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Estatuto editorial

Violência do Pré-hospitalar português: uma análise da exposição dos profissionais aos Riscos Ocupacionais

5 Abril, 2026Artigos Originais

Fernandes A, Sá L, Ferreira A. Violência do Pré-hospitalar português: uma análise da exposição dos profissionais aos Riscos Ocupacionais. Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional online. 2025, esub0553. DOI: 10.31252/RPSO.04.04.2026

 

VIOLENCE IN PORTUGUESE PRE-HOSPITAL SETTINGS: AN ANALYSIS OF PROFESSIONALS’ EXPOSURE TO OCCUPATIONAL RISK

 

Tipo de artigo: Artigo Original

Autores: Fernandes A(1), Sá L(2), Ferreira A(3).

 

RESUMO

Enquadramento

Os profissionais que atuam no contexto da emergência pré-hospitalar estão particularmente expostos a situações instáveis, dada a especificidade do seu trabalho, que frequentemente envolve atuarem em binómio e terem contacto direto com vítimas, familiares e elementos da comunidade. Este ambiente, caracterizado por imprevisibilidade e elevada carga emocional, potencia o risco de vivência de diferentes formas de violência.

Objetivos

Identificar os tipos de violência mais prevalentes e o seu impacto nos profissionais da emergência pré-hospitalar.

Metodologia

Estudo quantitativo, de carácter transversal, realizado com uma amostra de 628 profissionais de emergência pré-hospitalar. A recolha de dados foi efetuada por meio de um questionário original, previamente testado e validado, que visava caracterizar a exposição a situações de violência, identificar consequências percecionadas e avaliar impactos na saúde física e mental. A análise dos dados foi efetuada através de estatística descritiva, utilizando frequências absolutas e relativas.

Resultados

Verificou-se que uma proporção significativa dos participantes reportou ter experienciado o fenómeno no último ano, com 41,1% a referirem contacto direta e 59,4% vivências indiretas. A forma mais prevalente de violência direta foi a violência verbal, seguindo-se a psicológica. A incidência de violência está associada a diversos riscos psicossociais, como stresse, ansiedade e Burnout.

Discussão/Conclusão

Os resultados evidenciam que a dimensão não física, tanto em formato direto como indireto, representa a tipologia mais frequente no contexto pré-hospitalar. A vertente física, embora presente, surge com menor expressividade e maioritariamente em episódios de exposição direta. Estes resultados ressaltam a importância de estratégias institucionais voltadas à prevenção do fenómeno no ambiente de trabalho e ao apoio psicossocial dos profissionais que vivenciaram tais experiências.

PALAVRAS-CHAVE: Violência no local de trabalho, Profissionais de Saúde, Pré-hospitalar, Riscos psicossociais, Saúde Ocupacional, Medicina do Trabalho, Enfermagem do Trabalho.

ABSTRACT

Background

Professionals working in pre-hospital emergency care are particularly exposed to unstable situations, given the specific nature of their work, which often involves working in partnership and having direct contact with victims, family members, and community members. This environment, characterized by unpredictability and high emotional pressure, increases the risk of experiencing various forms of violence.

Objectives

To identify the most prevalent types of violence and their impact on pre-hospital emergency professionals.

Methodology

Quantitative, cross-sectional study, carried out with a sample of 628 pre-hospital care professionals. Data collection was carried out using an original questionnaire, previously tested and validated, which aimed to characterize exposure to situations of violence, identify perceived consequences and assess impacts on physical and mental health. Data analysis was performed using descriptive statistics, using absolute and relative frequencies.

Results

A significant proportion of participants reported experiencing the phenomenon in the last year, with 41.1% reporting direct contact and 59.4% indirect experiences. The most prevalent form of direct violence was verbal, followed by psychological. The incidence of violence is associated with several psychosocial risks, such as stress, anxiety and burnout.

Discussion/Conclusion

The results show that the non-physical dimension, both direct and indirect, represents the most frequent type of violence in the pre-hospital setting. Physical violence, while present, occurs less frequently and mostly in episodes of direct exposure. These results highlight the importance of institutional strategies aimed at preventing this phenomenon in the workplace and providing psychosocial support to professionals who have experienced such situations.

KEYWORDS: Workplace violence, violence, Health Personnel, Prehospital, Psychosocial risks, Risks, Occupational Health, Occupational Medicine, Occupational Nursing.

INTRODUÇÃO

O trabalho tem sido historicamente reconhecido como um pilar central na vida do ser humano, permitindo integrar diferentes aspetos, como a inclusão na sociedade, a valorização pelos outros, o sentimento de realização pessoal e a independência económica (1). Embora geralmente desempenhe um papel protetor, proporcionando estabilidade e identidade, o contexto organizacional pode, por vezes, transformar-se num ambiente hostil, onde metas institucionais e práticas de gestão podem desencadear riscos para a saúde dos profissionais (2).

Entre as ameaças mais relevantes que os trabalhadores enfrentam, podemos encontrar a violência ocupacional. Esta é um fenómeno persistente de longa data e que afeta, de modo particularmente alarmante, os operacionais da emergência pré-hospitalar (EPH) (3). A violência no local de trabalho contra os profissionais configura atualmente um fenómeno significativo, com uma curva de crescimento preocupante, exponho-os a situações de contacto com comportamentos agressivos (4). Esses profissionais estão frequentemente sujeitos a agressões físicas, ameaças verbais e intimidações, num contexto de crescente pressão e vulnerabilidade, colocando em causa não só a sua segurança, mas também a qualidade dos serviços prestados à população (5).

A literatura demonstra que este fenómeno se consolidou como um risco psicossocial recorrente a nível mundial, especialmente entre os operacionais da EPH. As consequências estendem-se desde o abandono da profissão até à deterioração do bem-estar psicológico e à insatisfação generalizada no exercício das funções (6). Trata-se, portanto, de uma realidade alarmante, amplamente reconhecida por entidades como a Occupational Safety and Health Administration (2016), que considera a violência em contexto ocupacional como um dos desafios mais críticos atualmente presentes no setor da saúde (7).

Os fatores psicossociais, entre os quais se destaca a violência, constituem um desafio significativo no contexto laboral, com impacto direto na saúde física e mental dos operacionais e na própria segurança e qualidade dos cuidados prestados (8) (9). A exposição prolongada a tais condições, como o desgaste e deterioração das relações interpessoais, tende a agravar e a intensificar o conflito organizacional e contribuir para uma diminuição da perceção de satisfação no trabalho (10). Neste âmbito, os riscos psicossociais são definidos como alterações adversas no ambiente laboral, incluindo condições de trabalho precárias, climas organizacionais tóxicos e falhas na gestão, que impactam negativamente a saúde física, mental e social dos trabalhadores, comprometendo a sua capacidade funcional e o desempenho no exercício das suas funções (11).

Os dados disponíveis mostram que as equipas da EPH estão entre os mais vulneráveis. Um estudo realizado por Maguire et al. (2014) demonstrou que, na Austrália, os operacionais desta área têm sete vezes mais probabilidade de serem expostos a riscos ocupacionais quando comparados com a média da força de trabalho nacional. Inclusive, apresentaram ainda uma maior probabilidade de contrair uma lesão no local de trabalho do que as restantes ocupações profissionais. De acordo com o mesmo estudo, trabalhar no PH é uma das ocupações mais perigosas no mundo laboral australiano (12). Nesse sentido, dada a sua gravidade, nos tempos atuais, a saúde pública assume a necessidade de uma abordagem a nível global contra a violência (13).

Em linha com as preocupações atuais, é importante procurar conhecer a exposição ao fenómeno no PH. Assim, o presente estudo propõe-se a analisar os tipos de violência mais prevalentes entre os profissionais da EPH em Portugal, bem como os seus efeitos sobre a saúde mental e física dos operacionais. Esta abordagem visa não apenas dar visibilidade ao fenómeno, mas também oferecer dados relevantes para a atuação das equipas da EPH e para a intervenção do enfermeiro do trabalho neste domínio.

O crescente interesse por parte de diversos autores e de diferentes áreas do conhecimento continua a apresentar diversos desafios conceptuais dado ser difícil encontrar uma definição única e simples. Nesse sentido, a International Labour Organization (2019) fornece uma definição abrangente, descrevendo-a como “(…) um conjunto de comportamentos e práticas inaceitáveis, ou de suas ameaças, de ocorrência única ou repetida, que visem, causem, ou sejam suscetíveis de causar dano físico, psicológico, sexual ou económico, e inclui a violência e o assédio com base no género.” (14). A violência pode surgir devido a um conjunto multifatorial de variáveis como, por exemplo, insatisfação pelo sistema, crença de que não foi bem atendido e/ou perceção de que não teve os cuidados adequados (15).

As consequências da violência no local de trabalho são amplas e diversificadas, incluindo não apenas lesões corporais, mas também danos psicológicos. É possível observar-se desafios pessoais na vida particular, o recurso a baixas médicas e, por vezes, a procura de apoio especializado (3). A evidência científica tem revelado que entre os operacionais da emergência no PH, predominam episódios de natureza não física, em comparação com outras formas de violência (9) (16) (17) (18) (19) (20). Uma reflexão sobre o tema sugere que a vivência física do fenómeno implica inevitavelmente a presença de danos na forma não física. Pode-se assim argumentar que a primeira se distingue da segunda, pelo facto de envolver ações do agressor que resultam em lesões corporais, podem variar de gravidade e, em casos mais extremos, provocar a morte (21). No entanto, mesmo depois de recuperar das sequelas do corpo, os efeitos a nível mental tendem a permanecer.

De acordo com a tipologia descrita pela American Nurses Association (2021), a violência pode ser classificada em cinco tipos. No tipo 1, carateriza-se por haver uma intenção criminosa. No tipo 2, há uma relação entre o operacional e o agressor mesmo que essa relação seja do tipo formal (por exemplo, vítima). No tipo 3, corresponde a incidentes entre colegas no trabalho e pode ser exercida na vertical (como no caso da chefia) ou na horizontal (entre pares). No tipo 4, deriva de relações pessoais. No tipo 5, carateriza-se por ser do tipo ideológica, é uma classificação recente, baseada em ideais políticos e/ou religiosos, em que os atos hostis são dirigidos contra, por exemplo, uma organização. No contexto da EPH, prevalece o tipo 2, onde se observa uma relação formal entre o operacional e os diferentes intervenientes (22).

O estudo de Viking et al. (2022) demonstrou que para gerir a situação é necessário adotar diversas estratégias, que incluem fugir ou reagir de forma agressiva. Após a vivência de episódios de violência, é comum surgirem sentimentos de vulnerabilidade e dilemas éticos, os quais podem suscitar a necessidade de reflexão e de suporte social. Também tem sido descrito que podem surgir sentimentos de frustração com a demora dos processos judiciais. No conjunto os operacionais tendem a experienciar problemas de ordem psicológica e, por vezes, física. Qualquer que seja a forma de violência, fica evidente que tais experiências acarretam repercussões para a saúde e o bem-estar, podendo originar diferentes estados emocionais (23).

Nesse contexto, os impactos podem potenciar comportamentos de alto risco (como o consumo de substâncias), alterações de atitudes (como raiva, tristeza, inquietação, ansiedade, desconfiança), dificuldades na gestão de relações interpessoais, bem como alterações em diferentes sistemas do corpo humano que podem evoluir para doenças crónicas (19) (24) (25). Esses efeitos podem comprometer a continuidade e diminuição da qualidade dos cuidados prestados (19) (26), promover o absentismo, a rotatividade, o desenvolvimento de transtornos mentais (26) e potenciar a exposição a outros fatores psicossociais.

Nesse sentido, delineou-se um estudo que procurou conhecer quais os tipos de violência mais prevalentes entre os profissionais do pré-hospitalar em Portugal e como isso pode afetar a sua saúde mental e física. Com este novo conhecimento, pretende-se acrescentar evidência que apoie as equipas de saúde ocupacionais e ajudem a prática do enfermeiro do trabalho na gestão desta problemática.

METODOLOGIA

Este estudo insere-se numa investigação de natureza quantitativa, descritiva, de corte transversal e com abordagem retrospetiva, contemplando um período de doze meses. A investigação foi realizada em contexto continental, envolvendo profissionais que atuam em EPH, nomeadamente enfermeiros, médicos e técnicos, pertencentes ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) e Corpos de Bombeiros. Optou-se por delimitar a investigação ao território continental, dado que os sistemas de EPH divergem significativamente em relação às restantes regiões do país.

O estudo teve como objetivo principal identificar os tipos de violência mais prevalentes e o seu impacto nestes profissionais. E como objetivos específicos identificar as formas de violência mais frequentes a que estão expostos e analisar os comportamentos adotados e os sentimentos experienciados pelos próprios após episódios de violência.

Para a construção do instrumento de recolha de dados, procedeu-se, inicialmente, a uma pesquisa bibliográfica com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre a temática e desenvolver um questionário original, dada a inexistência de instrumentos previamente validados que respondessem aos objetivos da investigação. O questionário foi estruturado em duas partes: a primeira relativa à caraterização sociodemográfica dos participantes e a segunda dedicada à temática da violência, incluindo variáveis como a frequência e o tipo de exposição, consequências associadas e os sentimentos experienciados durante e após as vivências do fenómeno. O instrumento foi submetido à apreciação de peritos da área, que contribuíram com sugestões para a sua melhoria. Posteriormente, foi realizado um pré-teste com uma amostra semelhante à população-alvo, com o objetivo de validar o questionário, sendo que os dados obtidos nesta fase não foram incluídos na análise final.

A recolha de dados decorreu entre a terceira semana de maio e a segunda semana de novembro de 2021, através de um questionário de autopreenchimento, disponibilizado em dois formatos: papel (para os profissionais da CVP e Bombeiros) e online (para os profissionais do INEM). A distribuição foi mediada por um oficial de ligação designado por cada organização. No formato em papel, os questionários foram entregues diretamente aos participantes, acompanhados de um envelope para garantir o sigilo da resposta, sendo os mesmos depositados em caixas fechadas, posteriormente recolhidas pelos investigadores. No formato digital, o envio do link foi realizado pelos coordenadores institucionais, não tendo os investigadores acesso aos endereços de correio eletrónico dos participantes.

O processo de amostragem teve por base a complexidade da população-alvo e a necessidade de garantir a representatividade de todas as categorias profissionais envolvidas, tendo em consideração a operacionalidade dos meios de primeira linha em território continental. O tamanho da amostra foi calculado com recurso à calculadora SurveyMonkey®, resultando num valor ideal de 715 participantes. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, obteve-se uma taxa de resposta de 88%, garantindo um nível de confiança de 95% e uma margem de erro de 5%.

Foram considerados critérios de inclusão: experiência mínima de dois anos em serviço de EPH e realização regular de turnos (mínimo de um por mês) ao longo dos doze meses anteriores à investigação. Foram excluídos os profissionais recém-formados, os que não exerceram atividade regular no mesmo período e os que já haviam respondido ao questionário.

O tratamento estatístico dos dados foi efetuado através do software IBM SPSS®, versão 28.0, permitindo a realização de uma análise descritiva com apresentação dos resultados em tabelas e gráficos de frequências.

O estudo foi aprovado pela Comissão de Ética para a Saúde da Universidade Católica Portuguesa, com parecer favorável emitido em abril de 2021 (Parecer nº 93_CES-UCP). O Departamento de Emergência Médica do INEM (DI 20305/2020) e as demais entidades envolvidas também autorizaram a implementação do estudo, de forma autónoma. O consentimento informado foi presumido mediante o preenchimento do questionário. Foram assegurados o anonimato, a confidencialidade e a privacidade dos dados recolhidos. Este estudo integra um projeto mais amplo desenvolvido no âmbito de um doutoramento em enfermagem.

RESULTADOS

O estudo contou com a participação de 628 participantes, sendo 66,4% (n=417) do sexo masculino, 33,3% (n=209) do sexo feminino e 0,3% (n=2) que optaram por não dizer o sexo. A amostra incluiu participantes de diferentes faixas etárias, com a maior prevalência entre os 30 e os 49 anos, representando 66% (n=415) do total. No que se refere ao estado civil, 38,7% (n=243) eram solteiros, 51,1% (n=321) estavam casados ou em união de facto e 9,9% (n=62) eram divorciados.

Quanto à experiência profissional, 40,4% (n=254) possuíam entre 10 e 19 anos de serviço, 35,2% (n=221) tinham menos de uma década, 20,2% (n=127) tinham entre 20 e 29 anos e 4,1% (n=26) tinham mais de três décadas de carreira. Verificou-se ainda que 81,5% (n=512) desempenhava funções em turnos rotativos.

Em relação às vivências a diferentes formas de violência durante a sua atuação na área da EPH nos últimos doze meses, 41,1% (n=258) relataram exposição direta, enquanto 59,4% (n=373) referiram contacto indireto.

A análise da exposição direta a diferentes modalidades de violência foi estratificada segundo a antiguidade na carreira (tabela 1). No que se refere à dimensão física, a maior proporção foi encontrada entre no grupo com 30 ou mais anos de exercício (23,1%; n=6), seguidos pelos que tinham entre 10 e 19 anos de carreira (20,9%; n=53). Relativamente às manifestações verbais e psicológicas, o grupo dos 10 a 19 anos apresentou a maior incidência (46,1%; n=117 vs 33,4%; n=74), seguido daquele com menos de uma década de atuação (40,3%; n=89 vs 33,9%; n=43). Quanto a outras categorias de violência, novamente sobressaíram os profissionais com 10 a 19 anos (9,9%; n=25). No teste do qui-quadrado observa-se que os valores de ρ são superiores a 0.05, indicando que as correlações não são estatisticamente significativas.

A análise da exposição indireta, também foi organizada em função do tempo de carreira (tabela 1). No que se refere à forma física, psicológica e outras, observou-se maior predominância dos operacionais com 10 a 19 anos (36,2%; n=92 vs 56,3%; n=143 vs 12,6%; n=32), seguidos pelos participantes com 20 a 29 anos (31,5%; n=40 vs 48.8%; n=62 vs 11,8%; n=15). No diz respeito ao tipo verbal, a vivência indireta foi elevada em todos os intervalos de tempo, variando entre 53,8% (≥30 anos) e 61,9% (10–19 anos).

No teste do qui-quadrado para a relação entre as variáveis anos de experiência e exposição indireta a outras formas obteve-se um valor de ρ=0.011, indicando uma associação estatisticamente significativa entre as variáveis categóricas. Para os demais indicadores não foram encontradas correlações.

A exposição direta a diferentes manifestações de violência foi avaliada com base na perceção dos operacionais (tabela 2). No que se refere à dimensão física um número reduzido assinalou contacto pouco frequente (17,2%; n=108), e apenas um participante (0,2%) mencionou ser recorrente. Em contraste, no caso da forma verbal, 33,1% (n=208) indicaram uma vivência pouco frequente e 8,6% (n=54) ser frequente. A dimensão psicológica apresenta um padrão semelhante, com 29% (n=182) a reportarem baixa incidência e 7,2% (n=45) a indicarem vivência repetida.

Sobre outras formas de violência, 7,2% (n=45) indicaram como pouco frequente e 1% (n=6) ser recorrente.

Quando convidados a especificar que outras situações presenciaram, os participantes relataram haver diversos formatos no ambiente de trabalho, incluindo pressão laboral, assédio moral, abuso físico ou psicológico, privação de direitos por parte dos recursos humanos, assédio sexual, violência por colegas de trabalho, violência racial, violência conjugal e xenofobia.

Na análise à exposição indireta a diferentes dimensões do fenómeno (tabela 2), observou-se que no contacto físico, 28,5% (n=179) afirmaram ter presenciado de forma esporádica esses episódios e apenas 0,6% (n=4) mencionaram ocorrência frequente. Em contrapartida, a violência verbal foi mais prevalente, 47,3% (n=297) mencionaram um contacto pouco frequente e 11,9% (n=75) referiram vivências regulares. No que respeita à dimensão psicológica, 42,7% (n= 268) referiram ser uma interação pouco frequente, enquanto 8,4% (n=53) afirmaram ser constante. Relativamente a outras dimensões, os dados revelam uma menor ocorrência. Cerca de 9,4% (n=59) relataram exposição pouco frequente e apenas 0,3% (n=2) indicaram maior regularidade.

Os dados obtidos evidenciam repercussões significativas, com destaque para alterações emocionais, dificuldades no desempenho profissional e adoção de comportamentos compensatórios ou de evasão (tabela 3).

O comportamento mais relatado foi o aumento da desconfiança ou do nível de stress após o evento (20,7%; n=130), seguido da redução de vitalidade, desmotivação ou diminuição de interesse no trabalho (15,1%; n=95). Foram referidos ainda sentimentos de ansiedade, nervosismo ou angústia antes do início do turno (13,4%; n=84). Outro efeito relevante consistiu na tendência para evitar sair para situações semelhantes (13,2%; n=83), o que pode indicar mecanismos de defesa associados ao trauma, mas também gerar constrangimentos na sua atuação profissional.

No que se refere à caraterização das emoções experienciadas durante e após a exposição à violência (tabela 4), à exceção de sentimentos de humilhação, vergonha, culpa e arrependimento que apresentaram menores valores, as restantes respostas emocionais foram descritas como pouco frequentes. Dos quais se destacaram a irritação, raiva, deceção, desanimo, tristeza, frustração, injustiça e a impotência.

DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

O presente estudo analisou as respostas de uma amostra composta por 628 operacionais, que na sua maioria eram do sexo masculino, o que está em consonância com o perfil encontrado no estudo de Anwar e Muhamad (2022) (27). Embora hoje se observe uma progressiva mudança no perfil de quem integra as equipas da EPH, fruto de mudanças sociais e culturais, essa predominância pode ser entendida à luz da tradição. Ou seja, durante décadas, essas equipas foram compostas maioritariamente por pessoas do sexo masculino.

No que se refere ao tempo de serviço, verificou-se que a maioria dos participantes possuíam entre os 10 a 19 anos de experiência. Esse achado é relevante porque, como refere Oliver e Levine (2015), a acumulação de experiência profissional, está intrinsecamente associada a uma maior perspetiva de vivenciarem eventos traumáticos, ao contacto direto com diferentes intervenientes e a uma maior probabilidade de contacto com eventos violentos (28). Nesse sentido, Hadian et al. (2021) enfatiza que a prevalência desse fenómeno no contexto laboral é tão elevada que é praticamente inevitável encontrar operacionais da emergência no PH sem histórico relacionado a esse fenómeno (29).

Em relação à ocorrência de eventos de natureza física e não física nos últimos doze meses, os dados demonstraram que 41,1% dos participantes referiram ter tido contacto direto, enquanto 59,4% indicaram vivência indireta, o que surge alinhado com o estudo de Schøsler et al. (2024) (3). Esses dados reforçam a evidência que a maioria dos participantes tiveram contacto com algum tipo de violência no último ano, corroborando os achados de outros autores (21). Além disso, observou-se que a dimensão não física foi mais prevalente do que a física ou outras modalidades, uma tendência já descrita em diversos estudos (16) (20) (21) (30).

Apesar da evidência apresentada em diversos estudos (17) (31) (32), a forma física não pode ser desvalorizada, dado que apresenta relevância estatística. Contudo, importa referir que é indissociável analisá-la sem se falar da dimensão não física dado que é frequente a sua coexistência, mesmo após a recuperação das lesões corporais, é comum permanecer o impacto psicológico. Esse pressuposto, ainda é hoje pouco compreendido, porém, é reconhecido como um fator que afeta a saúde física e mental do operacional (28).

No que respeita à relação entre tempo de serviço e exposição a episódios de violência, os resultados destacaram maior incidência entre aqueles situados no intervalo entre os 10 a 19 anos. Essa tendência foi confirmada por Oliver e Levine (2015) que destacaram o efeito cumulativo de anos de prática como um fator que aumentou a probabilidade de contacto direto com um agressor (28). Esses achados, curiosamente, diferiram dos achados de Furin et al. (2015) segundo os quais, os operacionais com menos de cinco anos de carreira apresentavam maior probabilidade de vulnerabilidade a episódios não físicos, facto que não veio a ser comprovado. Já para os participantes com mais de uma década de experiência estavam mais sujeitos a situações físicas, resultado que veio a ser constatado pelo estudo (17).

As repercussões da violência no local de trabalho podem desencadear diferentes reações emocionais, que podem perdurar. Os participantes mencionaram diversos sentimentos desde raiva, irritação, frustração, tristeza, impotência, desanimados, injustiça e inclusive medo e desconfiança.

Também foram relatados estados de hipervigilância, negação, revivência do evento através de pensamentos intrusivos, distúrbios do sono, alterações a nível de apetite, ansiedade e mentais, como referido na literatura (17) (31) (33).

O estudo identificou ainda distúrbios na qualidade do sono e da concentração, o que vem refletir o impacto na saúde e bem-estar na relação com outros problemas identificados. Os achados de Kendrick et al. (2024) e Cash et al. (2020) apresentaram uma forte associação entre má qualidade do sono e sonolência diurna excessiva com maior comprometimento com uma pobre saúde mental, o que releva, também, a preocupação relacionada com a segurança e o desempenho profissional (34) (35).

Por vezes, as consequências não se limitam no tempo, podendo permanecer e evoluir para diferentes problemas e sintomas, tal como manifestações psicossomáticas, como stress, desconfiança, nervosismo, fadiga, alterações gastrointestinais, e ainda, desmotivação em ir trabalhar, tentativas de evitar sair para situações idênticas e inicio ou aumento do consumo de substâncias. As evidências encontradas surgem descritas em alguns estudos, como é o exemplo da World Health Organization (2014) e da investigação de Sé et al. (2023) (24) (25).

Pesquisas anteriores (24) (26) (36) reforçam que o impacto deste fenómeno ultrapassa o efeito negativo no operacional, promovendo um aumento no nível de preocupação, o que reforça a complexidade dos efeitos da violência em diferentes dimensões físicas, emocionais e socioeconómicas.

De acordo com a literatura (7) (20) (36) e em linha com os dados deste estudo, a exposição continuada à violência no local de trabalho tem um impacto negativo a diferentes níveis, podendo provocar alterações comportamentais, emocionais, na personalidade e a nível da saúde global. Quanto às estratégias para superar esses efeitos, quando a capacidade de resiliência e os mecanismos de coping se revelam insuficientes, observa-se o agravar dos problemas e o potencial de surgirem outros riscos psicossociais.

Outro aspeto a considerar, refere-se ao potencial conflito entre a vida profissional e a familiar. Como descreve Beyramijam et al. (2020) e Afshari et al. (2021), num dia normal de trabalho os operacionais enfrentam elevados níveis de stress, consequência da gestão entre as responsabilidades familiares, sobrecarga de turnos e de horas de trabalho e do trabalho em geral (37) (38).

Por vezes, a responsabilidade e o seu papel ativo nos diferentes papeis que desempenha, associado ao impacto da violência, pode dar origem a conflitos internos, familiares e nas diferentes relação interpessoais.

Como principais limitações deste estudo destaca-se o facto dos dados se basearem em autorrelatos, que podem estar sujeitos a vieses de memória, vivências ou interpretações pessoais.

Outro ponto importante surge associado à pandemia. Os dados deste estudo foram recolhidos durante a pandemia o que poderá ter influenciado a perceção dos participantes. Isso porque, durante esse período observou-se um reconhecimento do papel dos operacionais e um decréscimo no número de ocorrências. Outra potencial limitação está ligada à perceção do que constitui um ato de violência que pode variar consoante fatores culturais e experiências pessoais.

 

CONCLUSÃO

Os resultados desta investigação evidenciaram que a violência contra operacionais da EPH é uma realidade enraizada e persistente no local de trabalho, ainda que permaneça pouco divulgada, debatida e notificada. O estudo permitiu demonstrar que a maioria dos participantes já haviam vivenciado algum episódio de violência sendo aqueles com mais anos de serviço os que apresentaram uma maior probabilidade de se encontrarem em situações de vulnerabilidade. Com este novo conhecimento, foi possível inferir que a exposição acumulada ao longo dos anos apresenta um fator de risco adicional.

Embora o presente estudo não procurasse explorar a relação entre os diferentes tipos de violência, reconhece-se a existência de uma interação complexa e cumulativa entre a violência física e a não física, dado que todos os operacionais que experienciam episódios do primeiro tipo são expostos de algum modo ao segundo tipo. Após a cicatrização e recuperação de lesões corporais, os efeitos do impacto psicológico são invisíveis e permanecem, podendo dar origem a outros problemas físicos e mentais, como tem vindo a ser descrito em diversas publicações científicas. Apesar dos poucos dados disponíveis na literatura, observam-se esforços crescentes para implementar medidas mitigadoras, mesmo que abrangentes e pouco específicas (9). Nesse contexto, é claro que as respostas das organizações são insuficientes, generalistas e pouco dirigidas ao contexto da EPH.

Os protocolos, que muitas vezes se destacam por ser ausentes ou deficitários, precisam de ser mais eficientes e preparados para dar resposta às necessidades dos operacionais. Só assim será possível quebrar o ciclo de sofrimento e de impacto na sua saúde e bem-estar. Nesse sentido, emergem algumas recomendações, tais como formação, sensibilização pública e uma cultura organizacional de segurança que se interligam com a necessidade de ampliar e melhorar o conhecimento sobre a temática que possibilite identificar as potenciais consequências e intervenções que permitam melhorar os cuidados fornecidos pela enfermagem e desenvolver programas que permitam informar e educar sobre o tema. Adicionalmente, recomenda-se a realização de estudos futuros capazes de explorar a complexidade do fenómeno e aprofundar o conhecimento sobre a dimensão, os tipos de violência e o seu impacto.

CONFLITOS DE INTERESSE, QUESTÕES ÉTICAS E/OU LEGAIS

Nada a declarar.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem aos profissionais que preencheram o inquérito.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Tabela 1: Associação entre anos de experiência e a exposição a formas de violência

Anos de experiência
< 10 anos 10 – 19 anos 20 – 29 anos ≥ 30 anos
n % n % n % n % ρ
Exposição direta Violência física Sim 29 13.1% 53 20.9% 21 16.5% 6 23.1% 0.223
Não 69 31.2% 73 28.7% 36 28.3% 4 15.4%
Violência verbal Sim 89 40.3% 117 46.1% 49 38.6% 7 26.9% 0.144
Não 9 4.1% 16 6.3% 8 6.3% 2 7.7%
Violência Psicológica Sim 74 33.4% 104 41% 43 33.9% 6 23% 0.736
Não 23 10.4% 25 9.8% 16 12.6% 3 11.5%
Outra forma Sim 14 6.4% 25 9.9% 11 8.7% 1 3.8% 0.206
Não 32 14.5% 52 20.5% 27 21.3% 1 3.8%
Exposição indireta Violência física Sim 44 19.9% 92 36.2% 40 31.5% 7 26.9% 0.031
Não 92 41.6% 77 30.3% 40% 31.5% 10 38.5%
Violência verbal Sim 125 56.6% 157 61.9% 76 59.9% 14 53.8% 0.430
Não 18 8.1% 19 7.5% 10 7.9% 2 7.7%
Violência Psicológica Sim 104 47% 143 56.3% 62 48.8% 12 46.2% 0.825
Não 35 15.8% 31 12.2% 20 15.7% 4 15.4%
Outra forma Sim 10 4.5% 32 12.6% 15 11.8% 4 15.4% 0.011
Não 50 22.6% 62 24.4% 25 19.7% – –

 

Tabela 2: Frequência da exposição a tipos de violência

Nunca Pouco frequente Frequente
n % n % n %
Exposição direta Violência física 182 29% 108 17.2% 1 0.2%
Violência verbal 35 5.6% 208 33.1% 54 8.6%
Violência psicológica 67 10.7% 182 29% 45 7.2%
Outra forma 112 17.8% 45 7.2% 6 1%
Exposição indireta Violência física 219 34.9% 179 28.5% 4 0.6%
Violência verbal 49 7.8% 297 47.3% 75 11.9%
Violência psicológica 90 14.3% 268 42.7% 53 8.4%
Outra forma 137 21.8% 59 9.4% 2 0.3%

Tabela 3: Comportamento adotado após exposição a um evento de violência

Sim Não
n % n %
Evita sair para situações idênticas 83 13.2% 29 4.6%
Fadiga permanente ou falta de apetite 32 5.1% 30 4.8%
Aumento ou início de consumo de medicamentos 21 3.3% 32 5.1%
Aumento ou início de consumo de substâncias ilícitas ou comportamentos de risco 6 1% 33 5.3%
Aumento ou início de consumo de substâncias lícitas 68 10.8% 32 5.1%
Baixa autoestima ou sentimento de inferioridade 69 11% 31 4.9%
Tremores, náuseas, vómitos, diarreia ou suores 15 2.4% 33 5.3%
Fica desconfiado ou stressado 130 20.7% 30 4.8%
No trabalho isola-se mais que os outros 60 9.6% 33 5.3%
Ansiedade, nervosismo ou angústia quando vai trabalhar 84 13.4% 33 5.3%
Dificuldade ou perda de concentração ou menor rendimento 54 8.6% 32 5.1%
Menor vitalidade, desinteresse, energia, desmotivação ou vontade de trabalhar 95 15.1% 33 5.3%
Dificuldade em dormir, pesadelos ou insónias 64 10.2% 32 5.1%

 

Sim Não
n % n %
Evita sair para situações idênticas 83 13.2% 29 4.6%
Fadiga permanente ou falta de apetite 32 5.1% 30 4.8%
Aumento ou início de consumo de medicamentos 21 3.3% 32 5.1%
Aumento ou início de consumo de substâncias ilícitas ou comportamentos de risco 6 1% 33 5.3%
Aumento ou início de consumo de substâncias lícitas 68 10.8% 32 5.1%
Baixa autoestima ou sentimento de inferioridade 69 11% 31 4.9%
Tremores, náuseas, vómitos, diarreia ou suores 15 2.4% 33 5.3%
Fica desconfiado ou stressado 130 20.7% 30 4.8%
No trabalho isola-se mais que os outros 60 9.6% 33 5.3%
Ansiedade, nervosismo ou angústia quando vai trabalhar 84 13.4% 33 5.3%
Dificuldade ou perda de concentração ou menor rendimento 54 8.6% 32 5.1%
Menor vitalidade, desinteresse, energia, desmotivação ou vontade de trabalhar 95 15.1% 33 5.3%
Dificuldade em dormir, pesadelos ou insónias 64 10.2% 32 5.1%

Tabela 4: Caraterização dos sentimentos durante e após a exposição á violência

Nunca Pouco frequente Frequente
n % n % n %
Irritação, raiva 61 9.7% 267 42.5% 54 8.6%
Culpa, arrependimento 202 32.2% 142 22.6% 6 1%
Humilhação, vergonha 170 27.1% 168 26.7% 30 4.8%
Medo, desconfiança 125 19.9% 206 32.8% 30 4.7%
Deceção, desanimo, tristeza 85 13.5% 220 35% 76 12.1%
Frustração, injustiça, impotência 75 11.9% 223 35.5% 75 12%

(1)Ana Fernandes

Doutoranda em Enfermagem na Universidade Católica Portuguesa, Enfermeira especialista em EMC na pessoa em situação crítica. Enfermeira no Instituto Nacional de Emergência Médica. MORADA COMPLETA PARA CORRESPONDÊNCIA DOS LEITORES: Universidade Católica Portuguesa, Rua de Diogo Botelho, 1327, 4169-005 Porto. E-MAIL PARA CORRESPONDÊNCIA DOS LEITORES: sa.fernandes.na@gmail.com. Nº ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5883-1382

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: Conceptualização, Análise e interpretação dos dados, Redação – rascunho original

(2)Luís Sá

Professor Associado, Universidade Católica Portuguesa; Doutor em Saúde Mental; Investigador integrado no Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde. 4169-005 Porto. E-MAIL: lsa@ucp.pt. Nº ORCID (CASO EXISTA): https://orcid.org/0000-0001-9687-413X

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: interpretação dos dados, Redação – revisão e edição

(3)Amélia Ferreira

Enfermeira Gestora Serviço Medicina Intensiva ULSM, Professor Auxiliar Convidado Universidade Católica Portuguesa, Doutor em Enfermagem. 4510-507 Gondomar. E-MAIL: ameliadiasferreira@gmail.com. Nº ORCID (CASO EXISTA): 0000-0001-9462-1788

-CONTRIBUIÇÃO PARA O ARTIGO: interpretação dos dados, Redação – revisão e edição

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