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Estatuto editorial

Síndrome de Burnout e Saúde da Família: uma Revisão Integrativa sobre o desgaste ocupacional dos Profissionais de Saúde

19 Agosto, 2016Artigos de Revisão

BURNOUT SYNDROME AND FAMILY HEALTH: AN INTEGRATIVE APPROACH ON THE WORK-RELATED STRAIN

 

TIPO DE ARTIGO: Revisão Bibliográfica Integrativa
 
AUTORES: Suarez L(1), Oliveira M(2), Oliveira S(3), Sousa M(4).

 

RESUMO

Introdução

A atuação dos profissionais da Estratégia Saúde da Família (ESF) tem se destacado dentro do Sistema Único de Saúde brasileiro. No entanto, as condições de trabalho em termos de infraestrutura, escassez de recursos materiais, equipa incompleta e longas jornadas de trabalho pode se tornar um fator de desgaste profissional, podendo comprometer a saúde e desencadear a Síndrome de Burnout.

Objetivo

Identificar a existência da Síndrome de Burnout em profissionais da ESF em determinadas áreas geográficas do Brasil.

Método

Revisão Integrativa, cuja busca foi estruturada por meio da Biblioteca Virtual de Saúde e no Google Acadêmico, em decorrência do acesso livre e gratuito a banco de dados. Os descritores utilizados foram Saúde da Família, Profissionais de Saúde e Burnout. Os critérios de inclusão deliberados para a escolha dos trabalhos foram: artigos publicados em português e com Qualis CAPES; trabalhos na íntegra sobre a temática por meio de pesquisa empírica e trabalhos publicados nos últimos vinte anos, uma vez que o programa Saúde da Família só foi criado no final de 1994 então as pesquisas só puderam ser enquadradas de 1995 a 2015. Foram excluídas pesquisas de campo que não utilizassem o Maslach Burnout Inventory para avaliar o Burnout. Seguindo tais parâmetros, dez produções científicas foram classificadas para análise final.

Resultados

Observou-se que dos dez trabalhos selecionados sobre Burnout entre os profissionais da ESF, cinco deles abordaram especificamente uma categoria profissional; os restantes apresentavam dados acerca da equipa de trabalho. Dos primeiros, três incidiam sobre o Burnout em Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Nesses estudos, o percentual de ACS que apresentaram Burnout variou entre 18,3% e 26,7%. Não foram encontrados trabalhos que estudassem o Burnout em profissionais do Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF).

Conclusão

Além de salientar a reduzida produção de estudos sobre a temática Burnout em profissionais da ESF, a presente revisão integrativa indicou que existem categorias profissionais menos destacadas, tais como médicos, dentistas e auxiliares de saúde bucal, bem como escassez de estudos sobre Burnout na equipa de apoio matricial da Saúde da Família, indicando a necessidade de uma maior dedicação dos pesquisadores sobre a produção científica nessa temática.

Palavras-chave: Saúde do Trabalhador; Saúde da Família; Burnout.

 

ABSTRACT

Introduction

The performance of the professionals of the Family Health Strategy (FHS) has excelled in the Brazilian Unified Health System- they are promoting prevention and better health care. However, the working conditions such as infrastructure, lack of material resources, incomplete team work and long working hours can become a work-related strain, compromising the health of these professionals and susceptible to develop Burnout Syndrome.

Objective

Identify the existence of Burnout Syndrome in the FHS professionals in certain geographical areas of Brazil.

Method

Integrative Review. This scientific paper was based through the Virtual Health Library and Google Scholar, as a result of free access to database. The descriptors used were Family Healthcare, Healthcare professionals and Burnout; the criteria used to select the paper and the articles were Portuguese language and Qualis CAPES. The entire document reflects the theme of the empirical research papers publish in the last twenty years, since the Family Healthcare program was only established in late 1994, the research could only be provide from 1995 to 2015. The field research were excluded if they did not use the Maslach Burnout Inventory to evaluate the Burnout. Following these parameters, ten scientific papers have been sorted for final analysis.

Results

It was noted that, of the ten articles selected on Burnout in Family Healthcare professionals, five of them approached specifically with studies on a specific professional category. The others had data on the healthcare team work in general. Five of the articles were dealing exclusively in a professional category. In the first group, three imposed on the Burnout in Community Healthcare Agents (CHA). In these studies the percentage of CHA who presented burnout, ranged between 18.3% and 26.7% of surveyed professionals. Furthermore, it is also emphasized that, to date, no studies were found in the Burnout healthcare professionals Family of the Center Support Staff.

Conclusion

Besides pointing to reduced production of studies on the subject Burnout in the FHS professionals, this integrative review indicated that there are professional categories less prominent, such as doctors, dentists and oral health aids, and there are few studies on Burnout in the team matrix support of Family Health, indicating the need for greater dedication of the researchers on the scientific production on this theme.

Keywords: Occupational Health; Family Healthcare Staff; Burnout.

 

INTRODUÇÃO

Os serviços de Atenção Básica à Saúde no Brasil procuram implementar estratégias que promovam qualidade na saúde da população. A Estratégia Saúde da Família (ESF) foi implantada em 1994 pelo Ministério da Saúde para promover a reorganização das ações de atenção primária no Brasil, visando priorizar a prevenção e a promoção da saúde das pessoas, de forma integral e contínua, promovendo uma maior resolutividade em nível da Atenção Básica do Sistema Único de Saúde (SUS)1.

A equipa da ESF concebeu um importante avanço para a reversão do modelo de saúde tradicionalista com foco no componente biológico. É importante ressaltar que tal equipa é formada por Médico, Enfermeiro, Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Técnico de Enfermagem. O Dentista e o Auxiliares de Consultório Dentário (ACD) são profissionais da Equipe de Saúde Bucal (ESB) que atua vinculada a uma ESF2.

Os princípios de atuação da ESF são a territorialização, atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) e visitas domiciliares, destaque à atenção preventiva e para a promoção da saúde mediante vínculos de corresponsabilização entre profissionais de saúde e usuários2. Com o transcorrer histórico, percebeu-se que para atender a demanda existente na sociedade moderna os profissionais possuíam uma formação insuficiente em algumas áreas de conhecimento, tais como saúde mental, práticas físicas e corporais, nutrição e alimentação e assistência social3.

Ao pensar no fortalecimento da ESF e na promoção da integralidade no atendimento na Atenção Básica à Saúde foi proposta a criação do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), pela Portaria Nº 154, de 25 de janeiro 2008 e publicada em 4 de março de 2008, cujos objetivos são ampliar a abrangência e os espaços das ações básicas, bem como apoiar a inserção da ESF na rede de serviços a partir da Atenção Básica4.

Cada NASF vincula-se a um número de equipes da Estratégia, que pode variar entre oito e vinte, podendo ser composto por até dezenove profissionais de várias especialidades, nomeadamente: Médicos (Psiquiatras, Pediatra, Ginecologista/Obstetra, entre outros), Assistente Social, Farmacêutico, Fisioterapeuta, Fonoaudiólogo, Nutricionista, Educador Físico, Psicólogo e Terapeuta Ocupacional.

Existem três modalidades: NASF 1, que deve ser composto por, no mínimo, cinco profissionais de nível superior de ocupações não coincidentes, vinculados minimamente em oito equipas e no máximo em vinte equipas da ESF; NASF 2, que deve ser constituído por, no mínimo, três profissionais de nível superior de ocupações não coincidentes, o qual se vincula a três equipas e o NASF 3, que deve ser atender a população adscrita de no mínimo quatro e no máximo sete equipas da ESF5.

Os NASF’s objetivam promover a saúde física e psíquica dos usuários do SUS, utilizando ferramentas validadas pela Política Nacional de Humanização, com ênfase na clínica ampliada, no apoio matricial e no projeto terapêutico singular6.

É importante destacar que as equipas interprofissionais da ESF e do NASF encontram diariamente, no seu ambiente de trabalho situações geradoras de stress e de sofrimento, tendo em vista que possuem um contato direto com comunidades em situação de vulnerabilidade social e económica e diversas situações de risco e violência, podendo afetar a estrutura física e emocional desses profissionais.

As situações que causam stress envolvem diariamente questões da vida particular dos indivíduos e dos profissionais das equipas interprofissionais de trabalho, nomeadamente a falta de condições de trabalho para atender a necessidades da população, escassez de recursos materiais, equipe incompleta para desenvolver as ações preconizadas pelo SUS, lista excessiva de atribuições e longas jornadas de trabalho. Esse conjunto de fatores faz com que os profissionais da ESF sejam responsabilizados por toda e qualquer falha no atendimento, propensos a serem os únicos alvos visíveis, para ouvir queixas e insatisfações dos usuários7.

É importante considerar que o envolvimento dos profissionais de saúde com a dor e o sofrimento deixa o profissional predisposto à criação de uma barreira que impede ou neutraliza a manifestação dos sentimentos, tornando a situação de aflição por parte do paciente em algo comum para o profissional, levando ao desenvolvimento de alguma rigidez emocional ou até a alguma patologia neste contexto8.

Desta forma, o presente estudo tem como objetivo identificar a existência da Síndrome de Burnout em profissionais da Estratégia Saúde da Família em determinadas áreas geográficas do Brasil.

 

MÉTODO

Este estudo caracteriza-se como revisão integrativa e teve como finalidade sintetizar resultados obtidos em pesquisas sobre um tema, de maneira sistemática, ordenada e abrangente9. Em virtude da abordagem metodológica, a revisão integrativa comporta a abrangência de métodos múltiplos, possuindo potencialidade em desempenhar uma importante função na Prática Baseada em Evidência10.

Foram considerados para realização da pesquisa os seguintes indexadores, em decorrência do acesso livre e gratuito a banco de dados: Literatura Científica e Técnica da América Latina e Caribe (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), o Serviço de Pesquisa da National Library of Medicine (PUBMED), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Google Académico. Os Descritores Controlados em Ciências da Saúde utilizados foram Burnout e Saúde da Família e a busca da literatura incidiu nos últimos vinte anos (1995 a 2015).

A partir das questões “Qual a prevalência da Síndrome de Burnout profissionais da Estratégia Saúde da Família? Em quais regiões brasileiras os estudos sobre a temática foram desenvolvidos? Quais as categorias profissionais estudadas? Quais apresentavam maior prevalência de Burnout?, três etapas foram consideradas para a realização da pesquisa. A primeira correspondeu à leitura dos títulos das obras, posteriormente sucedeu-se a leitura de resumos dos trabalhos para verificação se os mesmos respondiam as questões de pesquisa e, depois disto, foi verificada a sua disponibilidade na íntegra e de modo gratuito. Os que atenderam a tais requisitos foram selecionados e analizados.

Os critérios de inclusão foram artigos publicados em português e com Qualis CAPES; trabalhos com acesso a texto completo sobre a temática por meio de pesquisa empírica, trabalhos publicados nos últimos vinte anos. Foram excluídas pesquisas de campo que não utilizassem o Maslach Burnout Inventory (MBI) para avaliar o Burnout, artigos de revisão, capítulos de livro e resumos de eventos científicos. Seguindo tais parâmetros, dez produções científicas foram classificadas para análise final.

Destaca-se que, além das dez bibliografias citadas anteriormente, outras publicações foram utilizadas para compor o corpus deste trabalho, na introdução e metodologia especialmente.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Para concretização do estudo os resultados foram analisados e organizados por meio das seguintes etapas: a) na seleção de trabalhos foram identificados 44 artigos, dos quais 41 apresentaram texto completo e estes tiveram seus resumos avaliados; b) na segunda etapa, dos 41, apenas 10 publicações contemplaram pesquisas de campo e estas foram selecionadas para uma apreciação final.

É possível afirmar que os trabalhos abaixo citados possuem relevância para construção científica, uma vez que se constituem enquanto dissertações de Mestrado e periódicos científicos em sua maioria na área de saúde e que possuem International Standard Serial Number (ISSN) e estão devidamente indexadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Ademais, os trabalhos foram publicados em sete periódicos diferentes, entre os anos de 2008 e 2015, não sendo identificadas publicações em momento anterior (Tabela 1).

 

Tabela 1: Caracterização do tema, revista, área, ISSN e Qualis CAPES das categorias específicas e interprofissionais

Tema Ano Revista Área ISSN Qualis
A Síndrome de Burnout dos Enfermeiros na ESF 2014 Inova Saúde

 

Medicina I 2317-2460

 

C

 

Síndrome de Burnout em técnicos de enfermagem de unidades básicas de saúde 2014 Revista de Pesquisa: Cuidado e Fundamental (Online) Enfermagem 2175-5361 B2
Esgotamento profissional e transtornos mentais comuns em agentes comunitários de saúde 2008 Revista de Saúde Pública (Impresso) Medicina 0034-8910 B2
Síndrome de Burnout em Agentes Comunitários de Saúde e Estratégias de Enfrentamento 2009 Saúde e Sociedade (USP. Impresso) Saúde Coletiva 0104-1290 B2
Avaliação da presença da Síndrome de Burnout em Agentes Comunitários de Saúde no município de Aracaju, Sergipe, Brasil 2014 Ciência e Saúde Coletiva (Impresso) Saúde Coletiva 1413-8123 B1
Síndrome de Burnout entre os Profissionais de Saúde da Estratégia Saúde da Família: risco de adoecimento mental 2008 Dissertação de Mestrado

 

Pós- Graduação em Enfermagem – –
Síndrome de Burnout entre os trabalhadores da Estratégia de Saúde da Família 2010 Revista da Escola de Enfermagem da USP (Impresso) Enfermagem 0080-6234 A2
Análise do Estresse Ocupacional e da Síndrome de Burnout em Profissionais da Estratégia Saúde da Família no Município de Maceió/AL 2011 Revista Semente Letras / Linguística 1980-8607 C
A Síndrome de Burnout em Profissionais da Rede de Atenção Primária em Saúde de Aracaju 2012 Dissertação de Mestrado Pós Graduação em Saúde e Ambiente – –
Esgotamento entre profissionais da Atenção Primária à Saúde 2014 Ciência e Saúde Coletiva (Impresso) Psicologia 1413-8123 A2

 

A Tabela 2, por sua vez, apresenta os dados referentes aos artigos selecionados em termos de autores, ano de publicação, objetivo geral do trabalho e local da realização, o que torna o perfil das publicações mais explícito.

 

Tabela 2: Caracterização dos estudos sobre Síndrome de Burnout em profissionais da Saúde da Família

Autor Objetivo geral Local
Réus et al.11 Identificar os fatores causadores de Burnout nos Enfermeiros que atuam na Estratégia Saúde da Família de um Município do Extremo Sul Catarinense. SC
Santos et al12 Identificar a síndrome em técnicos de enfermagem de Unidades Básicas de Saúde através do Inventário de Burnout Maslach. PB
Silva e Menezes 13 Estimar a prevalência da Síndrome do Esgotamento Profissional (Burnout) e de transtornos mentais comuns em ACS, identificando fatores associados. SP
Talles e Pimenta14 Verificar a ocorrência da Síndrome de Burnout em ACS, visto que esses profissionais trabalham diretamente no cuidado a outras pessoas, bem como as estratégias de enfrentamento utilizadas. MG
Mota, Dosea e Nunes15 Avaliar a presença da Síndrome de Burnout em ACS de Aracaju (SE) SE
Pascoal16

 

Investigar a presença da Síndrome de Burnout em trabalhadores da Estratégia Saúde da Família (ESF) do município de João Pessoa – PB, e averiguar a relação dessa Síndrome com o risco de adoecimento mental. PB
Trindade e Lautert17 Identificar os trabalhadores com Burnout e as variáveis associadas a esta síndrome RS
Soares et al18

 

 

Conhecer o nível de estresse ocupacional, bem como a ocorrência da Síndrome de Burnout em Profissionais da Estratégia Saúde da Família no município de Maceió/AL. AL
Silva 19

 

 

Verificar a prevalência de Burnout em profissionais de nível superior na Atenção Primária de Aracaju, conhecê-los sócio-demograficamente, levantar os fatores associados e averiguar se existe diferença da ocorrência de Burnout entre os profissionais. SE
Martins et al20 Avalia o esgotamento profissional entre trabalhadores da Atenção Primária à Saúde em três municípios da Zona da Mata Mineira. MG

 

Objetivando identificar os fatores causadores de Burnout em Enfermeiros que atuavam na Estratégia Saúde da Família de um Município do Extremo Sul Catarinense, com uma amostra de 31 participantes, cujos instrumentos utilizados foram entrevista semiestruturada e Maslach Burnout Inventory (MBI), os pesquisadores obtiveram que 19,4% dos enfermeiros da ESF foram identificados com Burnout11. O desenvolvimento da síndrome está associado a problemas de relacionamentos, institucionais e a carência de servidores em determinadas atividades do serviço. Nessa visão, os autores concluem que estratégias de promoção de saúde são essenciais para prevenção do agravo, tornando-se fundamental prover melhorias na dinâmica organizacional. Ainda propõem um aperfeiçoamento do estudo, com referência aos fatores determinantes do stress laboral e aos desencadeantes de Burnout, almejando evitar complicações maiores no trabalho11.

Santos et al.12 objetivaram identificar a síndrome em técnicos de enfermagem de Unidades Básicas de Saúde do município de Cajazeiras, no Estado da Paraíba. Por meio do MBI e de um questionário social e demográfico, constataram que 18,0% foram identificados em risco de desenvolver a Síndrome de Burnout. Os autores encontraram ainda que 82% atuam na saúde há mais de dez anos e consideram o trabalho como sendo um fator de stress; 73% afirmam ter cefaleia e mialgias; 36% afirmam ter epigastralgias e 27% relatam irritabilidade, problemas de concentração e astenia. Estes autores concluíram que há necessidade de implantação de Políticas Públicas de Saúde, direcionadas às reais necessidades dos trabalhadores, em prol da redução de pressões geradoras de stress crónico e transtornos emocionais, almejando evitar o desenvolvimento de Burnout.

Com o propósito de estimar a prevalência da Síndrome de Burnout e transtornos mentais comuns em Agentes Comunitários de Saúde (ACS) de São Paulo, o estudo com uma amostra de 141 participantes em que foram utilizados para coleta de dados um questionário sociodemográfica e económico, de saúde e do trabalho; o Self Reporting Questionnaire (SRQ-20) e o MBI, os pesquisadores concluíram que 24,1% dos entrevistados apresentaram a síndrome do esgotamento profissional. Foram observados que 70,9% participantes apresentavam níveis moderados de exaustão emocional, 34% despersonalização e 47,5% apresentaram baixa realização profissional. Os pesquisadores concluíram que devido a alta frequência de níveis intensos de esgotamento profissional, existe a necessidade de desenvolvimento de intervenção no trabalho13.

Talles e Pimenta14 avaliaram a ocorrência da Síndrome de Burnout em ACS, bem como as estratégias de enfrentamento utilizadas. A amostra constituiu-se por 80 ACS, de um município do interior de Minas Gerais admitidos há pelo menos dois anos e que responderam ao questionário MBI e a Escala Modos de Enfrentamento de Problemas (EMEP). Por meio do MBI foi possível identificar um sentimento de degradação da percepção da própria competência dos profissionais e insatisfação com as atividades desenvolvidas. As estratégias de enfrentamento mais empregadas foram as focadas no problema, acompanhadas por práticas religiosas/pensamento fantasioso. Os autores concluíram que é necessário o desenvolvimento de táticas de acolhimento.

Para avaliar a presença da Síndrome de Burnout em ACS de Aracaju – Sergipe, em que a amostra foi composta por 222 participantes, foram utilizados a ficha socioeconómica e ocupacional, questionários Job Stress Scale e MBI; a coleta de dados foi realizada entre setembro de 2012 a janeiro de 2013. Os autores constataram que 10,8% dos ACS demonstram moderada disposição ao Burnout e 29,3% características compatíveis com o diagnóstico. Os autores contataram que é de fundamental importância criar métodos de intervenção direcionados à prevenção de problemas psicossociais existentes nessa categoria profissional15.

Os estudos anteriormente citados estão relacionados aos profissionais de uma única categoria, sendo representativos para a identificação da síndrome, porém não levando em conta o aspecto interdisciplinar, da Atenção Primária à Saúde.

Outra pesquisa com o objetivo de investigar a presença da Síndrome de Burnout em trabalhadores da ESF do município de João Pessoa – Paraíba e averiguar a relação dessa Síndrome com o risco de adquirir patologia mental, com 170 profissionais; todos responderam a um questionário sobre o perfil sócio-demográfico e os valores pessoais relacionados ao trabalho, o MBI e SRQ-20. A síndrome foi identificada em 61,7% da equipe, de acordo com o MBI. Os sinais e sintomas mais prevalentes assinalados foram: chorar mais do que de costume; dificuldades para realizar com satisfação as atividades diárias; perda do interesse pelas coisas e cansaço. O autor concluiu que é de extrema significância pesquisar a ocorrência de Burnout na ESF16.

Com a finalidade de identificar os trabalhadores com Burnout e as variáveis associadas, outra investigação utilizou uma amostra de 86 trabalhadores (médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, odontólogo, ACD e ACS), de Santa Maria – Rio Grande do Sul, os quais responderam ao MBI. Os achados indicaram que  6,9% da equipa apresentava Síndrome de Burnout. Os autores concluíram que os profissionais mais jovens estavam com maior desgaste emocional e despersonalização17.

Para conhecer a prevalência da Síndrome de Burnout em profissionais da ESF do município de Maceió, Alagoas, foi feita uma investigação com 58 profissionais, que responderam a três inventários validados: o Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL) para diagnóstico do Estresse, o MBI para o diagnóstico da Síndrome de Burnout e o Escala de Vulnerabilidade ao Estresse no Trabalho (EVENT). A pesquisa constatou a ocorrência de vivências de stress, em suas distintas etapas perante do universo observado. Não foi detetada, entretanto, a Síndrome de Burnout18.

Para verificar a prevalência de Burnout em profissionais da ESF em Aracaju – Sergipe, traçar um perfil sócio-demográfico, levantar os fatores associados e averiguar se existe diferença da ocorrência de Burnout entre os profissionais, foi realizada uma pesquisa com 194 profissionais, que responderam a um questionário sócio-demográfico e ao MBI. Os achados indicaram que a prevalência da síndrome variou entre as categorias profissionais entre 6,7% a 10, 8%19. Segundo este estudo, os fatores associados ao Burnout foram idade mais jovem, não ser casado, ter carga horária excessiva e insatisfação com a profissão.

Considerando a última pesquisa, que avaliou o esgotamento profissional entre trabalhadores da saúde da família em três municípios da Zona da Mata Mineira, em que participaram 107 profissionais que responderam um questionário para a caracterização dos profissionais e o MBI, constatou-se 94,4% dos profissionais apresentaram indicação positiva para Burnout20.

As regiões brasileiras que apresentaram um maior número de estudos foram o Nordeste (50%), o Sudeste (30%), seguidos pela região Sul (20%). Destaca-se que não foram identificadas publicações sobre o tema nas regiões Norte e Centro-Oeste. Na região Nordeste três dos nove estados apresentam pesquisas na área, nomeadamente Alagoas (20%), Paraíba (40%) e Sergipe (40%) Na região Sudeste dois dos quatro estados apresentaram pesquisas, destacando-se São Paulo (33,3%) e Minas Gerais (66,6%). Por fim, dos três estados da região Sul, apenas dois apresentaram publicações: Santa Catarina (50%) e Rio Grande do Sul (50%).

De acordo com os trabalhos selecionados é possível identificar que as categorias profissionais/ instituições mais frequentemente encontradas nos estudos foram os ACS, com 30% dos trabalhos selecionados. Dos trabalhos considerados que tratavam exclusivamente de uma categoria observou-se uma frequência de 19,3% de enfermeiros e 18% de técnicos de enfermagem com Burnout. É importante enfatizar que os trabalhos que consideraram ACS tiveram o índice de Burnout variando entre 0% e 29,3%. Vale a pena ainda realçar que o Burnout apresentou-se com percentagens elevadas nesses profissionais. Deste modo, é possível sugerir que a categoria/ instituição que apresentou  maior índice de Burnout foi o ACS.

É importante enfatizar que em apenas uma investigação não houve identificação de profissionais com Burnout18. No entanto, mesmo aqui os autores constataram a ocorrência de vivências de estresse entre os profissionais pesquisados ressaltando a importância do desenvolvimento de estratégias preventivas.

Um fato que chamou a atenção foi a inexistência de observações na categoria de Médicos, Dentista e Auxiliares de Consultório Dentário (ACD), atuante na Estratégia de Saúde da Família (ESF), tornando-se categorias profissionais negligenciadas do ponto de vista da investigação sobre Burnout, nesta área geográfica. Também se verificou a inexistência de pesquisas que envolvem Síndrome de Burnout e profissionais do Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF). É importante ressaltar que os profissionais do NASF trabalham como apoio matricial de uma a nove ESF e que sua sobrecarga e condições de trabalho são fatores de vulnerabilidade ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout.

Todos os estudos destacaram a importância do desenvolvimento de táticas preventivas para as categorias profissionais e equipas da ESF no intuito de minimizar o desgaste profissional desses trabalhadores.

 

CONCLUSÕES

O objetivo do estudo foi alcançado, tendo em vista que foi possível, mediante esta revisão integrativa, traçar um panorama das pesquisas sobre a Síndrome de Burnout em profissionais da ESF.

As principais evidências encontradas foram que a maioria dos estudos sobre Burnout em profissionais da Saúde da Família são artigos científicos, de origem mais prevalente do Nordeste, que estudaram categorias profissionais específicas, com predomínio do ACS e equipas interprofissionais, de modo geral.

Torna-se primordial realizar uma análise detalhada sobre a forma como são desenvolvidas as atividades de cada categoria profissional e como se encontram suas condições físicas e psicológicas, almejando a preservação da saúde desses profissionais.

É necessário que a gestão estratégica do SUS reconheça a importância de se gerir os processos de trabalho dos profissionais da Saúde da Família, bem como identificar fatores que potencializem as estratégias de resiliência para a manutenção da saúde mental desses profissionais de saúde, uma vez que a mesma pode refletir de forma direta na qualidade dos serviços oferecidos por esses profissionais.

O levantamento desses dados constitui-se de uma estratégia inicial em prol de estudos e elaboração de táticas que promovam transformações no convívio social, na formação continuada, na preparação prática, em melhores condições de atividades laborais desses profissionais.

Sendo assim, é importante ressaltar que o presente estudo é de relevância para a literatura científica, uma vez que apresentou os principais estudos acerca do tema e identificou a inexistência de estudos sobre a Síndrome de Burnout em várias categorias profissionais da Saúde da família, conseguindo, assim, estabelecer aproximações teórico-metodológicas que delinearam o cenário empírico e o estado da arte nessa temática.

Nessa visão, é primordial a continuidade do desenvolvimento de estudos futuros para investigar Burnout nos profissionais da Saúde da Família, em especial da equipa do NASF, contemplando as demais categorias profissionais negligenciadas até a presente pesquisa.


CONFLITOS DE INTERESSE

Os autores declaram que não há conflitos de interesse.

 

REFERÊNCIAS

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(1)Larissa de Araújo Batista Suarez . Psicóloga. Faculdades Integradas de Patos. Patos-PB, Brasil. Email: labsuarez@gmail.com

(2)Marcelo Xavier de Oliveira. Psicólogo. Faculdades Integradas de Patos. Patos-PB, Brasil. Email: marcelooliveira@fponline.edu.br

(3)Suenny Fonseca de Oliveira. Psicóloga. Universidade Federal de Campina Grande. Campina Grande-PB, Brasil. Email: suennyfonseca@yahoo.com.br

(4)Milena Nunes Alves de Sousa. Enfermeira. Faculdades Integradas de Patos. Patos-PB, Brasil. Email: minualsa@hotmail.com. Endereço para correspondência: Rua Horácio Nóbrega, s/n. Bairro: Belo Horizonte, Patos-PB, CEP 58.704-000.


Suarez L, Oliveira M, Oliveira S, Sousa M. Síndrome de Burnout e Saúde da Família: uma Revisão Integrativa sobre o desgaste ocupacional dos Profissionais de Saúde. Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional on line. 2016, volume 2, 53-62. DOI:10.31252/RPSO.19.08.2016

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