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Estatuto editorial

Modulação das principais Patologias Cardiovasculares em contexto de Saúde e Segurança Ocupacionais

13 Março, 2026Artigos da Equipa Técnica, Artigos de Revisão

Santos M, Almeida A, Chagas D. Modulação das principais Patologias Cardiovasculares em contexto de Saúde e Segurança Ocupacionais. Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional online. 2026, esub0549. DOI: 10.31252/RPSO.14.03.2026

 

MODULATION OF THE MAIN CARDIOVASCULAR PATHOLOGIES IN THE CONTEXT OF OCCUPATIONAL HEALTH AND SAFETY

 

TIPO DE ARTIGO: Artigo de Revisão

 

AUTORES: Santos M(1), Almeida A(2), Chagas D(3).

 

RESUMO

Introdução/enquadramento/objetivos

Devido ao aumento da longevidade na generalidade dos países, também têm ficado potenciadas as incidências e prevalências de diversas patologias cardiovasculares, atingindo com maior frequência indivíduos mais jovens e, por isso, ainda em idade ativa; sendo que parte destas tem capacidade para alterar a capacidade de trabalho (de forma física, cognitiva e/ou emocional). Pretende-se com esta revisão resumir o que de mais pertinente e recente se publicou sobre esta problemática.

Metodologia

Trata-se de uma Revisão Bibliográfica, iniciada através de uma pesquisa realizada em maio de 2024 nas bases de dados “CINALH plus with full text, Medline with full text, Database of Abstracts of Reviews of Effects, Cochrane Central Register of Controlled Trials, Cochrane Database of Systematic Reviews, Cochrane Methodology Register, Nursing and Allied Health Collection: comprehensive, MedicLatina e RCAAP”.

Conteúdo

A prevalência da angina estável está estimada entre 2 a 4% da população geral dos países europeus ocidentais; ela consegue diminuir a qualidade de vida, mesmo com o apoio farmacológico. O impacto é superior nos mais jovens, dado geralmente apresentarem mais sintomas, para além de que, geralmente, são mais fisicamente ativos.

Uma parte significativa dos indivíduos que realizarão bypass cardíaco e/ou valvuloplastias não regressam ao trabalho ou ficam ausentes por períodos prolongados. O não estar a trabalhar pode perturbar a estabilidade económica e/ou a qualidade global de vida (ansiedade, insegurança, autoestima). A maioria dos que fazem este procedimento cardíaco está em idade ativa e, com o prolongamento da idade da reforma, é cada vez mais pertinente apostar neste tipo de reabilitação profissional. Num questionário aplicado a indivíduos com angina, 53% alegou ter alguma dificuldade laboral associada, sobretudo com tarefas fisicamente mais intensas; um quarto apresentou absentismo e um terço deixou de conseguir fazer atividades vigorosas.

Existem vários fatores sociodemográficos que modulam o regresso ao trabalho, nomeadamente idade, sexo, nível económico, área de residência, tipo de trabalho e habilitações- se mais elevadas geralmente aumentam a probabilidade de regressar ao trabalho, ainda que tal se relacione mais com as tarefas serem menos físicas. As habilitações também podem influenciar a qualidade de vida global e/ou o acesso a recursos psicológicos/emocionais. Indivíduos a residir em zonas rurais têm menor taxa de regresso ao trabalho; contudo, a área de residência também pode estar associada ao nível socioeconómico. O regresso ao trabalho é menos provável no sexo feminino. Indivíduos com mais qualidade de vida regressam mais cedo. O locus de controlo interno também potencia.

A reabilitação cardíaca pode ser definida como um programa coordenado e estruturado com o objetivo de eliminar ou atenuar as principais etiologias da doença cardiovascular, bem como proporcionar as melhores condições para o indivíduo continuar a desempenhar todos os seus papéis, potenciando as competências profissionais. Pretende diminuir os fatores de risco cardiovascular e potenciar a reintegração laboral, de forma a diminuir os custos para a sociedade, família e indivíduo. Ela potencia a função cardíaca e a tolerância ao esforço, melhorando a qualidade de vida e o estado emocional. Também fomenta um estilo de vida saudável (exercício, alimentação e cessação do tabagismo) e melhora o bem-estar global (diminuição da ansiedade e depressão). Os programas deverão incidir no exercício e no desenvolvimento da resiliência. Programas atrasados e/ou pouco adequados podem levar a hospitalizações mais prolongadas, retorno ao trabalho mais tardio e menor qualidade de vida. Alguns desistem por não percecionarem mudanças significativas a curto prazo. Contudo, na generalidade dos países, a maioria não entra em programas de reabilitação; sobretudo se do sexo feminino, com mais idade e com menor nível socioeconómico. Não está estipulado com rigor quais as caraterísticas que tornam um programa de reabilitação mais eficaz. Genericamente baseia-se em sessões de educação e promoção para a saúde, aconselhamento a nível de estilo de vida, gestão de stress e exercício.

A Fibrilação Auricular é uma importante causa de morbilidade, mortalidade e diminuição da qualidade de vida. Os sintomas abrangem as palpitações, dispneia, astenia, toracalgia, tontura e diminuição da capacidade física. A nível terapêutico, necessita de anticoagulação crónica.

A hemorragia subaracnoideia é um tipo de Acidente Vascular Cerebral, associado a elevada mortalidade e morbilidade. Geralmente é secundária à rotura de um aneurisma intracraniano, ainda que em cerca de 15% dos casos não se perceba a etiologia com rigor. Pode levar a limitações súbitas que alteram a capacidade de trabalhar. A evolução terapêutica aumentou o número de sobreviventes mas, por vezes, estes mantêm deficits físicos e/ou neuropsicológicos, não sendo raro ocorrer em idade ativa. Podem ficar alteradas a memória (verbal e visual), função executiva e a linguagem; tal pode se atenuar com o tempo em alguns casos. 2/3 dos indivíduos não conseguem regressar ao seu posto de trabalho, mesmo às vezes anos depois.

Discussão e Conclusões

Existem particularidades associadas a diversas patologias cardiovasculares que têm capacidade de alterar a capacidade de trabalho e influenciar a segurança do mesmo, sendo por isso necessários que os profissionais deste setor tenham alguns conhecimentos básicos sobre o tema, de forma a melhor adaptarem as tarefas de trabalho e assim obter melhores resultados a nível de satisfação do trabalhador, produtividade/desempenho, segurança e lucro para o empregador.

PALAVRAS-CHAVE: patologias cardiovasculares, angina de peito, enfarte agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, fibrilação auricular, aneurisma cerebral, saúde ocupacional, medicina do trabalho, enfermagem do trabalho e segurança no trabalho.

                                                                                                            

ABSTRACT

Introduction/Framework/Objectives

Due to increased longevity in most countries, the incidence and prevalence of various cardiovascular diseases has also increased, more frequently affecting younger individuals and, therefore, still of working age. Some of these conditions can affect work capacity, physically, cognitively, and/or emotionally. This review aims to summarize the most relevant and recent publications on this issue.

Methodology

This is a literature review, initiated through a search conducted in may of 2024 in the databases “CINALH plus with full text, Medline with full text, Database of Abstracts of Reviews of Effects, Cochrane Central Register of Controlled Trials, Cochrane Database of Systematic Reviews, Cochrane Methodology Register, Nursing and Allied Health Collection: comprehensive, MedicLatina, and RCAAP.”

Content

The prevalence of stable angina is estimated at 2 to 4% of the general population of Western European countries; it can reduce quality of life, even with pharmacological support. The impact is greater in younger people, as they generally experience more symptoms and are generally more physically active.

A significant proportion of individuals who undergo cardiac bypass and/or valvuloplasty do not return to work or are absent for prolonged periods. Not being able to work can disrupt economic stability and/or overall quality of life (anxiety, insecurity, self-esteem). Most of those undergoing these cardiac procedures are of working age, and with the extension of retirement age, investing in this type of professional rehabilitation is increasingly relevant. In a survey administered to individuals with angina, 53% reported some difficulty at work, especially with more physically intense tasks; a quarter reported absenteeism, and a third were unable to perform vigorous activities. Several sociodemographic factors influence return to work, including age, gender, economic status, area of residence, type of work, and qualifications. Higher education generally increases the likelihood of returning to work, although this is more related to less physical tasks. Qualifications can also influence overall quality of life and/or access to psychological/emotional resources. Individuals living in rural areas have a lower rate of return to work; however, area of residence can also be influenced by socioeconomic status. Returning to work is generally less likely for women. Individuals with a better quality of life return earlier. The internal locus of control also contributes.

Cardiac rehabilitation can be defined as a coordinated and structured program aimed at eliminating or mitigating the main etiologies of cardiovascular disease, as well as providing the best conditions for the individual to continue performing all their roles, enhancing their professional skills. It aims to reduce cardiovascular risk factors and promote reintegration into the workforce, thereby reducing costs for society, families, and individuals. It enhances cardiac function and exercise tolerance, improving quality of life and emotional well-being. It also promotes a healthy lifestyle (exercise, nutrition, and smoking cessation) and improves overall well-being (reducing anxiety and depression). Programs should focus on exercise and developing resilience. Delayed and/or inadequate programs can lead to longer hospital stays, later return to work and a lower quality of life. Some drop out because they don’t see significant changes in the short term. However, in most countries, the majority do not enter rehabilitation programs, especially if they are female, older and of lower socioeconomic status. The characteristics that make a rehabilitation program more effective are not precisely defined. Generally, it is based on health education and promotion sessions, lifestyle counseling, stress management, and exercise. Atrial fibrillation is a significant cause of morbidity, mortality, and decreased quality of life. Symptoms include palpitations, dyspnea, asthenia, chest pain, dizziness and decreased physical function. Treatment requires chronic anticoagulation.

Subarachnoid hemorrhage is a type of stroke associated with high mortality and morbidity. It is usually secondary to the rupture of an intracranial aneurysm, although in about 15% of cases the etiology is not clearly understood. It can lead to sudden limitations that affect the ability to work. Therapeutic developments have increased the number of survivors, but sometimes they maintain physical and/or neuropsychological deficits, not uncommonly occurring in working age. Memory (verbal and visual), executive function, and language may be affected. The deficits may attenuate over time only in some cases. Two-thirds of individuals are unable to return to their jobs, sometimes even years later.

Discussion and Conclusions

There are specific characteristics associated with various cardiovascular pathologies that can alter work capacity and impact work safety. Therefore, professionals in this sector need to have some basic knowledge on the subject to better adapt work tasks and thus achieve better results in terms of employee satisfaction, productivity/performance, safety and profit for the employer.

KEYWORDS: cardiovascular pathologies, angina pectoris, acute myocardial infarction, stroke, atrial fibrillation, cerebral aneurysm, occupational health, occupational medicine, occupational nursing, and workplace safety.

 

INTRODUÇÃO

Devido ao aumento da longevidade na generalidade dos países, também têm ficado potenciadas as incidências e prevalências de diversas patologias cardiovasculares, atingindo com maior frequência indivíduos mais jovens e, por isso, ainda em idade ativa; sendo que parte destas tem capacidade para alterar a capacidade de trabalho, física, cognitiva e/ou emocional. Pretende-se com esta revisão resumir o que de mais pertinente e recente se publicou sobre esta problemática.

 

METODOLOGIA

Em função da metodologia PICo, foram considerados:

–P (population): indivíduos em idade ativa e com patologia cardiovascular

–I (interest): reunir conhecimentos relevantes sobre de que forma algumas patologias cardiovasculares podem modular a saúde e segurança ocupacionais

–C (context): saúde e segurança ocupacionais aplicadas a funcionários com doenças cardovasculares.

Assim, a pergunta protocolar será: De que forma as principais patologias cardiovasculares poderão influenciar a satisfação, desempenho/produtividade, bem como o risco de sinistralidade no trabalho?

Foi realizada uma pesquisa em maio de 2024 nas bases de dados “CINALH plus with full text, Medline with full text, Database of Abstracts of Reviews of Effects, Cochrane Central Register of Controlled Trials, Cochrane Database of Systematic Reviews, Cochrane Methodology Register, Nursing and Allied Health Collection: comprehensive, MedicLatina e RCAAP”.

No quadro 1 podem ser consultadas as palavras-chave utilizadas nas bases de dados.

 

CONTEÚDO

As patologias cardiovasculares podem ter um impacto negativo na capacidade de trabalho, como é o caso do Enfarto Agudo do Miocárdio, doença cardíaca congénita e a insuficiência cardíaca. Estima-se que o risco de incapacidade laboral, 15 meses após o diagnóstico, possa ser três vezes superior (por comparação com a população geral), sobretudo nos indivíduos de nível socioeconómico mais baixo (1).

Angina de peito

A prevalência da angina estável está estimada entre 2 a 4% da população geral dos países europeus ocidentais; ela consegue diminuir a qualidade de vida, mesmo com o apoio farmacológico (mais no sexo feminino), uma vez que estas geralmente fazem medicação menos potente e/ou cirurgias menos interventivas; para além disso, o sexo feminino geralmente é fisicamente menos ativo; logo, com maior probabilidade apresenta parâmetros da síndroma metabólica. O impacto da angina instável é superior nos mais jovens, dado geralmente apresentarem mais sintomas e tal ser mais relevante para o quotidiano; para além de que, geralmente, são mais fisicamente ativos (2).

Uma parte significativa dos indivíduos que realizarão bypass cardíaco e/ou valvuloplastias não regressam ao trabalho ou ficam ausentes por períodos prolongados. O não estar a trabalhar pode perturbar a estabilidade económica do indivíduo e/ou a qualidade global de vida (ansiedade, insegurança, autoestima). A maioria dos indivíduos que faz estes procedimentos cardíacos está em idade ativa e, com o prolongamento da idade da reforma, é cada vez mais pertinente apostar neste tipo de reabilitação profissional (3). Num questionário aplicado a indivíduos com angina, 53% alegou ter alguma dificuldade laboral associada, sobretudo com tarefas fisicamente mais intensas. Um quarto apresentou absentismo. Um terço deixa de conseguir fazer atividades vigorosas (4).

Existem vários fatores sociodemográficos que modulam o regresso ao trabalho, nomeadamente idade, sexo, nível económico, área de residência, tipo de trabalho e habilitações. Habilitações mais elevadas geralmente aumentam a probabilidade de regressar ao trabalho, ainda que tal se relacione mais com as tarefas serem menos físicas. As habilitações também podem modular a qualidade de vida global e/ou o acesso a recursos psicológicos/emocionais. Indivíduos a residir em zonas rurais têm menor taxa de regresso ao trabalho (mas os estudos são contraditórios); aliás, a área de residência também pode ser modulada pelo nível socioeconómico. Para além disso, o regresso ao trabalho é menos provável no sexo feminino. Indivíduos com mais qualidade de vida regressam mais cedo ao trabalho. O locus de controlo interno também potencia o retorno (3).

Enfarte agudo do Miocárdio

-incidência/prevalência

45% dos indivíduos com EAM têm menos de 65 anos, pelo que estão inseridos na população ativa (5) (6) (7). Na Suécia esse valor foi quantificado em 30% (8).

Em alguns estudos, cerca de metade dos indivíduos que tiveram EAM apresentam pouca qualidade de vida, que se associa a coping insuficiente, estilo de vida não saudável e menos apoio social (9).

Eventual contributo etiológico das condições de trabalho

Há associação comprovada entre partículas da poluição atmosférica urbana, ruido e a doença cardiovascular; contudo, em contexto laboral, existem menos estudos. Ainda assim verificou-se que a exposição ocupacional às partículas emitidas pelos motores também conseguem aumentar o risco de EAM (nomeadamente hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, óxidos de nitrogénio, dióxido e monóxido de carbono, sobretudo para concentrações mais elevadas) (10).

O ruído tem efeitos cardiovasculares, nomeadamente hipertensão arterial, doença coronária e Acidente Vascular Cerebral (AVC), devido a atuar como stressor nos sistemas autonómico e endócrino (11).

Por sua vez, se a atividade desportiva diminuiu a morbilidade e mortalidade cardiovascular, a mobilização executada na generalidade dos trabalhos não é intensa o suficiente para proporcionar benefício. Para além disso, manusear cargas e/ou postura de pé mantida no trabalho parecem potenciar o risco de EAM. A Acrescentar que, com maior probabilidade, a atividade física laboral pode associar-se a taquicardia e/ou tensão arterial mais elevada (12).

O frio aumenta a mortalidade nos indivíduos com doença cardiovascular. Ele atua nos sistemas nervoso simpático e endócrino, levando a aumento da tensão arterial, da viscosidade sanguínea e vasoconstrição; mas varia com a zona do corpo mais exposta, tipo de arrefecimento e fatores individuais (11).

Indivíduos com más condições de trabalho, por sua vez, também apresentam com maior probabilidade tabagismo, alcoolismo, sedentarismo, obesidade, Hipertensão Arterial (HTA),  Diabetes Mellitus (DM), alterações do sono e síndroma depressivo (13).

Eventual contributo etiológico do Desemprego

O efeito que o desemprego possa ter na saúde cardiovascular não é muito claro. Parece que este pode potenciar o risco cardiovascular, independentemente da posição social e ambiente de trabalho e com efeito cumulativo ao longo do tempo. Alguns investigadores publicaram que o desemprego também potencia o risco cardiovascular de níveis sociais mais elevados e independentes do ambiente de trabalho (13).

Globalmente tal poder-se-á explicar parcialmente em função do consumo de álcool, tabaco, alimentação e menor atividade física. Indivíduos de níveis sociais mais baixos têm maior risco cardiovascular (tabagismo, alcoolismo, sedentarismo, obesidade, diabetes, HTA, EAM, dislipidemia, síndroma depressivo e alterações do sono; bem como menor capacidade de coping e menor acesso aos cuidados médicos). O aumento dos níveis de cortisol também poderá estar envolvido (13).

O desemprego crónico baixa ainda mais o nível social e, em caso de conseguir emprego, com maior probabilidade ele terá más condições (13).

Eventual contributo etiológico da Reforma

Contudo, a reforma não parece diminuir o risco de EAM, pelo contrário. Devido ao aumento da longevidade, também a idade da reforma tem sido progressivamente aumentada na generalidade dos países (14) e por isso existem trabalhadores mais idosos e com maior probabilidade de terem problemas médicos.

Se a reforma modula o estado de saúde, existem estudos com todos os resultados possíveis (melhora, piora e não interfere), sobretudo em função das condições de trabalho (14).

No entanto, de realçar que, indivíduos com problemas médicos, com maior probabilidade reformam-se mais cedo (14).

-impacto na Capacidade de Trabalho

Os sobreviventes de eventos cardio e cerebrovasculares agudos podem apresentar diminuição das suas capacidades e qualidade de vida, incluindo menor capacidade laboral e diminuição da capacidade de ganhar dinheiro. A diminuição do poder de compra, por sua vez, pode atenuar a adesão terapêutica. Para a sociedade em si existem os custos associados à diminuição da produtividade e das terapêuticas (15), uma vez que indivíduos com doença coronária podem precisar de períodos de ausência ao trabalho prolongados (sobretudo para casos de EAM, revascularização com bypass ou intervenção coronária percutânea) (16).

As limitações laborais por EAM são mais prováveis em indivíduos do sexo masculino, com mais idade e/ou em emigrantes de outros continentes (em contexto europeu), bem como a coexistência de comorbilidades emocionais e/ou físicas (alterações musculoesqueléticas, hipertensão, AVC, cancro, doença renal crónica), nível socioeconómico mais baixo, DM e a existência de mecanismos específicos de revascularização; pior estilo de vida, viver em zonas rurais e com menor acesso a programas de reabilitação (8). Para além disso, os que mantêm angina ativa estão fisicamente mais limitados (9).

Com maior probabilidade estes indivíduos sentirão depressão e ansiedade (9).

-programas de Reabilitação Cardíaca

O regresso ao trabalho é muito relevante, sobretudo nos mais jovens (16).

A reabilitação cardíaca pode ser definida como um programa coordenado e estruturado com o objetivo de eliminar ou atenuar as principais etiologias da doença cardiovascular, bem como proporcionar as melhores condições possíveis para o indivíduo continuar a desempenhar todos os seus papéis, potenciando as competências profissionais (16). Pretende diminuir os fatores de risco cardiovascular e potenciar a reintegração laboral, de forma a diminuir os custos para a sociedade, família e indivíduo. Ela potencia a função cardíaca e a tolerância ao esforço, melhorando a qualidade de vida e o estado emocional (9), ou seja, pretende repor física e psicologicamente as consequências do EAM (17). Também potencia um estilo de vida saudável (exercício, alimentação e cessação do tabagismo) e melhora o bem-estar global (diminuição da ansiedade e depressão).

Os programas que incidem apenas no exercício melhoram a atitude perante o trabalho, programa de reabilitação e a vida global (17). Ainda assim, estes deveriam também incidir no desenvolvimento da resiliência (18). Abordagens psicológicas podem modificar a perceção sobre a doença e das suas capacidades; combinar abordagens físicas e psicológicas potencia o sucesso (16).

Programas de reabilitação atrasados e/ou pouco adequados podem levar a hospitalizações mais prolongadas, retorno ao trabalho mais tardio (5) (16) e menor qualidade de vida (5).

Alguns desistem da reabilitação cardíaca porque não percecionam mudanças significativas a curto prazo (9).

Contudo, na generalidade dos países, a maioria dos pacientes não entra em programas de reabilitação; sobretudo se do sexo feminino, com mais idade e com menor nível socioeconómico.

Não está estipulado com rigor quais as caraterísticas que tornam um programa de reabilitação mais eficaz. Genericamente baseia-se em sessões de educação e promoção para a saúde, aconselhamento a nível de estilo de vida, gestão de stress e exercício. Geralmente os programas de reabilitação cardíaca usam o exercício cardiovascular para potenciar a capacidade funcional; ainda que alguns defendam que as atividades deveriam ser executadas no trabalho (16).

Devem ser analisados as exigências, barreiras e preocupações, bem como o que facilitará o regresso ao trabalho (19).

Num estudo sul-coreano, 88% dos indivíduos empregados regressavam ao trabalho até os primeiros três meses (19). Por sua vez, cerca de 63 a 94% dos indivíduos que têm EAM regressam ao trabalho, nos EUA, até o prazo máximo de seis meses (9).

-prognóstico

O EAM apresenta uma taxa de mortalidade elevada (18). Em países com sistema de saúde privatizado, há geralmente pior prognóstico (5). A mortalidade associada ao EAM parece ser superior em situações onde houve exposição a ruído e/ou ao frio; o mesmo não se verificou para o AVC (11). Os sobreviventes dos EAM têm de se adaptar a limitações físicas e/ou emocionais (18).

A ansiedade potencia a mortalidade pós-EAM e diminuiu ainda mais a qualidade de vida, sobretudo se se tratar de stress associado ao trabalho (muito esforço, carga de trabalho, interrupções) (18).

A falta de apoio social diminuiu a qualidade de vida e a capacidade de pedir e ter acesso a ajuda, prejudicando também o coping e a atenuação da ansiedade. Para além disso, pior coping pode dificultar o acesso a um estilo de vida saudável (9).

Os avanços terapêuticos permitiram aumentar a sobrevida aos eventos cardíacos, bem como como a qualidade de vida dos indivíduos, apesar dos eventos cardíacos serem cada vez mais frequentes (20). Ainda assim, apesar da evolução terapêutica, a síndroma coronária aguda mantém-se como uma importante etiologia de ausência ao trabalho e reforma precoce (21).

-regresso ao trabalho

O regresso ao trabalho após EAM é um processo multidimensional (6) (16), modulado por parâmetros clínicos (físicos e emocionais), sociodemográficos e laborais. No entanto, depende mais de questões sociais e laborais, do que clínicas (6).

Devido à evolução médica, as taxas de sobrevivência são melhores, pelo que o regresso ao trabalho se torna mais prevalente. Ele permite voltar à normalidade, também em termos económicos e sociais (19).

Nos EUA, na década de 80, os indivíduos com EAM regressavam ao trabalho em média após 75 dias; na europa esse valor passava para três a seis meses. As guidelines mais atuais recomendam um a três meses (5) [ 50 dias em média (5) (6)]; aliás, em indivíduos de baixo risco, em duas semanas poderão regressar às suas atividades normais (5). A taxa de regresso varia entre 60 a 93% (6).

A decisão médica de aconselhar regressar ao trabalho dependerá das sequelas, estado funcional, tipo de turnos (5), ansiedade laboral (5) (18) e a existência de riscos para terceiros (5) Contudo, o efeito da qualidade de vida e da resiliência parecem ser ainda superiores à modulação da ansiedade (18).

Menos de 50% regressa se ausente mais de três meses; se não voltarem até seis meses é pouco provável que o façam posteriormente (19). Contudo, quando se regressa demasiado cedo, pode surgir presenteismo (16).

Os fatores que modulam o regresso são:

-idade (5) mais avançada (16) (20)

-sexo feminino (mais dificilmente regressa ao trabalho) (19), eventualmente devido à jornada dupla ou até tripla (21)

-habilitações (5) (16)

-EAM prévios ou angina instável e respetiva gravidade (5) e/ou maior número de vasos atingidos (20)

-comorbilidades (5) (16) (19) como DM (5) (20), HTA e dislipidemia (5) e/ou patologia músculo-esquelética (21)

-necessidade de repouso (20)

-dor (20)

-tabagismo (19)

-autoperceção saúde (16)/gravidade (5)

-ansiedade (5) (16) (19) (20)

-depressão (5) (16) (19) (20)

-apoio social (19)

-diminuição da qualidade de vida (5)

-motivação para trabalhar (5)

-benefícios financeiros (5)

-nível socioeconómico (se inferior associa-se geralmente a regresso ao trabalho mais tardio) (16) (18)

-taxa de desemprego (5)

-tipo de tarefas (5)

-controlo laboral (16)

-satisfação/tensão laboral (16)

-capacidade de trabalho (16)

-elevada autoeficácia (16)

-autoprevisão de regresso (16)

-intervenções multidisciplinares e coordenadas (16) (22), incluindo reabilitação (16), bem como familiares, amigos e empregadores (19) e

-ausência ao trabalho prolongada (16) (no sentido do regresso ficar prejudicado) (19) (21) (22).

O medo de ter outro EAM pode levar a ansiedade intensa e os indivíduos poderão evitar atividades físicas; logo, poderão se sentir mais cansados e incapazes nas tarefas domésticas e/ou de lazer; o que, por sua vez, poderá potenciar o risco de depressão (19). O medo que possa existir esforço físico nas tarefas laborais pode prejudicar o regresso ao trabalho (9).

O sexo feminino tem menor taxa de regresso ao trabalho porque as mulheres que têm enfartos são geralmente mais velhas e com menos recursos socioeconómicos; genericamente não são casadas, trabalham só em part-time e têm menos acesso a cuidados médicos; elas também têm maior probabilidade de ter depressão e ansiedade; ou seja, pior qualidade de vida. Para além disso, por questões culturais o regresso ao trabalho é mais importante para o sexo masculino, ou seja, as mulheres valorizam mais a capacidade de realizar as tarefas domésticas e a sua vida social (19).

Mais habilitações geralmente implicam maior nível socioeconómico e trabalho com tarefas menos físicas, bem como maior satisfação laboral e, por isso, mais motivação para regressar. Com menos habilitações também fica mais difícil arranjar um trabalho sem exigências físicas (19).

Na legislação laboral da generalidade dos países está descrito que os empregadores não podem discriminar funcionários, em função de patologias; pelo contrário, deverão ter capacidade de adaptação e alterar o posto de trabalho, se necessário (23).

Os indivíduos que sofreram EAM podem-se sentir pressionados, isolados e/ou inferiores quando regressam ao trabalho, o que diminuirá a sua qualidade de vida (que, por sua vez, poderá ser potenciada pelo desenvolvimento de estratégias de coping e investimento no apoio social). Contudo, o regresso ao trabalho potencia a autoestima e a autoconfiança (9).

Por vezes, o regresso é desencorajado pelos familiares, devido a receio de más consequências. Esta atitude pode potenciar a ansiedade, isolamento, depressão e sensação de inferioridade (9).

Por outro lado, o retorno laboral pode diminuir o tempo e a anergia para participar nos programas de reabilitação cardíaca. A orientação vocacional também pode ser relevante neste contexto (9).

O regresso ao trabalho diminui os custos do evento e potencia a autoestima, estabilidade emocional e a capacidade económica (6).

O regresso geralmente é mais precoce quando o indivíduo criou o seu posto (porque geralmente têm menos estabilidade económica e/ou maior facilidade em adaptar as tarefas), tem mais habilitações e menos depressão (6).

Alguns atrasos no acesso à terapêutica adequada de reperfusão pós-EAM poderão reduzir a capacidade de regressar ao trabalho e/ou precipitar a reforma precoce, para além da mortalidade (7).  Ao longo dos anos a postura e as técnicas terapêuticas evoluíram muito, sendo que presentemente os pacientes são geralmente revascularizados e mobilizados nos primeiros dias.

Alguns investigadores defendem que fatores como sexo, etnia, estado civil, habilitações e profissão apresentam resultados contraditórios; tal como a diabetes, dislipidemia, tabagismo e a história familiar de doença cardíaca isquémica (20).

Indivíduos com síndroma coronário agudo que têm más condições de trabalho (carga, pouca autonomia) apresentam geralmente receio de regressar (21).

Fibrilação Auricular (FA)

A FA é uma importante causa de morbilidade, mortalidade e diminuição da qualidade de vida (24). Os sintomas abrangem as palpitações, dispneia, astenia, toracalgia, tontura e diminuição da capacidade física (25). A nível terapêutico, necessita de anticoagulação crónica (26).

Estimava-se que a prevalência em 2010 era de 1369 indivíduos do sexo masculino e 857 do feminino, por 100.000 habitantes com menos de 35 anos; a prevalência global estava calculada na ordem dos 3%; a incidência e prevalência aumentam com a idade (24) (25) (26) e no sexo masculino. Ou seja, esta patologia é razoavelmente frequente (25), defendendo alguns que se trata da disritmia mais frequente (27). Existem outros investigadores que consideram que a prevalência na população geral seja de um terço; podendo eventualmente aumentar devido à evolução da longevidade na generalidade dos países (24). Por sua vez, alguns publicaram que esta patologia tem a prevalência de cerca de 450 por 100.000 em contexto europeu (26).

Por vezes, ela ocorre junto com outras alterações cardiovasculares (insuficiência cardíaca (25) (26) (27), valvulopatia (25), HTA (25) (26) (27), EAM (1) (26) (1) (26), AVC (1) (26) (27)- cuja probabilidade de ocorrência diminuiu com a anticoagulação, hipertrofia ventricular esquerda (27)), bem como DM (26), doença respiratória, obesidade, tabagismo e alcoolismo (26) (27). Alguns publicaram que esta também pode ser mais frequente com a obesidade, apneia do sono, alcoolismo e esforço físico e/ou mental (25), Doença Pulmonar Crónica Obstrutiva, patologia renal (26); bem como com turnos laborais prolongados (24) (27)- por exemplo, alguns estimam que trabalhar 55 horas (versus 35 a 40) (26) há um risco de FA 40% superior (27). O trabalho por turnos associa-se a doença arterial coronária e AVC; mas a eventual associação com a FA é menos estudada- alguns defendem que esta associação parece existir nos menores que 40 anos. De realçar que o trabalho por turnos está associado à diminuição da variabilidade da frequência cardíaca e disfunção autonómica. Padrões de sono anormais também podem potenciar a situação (24).

A associação da FA com a inflamação é controversa (27).

A etiologia não é conhecida com rigor mas pensa-se que pode associar-se a alterações neurohormonais e/ou dos sistemas nervoso simpático e parasimpático, envolvendo o eixo hipotálamo-hipófise/suprarenal e respetivo aumento da produção de corticoides, com libertação potenciada de adrenalina e noradrenalina (25).

Apresenta geralmente maior risco com elementos com menor nível educacional e/ou que vivam sozinhos (1).

Aneurismas

A hemorragia subaracnoideia é um tipo de AVC, associado a elevada mortalidade e morbilidade.

Geralmente é secundária à rotura de um aneurisma intracraniano, ainda que em cerca de 15% dos casos não se perceba a etiologia com rigor (28). A hemorragia proveniente de um aneurisma subaracnóide pode levar a limitações súbitas que alteram a capacidade de trabalhar. A evolução terapêutica aumentou o número de sobreviventes mas, por vezes, estes mantêm deficits físicos e/ou neuropsicológicos, não sendo raro ocorrer em idade ativa. A nível neuropsicológico podem ficar alteradas a memória (verbal e visual), função executiva e a linguagem. Os deficits podem se atenuar com o tempo, mas noutras situações tal não acontece (29). 2/3 dos indivíduos não conseguem regressar ao seu posto de trabalho, mesmo às vezes anos depois; alterações na atenção complexa e função executiva perturbam o regresso ao trabalho (28). Está estimado que entre 6 a 60% dos indivíduos regressam ao mesmo trabalho, enquanto outros só voltam a trabalhar se trocarem para tarefas mais fáceis e, por vezes, mesmo assim com produtividade diminuída. O regresso é mais provável no sexo masculino e nos mais jovens. A parte emocional também poderá estar afetada por se sentirem dependentes de terceiros e por percecionarem as suas limitações (29). As alterações na capacidade de trabalho e de interagir socialmente podem implicar um peso relevante para a sociedade (28).

A mortalidade é de cerca de 20%. Contudo, como esta diminuiu, aumentou a morbilidade (29).

 

DISCUSSÃO/ CONCLUSÃO

Existem particularidades associadas a diversas patologias cardiovasculares que têm capacidade de alterar a capacidade de trabalho e influenciar a segurança do mesmo, sendo por isso necessários que os profissionais deste setor tenham alguns conhecimentos básicos sobre o tema, de forma a melhor adaptarem as tarefas de trabalho e assim obter melhores resultados a nível de satisfação do trabalhador, produtividade/desempenho, segurança e lucro para o empregador. Não se encontraram dados relativos à sinistralidade.

Seria relevante conhecer melhor a realidade portuguesa neste contexto.

 

CONFLITOS DE INTERESSE, QUESTÕES ÉTICAS E/OU LEGAIS

Nada a declarar.

 

AGRADECIMENTOS

Nada a declarar.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Quadro 1: Pesquisa efetuada

Motor de busca Password 1 e seguintes, caso existam Critérios Nº de documentos obtidos Nº da pesquisa Pesquisa efetuada ou não Nº do documento na pesquisa Codificação inicial
EBSCO (CINALH, Medline, Database of Abstracts and Reviews, Central Register of Controlled Trials, Cochrane Database of Systematic Reviews, Nursing & Allied Health Collection e MedicLatina) Heart attack -título e/ ou assunto

 

13.725 1 Não – –
+ work capacity 3 2 sim 1

2

3

C1

C2

C3

Acute myocardial infartaction 9.993 3 Não – –
+ work capacity 2 4 Sim 2 C4
Angina pectoris 1991 5 Não – –
+ work capacity 2 6 Sim 1 C5
Dysrhthimia 2932 7 Não – –
+ work capacity 0 8 Não – –
Arrhythia 19309 9 Não – –
+ work capacity 0 10 Não – –
Atrial fibrilation 19653 11 Não – –
+ work capacity   1 12 Sim – –
Heart attack+ work   481 13 Sim 1

2

6

7

10

11

61

68

83

84

89

93

96

107

113

134

136

137

161

204

291

C6

C7

C8

C9

C10

C11

C12

C13

C14

C15

C16

C17

C18

C19

C20

C21

C22

C23

C24

C25

C26

Angina pectoris+ work   64 14 Sim 1

4

A1

A2

Dysrhythnia+ work   103 15 Sim – –
Arrhythmia + work   91 16 Sim – –
Atrial Fibrilation+ work   495 17 Sim – –
Artherial Hypertension   19.115 18 Não – –
+ work   891 19 Não – –
+ work capacity   3 20 Sim – –
+ return to work   1 21 Sim – –
+ work risk   439 22 Sim 4

13

132

H1

H2

H3

Stroke   63.230 23 Não – –
+ work capacity   16 24 Sim 1

2

3

4

5

7

8

10

S1

S2

S3

S4

S5

S6

S7

S8

Aneurism   12.041 25 Não – –
+ work   16 26 Sim – –
+ limitations   10 27 Sim – –
+occupational   7 28 Sim – –
RCAAP Ataque cardíaco -2013 a 2023

-acesso a resumo

-acesso a texto completo

2 29 Sim – –
Enfarte Agudo do Miocárdio 200 30 Sim – –
Angina de peito 21 Sim – –
Disritmia 0 Não – –
Arritmia 32 Sim – –
Fibrilação Auricular 177 Sim – –
Hipertensão Arterial 1923 Não – –
+ trabalho 12 Sim – –
Acidente Vascular Cerebral 1039 Não – –
+ trabalho 3 Sim – –
Trombose 352 Não – –
+ trabalho 0 Não – –
Aneurisma 2044 Não – –
+ abdominal 134 Sim – –
+ cerebral 32 Sim – –

NOTA: devido à falta de bibliografia em alguns subtemas, foi executada uma pesquisa no motor de buscar Google e selecionaram-se s seguintes documentos: Auricular Fibrilation work  limitations (FA1 a FA5); Hypertension work limitations (H4);Stroke work limitations (G1 a G9) e Aneurism work limitations (An1 e An2).

 

 

 

(1)Mónica Santos

Licenciada em Medicina; Especialista em Medicina Geral e Familiar; Mestre em Ciências do Desporto; Especialista em Medicina do Trabalho; Diretora da Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional online; Técnica Superior de Segurança no Trabalho; Doutorada em Segurança e Saúde Ocupacionais. Endereços para correspondência: Rua da Varziela, 527, 4435-464 Rio Tinto. E-mail: s_monica_santos@hotmail.com. ORCID Nº 0000-0003-2516-7758

Contributo para o artigo: seleção do tema, pesquisa, seleção de artigos, redação e validação final.

(2)Armando Almeida

Escola de Enfermagem (Porto), Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa; Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde; Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional. 4420-009 Gondomar. E-mail: aalmeida@ucp.pt. ORCID Nº 0000-0002-5329-0625

Contributo para o artigo: seleção de artigos, redação e validação final.

(3)Dina Chagas

Doutorada em Higiene, Saúde e Segurança no Trabalho; Pós-Graduada em Segurança e Higiene do Trabalho; Pós-Graduada em Sistemas Integrados de Gestão, Qualidade, Ambiente e Segurança. Professora convidada no ISEC Lisboa. Membro do Conselho Científico de várias revistas e tem sido convidada para fazer parte da comissão científica de congressos nos diversos domínios da saúde ocupacional e segurança do trabalho. Colabora também como revisor em várias revistas científicas. Galardoada com o 1.º prémio no concurso 2023 “Está-se Bem em SST: Participa – Inova – Entrega-Te” do projeto Safety and Health at Work Vocational Education and Training (OSHVET) da EU-OSHA.1750-142 Lisboa. E-Mail: dina.chagas2003@gmail.com. ORCID N.º 0000-0003-3135-7689.

Contributo para o artigo: seleção de artigos, redação e validação final.

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