Medicine. 2020; 383:510-512. DOI:10.1056/NEJMp2008017

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Tabela 1. Estratificação das subescalas do MBI–HSS

Subescala Baixo Médio Alto
Esgotamento ou cansaço emocional 0 –18 19 –26 27 –54
Despersonalização 0 –5 6 –9 10 –30
Realização pessoal  0 –33 34 –39 40 –56

 

 Tabela 2. Distribuição percentual de variáveis demográficas em profissionais que atendem pacientes com COVID – 19 segundo a província de residência,  Angola 2020

 

Variável

Província  

p valor

 

Total

Luanda Benguela
Nº. % Nº. % Nº. %
Sexo 0.301
Feminino 123 62,8 38 70,4 161 64,4
Masculino 73 37,2 16 29,6 89 35,6
Total 196 100,0 54 100,0 250 100,0
Grupos de idade 0.509
19 a 29 72 37,3 17 31,5 89 36,0
30 a 39 55 28,5 16 29,6 71 28,7
40 a 49 50 25,9 13 24,1 63 25,5
50 a 59 16 8,3 8 14,8 24 9,7
Total 193 100,0 54 100,0 247* 100
Escolaridade 0.362
Concluído  2º Ciclo 79 52,3 26 50,0 105 43,2
Licenciatura 94 62,3 25 48,1 119 49
Mestrado 5 3,3 1 1,9 6 2,5
Especialidade 11 7,3 0 0,0 11 4,5
Doutoramento 2 1,3 0 0,0 2 0,8
Total 191 78,6 52 21,4 243* 100
Especialidade 0.012
Enfermeiro 83 51,9 38 76,0 121 57.7
Técnico de Diagnóstico e Terapêutica Médico 37 23,1 5 10,0 42 20
Médico Especialista 29 18,1 7 14,0 36 17.1
Outros 11 6,9 0 0,0 11 5.2
Total 160 76.2 50 23.8 210* 100
Estado civil 0.382
Casado 126 64.9 40 75.5 166 67.2
Divorciado 67 34.5 13 24.5 80 32.4
Solteiro 1 0.5 0 0.0 1 0.4
Total 194 78.5 53 21.5 247* 100

* Estes totais diferem do universo de estudo (250) porque correspondem aos sujeitos de estudo que responderam esse item.


Tabela 3. Distribuição percentual de variáveis demográficas segundo o sexo de profissionais que atendem pacientes com COVID-19.
Angola, 2020.

 

Variável

Sexo  

p valor

        Feminino      Masculino
Nro. % Nro. %
Grupos de idade 0.055
19 a 29 49 30.8 40 45.5
30 a 39 48 30.2 23 26.1
40 a 49 42 26.4 21 23.9
50 a 59 20 12.6 4 4.5
Total 159 100.0 88 100.0
Escolaridade 0.772
Concluído  2º Ciclo 65 41.4 40 46.5
Licenciatura 78 49.7 41 47.7
Mestrado 5 3.2 1 1.2
Especialidade 8 5.1 3 3.5
Doutoramento 1 0.6 1 1.2
Total 157 64.6 86 35.4
Especialidade 0.142
Enfermeiro 84 60.0 37 52.9
Técnico de Diagnóstico e Terapêutica Médico 22 15.7 20 28.6
Médico Especialista 27 19.3 9 12.9
Outros 7 5.0 4 5.7
Total 140 66.7 70 33.3
Estado civil 0.382
Casado 107 66.9 59 67.8
Divorciado 53 33.1 27 31.0
Total 160 65.0 86 35.0

 

Tabela 4. Comportamento de pontuação média das subescalas de MBI-HSS segundo sexo e província de residência dos profissionais que atendem pacientes com COVID-19,  Angola 2020

 

Subescala

de MBI-HSS

Sexo  

T

 

p<0.05

Província  

T

 

p<0.05

 

Total

Fem.

n₌161

Mas.

n₌89

Luanda

n₌196

Benguela

n₌54

CE 3,171 ,002  

1,990

 

,048

Média 30,9 25,7   29,92 26,04 29,08
Desvio 12,3 12,9 12,84 12,21
Error ,97 1,3 ,92 1,66
DP 2,365 ,019 -,051 ,959
Promédio 11,7 9,.82 11,09 11,04 11,07
Desviação típica 6,51 5,708 6,45 5,75
Error 0,51 ,605 ,461 ,784
RP -,335 ,738 4,048 ,000
Promédio 41,4 41,72 42,50 37,87 41,5
Desviação típica 7,5 7,84 6,22 10,79
Error ,59 ,832 ,445 1,46

Legenda: Cansaço Emocional (CE) Despersonalização ( DP) Realização Profissional ( RP)

 

Tabela nº 5. Distribuição ordinal de valores por subescalas e diagnósticos de síndrome de Burnout de acordo MBI-HSS segundo o sexo em  profissionais que atendem  pacientes com COVID-19. Angola, 2020.

Variáveis Classes Sexo U de Mann-Whitney p<0.05
Feminino

n=161

Masculino n=89
No. % No. %
Cansaço emocional Baixo 32 19.9 35 39.3 5.484,5 0,000
Médio 30 18.6 17 19.1
Alto 99 61.5 37 41.6
Despersonalização

 

Baixo 37 23.0 30 33.7      6224 0,058
Médio 32 19.9 18 20.2
Alto 92 57.1 41 46.1
Realização pessoal

 

Baixo 24 14.9 12 13.5 6853,5 0,475
Médio 25 15.5 11 12.4
Alto 112 69.6 66 74.2
Diagnóstico Sem Síndrome

Burnout

151 93,8 85 95,5 6174 0,017
Com Síndrome Burnout 10 6.2 4 4.5

 

 Tabela 6. Distribuição ordinal de valores por subescalas e diagnóstico de síndrome de Burnout de acordo ao MBI-HSS segundo província de residência em profissionais que atendem pacientes com COVID-19. Angola, 2020.

Variáveis Classes Província U de Mann-Whitney p<0.05
Benguela

n₌54

Luanda

n₌196

No. % No. %
Avaliação do Cansaço emocional Baixo 18 33.3 49 25.0 4507,5 0.06
Médio 13 24.1 34 17.3
Alto 23 42.6 113 57.7
Avaliação da Despersonalização

 

Baixo 12 22.2 55 28.1 4848 0,30
Médio 10 18.5 0 0.0
Alto 32 59.3 101 51.5
Avaliação Realização pessoal

 

Baixo 13 24.1 23 11.7 3665 0,00
Médio 16 29.6 20 10.2
Alto 25 46.3 153 78.1
Diagnóstico Sem Síndrome

Burnout

49 90,7 187 95,4 5024,5 0.45
Com Síndrome Burnout 5 9.3 9 4.6

 

 

(1)Paula Regina Simões de Oliveira

Licenciada em Medicina, Mestre em Educação Médica, Doutorada em Ciências Farmacêuticas, Decana da Faculdade de Medicina da Universidade Katyavala Bwila-Benguela. Rua José Falcão, 67, 1725 Benguela, Angola. E- mail: pau.laregina@hotmail.com, https://orcid.org/0000-0002-9810-9017

(2)Diana Martín García

Licenciada em Medicina, Especialista 1º e 2º Grau em Genética, Doutora em Ciências, Professora Titular na Faculdade de Medicina da Universidade Katyavala Bwila, 1725 Benguela, Angola. E-mail: dianamg129@gmail.com,  https://orcid.org 0000-0002-5848-9051

(3)Osvaldo Canda Quipaca Kussecala Lueto

Licenciado em Medicina, Docente e Coordenador da Área Científica da Faculdade de Medicina da Universidade Katyavala Bwila. 1725 Benguela, Angola. E-mail: osvaldokipaca@hotmail.com

(4)Freddy Gómez Martinez

Licenciado em Medicina, Especialista e Mestre em Epidemiologia. Docente e Chefe de colectivo de ano na Faculdade de Medicina da Universidade Katyavala Bwila, 1725 Benguela, Angola. E-mail: freddygomez93@gmail.com,  https://orcid.org 0000-0002-9145-7756
(5)Chissengo Lucama Tchonhi

Licenciada em Medicina, Especialista em Pediatria, Doutorada em Biologia, Professora Associada da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto, Médica Pediatra da Clínica Girassol, 3520 Luanda, Angola. E-mail: chissengol@gmail.com, https//orcid.org/0000-0001- 6772-9830

(6)João Bernardo

Licenciado em Medicina, Especialista em Medicina Intensiva, Práctica de Medicina Intensiva na Unidade de Cuidados Intensivos da Clinica Sagrada Esperança, Coordenador dos Centros de Quarentena da COVID-19 MINSA, 3665 Luanda, Angola. E- mail:  joaobernardo1403@gmail.com

(7)Pedro Silva

Licenciado em Medicina, Especialista em Medicina Intensiva, Professor no Hospital Militar Principal/Instituto Superior (HMP/IS). Director Clinico do Hospital de Campanha de Viana, Prática de Medicina Intensiva na Unidade de Cuidados Intensivos do HMP/IS e Clínica Sagrada Esperança, ZEE-Viana, 3665 Luanda, Angola. E-mail: pedrosilva@gmail.com

(8)Marinela Vanessa de Faria Mirandela

 Licenciada em Farmacologia pela University of East London – Farmacóloga da clínica Girassol e Responsável pelo laboratório de vigilância do Poliovírus, 3665 Luanda, Angola. E-mail:  marinela.mirandela@hotmail.com,
https://orcid.org/0000-0001-8847-4136

(9)Inara Leónia Contreiras Gamboa

Licenciada em Medicina, Especialista em Pediatria, Pós- Graduação em Gestão Hospitalar, Pós – Graduanda em Gestão de Saúde Pública, Coordenadora do Centro COVID-19 da Clinica Girassol, 3520 Luanda, Angola. E-mail:   inaragamboa04@yahoo.com, https//orcid.org/0000-0001- 6772-9830

(10)Tânia Amaro

Licenciada em Medicina, Especialista em Clínica Médica e Cardiologia Clínica, Pós-graduanda em Gestão em Saúde, Médica Cardiologista da Clínica Girassol e subcoordenadora do Centro de tratamento Covid-19, 3520 Luanda, Angola.  E-mail: taniamaro22@gmail.com, https://orcid.org/0000-0002-3300-8215

 

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