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Estatuto editorial

A Realidade do Psicólogo de um Serviço de Saúde Ocupacional numa Unidade Local de Saúde

27 Abril, 2026Artigos de Revisão

Branco B, Bernardes S. Realidade do Psicólogo de um Serviço de Saúde Ocupacional numa Unidade Local de Saúde. Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional online. 2026; 21: esub0565. DOI: 10.31252/RPSO.16.05.2026

 

A REALIDADE DO PSICÓLOGO DE UM SERVIÇO DE SAÚDE OCUPACIONAL NUMA UNIDADE LOCAL DE SAÚDE

THE REALITY OF A PSYCHOLOGIST IN AN OCCUPATIONAL HEALTH SERVICE A LOCAL HEALTH UNIT

 

TIPO DE ARTIGO: Artigo de Revisão

Autores: Branco B(1), Bernardes S(2).

RESUMO

Introdução

A psicologia do trabalho tem-se revelado uma área emergente, acrescentando cada vez mais, um maior valor num serviço de saúde ocupacional. Trabalha de forma integrativa com os restantes profissionais, por um objetivo comum, relacionado com a prevenção dos riscos profissionais, a proteção da saúde e bem-estar dos trabalhadores, bem como a promoção de ambientes de trabalho saudáveis. Considerando que cerca de 27% dos trabalhadores sofre de stress, ansiedade ou depressão causados ou agravados pelo trabalho, o objetivo do presente relato descritivo institucional foca-se em reforçar a importância de existir uma resposta adequada aos problemas de saúde psicológica para os profissionais.

Metodologia

Foi realizada uma revisão narrativa da literatura com pesquisa nas bases de dados: EBSCO, SciELO, PubMed, EU-OSHA, PORDATA, DGS, OMS. Foi incluída bibliografia em português e inglês, excluída aquela que não permitia acesso ao texto integral. Posteriormente procurou dar-se a conhecer o trabalho desenvolvido num Serviço de Saúde Ocupacional português.

Conteúdo 

O psicólogo do trabalho, foca-se na avaliação dos fatores de risco psicossociais, nomeadamente a natureza, conteúdo e carga de trabalho; as condições, organização e tempo de trabalho; os contextos sócio relacionais do trabalho e relação trabalho/vida familiar, social e cultural. Para isto, o psicólogo segue três tipos de prevenção: primária, secundária e/ou terciária. Dos motivos que levam os profissionais a uma consulta de psicologia ocupacional, destacam-se o burnout, os conflitos laborais, o idadismo e o assédio moral.

Discussão

A emergência dos riscos psicossociais reforça a necessidade dos psicólogos nas equipas de saúde ocupacional, uma vez que estes profissionais estão capacitados para avaliar e intervir sobre estas problemáticas. O psicólogo avalia sintomas, causas e consequências das problemáticas abordadas em consulta individual, podendo realizar formações relacionadas com motivos específicos do contexto laboral.

Conclusão

A avaliação, prevenção e intervenção dos riscos ocupacionais, fazem parte das diretrizes de segurança e saúde no trabalho. Sendo responsabilidade do psicólogo os riscos psicossociais, é necessária a presença destes profissionais nas equipas de Saúde Ocupacional.

PALAVRAS-CHAVE: fatores de risco psicossociais, psicologia, burnout, violência, gestão de conflitos, saúde ocupacional.

ABSTRACT

Introduction

Occupational psychology has proven to be an emerging field, increasingly adding value to occupational health services. It works in an integrative way with other professionals towards a common goal related to the prevention of occupational risks, the protection of workers’ health and well-being and the promotion of healthy work environments. Considering that approximately 27% of workers suffer from stress, anxiety or depression caused or aggravated by work, the objective of this institutional descriptive report is to reinforce the importance of having an adequate response to the psychological health problems of professionals.

Methodology

A narrative literature review was conducted using the following databases: EBSCO, SciELO, PubMed, EU-OSHA, PORDATA, DGS, WHO. Bibliography in Portuguese and English was included, excluding those that did not allow access to the full text. Subsequently, the work developed in a Portuguese Occupational Health Service was presented.

Content

The occupational psychologist focuses on assessing psychosocial risk factors, namely the nature, content, and workload; working conditions, organization and time; the socio-relational contexts of work; and the work/family, social, and cultural relationship. To this end, the psychologist follows three types of prevention: primary, secondary and/or tertiary. Among the reasons that lead professionals to seek occupational psychology consultation we find burnout, work-related conflicts, ageism, violence and harassment.

The emergence of psychosocial risks reinforces the need for psychologists in occupational health teams, since these professionals are trained to assess and intervene in these issues. The psychologist evaluates symptoms, causes and consequences of the problems addressed in individual consultations and can also provide training related to specific workplace issues.

Conclusion

The assessment, prevention and intervention of occupational risks are part of workplace safety and health guidelines. Since psychosocial risks fall under the responsibility of psychologists, their presence on Occupational Health teams is necessary.

KEYWORDS: psychosocial risk factors, psychology, burnout, violence, conflict management, occupational health.

 

 

INTRODUÇÃO

Na última década, a emergência de riscos psicossociais tem vindo a ser um importante tópico da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA). O último inquérito refere que 27% dos trabalhadores sofrem de stress, ansiedade e/ou depressão causados ou agravados pelo trabalho (1).

Portugal encontra-se entre os países da União Europeia com maior número de horas de trabalho semanais, com uma percentagem de 9,2%, comparativamente a 6,6% da média da União Europeia (2). Esta carga de trabalho aumenta os problemas de saúde psicológica e o stress, que contribuem para que o número de faltas ao trabalho aumente em cerca de seis dias por ano e do presentismo com aproximadamente doze dias anuais (3). Estes dados revelam a necessidade de acolher a saúde psicológica nos contextos laborais (em particular na área da saúde, uma vez que em ambiente hospitalar os riscos psicossociais mais severos são os ritmos intensos de trabalho, as exigências cognitivas e emocionais) (4).

A Psicologia do Trabalho, apesar de ser uma área emergente, surge como integrante de uma equipa multidisciplinar que caracteriza um Serviço de Saúde Ocupacional, juntamente com as restantes áreas: a Medicina, Enfermagem, Segurança e Ergonomia. Por um objetivo comum, os profissionais que integram uma equipa de Saúde Ocupacional, seguem três princípios fundamentais: a prevenção dos riscos profissionais, a proteção da saúde e bem-estar dos trabalhadores e a promoção de ambientes de trabalho saudáveis (5).

O reconhecimento desta área surgiu durante o século XIX, após a Revolução Industrial, quando se começou a identificar que os contextos laborais tinham influência física e mental na saúde dos trabalhadores. Apesar disto, foi apenas durante a segunda metade do século XX que a psicologia do trabalho seguiu a vertente da investigação abordando a relação entre o trabalho e a saúde dos colaboradores (6). Desde esta altura que o psicólogo nesta área se tem vindo a desenvolver. O presente artigo, procura dar a conhecer o contributo deste profissional no Serviço Nacional da Saúde (SNS), mostrando a sua presença nas diferentes Unidades Locais de Saúde (ULS), bem como a sua importância em todas as instituições.

Atualmente, em Portugal existem 39 ULS; segundo a pesquisa exploratória realizada no âmbito do desenvolvimento do presente artigo, nos sites oficiais das mesmas, apenas cinco fazem referência à existência de um psicólogo na equipa de Saúde Ocupacional (Alto Minho, Barcelos/Esposende, Cova da Beira, Santo António e São José).

Em Setembro de 2025, existiam cerca de 154 mil trabalhadores no SNS (7). Segundo a Resolução nº158/2021 da Assembleia da República (8), o rácio de psicólogos no contexto da saúde deveria ser de 1 por cada 5000 habitantes. Apesar de não existirem dados que refiram que devem existir determinado número de psicólogos para cada determinado número de profissionais de saúde, podemos considerar os dados referidos em cima. Existindo 154 mil trabalhadores no SNS, deveriam ser assegurados a nível nacional 31 psicólogos. Tendo em consideração que este número não vai de encontro à realidade observada e que os indicadores de problemas psicológicos têm vindo a aumentar, o objetivo do presente artigo é reforçar a importância de existir uma resposta psicológica para os profissionais adaptada ao contexto, mostrando, através de um relato descritivo institucional, o seu papel.

PERGUNTA

Qual a importância do psicólogo nos Serviços de Saúde Ocupacional?

METODOLOGIA

Foi realizada uma revisão narrativa da literatura, através de uma pesquisa bibliográfica que teve como objetivo expor a literatura existente sobre o trabalho do psicólogo de um Serviço de Saúde Ocupacional. A pesquisa foi realizada nas seguintes bases de dados: EBSCO, SciELO, PubMed, EU-OSHA, PORDATA, DGS, OMS, foram considerados artigos, documentos institucionais e legislação relevante para o tema em análise, redigidos em português e inglês. Utilizaram-se os seguintes descritores (“saúde ocupacional”) e (“psicologia ocupacional” ou “psicologia do trabalho). Foram excluídos artigos e documentos que não permitiam acesso ao texto integral.

Considerando a literatura existente, procurou dar-se a conhecer o trabalho desenvolvido no Serviço de Saúde Ocupacional da ULS dos autores deste artigo.

CONTEÚDO

Um Serviço de Saúde Ocupacional deve contar com a colaboração de um especialista responsável pela prevenção dos riscos psicossociais. Esta deve ser uma atividade permanente, sistémica, total e participada (9). Os riscos psicossociais, estão distribuídos por quatro categorias: 1) natureza, conteúdo e carga de trabalho; 2) condições, organização e tempo de trabalho; 3) contextos sócio relacionais do trabalho; e 4) relação trabalho/vida familiar, social e cultural. Cada um destes fatores possui diversos conceitos associados, como 1) a monotonia, a repetibilidade de tarefas e a intensidade do ritmo de trabalho; 2) as condições inadequadas do ambiente, os turnos e o horário noturno; 3) a falta de suporte social e os conflitos laborais e 4) o conflito trabalho-família (10). Aguiar Coelho (9) afirma que o profissional mais habilitado para intervir nestes riscos é o psicólogo.

Para a prevenção dos riscos psicossociais, este pode seguir três tipos de prevenção: primária, secundária ou terciária, que podem ocorrer individual ou simultaneamente. A primeira surge quando ainda não existe exposição aos riscos psicossociais, procurando assim, informar acerca dos riscos existentes (isto é, formações e campanhas de sensibilização). A segunda destina-se aos indivíduos que já se encontram expostos a riscos psicossociais e tem como objetivo rastrear e diagnosticar precocemente estes trabalhadores, garantindo que não existe agravamento da situação (por exemplo, através das consultas de psicologia ocupacional). Por sua vez, a terceira foca-se no dano psicossocial já causado, onde se procura a reabilitação clínica e reencaminha para outras especialidades, caso seja necessário (9) (10).

A atuação do psicólogo vai para além do contexto clínico e individual, trabalhando numa dualidade fundamental. A nível organizacional, permite às instituições o alcance de metas e objetivos, através da atuação a nível individual, objetivando a promoção da satisfação laboral, a produtividade e o desempenho dos colaboradores (11).

No contexto individual existem, de facto, motivos laborais que levam os profissionais de saúde a uma consulta de psicologia ocupacional, nomeadamente situações de burnout, conflitos laborais, situações de violência e assédio moral.

O primeiro, ocorre pela exposição a situações de stress no local de trabalho e caracteriza-se pela tríade entre exaustão emocional, diminuição da sensação de realização profissional e despersonalização (10). A exaustão emocional não é suficiente para considerar que um trabalhador está em burnout, mas é o elemento da tríade que leva ao surgimento dos restantes. Um profissional que atinge um estado de exaustão, tende a distanciar-se das suas funções laborais, assumindo muitas vezes uma atitude de indiferença perante o trabalho, definindo assim a despersonalização. Consequentemente, surge uma diminuição da realização profissional, por ser difícil um indivíduo permanecer satisfeito com algo que aumenta a sobrecarga e a dissociação trabalhador-trabalho (12).

Relativamente às questões da violência, numa primeira instância, de forma a prevenir uma escalada ou situações de assédio graves, realiza-se a gestão do conflito, através da mediação/negociação deste entre os intervenientes (11). A violência caracteriza-se por diversos tipos de comportamentos que podem ser agrupados em violência verbal, física ou sexual. São exemplo disso invasão da vida pessoal, agressões físicas, agressões sexuais, entre outros, muitas das vezes em forma de gestos ou posturas. O assédio moral é uma forma de violência verbal/psicológica e surge muitas vezes de forma pouco visível, com o objetivo de perturbar ou constranger o outro, afetar a sua dignidade ou criar um ambiente intimidativo. Neste caso, distingue-se da violência comum por ocorrer de forma sistemática e não como um caso pontual (13).

Apesar destes motivos, o trabalho do psicólogo ocupacional vai além do alcance de metas e objetivos das instituições e do bem-estar exclusivamente laboral, uma vez que procura o bem-estar geral dos trabalhadores. Assim, os motivos da consulta de psicologia podem também estar relacionados com questões pessoais que podem impactar a vida laboral. Entre eles, surgem questões da vida familiar, sendo este o tema com mais literatura no âmbito das questões pessoais com impacto na vida profissional. Portugal é um dos países da União Europeia onde existe maior número de mulheres no mercado de trabalho (84% das mulheres entre os 25 e os 54 anos), comparativamente ao valor da média europeia (77%) (14). Tal facto faz com que o nosso país seja considerado um dos mais desafiantes em termos de conciliação trabalho-vida familiar, verificando-se que este fenómeno é bidirecional, afetando negativa e mutuamente o outro domínio (15).

Segundo a Ordem dos Psicólogos Portugueses (11), fazem parte das funções do psicólogo do trabalho a avaliação psicológica dos trabalhadores da instituição e ainda a avaliação, prevenção e intervenção dos riscos psicossociais; a promoção da saúde ocupacional; a resolução de conflitos laborais e a intervenção em situações de crise e emergência.

DISCUSSÃO

O presente artigo procurou expor o trabalho do psicólogo de um serviço de saúde ocupacional. Segundo as funções defendidas pela Ordem dos Psicólogos Portugueses (11), no âmbito da avaliação psicológica dos trabalhadores da instituição, no caso específico da ULS dos autores deste artigo, segundo um procedimento interno, realiza esta avaliação em consulta individual, na admissão de todos os novos funcionários. O objetivo é contribuir para a promoção e literacia sobre saúde mental; e participar na avaliação da aptidão dos profissionais, sendo relevante para identificar riscos psicossociais pré-existentes, avaliando as competências para as funções a desempenhar no posto de trabalho, assim como fornecer acompanhamento, prevenindo que a exposição aos riscos evolua para um dano grave (9). Os profissionais podem agendar consulta sempre que considerarem necessário, por referenciação do médico/enfermeiro do trabalho ou pelo superior hierárquico.

Um dos motivos laborais que mais levam os profissionais a requererem apoio psicológico, seja por indicação de colegas/chefias, é o burnout (12). No Serviço de Saúde Ocupacional retratado neste artigo, o psicólogo funciona como um agente avaliador de sintomas, causas e consequências face a um fenómeno em que o próprio tende a negar e na maioria das vezes são os colegas e/ou os superiores hierárquicos que referenciam. Intervêm ainda, nas várias fases desde o reconhecimento, no acompanhamento e no regresso ao trabalho.

Paralelamente, um dos outros motivos para a consulta é a dificuldade na conciliação trabalho-vida pessoal (15). Neste caso, o Serviço de Saúde Ocupacional definiu um procedimento hospitalar onde é disponibilizada uma consulta de apoio psicológico ao trabalhador, que pode abranger a sua família direta, tendo como objetivo atuar sobre questões familiares para que estas tenham menor impacto negativo no desempenho laboral dos colaboradores.

Relativamente à avaliação, prevenção e intervenção dos riscos psicossociais, definidos como função do psicólogo do trabalho (11), a psicologia do Serviço de Saúde Ocupacional, após a devida avaliação, realiza diversas formações em serviço relacionadas com temas específicos do contexto laboral (violência no local de trabalho, idadismo, burnout e assédio), desenvolve artigos para a newsletter da ULS, sensibilizando para temas relevantes em datas importantes, e participa em programas do grupo do bem-estar da ULS. No que diz respeito à resolução de conflitos laborais existe uma metodologia inovadora, que consiste num projeto de mediação de conflitos cuja intervenção se foca em sessões que envolvam todos os intervenientes do conflito e o/os respetivo/s superior/es hierárquico/s (16). Inicia-se habitualmente com relatos de incidentes numa plataforma interna, onde todos são convidados para uma consulta individual, posteriormente é realizada a sessão de mediação com a presença de todos, onde o psicólogo é a figura neutra e que promove de forma ética e confidencial a resolução do conflito. Por último, relativamente à intervenção em situações de crise e emergência, segundo o procedimento interno, a resposta da saúde ocupacional é integradora e segue três níveis: o individual, com consultas de psicologia; o grupal com programas de intervenção e apoio envolvendo lideranças e todos os profissionais, formação e desenvolvimento de competências de autorregulação emocional das equipas; e o organizacional, através de procedimentos que disponibilizam informação sobre o apoio no luto, atuações em caso de violência no local de trabalho, prevenção de comportamento aditivos e dependências no local de trabalho. Importa ainda referir que existe um Programa de Admissão e Integração (P.A.I.), obrigatório para todos novos profissionais da ULS, no qual participam vários serviços, entre eles o de Saúde Ocupacional, que faz uma sensibilização de todos os riscos ocupacionais, entre eles, os psicossociais.

CONCLUSÃO

Exposta a literatura e o trabalho desenvolvido por uma equipa de Saúde Ocupacional numa ULS portuguesa, importa reforçar que fazem parte das diretrizes de segurança e saúde no trabalho a avaliação, prevenção e intervenção dos riscos ocupacionais, nomeadamente químicos, físicos, biológicos, psicossociais e biomecânicos (17). Segundo o Artigo 15.º do Decreto-Lei n.º 102/2009, do Regime Jurídico da Promoção da Segurança e Saúde no Trabalho (18), são obrigações gerais do empregador garantir que estes riscos não constituem um perigo para a segurança e saúde dos trabalhadores. Considerando a dispersão de áreas que se dedicam à compreensão destes riscos, desde a medicina, à ergonomia e à psicologia, pode justificar-se a existência de um profissional especializado, dedicado a cada um deles. Tal facto, vai de encontro ao defendido por Aguiar Coelho (9), para o alcance do bem-estar geral dos colaboradores de uma instituição, deve ser o psicólogo o responsável pelos riscos psicossociais, o que requer a presença de mais profissionais desta área nas equipas de Saúde Ocupacional.

QUESTÕES ÉTICAS

Os autores declaram não existir implicações éticas e/ou legais.

CONFLITOS DE INTERESSE

Os autores declararam não ter conflitos de interesse.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Riscos psicossociais e saúde mental no trabalho. European Agency for Safety and Health at Work. S.d. Disponível em https://osha.europa.eu/pt/themes/psychosocial-risks-and-mental-health
  • Walker, L. Em que países da UE é que as pessoas trabalham mais horas por semana? Euronews. 2025. Disponível em https://pt.euronews.com/my-europe/2025/08/26/em-que-paises-da-ue-e-que-as-pessoas-trabalham-mais-horas-por-semana
  • Mais Produtividade. O envolvimento dos psicólogos do trabalho na construção de um local de trabalho saudável. S.d. Disponível em https://maisprodutividade.org/psicologos-do-trabalho/o-envolvimento-dos-psicologos-do-trabalho-na-construcao-de-um-local-de-trabalho-saudavel/
  • Claudino M, Pinote S e Manzano M. Avaliação dos Fatores de Risco Psicossociais em Profissionais de Saúde num Centro Hospitalar Central. Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional Online. 2024; 17: esub0429. https://doi.org/10.31252/RPSO.10.02.2024
  • Nogueira J, Moreira S. Programa nacional de saúde ocupacional (PNSOC) – Extensão 2018/2020. Direção-Geral da Saúde. 2018. Disponível em https://www.arsalgarve.min-saude.pt/wp-content/uploads/sites/2/2018/12/PNSO_2018_2020.pdf
  • Chambel M. Psicologia da saúde ocupacional: Desenvolvimento e desafios. Em Chambel M, editor. Psicologia da saúde ocupacional. Lisboa: PACTOR; 2016; 1: 3-23.
  • Serviço Nacional de Saúde. Trabalhadores por grupo profissional. Portal da Transparência do SNS. 2025. Disponível em https://transparencia.sns.gov.pt/explore/dataset/trabalhadores-por-grupo-profissional/
  • Assembleia da República. Resolução n.º 158/2021 [Recomenda ao Governo o reforço das respostas e estratégias na área da saúde mental]. Diário da República n.º 108/2021, Série I. 2021. Disponível em https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/resolucao-assembleia-republica/158-2021-164590040
  • Aguiar Coelho J. Psicólogo da saúde ocupacional – o desafio continua. Lema d’Origem. 2025
  • Direção Geral da Saúde. Guia técnico nº 3: Vigilância da saúde dos trabalhadores expostos a fatores de risco psicossocial no local de trabalho. Lisboa: Direção Geral da Saúde. 2021
  • Ordem dos Psicólogos Portugueses (2015). Os Psicólogos Valorizam a sua Organização. Lisboa: Ordem dos Psicólogos Portugueses. 2015. Disponível em https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/perfil_psicologos_trabalho_f.pdf
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  • Tolfo S, Silva N, Nunes T, Cugnier J. Assédio moral no trabalho: Conceitos, aspetos culturais e de gestão de recursos humanos, consequências e possibilidades de intervenção. Em Chambel M, editor. Psicologia da saúde ocupacional Lisboa: PACTOR. 2016: 259-283.
  • Dia da Mulher 2025: Pordata retrata o perfil da mulher em Portugal. Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos. 2025. Disponível em https://www.pordata.pt/sites/default/files/2025-03/2025_03_8_pr_dia_da_mulher_final_2.pdf
  • Carvalho V e Chambel M. A relação trabalho-família. Em Chambel M, editor. Psicologia da saúde ocupacional. Lisboa: PACTOR. 2016: 187-213.
  • Bernardes S. STOP ambientes tóxicos no sector da saúde – a experiência de 2 anos do Gabinete de Mediação de Conflitos. Revista Segurança. 2023. Disponível em https://revistaseguranca.pt/2023/12/16/stop-ambientes-toxicos-no-sector-da-saude-a-experiencia-de-2-anos-do-gabinete-de-mediacao-de-conflitos/
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  • Assembleia da República. Lei n.º 102/2009 – Regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho. Diário da República. 2009. Disponível em https://files.dre.pt/1s/2009/09/17600/0616706192.pdf

 

 

 

(1)Beatriz Branco

Psicóloga Júnior do Serviço de Saúde Ocupacional da ULS de São José, Mestre em Psicologia da Saúde pelo ISPA. MORADA COMPLETA PARA CORRESPONDÊNCIA DOS LEITORES: Avenida do Lidador, n°327, São João do Estoril, 2765-333 Estoril. E-MAIL: beatriz_branco_99@hotmail.com

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: Desenho e elaboração do artigo; pesquisa bibliográfica; revisão do manuscrito.

(2)Sónia Bernardes

Psicóloga especialista em Psicologia Clínica e da Saúde Ocupacional; Mestre em Psicologia da Saúde; Pós-graduada em gestão para profissionais de saúde; orientadora e supervisora de estágios no âmbito da saúde ocupacional. 2610-289 Lisboa. E-MAIL: sonia.pinote@ulssjose.min-saude.pt

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: Revisão crítica do manuscrito.

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